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quinta-feira, 6 de junho de 2019

Certificação dos Madeireiros


Ter uma floresta implica algum saber. Não é só esperar que as árvores estejam crescidas para depois as cortar. É como ser dono de um animal. Para a manter saudável, há que limpar o terreno, mondá-las regularmente para manter uma distância adequada ao seu porte e sem significativo risco incêndio e, do mesmo modo que para um animal, que necessita de veterinários e de enfermeiros veterinários, a floresta carece de gente com formação - de engenheiros florestais a madeireiros que mereçam esse nome.

É urgente a certificação de quem se diz ”madeireiro”, para evitar que a ignorância dos “básicos”, faça uma exploração gananciosa, deixando ramagens a entupir os caminhos e as linhas de água, facilitando a propagação de infestantes - como as “austrálias” - Acacia melanoxylon- e impedindo a autorregeneração.

Já passámos a fase em que qualquer um, com um motocultivador com reboque e duas motosserras se mete floresta adentro arvorado em lenhador. É necessário garantir que, quem lá trabalha tem conhecimentos, recursos e responsabilidades.

O que se gasta a apagar incêndios, justifica este investimento, para que não seja o fogo a fazer a limpeza e o dinheiro arrecadado por quem o tenta confinar.

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Cincinnatus

Custa-me aceitar quem se eterniza, principalmente se ocupa um qualquer lugar de direcção do Estado. Todos temos incapacidades para algum tipo de problemas e, quando persistimos, são esses que vão ganhando volume sem resposta e nos fazem cair com estrondo.
É esse um dos motivos porque não simpatizo com o PCP, nem com o Mário Nogueira, nem com os "dinossauros" das nossas autarquias.

Todos os "Team Leaders" dos diferentes organismos do Estado, deveriam ter mandatos limitados. por não mais que 10 anos, mesmo que se mantivessem competentes.
As funções de direcção, se tomadas com responsabilidade, não só são desgastantes, como causam ressentimentos que se agravam com o andar dos anos, pelo que, mesmo quando já não há "Up", tem de haver "Out", que mais não seja para dar descanso aos que há muito o não suportam.

Transporto comigo a figura/mito do Cincinatus que ponho em contraponto a Salazar, ao Generalíssimo (o íssimo é real) Franco, ao Saddam Hussein, ao Erdogan e às famílias Bashar al-Assad e Kim Jong-un e a outros tantos que têm todas as soluções para aquele futuro que só eles conhecem.
São eles que enchem os Noticiários, com os seus 9 anos, 4 meses e 2 dias, repetidos à exaustão em negociações do inegociável, pois são habitualmente cabeçudos incultos que não entendem que um problema pode ter várias soluções razoáveis e que a História ensina que raramente se tem 100% da razão.
"Dez anos é muito tempo!", já o dizia o Paulo de Carvalho, quando ainda tinha cabelo, voz e alguma graça, e eu concordo. Um máximo de dois mandatos de quatro anos é o certo. Mais que isso só para excepções muito excepcionais.

Na historia de Roma Lucius Quintus Cincinatus (519 AC — 439 AC) , é modelo de virtude e simplicidade. Foi eleito ditador para salvar o exército numa guerra contra os Volscos. Quando o informaram da nomeação estava a lavrar a terra. Largou as alfaias e foi para o campo de batalha. Em 16 dias derrotou os inimigos. Entrou em triunfo em Roma e, "por amor à República", renunciou imediatamente à sua autoridade absoluta para voltar aos seus campos e ao arado. 

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

O nosso "anti-racismo"




Os europeus tornaram-se multiculturais, tanto nos factos como por princípio. As comunidades imigrantes, muitas vezes pesadamente muçulmanas, crescem nos países europeus em resposta à carência de mão de obra de princípio do pós Segunda Guerra Mundial. Nos primeiros tempos, os activistas destas comunidades lutaram por direitos iguais para os imigrantes e seus filhos, mas viram -se frustrados por continuas barreiras à mobilidade ascendente e à integração social. Inspirados tanto pela Revolução Iraniana de 1979 como pelo apoio saudita às mesquitas e madrassas salafistas, começaram a aparecer na Europa grupos islamitas que defendiam que os muçulmanos não deviam procurar integrar-se , mas sim manter instituições culturais separadas. Muitas pessoas da esquerda europeia abraçaram esta tendência, considerando os islamitas como os autênticos porta-vozes dos muçulmanos, mais marginalizados do que integrados, que tinham optado por se integrarem no sistema social. Em França, os muçulmanos tornaram-se o novo proletariado, com parte da esquerda a abandonar o seu secularismo tradicional em nome do pluralismo cultural. As criticas de que os islamitas eram ele próprios intolerantes e iliberais era muitas vezes minimizadas sob a bandeira do antirracismo de contrariar a islamofobia.

