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domingo, 21 de abril de 2019

Líquens


Os líquenes são os organismos visíveis mais resistentes do planeta mas são dos menos ambiciosos. Dão-se por felizes a crescer num cemitério soalheiro, mas dão-se melhor ainda em ambientes onde nenhum outro organismo se instalaria – nos cumes ventosos das montanhas e nas regiões árticas desertas, onde há apenas rocha, chuva e frio, e quase nenhuma concorrência. Em áreas da Antártida, onde praticamente não cresce mais nada, encontram-se vastas extensões de líquenes – 400 tipos diferentes - dedicadamente agarrados a tudo o que seja rocha acoitada pelo vento. Durante muito tempo não se compreendeu como crescem sobre as rochas nuas, sem qualquer sinal de nutrição ou produção de sementes.
São uma sociedade entre fungos e algas. Os fungos excretam ácidos que dissolvem a superfície da pedra, libertando minerais que as algas convertem em nutrientes em quantidade suficiente para alimentar ambos. Existem mais de 20 mil variedades de líquenes.
Como a maior parte das coisas que vivem em ambientes hostis, os líquenes crescem devagar. Pode demorar meio século para que um líquen atinja as dimensões de um botão de camisa. Os que são do tamanho de um prato, escreve David Attenborough, são, portanto, capazes de ter centenas, senão milhares de anos de idade.
Seria difícil imaginar uma vida menos interessante.
Limitam-se a existir.

In "Breve História de quase Tudo" de Bill Bryson

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Cogumelos Mágicos


Chegaram. Tão bonitos! Tão vistosos, a dar cor ao parque infantil! Vou ficar atento, pois eles devem ser o prenúncio de ali morarem gnomos, fadas ou, quem sabe, se algum trasgo fugido da Galiza ali se instalou, antes de se aventurar na minha casa.  

Amanita muscaria


Embora sejam considerados venenosos, raramente a sua ingestão é causa de morte (a fervura enfraquece a sua toxicidade).
O Amanita muscaria é conhecido pelas suas propriedades halucinogénicas. Os seus constituintes psicoativos são os Ácido Iboténico e o Muscinol. A dose activa para um adulto é aproximadamente 6 mg de Muscimol ou 30 a 60 mg de Ácido Iboténico, o que é possível encontrar numa cápsula de um destes cogumelos - embora a concentração varie de cogumelo para cogumelo e também com as estações do ano (na primavera e no verão tendem a ter concentrações dez vezes superiores).

Os constituintes activos são solúveis em água, pelo que a fervura e a sequente rejeição da água, diminui-lhes a toxicidade. Por outro lado, a secagem aumenta-lhes a potência, por facilitar a conversão do Ácido Iboténico no mais potente Muscimol.

A Muscarina, que em tempos foi responsabilizada pelos efeitos halucinogénicos do A. muscaria é um constituinte minor, sem concentrações suficientes para provocar sintomas. O Ácido Iboténico e o Muscimol têm estruturas relacionadas com dois neurotransmissores do Sistema Nervoso Central: o Ácido Glutâmico e o GABA (Ácido Gama-Amino- Butírico) respectivamente, e actuam como esses neurotransmissores.


terça-feira, 18 de setembro de 2018

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Tartaruga



- Tartaruga! Tartaruga! Tartaruga! Vem cá!



- Tchop!



- Ah! Estás aí! Vem até aqui, à borda do tanque! Então! Como passaste a noite?



- Tchop!



- Sabes uma coisa? No meu emprego andam à cata de quem queira mandar!



- Tchop?!?!



- Verdade! Espera! Não mergulhes já!

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Bicho pau



Pois é, meu caro! Estás habituado a comer coisas tenras, à socapa, mas ao apareceres sem aviso, devias contar com as “contingências” do momento.

Como sabes, todos temos problemas e só somos felizes quando os vamos resolvendo. E o tempo é importante pois, mesmo que as dificuldades sejam pequenas, se elas se arrastam, desgastam-nos. Ainda por cima, o dinheiro não resolve todas, que o diga a filha do Onassis que se suicidou aos 37 anos.

Mas adiante, que ontem era dia de dar conta da lagarta mineira. Coisa sem importância, que estava a aguardar disponibilidade para ir à Casa do Lavrador, com o Diploma de “Aplicador de Produtos Fitofarmacêuticos” e comprar uma carteira de Actara 25 WG,  para pulverizar as laranjeiras.

Como é que ia saber que tu lá estavas. Só pensei nas abelhas e, como os citrinos não estão com flor, fui por ali adiante, à confiança.
Assim, considero-te um “dano colateral”. Uma "vítima de fogo amigo"!
“É a vida!”, como diria o Guterres. E de nada te vale essa cara de pau. Agora, é andar para frente e ver se a dose que te calhou não chega a mortal.

