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segunda-feira, 6 de maio de 2019

Incêndio Florestal



- Esteja descansado que aqui nunca houve incêndios!, dizia-me a vizinha, tão certa como aqueles que vivem nos leito de cheia e confiam que o rio nunca lhes há-de chegar aos pés, quando eu, que sempre fui avesso à sabedoria popular, me punha a "empurrar" o mato para longe dos muros.
O povo da aldeia faz coro com ela e, como  os Serviços Florestais se dizem incapazes de identificar os proprietários da floresta confinante com as habitações, só me restou contar com a ajuda dos deuses.

De acordo com a 1ª Lei de Murphy “Se alguma coisa pode dar errado, dará, e no pior momento, e o incêndio florestal da passada sexta-feira, veio quando eu estava a milhas de casa e, não fora uma boa estrela pôr no ar dois aviões Canadair e no chão um carro de Bombeiros e um tractor com uma cisterna, o fogo não parava a três metros dos meus muros.

Parecer de um popular estabelecido nas imediações do início do incêndio.
O fogo teve origem numa fogueira activada por madeireiros, junto à aldeia vizinha. O dia estava seco e com muito vento. O fumo que saía da zona fazia prever o pior, pelo que chamou os Bombeiros, que chegaram uma meia hora depois e que, em vez de apagarem as chamas, ficaram à espera de uma ordem do seu chefe. Entretanto chegou à fogueira “alguém” com uma cisterna cheia de água, que foi impedido de a descarregar.
Quando, minutos depois, o fogo se estendeu à floresta, foram chamados os meios aéreos, “por o terreno, não ter acessos suficientes para o combate com os meios disponíveis.
Arderam cerca de 25 hectares de eucaliptal e pinheiro, com muitas austrálias pelo caminho.  

domingo, 21 de outubro de 2018

Remo



Sexta-feira. Jantar de amigos na margem esquerda do Douro, marcado para as 20:00 horas. Um transito de fim-de semana a dificultar o acesso. Um dia de Outubro de sol forte a dar início a uma noite de verão.

Caminho pela margem do rio, agora interdita ao transito, em direcção à Presuntaria Transmontana. O sol já se escondeu e a noite está quase, quase aí. O espelho do rio duplica as luzes da cidade em frente.

Num pequeno cais duas jovens preparam-se para sair num Double scull. Os turistas fotografam o rio e a cidade e elas demoram-se para se eternizarem nas fotos e partem piscando umas pequeninas luzes a meio de cada remo. Mais uma chega ao cais num outro skiff e parte mais lestra. Agora é mesmo noite. Só as luzes das margens iluminam o rio quando as vejo desaparecer debaixo da ponte. Vou ao hangar do outro lado da rua. Horário: Segundas, Terças, Quintas e Sextas: das 8:30h às 12:30h e das 16:00h às 21:00h. Quartas – das 17:00h às 21:00h. Sábados: das 8:30h às 13:00h (e, por vezes, das 15:00 às 18:00). Domingos e Feriados: das 8:30h às 13:00h.

Três jovens no meio do rio ... à noite, vestidas de preto, a fazer nascer em mim um quê de inveja.
Como o mundo muda! 

terça-feira, 28 de agosto de 2018

quinta-feira, 19 de março de 2015

Dia do Pai


Hoje, porque é o teu dia, andei de bicicleta, comprei uma verruma, mudei uma lâmpada, plantei morangos, manjericão, tomilho-limão e uma buganvília (sim, não esqueci de arejar a terra!). Não matei nenhum caracol porque fugiram do meu caminho. Quando cheguei a casa pus o Sérgio Godinho a cantar e comi pão com queijo das ilhas e prometo não acabar o dia sem comer um quadrado de chocolate de culinária com um dedo de whisky.
Ah, não contes à mãe, mas ainda não foi hoje que tomei a vacina do tétano (ainda só tem um ano de atraso). Talvez um dia ganhemos coragem e iremos ao Centro de Saúde juntos.
(ai... as coisas que eu não podia ser sem ti!)


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

"Pélfie"


Para quem gosta de se deixar por mãos alheias, as selfies são a solução. Fotografamo-nos e estimulamos os nossos amigos das redes sociais a comentá-las. 
Primeiro eram só os rostos, depois os rostos com paisagens exóticas em fundo, mais tarde surgiram as felfies – ou farmers selfie, a lado de um animal doméstico e as “Belfies” ou 'bottom selfies' – onde umas beldades famosas nos presenteam com um retrato das suas nádegas.