In Identidades, Francis Fukuyama

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Carta aberta a Nicolás Maduro




Caro Maduro:
Para governar um país é necessário ter mundo e jogo de cintura para não se refugiar numa solução que até pode ter sido boa, mas que a mudança das circunstâncias provou “ad nauseam” que já não é. A pouca razão que possas ter tido, não te irá servir para nada. A geografia e as enormes reservas de petróleo contam mais que a ideologia. Quiseste continuar a política à Robin dos Bosques, sem entenderes que a América do Sul é pertença do “Ocidente”, que é como quem diz está dependente da política internacional dos Estados Unidos. Esqueceste-te que Cuba não tinha petróleo e optaste pelo caminho do Saddam, e o mais certo é teres o mesmo fim. A Venezuela é demasiado importante para que a deixem ser um protectorado da Rússia ou da China.
Paraste no tempo. A globalização criou problemas que exigem mentalidades abertas a soluções integradas com o sentir das outras nações. Deves ter pensado que estar sentado sobre o petróleo te dava o direito de fazer uma “Arábia Saudita” à Venezuelana, quando devias ir à missa e procurar o apoio internacional que foste perdendo.  
Se arrastares o país para a guerra civil, vais ficar na História como mais um Vilão. Ouve o que te digo: marca as eleições que te pedem, mas faz por perder! Depois, foges para a Rússia, voltas aos camiões (aquela terra tem extensões que nunca mais acabam) e acabas de criar os filhos. Daqui a uns anos, escreves um livro a contar as mágoas e vais ver que não te vão faltar compradores. Com sorte, até te fazem santo, quando morreres!
Vai por mim que, mesmo não sendo taxista, sou mais velho e já vi o porco a andar de bicicleta.

Passa bem!

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

O futuro do SNS



Estou fora, mas mantenho as cicatrizes do tempo em que lutei por um SNS com custos sustentáveis e revolta-me ouvir quem defende resolver o problema atirando-lhe dinheiro para cima.
Senti as dificuldades de todos os graus da carreira médica e assisti ao crescimento da “medicina defensiva”, ao abuso de Meios Complementares de Diagnóstico, à incapacidade em conter os profissionais “disfuncionais”, ao papel nocivo do amiguismo politico-religioso e à inaptidão dos sucessivos ministérios da Saúde em dar credibilidade aos Centros de Saúde.
Como se estas ineficiências não lhe chegassem, quando os Hospitais Privados entraram e o Serviço Nacional de Saúde passou a “Sistema”, o descontrole agravou-se, pois os que dizem que o Estado é mau pagador, ocultam que ele paga muito bem as ineficiências e os oportunismos, e que raramente protesta.
Para cúmulo, a comunicação social, ao anotar essencialmente as falências do SNS, induz na população um sentimento de insegurança, que a leva a quase exigir TACs, análises e muitas opiniões, esquecendo que o funcionamento das instituições é monitorizado diariamente pelos pares, sejam eles Auxiliares, Enfermeiros ou Médicos.
As últimas intervenções dos políticos vão na direcção de entregar aos grandes grupos económicos ligados à Saúde, “as técnicas que dão dinheiro” e deixar para o SNS o que “não é rentável”, o que irá agravar o fosso salarial entre os profissionais dos dois lados, com a consequente “desnatação” dos quadros do Estado.

O futuro do SNS não depende de “mais dinheiro”. Depende da capacidade técnica e organizativa de que for capaz, e isso não é compatível com o “deixa andar”, com compadrios, com “faz-de-conta” para que os “números” dêem certo, quando se recusa a quem está “por dentro” e é responsável, capacidade de corrigir o que está mal.
É aqui que se ganha o SNS. Claro que o dinheiro tem de ser adequado às funções, mas sem uma responsabilização clara do modo como ele é gasto, só se irá agravar o problema e dar razão aos privados que se dizem capazes de melhor gestão. O SNS exige, acima de tudo, gente competente. 
Infelizmente, também aqui há “Estradas de Borba” (fruto de compadrios e da excessiva indulgência para com os “amigos”), a aguardar que uma chuvada mais forte as faça ruir e, mesmo que haja auto-estradas e muitas outras vias com bom funcionamento, vão ser elas que lhe irão dar a imagem, para desviar o dinheiro dos Impostos para o Sector Privado, e o transformar num Serviço  para os “pobres”.


sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Carta aberta ao ex-Ministro da Saúde




Caro Adalberto:

Ando há semanas às voltas com esta carta de despedida, mas metem-se sempre umas coisas menores pela frente e obrigo-te a esperar.
Fui apoiante das tuas boas intenções, mas penalizo-te por não teres analisado devidamente os lobbies da saúde e por não teres estabelecido regras ab inicio que promovessem eficiência.
Em meu entender devias ter suspenso alguns programas informáticos até que o sistema garantisse fluidez. O actual sistema de registos dos diários de enfermagem é de difícil consulta médica. Está desenhado para responder a necessidades criminais e não às assistências. Um texto com três linhas, mais uma tabela de sinais vitais, é o suficiente para a maioria dos doentes. Obrigar os enfermeiros a preencher quadros em diferentes páginas, que não são lidos pelos médicos, não é proveitoso. Um registo em papel era mais rápido e funcionante. Também devias rever algumas das suas funções indiferenciadas, como o são a maior parte das higienes a que se obrigam, transferindo-as para auxiliares de acção médica. O que poupavas em informática e em mão de obra, podias usá-lo para lhes aumentar o vencimento. Claro que aí tinhas comprado outras guerras.
Quanto aos médicos, os registos dos diários nas enfermarias deviam ter continuado em papel e só os Relatórios finais (como as Notas de Alta) deveriam ser informatizados.
Não é possível trabalhar com computadores, quando eles são lentos, vão abaixo frequentemente e são em número insuficiente para os profissionais. São horas de trabalho médico desperdiçado. Esperavas até se poder garantir um PC ou Tablet a cada médico, revias os programas informáticos, e então a coisa podia ser rentável. Deixaste que os SPMS andassem com o carro à frente dos bois sem qualquer auditoria, e o tempo que se gasta em registos onera significativamente o sistema.
Mas, acima de tudo, havia de responsabilizar as direcções pelos gastos e pela produção. Responsabilizar e dar poder. Pedir resultados e dar condições para corrigir o que estivesse errado. O dinheiro que poupavas em MCDT, na iatrogenia e no Controle Biométrico dava-te uma folga, que até podias começar a pagar a formação do pessoal de saúde nos mais altos standards.
Claro que terias de ter força para te opores ao negócio da saúde. Mas não eram só os "privados que fornecem serviços ao Estado" e a Indústria Farmacêutica que tinhas de "frenar". Tinhas de negociar com os lobbies dos médicos e dos enfermeiros para que a sua progressiva diferenciação fosse acompanhada do abandono de funções menos diferenciadas em favor de outros grupos profissionais. Devias também ter posto em sentido aquela gente que, em Lisboa, decide, compra e implementa sistemas informáticos que, frequentemente não melhoram em nada a assistência e que dificultam a análise de quem se preocupa com a qualidade e quantidade do que se faz e não com quem chega tarde ou sai cedo.
Quem vem a seguir ti, se não se dispuser a “puxar pelos galões”, vai manter as responsabilidades difusas, sem que se corrijam as ineficiências e os custos crescentes da saúde.

Eu, por agora, estou noutra, mas custa-me saber que uma parte significativa dos meus impostos está a servir para cobrir ineficiências, substituindo uma palavra acertada (que pode ser tudo o necessário para tratar adequadamente um doente) por uma lista interminável de remédios e de intervenções para esconder a incompetência, a falta de esperança ou a sustentabilidade dos "privados".

Espero que tenhas agora algum descanso, pois considero que depois de teres sido o "saco de boxe" onde todos foram dar o seu murro para mostrar que também "são", te dá o direito a um bom ano sabático antes de reapareceres de novo. 
Fica bem! Bom fim-de-semana e não te esqueças do guarda-chuva!
Abraço.

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Frase do Dia


Quem não está na mesa de negociações, está na ementa!

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Os Ismaelitas e "Os Lusíadas"


Aga Khan IV descende do profeta Maomé. É o líder espiritual de 15 milhões de fiéis muçulmanos, xiitas ismaelitas, 10 mil dos quais vivem em Portugal, comunidade que doa ao Imamato (que ele  gere), cerca de 10 a 12% do que ganha.
É um dos homens mais ricos e mais influentes do mundo. Dizem que a sua fortuna ronda os 14 mil milhões de dólares. Está prestes a estabelecer residência em Lisboa. Será o novo sr. Gulbenkian. 

Com funções múltiplas e muito além da orientação religiosa, Karim Aga Khan tem a seu cargo a educação cívica da comunidade, que o adula. Significa isso cuidar do seu bem-estar e guiá-los no sentido de criarem os seus próprios meios de subsistência. Terá dito: “Os meus deveres são bem mais latos que os do Papa!".

Luís de Camões, nos Lusíadas (1572) no CANTO I, via-os assim:

1
As armas e os barões assinalados,
Que da ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca de antes navegados,
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;

2
E também as memórias gloriosas
Daqueles Reis, que foram dilatando
A Fé, o Império, e as terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando;
E aqueles, que por obras valerosas
Se vão da lei da morte libertando;
...

3 ...
4 ...
5 ...
6 ...
7 ...

8
Vós, poderoso Rei, cujo alto Império
O Sol, logo em nascendo, vê primeiro;
Vê-o também no meio do Hemisfério,
E quando desce o deixa derradeiro;
Vós, que esperamos jugo e vitupério
Do torpe Ismaelita cavaleiro,
Do Turco oriental, e do Gentio,
Que inda bebe o licor do santo rio;

terça-feira, 22 de maio de 2018

Skin in the game



To have "skin in the game" is to have incurred risk (monetary or otherwise) by being involved in achieving a goal. The aphorism is particularly common in business, finance, and gambling, and is also used in politics.