Pensando bem, até hoje, tiveste uma boa vida, sempre de costas ao alto, a fingir-te ocupado em pensamentos profundos, sem nada decidir, safando-te dos lagartos e dos pássaros que, se te vissem, chamavam-te um figo pois, para bicho pau, estás bem nutrido.
Ainda por cima, tiveste sorte em ter dado comigo. Levei-te para longe do laranjal, para um recobro bem disfarçado no meio de uns gravetos, e nem um obrigado disseste. Mantiveste a cara de pau como se fosse eu o culpado. 

És um safado! Sei bem que quem bate não lembra e quem apanha não esquece, mas se vieres a recuperar, volta em paz e no tempo das abelhas, que eu finjo que não entendo o teu ressentimento e ficamos à conversa até ver nesses teus olhos o esboço de um sorriso.
Põe-te fino, mas não demais, senão desapareces! Tem cuidado com os químicos das hortas e com o fogo nas florestas, que tu para fugir nem asas de jeito tens!

Pensando bem, o melhor é emigrares. Arranjas um “casaco” quente, agarras-te a um licenciado recém-formado e vais ver que em menos de meio ano até alemão falas.

Até à próxima!

P.S.: Não te esqueças de respirar!!!

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

O Feliz



Pensei em pôr-te no lixo ao lado dos candeeiros partidos, mas lembrei-me dos anos que partilhaste comigo, sempre disponível e sem um resmungo, fosse sábado ou domingo, e … hesitei.
Era só mais um furo, até abrir a roda e ver o estado lastimável do pneu, coçado e quase transparente nalguns pontos. Nem no OLX davam 1 Euro por ti.

Entrei na loja do Bricolage à procura de um sapato para te calçar.
Passei a zona da jardinagem, das lâmpadas e das canalizações e, bem ao fundo, já depois dos cimentos, lá estava a tua família meia suspensa do tecto. Uns amarelos, outros verdes, todos cintilantes, como a dizer “leva-me, leva-me!”. Um deles, mais afoito, com um papel colado "em promoção!” para me tentar! E, logo abaixo, em frente aos olhos, aquela roda completa, com um pneu anti-furo, para eu nunca mais pensar onde pus a caixa dos remendos ou a bomba do ar. Coisa de chegar a casa, desatarraxar dois parafusos e dar-te corda aos chinelos.

Levaste cimento, terra, pedras, lixo, plantas e até com o pneu furado aguentaste em cima da jante, quando eu não tinha tempo ou paciência para pôr o remendo na câmara de ar.
Por isso não olhei ao preço. Peguei, rodei e meti-a na cesta!

Por mais vinte euros, comprava um carrinho de mão novo, que destoaria a meu lado. Assim, um pouco desajeitado, fazes “pendant” comigo e lá terás de te aguentar, até Deus, Nosso Senhor, entender que chegaram ao fim os teus dias.
Já não te é exigido tanto como noutros tempos, em que qualquer um pegava em ti e te dava tratos de polé. Agora é trabalhos moderados ao fim-de-semana e o resto a descansar encostado às paredes da arrecadação, junto às enxadas, que sempre é melhor que ir para a China, ser reciclado em vergalhões, e acabar na armadura metálica de uma barragem ou de qualquer outra construção humana.

Tiveste sorte!

segunda-feira, 13 de junho de 2016

terça-feira, 28 de julho de 2015

A Corymbia





-Pára! Pára!
 -Que foi?
-Volta atrás, que eu quero ver aquela árvore!
-Onde?
-Na Sereia da Gelfa. Volta atrás que a Corymbia está em flor e eu quero vê-la de perto, outra vez. Não deve haver em Portugal outra tão linda como esta. Quem a vê o resto do ano toma-a por um eucalipto, com quem é aparentada. Esta floração é um espanto. Há outra de flor vermelha, lá atrás. Vamos vê-las, que este fogo não dura mais que duas semanas!
O nome correcto é Corymbia ficifolia. É natural da Austrália como os eucaliptos. É uma lotaria ter uma destas. Não florescem antes dos nove anos e não é possível garantir a cor da sua flor. Pode sair branca, rosa, púrpura, vermelha ou laranja, já que se pode cruzar com uma “prima” a Corymbia calophylla que tem flores brancas ou rosadas. Como não pega de estaca e tem de ser semeada há que esperar para ver.
-É o paraíso das abelhas. Vou dizer à Né para vir vê-la, que ela é doida por flores e, por certo, não conhece estas! Ou melhor! Vou esperar que ela venha aqui!

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

"Pélfie"


Para quem gosta de se deixar por mãos alheias, as selfies são a solução. Fotografamo-nos e estimulamos os nossos amigos das redes sociais a comentá-las. 
Primeiro eram só os rostos, depois os rostos com paisagens exóticas em fundo, mais tarde surgiram as felfies – ou farmers selfie, a lado de um animal doméstico e as “Belfies” ou 'bottom selfies' – onde umas beldades famosas nos presenteam com um retrato das suas nádegas.