Hoje decidi inventar as “pélfies” – uma selfie dos pés “à portuguesa”, num adeus sentido a umas botas, a fazer lembrar as aulas de Canto Coral da minha Juventude:


Minhas botas, velhas, cardadas
Palmilhando léguas sem fim
Quanto mais velhinhas e estragadas
Tanto mais vigor sinto em mim
Pelos vales, montes e montanhas
Passo lesto, com afoiteza
Deus nos guia, Deus nos acompanha
Descobrindo a natureza

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Bricolage



Podia chamar um electricista para os colocar. Podia!... Mas não era a mesma coisa!
Gosto de me sentir capaz de resolver os problemas da minha casa. Uma lâmpada que não dá luz, uma torneira que não veda, um autoclismo que não funciona, uma pinga que cai no soalho e não se sabe de onde vem.
Houve tempo em que pagava esse trabalho. Chamava o “artista” e ia à minha vida, que os afazeres eram muitos. Muitas vezes dei com profissionais de segunda que deixaram o trabalho mal feito e uma avaria noutro lado. Um, chegou a responder, quando o questionei sobre o lixo que deixou espalhado pelo jardim - “são as migalhas que o pão deixa!”
A vida foi-me dando horas aos dias e, de há uns tempos para cá, faço a manutenção da maior parte das coisas da casa, e só chamo quando a obra é de monta. Tenho a referência de dois ou três bons profissionais, mas têm tanto que fazer que me inibo de os chamar para coisas menores.
Ando agora a substituir os candeeiros no jardim, que o plástico dos velhos não aguentou o sol, os encontrões dos cães, as boladas do meu neto … “desculpa avô, foi sem querer!”, nem as múltiplas colagens a que foram submetidos, que a fábrica “já não tem esse modelo”.

Um à hora. Rever o apoio e pô-lo horizontal e seguro. Cortar e descarnar fios, fazer novos furos no granito (que é do mais duro), ligar e isolar fios, pôr lâmpada e ver se está bem. Depois, pegar nos alicates, nos parafusos, nas chaves de fenda, no berbequim, nas brocas, nos fios eléctricos, nas buchas e passar ao seguinte.

Por fim, medir-me: "Ficou melhor do que o que estava!"

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Blogger



Ser Blogger e dar a cara é um jogo difícil.
Escrevo para me organizar e deixar a minha perspectiva. Uns tostões honestos e esforçados, que talvez não paguem as inconveniências.
Não é fácil a regularidade, dar qualidade à prosa, manter a coerência e manifestar discordância com quem afirma que “o calado é o melhor”, que "a sua política é o trabalho" e que encapotadamente mantém disponibilidade para qualquer esquema, desde que lhe calhe uma significativa quota parte.
É um pequeno contributo por entender que há  abusos de ricos, de pobres e de remediados, porque não há santidade em ninguém e que, a maior parte das vezes, o homem faz todo o mal que pode, e todo o bem a que é obrigado, mesmo quando fala no poder de relíquias ou nos valores dos profetas primordiais.
E é dessa massa que também me faço.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Caligrafia e análise grafológica

Segundo os entendidos, a grafologia permite identificar cerca de 300 traços do carácter de uma pessoa.
Consideram a direcção do texto, o espaçamento de letras e linhas, a forma como o espaço é aproveitado e associam a forma da letra ao cuidado que as pessoas imprimem nas actividades a que se dedicam.

A inclinação para a direita denuncia extroversão, equilíbrio entre a emoção e a razão, expressividade, orientação para o futuro e sociabilidade e a letra de tamanho médio revela uma pessoa facilmente adaptável, prática e realista.

A letra do meu avô Isidoro: 

a letra do meu pai:

a minha letra:

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Contrastes



- Avô! Avô! Tive 100% a Matemática e 83% a Português nas Provas Nacionais!
- Parabéns, João! És o maior!  Mereces uma prenda! … E tu Rita, no Infantário, também és das melhores?
- Não, avô! Eu sou um “terror”!
- Um “terror”????
- Sim! Mas não sou só eu! A Sofia, a Rita C., a Inês J., a Sara, ... , também são!
- AAhhhh! E não há nenhuma menina que não seja?
- Há! ... A Inês Costa!

sábado, 17 de maio de 2014

domingo, 11 de maio de 2014

A Pérgula



Primeiro falou-se com quem sabe. Depois arranjam-se os materiais e contratou-se um executante.
Deus quis, o homem sonhou (e pagou) e ... a obra nasceu.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Dia de Santa Luzia

13 de Dezembro - Dia das protectoras dos olhos e dos Oftalmologistas.
Diz a tradição:
Santa Luzia pertencia a uma nobre família napolitana que vivia em Siracusa (Sicília). Era dona de grande beleza. Orfã de pai desde os 4 anos, foi prometida pela mãe,  como esposa a um jovem da corte local, contrariando o seu voto de "consagrar a Deus a sua virgindade". O ex-noivo não se conformou com a recusa e denunciou-a, como cristã, ao governador romano - Pascásio, que a questionou. Ela, depois de muitas dissidências ter-lhe-á perguntado: "mas afinal o que vê o nobre patrício em mim de tão desejável?", ao que Pascásio respondeu: "os teus olhos brilham como duas estrelas e encantam como duas pérolas". Face a isto, Luzia "num gesto rápido de sublime heroísmo", arrancou os olhos e colocou-os numa bandeja, ordenando que os enviasse ao seu pretendente. Depois foi martirizada. Era o dia 13 de Dezembro de 304.