Basicamente: se queres que honestamente te sigam, põe a “tua pele em jogo” no projecto que defendes.: “Put your mouth where your money is!” ou ”Don’t tell me what you “think”, just tell me what’s in your potfolio!”  ou "Those who talk should do, and only those who do, should talk!".

Vão estas frases em inglês, por serem da cultura anglo-saxónica. Quem não as entende, também não se há-de demorar a ler um texto com mais de três linhas, principalmente se pertence ao grupo dos que opinam sobre o que desconhecem ou sobre o que não os afecta.

Se um decisor tem os benefícios de um projecto, tem de partilhar os riscos, para não serem só os outros a pagar o preço dos seus erros. Se dá uma opinião e alguém a segue, fica moralmente obrigado às suas consequências.

A política está cheia de quem nunca teve de pagar pelas consequências das suas opções. Gente que mergulha em elaborados discursos de chavões, com pensamentos pouco abrangentes e estáticos, que só considera as acções e não têm em conta as “interacções”.
Num sistema centralizado, a Burocracia separa-os “convenientemente” das consequências. Só a descentralização, distribuindo a responsabilidade, fará com que se encontre, "naturalmente", mais gente a pôr a  “pele em jogo”.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Carta aberta o Pai Natal


Pai Natal: 

Tenho-te escrito com alguma regularidade nesta época em que toda a gente com acesso aos meios de comunicação social, disponibiliza uns minutos aos "dispensáveis" desta sociedade universal do comércio, que enriquece uma minoria e faz parecer a democracia um jogo dos poderosos.

Na tua época, os monges alegavam ser a pobreza “a primeira das bem-aventuranças” e tu, agora,  fazes despudoradamente o jogo do consumismo! Como é?! Até pareces acreditar que são os empresários que se movimentam de negócio em negócio nos mercados livres, que garantem o crescimento económico e a prosperidade mundial e que tudo o que os governos devem fazer é sair-lhes da frente, sem considerarem factores de constrangimento como o espaço geográfico, os recursos naturais e os ecossistemas frágeis que frequentemente, estão na génese da pobreza. 

Pela primeira vez na História, todos os povos da Terra têm um presente comum e sentem o choque dos acontecimentos que ocorrem no outro lado do mundo, amplificados pela imprensa e pelas redes sociais. A variedade está a desaparecer. Todos os povos se copiam e em todos os cantos do mundo se encontra a mesma maneira de agir, de pensar e de sentir.
Estimula-se a ambição, não tanto por uma necessidade real, mas pelo desejo de ultrapassar os outros, num “mimetismo apropriador” que faz desejar objectos, porque os desejos dos outros nos dizem que esses objectos se devem desejar, e muitas das grandes palavras da justiça, da lei, da ajuda aos fracos, da filosofia e do progresso da razão, são iscos inventados por políticos inteligentes para se imporem aos simples.

Ora é essa onda que tu surfas, entretido com vendas de inutilidades, em vez de te preocupares com uma alternativa ecológica que não nos desgrace o futuro.
Devias ter percebido que a tecnologia vai criar um número crescente de desadaptados que, mesmo que lhes seja dado dinheiro para “comprar”, se sentirão insatisfeitos por lhes faltar o reconhecimento social. A Inteligência Artificial e a Robótica (se o estar mundial se não modificar), deverão causar uma alteração brutal no mercado de trabalho, pois só haverá necessidade de empregar 20% da população para que as suas necessidades sejam satisfeitas. O conhecimento exigido para ser um membro produtivo já está a mudar e o sucesso do ensino não se irá medir pelo número de licenciados, mas pelo número de graduados relevantes no mercado de trabalho.

A maioria dos humanos incapazes de entrar nesta corrida poderá revoltar-se e, se dirigidos por homens frustrados, poder-nos-ão levar ao anarquismo ou a nacionalismos fundamentalistas de má memória. 
Eu sei que não se vêm alternativas plausíveis ao actual “credo” que diz que as classes médias criadas pelo capitalismo industrial originarão governos representativos, estáveis, responsáveis e capazes de prestarem contas, que a religião cederá o seu lugar ao laicismo e que as forças do irracionalismo serão derrotadas.

É por isso que te escrevo a pedir que uses o teu reconhecimento público (nas sondagens vais muito à frente do menino Jesus) e abraces uma causa que não nos desenraíze da Natureza e nos tire do limite de termos de rogar a Deus muita saúde para o carro, para ele não avariar. 
Mas não me perguntes como fazer, que eu, quanto mais leio, mais me confundo. Por um lado, acho que a ciência é o caminho para a nossa salvação como espécie, ao nos fazer entender que na Terra há uma multidão de outras espécies que têm papel fundamental no seu equilíbrio e que este nos tem sido favorável e que, qualquer outro, pode levar a ajustes onde não consigamos igual vantagem. Por outro lado, também penso que, quanto mais competências se exigirem para se ser o tal "membro produtivo" da nova sociedade, mais "dispensáveis" se criarão e mais frustração grassará no mundo! 