Hoje decidi inventar as “pélfies” – uma selfie dos pés “à portuguesa”, num adeus sentido a umas botas, a fazer lembrar as aulas de Canto Coral da minha Juventude:


Minhas botas, velhas, cardadas
Palmilhando léguas sem fim
Quanto mais velhinhas e estragadas
Tanto mais vigor sinto em mim
Pelos vales, montes e montanhas
Passo lesto, com afoiteza
Deus nos guia, Deus nos acompanha
Descobrindo a natureza

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

domingo, 6 de julho de 2014

Não te metas na minha vida

Em Afife, no Caminho de Santiago.
Também chamada "colchão-de-noiva ou lágrimas-de-bebé"

segunda-feira, 21 de abril de 2014

quarta-feira, 9 de abril de 2014

domingo, 23 de março de 2014

Morangos

Antes de me ir a eles, lembrei-me das aulas de Ciências Naturais, onde os pensava classificados nas Infrutescências. Errei.
O morango não deriva de uma inflorescência pois tem uma única flor, cujo ovário é formado por diversos carpelos ligeiramente aderentes entre si. Deve ser classificado como um "fruto agregado”. A sua parte carnuda é o receptáculo de múltiplos frutos, que são “os grãozinhos” à sua superfície.
O figo, a amora-de-silva e o abacaxi, esses sim, são infrutescências, pois derivam de muitas flores que crescem conjuntamente.

Revista a ciência, fui ao canteiro onde os tinha colocado no ano passado (de onde não colhi mais que 1Kg,  predado por tudo o que era bicho), decidido a usar técnica diferente que, não só aumente a produção, como me proteja de quem toma o pequeno-almoço muito antes de mim.

Sachei, limpei, adubei, montei sistema de rega, plantei. Uufff!!!!! ... e ainda falta proteger! Duas tardes e a sensação de que, mesmo que consiga quantidade, vou ter os morangos mais caros da região. 
E… a luta continua, que vai ser desta que eu ganho à natureza!




domingo, 23 de junho de 2013

Mobilidade especial


“Estremeceu!”, diagnosticou o jardineiro. “Foi de um arejo”, disse a jornaleira. Mas, por uma razão ou outra, ou por nenhuma delas, a Camelia japonica, não tolerou os efeitos da mobilidade especial do processo de reorganização do jardim.
Depois de excluir os outros diagnósticos que grassam na linguagem dos "entendidos", do tipo “foi o caracol da noite”, foi andaço, foi moléstia..., e sem nada de científico que o apoie, desta vez dou razão ao jardineiro.

Na verdade, não se tratava de uma requalificação, pretendiam-se as mesmas funções ornamentais num outro local, depois de ter passado dois anos difíceis num terreno saibroso e ensombrado, "na extrema" do jardim.
Se fosse uma Camelia sinensis (a espécie de onde se extrai o chá por infusão das suas folhas, flores ou raízes) não me espantaria, pois nunca se adaptou bem ao nosso clima, mas esta, que no Minho tem honras de fachada em todos os solares e casas rústicas, tinha-a por mais resistente.
Falhei. Não a quis mudar em Outubro “quando pega tudo” e deslocalizei-a em início de Abril, com tempo chuvoso. Não gostou. Estremeceu!
Agora volta a cuidados de internamento, com regas diárias, de vez em quando borra de café e estrume de cavalo nas imediações e muita “conversa”, porque até as plantas gostam que se lhes fale e se lhes explique as razões e os processos de reorganização – extinção, fusão, reestruturação de órgãos e racionalização de efectivos, para que não desmoralizem e entrem em depressão.

sábado, 1 de setembro de 2012

Ajustamento



... ou poda camarária.
Talvez rebentem ...
"A ver vamos!", como diz o cego.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Um amuo
























Eu sei que estás sentida, mas agora não vale a pena amuares, que eu não mudo nada do que fiz.
Tens memória curta, senão lembravas-te dos acontecimentos dos últimos onze anos, e estarias tão grata, que te vergarias à minha passagem. Mas o que lá vai, lá vai, e agora sentes-te longe, mesmo sabendo que todos os dias te vejo e que rezo pela tua rápida recuperação.

Já te expliquei, que te puseram ao pé da porta contra minha vontade, pois já sabia que em meia dúzia de anos necessitarias de mais espaço, e que só à força de grandes podas é que aí podias ter ficado, mas, mesmo assim não te resignas ao novo lugar onde podes dar largas à tua vontade.
E mais! Não te esqueças que ias para lenha quando te fui buscar “in extremis”, sem saber a qualidade do teu fruto, que, hás-de convir, não é grande, nem saboroso.
Bem! Ficamos por aqui! Vê se deixas esse ar amodorrado e mandas cá para fora uns raminhos, que eu gosto de te ver luzir de sol, que adubo não te vai faltar, pelo menos enquanto eu aqui estiver.

Cresce, que até vais ver o mar aí de cima.

sábado, 28 de novembro de 2009

Cogumelos

Nascem como cogumelos (que são) nos paus que ponho a decorar o jardim e aproveitam-se da minha ignorância para ir por aí fora, confiantes de que os não irei comer.















Mas vão-me obrigar a um estudo para os meter no tacho. É que isto de chegar e não pagar renda tem de ter um fim!