Santa Otília, nasceu cega e foi recusada pelo pai - Aldarico da Alsácia (Alemanha), que a entregou a um mosteiro. Quando o bispo a baptizou disse: "Que os teus olhos do corpo se abram, como foram abertos os teus olhos da alma" e foi-lhe restituída a visão. Então, quiseram-lhe arranjar um bom casamento e Otília preferiu a vida religiosa. Convertido, o pai transformou o seu castelo de Hohenbourg, nas margens do Rio Reno, num mosteiro. Ela foi a primeira abadessa. Aí recolheu pobres e doentes e aí morreu no 13 de Dezembro de 720.
Desde então, por sua intercessão, os devotos que molham os olhos doentes na água proveniente da fonte do mosteiro, conseguem a graça da cura.

Nos Países Nórdicos, a 13 de Dezembro, organizam-se cortejos em que uma rapariga loira de cabelos compridos, vestida com uma túnica branca e uma fita vermelha na cintura e com uma grinalda de verdes com velas acesas, encabeça uma comitiva de jovens mulheres, cada uma com uma vela, que desfila pelas ruas e visita escolas, hospitais, fábricas, etc, procurando transmitir alegria. No antigo calendário Juliano (que se usou na Suécia até 1753), esta data correspondia à noite mais longa do ano (o solstício de inverno - no calendário gregoriano é a 21 de Dezembro), quando o Sol atinge o ponto mais ao sul da sua trajectória em relação à Terra. É uma tradição pagã que o cristianismo se apropriou para facilitar a conversão.

No Norte e no Sul canta-se a zona costeira do Borgo Santa Lucia, na Baía de Nápoles.



É a globalização!

Em Viana do Castelo de hoje, Santa Luzia não tem festa. Dá nome ao monte e ao que lá está: ao Templo dedicado ao "Sagrado Coração de Jesus" por ter livrado a cidade da Pneumónica  (1918), construído no local onde até 1926 havia uma pequena capela que lhe era dedicada,  à citânia da Idade do Ferro (Séc: VII a II a.C.), à pousada e ao elevador.

Mas eu, que gosto de santos de carne e osso, faço de Lúcia cabeça, olhos e braços e tenho-a por uma santa atenta e diligente que me anima e me sossega de 2ª a 6ª feira.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Elas

Talvez eu esteja enganado, mas está “na moda” pôr as mulheres a mandar.
Quando há necessidade em arrumar a casa, para que possamos dar novos passos em segurança, o “X” ajuda mais que o “y”.
De facto, as novidades da última metade do século foram tantas que, para que a população possa usufruir delas, sem a ajuda daqueles técnicos que resolvem um problema e criam dois, há que meter as mulheres ao barulho.
Claro que há homens com um “X” grandioso, arrumadinhos e disponíveis, mas na maioria deles, o “X” é pouco activo e o pequeno “y” anda eternamente a testar novos limites com pouca disponibilidade para esse recado.
O “y” tem os genes ocupados “a mostrar quem se é” – para os automóveis, para o futebol, para os relógios e roupa de "marca" e os que sobram, para “arrotar umas postas de pescada” em futurices desmedidas e  para uns arrancos directos à concupiscência e à procriação da espécie.
Os homens de X grandioso, são habitualmente homo ou metrossexuais, facilmente identificáveis pelos trejeitos. É a necessidade de adulação que os move e, como tal, são erráticos e com laivos maníaco-depressivos. São abundantes na política e nos círculos que lhe estão afectos. Gabam-se do jogo de cintura e estão sempre disponíveis para defender hoje uma causa e amanhã o seu contrário, desde que não os tirem do palco.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Bonecas



Desde a antiguidade mais remota que as bonecas nos servem, nos rituais magico-religiosos e como brinquedos.
Inspiram as meninas para a maternidade, ensinam-lhes um modo de estar, vivem-lhes as angústias, sofrem com elas e morrem esquecidas a um canto, quando perdem utilidade.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Rua Alto da Fontinha, 83, Porto








Ali nasci, e vivi 13 Verões, dentro de portas (que as ilhas em redor eram de outra gente), com idas à praia com barraca alugada para o mês.
A minha avó Helena, o meu avô Santos, a Sofia e a sua mãe que a ajudava nos “Ai, Virgem!”, com que a toda a hora exprimia o hábito de um sofrimento, eram os personagens da casa. A praia de manhã ao fim do dia, o eléctrico das viagens - “Senhores passageiros, é favor chegar à frente!”, os banhos de mar - “Já posso? Já posso?”, os jogos e as zangas, eram o condimentos dos dias!
Tudo desapareceu.

Mantém-se a casa triste, como uma senhora pobre à espera de um noivo rico.