Tu, embora tenhas residência oficial no Pólo Norte, vais frequentes vezes ao Céu, e, de lá de cima, tens distância para analisar os futuros e avisar as elites arrogantes que há mais vida para além do capitalismo apátrida.
Procura o Maomé, o Buda, o Marx, o Adam Smith, a Nossa Senhora de Fátima, mais quem tu entenderes e vê se no dia 25 os sentas à mesma mesa com o tal "espírito de Natal", para impedir que os humanos se apropriem tudo o que há no Universo e dêem espaço às outras formas de vida!

É este o meu desejo!
Fico à espera!

Um abraço!
Oh! Oh! Oh!

sábado, 14 de outubro de 2017

Carta aberta ao Diabo


Caro Diabo:

Há tempos que te aguardava, mas confesso que te esperava sob a forma de uma crise económica e não pela mão de um processo judicial.

Tu és mesmo maligno! Está a gente a olhar para um lado e tu apareces do outro! A realidade atraiçoa-nos sempre!, e só podes ser tu a dar voltas ao Destino para que tal aconteça. Eu, que sou ateu, tinha rezado aos deuses de todas as religiões para que o José Sócrates fosse culpado e que a nossa Justiça não fosse tão má que incriminasse um primeiro ministro (repetidamente reeleito secretário-geral do PS com maiorias a rondar os 90% dos votos), sem uma base extremamente sólida mas, agora com as notícias recentes que o envolvem com a Portugal Telecom e o BES, fico sem jeito a pensar que gastei todas as Salvé-Rainhas e Pai-Nossos no lado errado. É que, a ser verdade, há muito mais gente envolvida que os “cabeças de série” indiciados. Não se faz uma trafulhice destas, que lesa o principal Banco privado nacional e faz vender ao desbarato uma das maiores empresas portuguesas, obrigando os contribuintes a pagar balúrdios, sem a colaboração e a passividade de muita gente!

Cá para mim, quiseste dar a volta ao Passos Coelho. Induziste uns radicais a dar uns tiros, em nome de Maomé, nas zonas turísticas do norte de África, para que tivéssemos um “boom” no turismo e em algumas indústrias e, em vez de vires em 2016, vieste agora com as achas bem acesas.

O que nos vale é que já se fala em dez anos para digerir as 4.000 páginas da acusação, o que dá tempo para chamar bombeiros, máquinas de arrasto, aviões, helicópteros, pôr o SIRESP a funcionar e até dar passos significativos na Lei n.º 76/2017 que altera o Sistema Nacional de Defesa da Floresta contra Incêndios.

Esta coisa de comprar o poder político mesmo no topo da hierarquia só podia vir de ti! Dar uns trocos ao Presidente da Junta para calcetar uma rua ou facilitar um pequeno negócio, é mau. Mas dar 24 milhões de Euros a um primeiro ministro, é inclassificável. Está para lá das estrelas! Deves ter envolvido muitos mafarricos na empresa e creio que até passaste umas noites sem dormir. Felizmente que te não lembraste da AutoEuropa. Aí é que era o desastre completo!

És um demónio! Agora que não andas entretido em Grandes Guerras, viraste-te para o crime económico. Já te vejo a entrar pelo ciberespaço a tentar dar cabo de dados de hospitais, grandes empresas e até a interferir com a actividade do vulgar cidadão, por puro gozo malévolo, antes que os novos deuses, “made in” Silicon Valley, ocupem os tronos e nos protejam, desde que lhes paguemos as devidas décimas.

Vê se te conténs! Há mais mundos! Deixa isto aqui acalmar e não fomentes abusos nem greves com reivindicações impossíveis. Tu até tens acesso a outros planetas para as tuas diabruras. Dá espaço para que, aqui na Terra, tentemos um novo estar que poupe o que construímos.

Vai de Retro Satanás! Ou se não quiseres ir de retro, vai noutro meio de transporte, mas vai, que já fizeste estrago que chegue neste país que se diz … Europeu!

Até nunca!

Fernando

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Pensamentos do Dia



“The whole problem with the world is that fools and fanatics are always so certain of themselves, and wise people so full of doubts.”
Bertrand Russell

Não é preciso acreditar em deuses ou mitos, desde que se saiba que as certezas são temporárias e não absolutas. O único conceito absoluto é que nada é absoluto!
O problema surge quando, carregados de dúvidas, ficamos paralisados e não vamos a lado nenhum.  
Não é necessário, nem suficiente, nem indispensável, ser fanático para se ter uma certeza suficiente para resolver os problemas que se nos deparam.  
António Gomes

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Yuval Noah Harari









Yuval Noah Harari (Haifa, 1976) é professor de História e lecciona no departamento de História da Universidade Hebraica de Jerusalém.

Diz que não é um Profeta, mas eu elege-o como tal. "I don't think he is as widely recognized as he deserves to be, but, in my opinion, Yuval Harari will become one of the most influential thinkers of the XXI century".

O Youtube tem muitas aulas suas disponíveis e os dois livros que recentemente escreveu - "Sapiens: Uma breve História da humanidade" (2014) e "Homo Deus: Uma breve história do amanhã" (2016), são uma verdadeira Bíblia, que toda a gente que se preocupa com o evoluir da Humanidade tem obrigação de ler.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

A Empada Mágica


A pressão evolutiva habituou os humanos a ver o mundo como uma empada estática. Se alguém retira uma fatia maior, alguém inevitavelmente ficará com uma menor. Nessa perspectiva, as religiões tradicionais como o Cristianismo e o Islamismo procuraram modo de resolver os problemas da humanidade quer com a ajuda dos recursos existentes, ou prometendo um pedaço de empada no céu.

Nos tempos modernos, em contraste, há uma firme crença que o crescimento económico não só é possível, como absolutamente essencial. As orações, as boas vontades e a meditação podem ser reconfortantes e inspiradoras, mas problemas como a fome, as doenças e a guerra só poderão ser resolvidas através do crescimento económico. Este dogma fundamental pode ser sumariado numa ideia simples "Se tens um problema, vais provavelmente precisar de mais dinheiro e para teres mais dinheiro, tens de produzir mais!".
Os políticos e os economistas modernos insistem em que o crescimento é vital por três ordens de razão. Primeiro porque quando se produz mais, se consome mais e se melhora o estilo de vida e alegadamente se vive uma vida mais feliz. Segundo porque à medida que a humanidade aumenta é necessário crescimento económico só para se ficar onde se está. E terceiro se a economia não cresce e a empada permanece do mesmo tamanho só é possível dar mais aos pobres retirando aos ricos, o que obriga a opções difíceis, que muito provavelmente irão causar ressentimentos e até violência.

Se pretendemos evitar soluções duras, ressentimentos e violência, há que aumentar ao tamanho da empada.

in Homo Deus - A brief history of tomorrow, de Yuval Noah Harari

segunda-feira, 6 de março de 2017

Konrad Adenauer


...

Na determinação da jovem Alemanha Ocidental de parecer uma sociedade aberta e democrática, todas as portas estavam abertas ao jovem diplomata curioso. Eu podia ficar sentado todo o dia na galeria dos diplomatas do Bundestag e almoçar com jornalistas e conselheiros parlamentares. Podia bater à porta de ministros, assistir a comícios de protesto e sofisticados seminários ao fim de semana sobre a cultura e a alma alemãs, ao mesmo tempo tentando descobrir, quinze anos depois do colapso do Terceiro Reich, onde terminava a velha Alemanha e começava a nova. Em 1961, não era nada fácil. Ou não para mim.

Um ditado atribuído ao chanceler Konrad Adenauer, cuja alcunha era - "O Velho Homem", que deteve o posto desde a fundação da Alemanha Ocidental em 1949, até 1963, resumia concisamente o problema: " Não se deita fora água suja, enquanto não se tiver água limpa!".
...
in "O túnel dos pombos" de John le Carré


mas o mesmo Adenauer que disse “Temos que aceitar as pessoas como são, porque não existem outras!”, também afirmou que "Um método infalível de entrar em acordo com um tigre, é deixar que ele nos devore!".

...  Temos dito!

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Sermão da Montanha


Felizes os pobres de espírito, porque confiam no que lhes dizem;
Felizes os mansos, porque se conformam com qualquer coisa;
Felizes os crentes, porque a ilusão os cega da realidade;
Felizes os que trabalham das nove às cinco, porque não têm tempo para pensar;
Felizes os que têm SportTV, porque se podem alienar com o futebol.

Bem-aventurados os que vivem no mercado negro, porque os impostos não lhes pesam;
Bem-aventurados os que têm dinheiro em offshores, porque podem ser reis nos países pobres;
Bem-aventurados os que vivem das heranças, porque têm tempo fora do trabalho;
Bem-aventurados os robustos, porque secundarizam os custos da Saúde.

Regozijai-vos e exultai, porque grande é o vosso galardão!


Mas ai de vós, que sois pobres! Porque pouca será a vossa consolação;
Ai de vós, os famintos! porque vos estarão reservadas as sobras deste mundo;
Ai de vós os que choram! porque haveis sempre a lamentar não terdes tido infância;
Ai de vós, os aflitos! porque nunca sereis consolados;
Ai de vós, os perseguidos! porque nunca alcançareis misericórdia;
Aí de vós, os que têm problemas ecológicos! porque ireis assistir à derrocada do pouco que conquistastes;
Aí de vós, os que amam a paz! porque ireis ouvir mais trombetas a soar.

Digo, porém, a vós que me ouvis:

Vigiai os vossos inimigos e atentai aos que vos maldizem e, se algum vos bater numa face, dai-lhe um pontapé; e ao que te rouba a capa, atira-lhe um paralelo;
Não empresteis a quem não esperais receber; e ao que vos pede, mandai-o trabalhar;
Não temais ser julgados, porque há sempre um hiato na lei a explorar;
Anotai com pormenor o argueiro no olho de vizinho, pois pode ser esse o argumento para o vencer.

E ... como não se colhem figos dos espinheiros, nem dos abrolhos se vindimam uvas, estai atentos a todos os pomares, e convencei-vos que toda a grande transgressão será perdoada e o pecado coberto, porque só os ímpios prosperam neste mundo.

Ámen

domingo, 14 de agosto de 2016

Cidades Compactas



Há duas décadas, pelo menos, que alguns urbanistas sustentam a tese de que é inútil, nas metrópoles congestionadas por veículos, abrir novas pistas, viadutos, etc, pois qualquer destas soluções não terá outro efeito senão “mudar o lugar dos congestionamentos” uma vez que, atraídos pela ilusória facilidade de escoamento, os motoristas acorreriam em massa para essas novas vias, provocando outros engarrafamentos.

“As cidades sustentáveis são compactas”, sustenta Richard Rogers, autor do projecto do Centro Pompidou, em Paris. Para ele, o automóvel é o inimigo, porque “mina a estrutura social coesiva da cidade, destrói a qualidade dos espaços sociais e estimula a expansão urbana”.

Nas  cidades compactas, a população concentra-se em torno das estações de transporte de massa, de modo a reduzir as emissões de poluentes e o tráfego. Na sua visão, a predominância de pedestres torna os espaços públicos mais seguros e estimula o maior convívio entre os moradores. Além disso, a compactação permite uma forte redução no consumo de energia. Para ele, a distinção essencial, é “entre a cidade baseada nos veículos e a cidade baseada nas pessoas”.

Urbanistas mais radicais propõem caminhos inovadores para a questão das concentrações populacionais, sugerindo o retorno a um planeamento que privilegie aglomerados humanos de poucos milhares de habitantes, questionando o privilégio sem limites conferido ao transporte individual e defendendo a tese provocante de fechar vias ao trânsito automóvel.
Para eles as "Cidades-Jardim" são um conceito ultrapassado e insustentável, que não são mais que um eufemismo de "subúrbios", que facilitou lucros ao lobby da construção civil e impediu a criação de "novas cidades" no interior das existentes, antes que se ocupasse a sua zona verde circundante, que um dia mais tarde lhe fará falta.

Uma cidade compacta dá resposta aos desafios funcionais que hoje lhe colocamos e permite a optimização do respectivo desempenho energético-ambiental.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

IMI



Há anos que me meti a fazer a grande parte da manutenção das pequenas coisas da minha casa, por puro gozo, mas também porque seria incomportável não o fazer. Faço de canalizador, de pedreiro, de serralheiro, de pintor ... e, sempre que uma máquina avaria, tento dar com o "gato", antes de a pôr na mão dos profissionais.
Aos poucos fui aprendendo a "alma" daquilo em que mexo. Se tenho livro de instruções, melhor.
Ontem foi dia do indicador de nível do gasóleo de aquecimento. Quase uma hora para perceber que o parafuso do lado direito do mostrador não era de suporte, mas para o rodar e adaptar ao tipo de depósito (coisa que quem lá o pôs, não fez). Depois, outra hora para arranjar uma cadeira, que em 5 minutos se fixava, se a tivesse observado atentamente.

Quando nos confrontamos pela primeira vez com um problema sem lhe entendermos a "alma",  corremos o risco de o deixar sem concerto.
Um amador, mesmo "perspicaz", não deve deve abrir um "relógio" sem um perito nas imediações. E quem diz relógios, diz barrigas e outras coisas de ... valor.

É assim que está a nossa política, cheia de gente voluntariosa que, ao tentar resolver o imediato, compromete o futuro.

A alteração ao IMI, para taxar mais as casas com "melhores" características, é um "ir buscar dinheiro" sem qualquer pejo, para financiar as autarquias, a braços com excesso de pessoal causado pelo abrandamento da construção civil no país. Impossibilitadas de um "reajustamento colectivo" obrigam-nas a espreitar para os quintais na procura do que ali possa haver que possa ser taxado.

Hoje é a exposição solar e as "vistas". Amanhã será a exposição ao vento, depois a água do subsolo, a maior ou menor quantidade de moscas ou mosquitos, a tipologia do solo. ... Vale tudo!!!
O património visível, está tramado. Melhor é gastar as poupanças em turismo e comida.

As pessoas que compraram as casas para nelas viverem, não o fizeram com a intenção de as vender. Escolheram-nas porque, em determinada altura das suas vidas, podiam comprá-las e mantê-las. Alguns foram para a periferia das cidades para poder ter uma casa melhor, sem contarem com as portagens que entretanto surgiram nas estradas gratuitas, nem com um IMI que depende da boa disposição de um funcionário.
Quem construiu e se privou de muita vida mundana, é mais uma vez chamado a pagar os desmandos dos Bancos e da classe política que nos tem desgovernado. Qualquer dia entram mesmo nas casas e taxam o ar condicionado, o aquário, o gato ou cão, a instalação sonora, o LCD e o sofá, se tiverem qualidade acima do básico.
Tudo servirá para se poder afirmar que se está a viver acima das suas possibilidades.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Maçon



- Dr.! Isso é trabalho para três homens em quatro dias. A 10 Euros a hora, conte com 1000 Euros, mais o material e o IVA. Se quiser sem IVA, tem de me dar em dinheiro!
- Sr. Luís! Você sabe quanto se ganha no Serviço Nacional de Saúde?
- Não!
- Por exemplo: Uma médica de família, com um contrato de trabalho de 35 horas/semana, tem um vencimento bruto de 1996€ e recebe líquido 1282€ e um enfermeiro tem um vencimento base de 1.200€ por 35 horas semanais.
Faça as contas. Um enfermeiro, antes de impostos, ganha pouco mais de 8€ e um médico 14. Você pede 10 Euros a hora e limpos. Acha isso normal?
- É o mercado a funcionar!  Limitar vencimentos por classes profissionais é simplesmente desvirtuar o mercado da oferta e da procura! Deixe-os continuar a formar em barda, tipo linha de montagem, economistas, gestores, advogados, professores, enfermeiros, médicos, etc ... e vai ver o que acontece aos seus vencimentos!
Não foi à toa que a Merkel disse que Portugal tinha licenciados a mais! ... Até dá pena ver os "miúdos" irem ao engano para o ensino superior!
- Tem toda a razão! Este país não é para licenciados!

domingo, 24 de julho de 2016

Erdogan


No que respeita a massas, não sou romano. Não atravesso a rua por Farfalle, Gnocchi, Rigatonni, Fusilli, Fricelli, Tortellini, Bucatini, Linguine, Capellini, Fettuccine, Pappardelle ou por Spaghetti.
Não são "a minha praia". Como trigo, no pão, do pequeno almoço mas, às refeições, prefiro batata ou arroz, como fonte de hidratos de carbono. Massas é duas vezes por mês e ... basta!

Esta minha postura, deve ter a ver com o arrepio que sinto quando me deparo com outro tipo de massas. As “massas humanas”. Dessas fujo a sete pés, estejam elas num recinto de futebol, a assistir a um comício, num 13 de Maio ou num desses festivais de verão que acontecem onde menos se espera.
A realidade desses espaços é demasiado dicotómica para meu gosto. O que vejo é um denominador comum "básico" a alienar uma multidão e raramente sinto sair dali qualquer coisa de inspirador.

Para me proteger, procuro espaços onde o “Maria vai com as outras” é mais difícil e, se ocorrer, o movimento tem consequências limitadas.

Associo as multidões aos totalitarismos, onde grandes encenações, bem planeadas, fazem perder a identidade e dar vivas ao que se desconhece ou se não antevê as consequências remotas.
Raramente se ouve um motivador "Ich bin ein Berliner". O mais são desesperados a gritar um “Para Angola, rapidamente e em força! ou grandes castigos para os oponentes políticos. 
Por isso, a minha atitude para com esses movimentos é do estilo “ou mato ou morro!”. Se eles vêm do mato, eu fujo para o morro e vice-versa. Odeio-lhes a irracionalidade e mais quem os usa, mesmo que tenha a melhor das intenções, pois atrás de uma ideia (que até pode nem ser má), a grande onda que se forma, vai necessariamente arrastar muito entulho, que rapidamente desvirtua as intenções iniciais.
Prefiro as pequenas ondas consistentes que em pequenos passos racionais, nos levam onde queremos, sem lixo a embaraçar-nos.

A epilepsia era chamada, no tempo dos romanos, de "mal comicial", atribuindo-a, em certa medida, à excitação que esses ajuntamentos podiam causar e eu, quando ouço a populaça a responder irracionalmente a palavras de ordem que nem ouve, temendo um "treco" ...ponho-me a milhas!

Caro Erdogan: queria dizer-te que acredito que se o Golpe de Estado na tua Turquia tivesse tido sucesso, estaríamos agora a assistir a uma instabilidade social pior que aquela que aconteceu no Egipto, com milhares de mortos a pagar a factura.
Mas isso não te dá o direito de fazer essa onda com a massa (52%) que te elegeu, “afogando” os 48% que te são críticos.
Não te esqueças que:
1) Quem com ferro mata, com ferro morre! quer a sua alimentação seja à base de batatas, arroz, trigo, couscous ou kebab!,
2) Que a globalização está para ficar!
3) Que não é com nacionalismos pategos ou com Religiões de Estado, que se acham soluções com futuro.
4) Que o Cristianismo conquistou Roma com a premissa: "Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus", estabelecendo uma relação de não interferência com a autoridade secular e a base para o Estado Laico moderno.

-Será que não aprendes??