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domingo, 24 de julho de 2016

Erdogan


No que respeita a massas, não sou romano. Não atravesso a rua por Farfalle, Gnocchi, Rigatonni, Fusilli, Fricelli, Tortellini, Bucatini, Linguine, Capellini, Fettuccine, Pappardelle ou por Spaghetti.
Não são "a minha praia". Como trigo, no pão, do pequeno almoço mas, às refeições, prefiro batata ou arroz, como fonte de hidratos de carbono. Massas é duas vezes por mês e ... basta!

Esta minha postura, deve ter a ver com o arrepio que sinto quando me deparo com outro tipo de massas. As “massas humanas”. Dessas fujo a sete pés, estejam elas num recinto de futebol, a assistir a um comício, num 13 de Maio ou num desses festivais de verão que acontecem onde menos se espera.
A realidade desses espaços é demasiado dicotómica para meu gosto. O que vejo é um denominador comum "básico" a alienar uma multidão e raramente sinto sair dali qualquer coisa de inspirador.

Para me proteger, procuro espaços onde o “Maria vai com as outras” é mais difícil e, se ocorrer, o movimento tem consequências limitadas.

Associo as multidões aos totalitarismos, onde grandes encenações, bem planeadas, fazem perder a identidade e dar vivas ao que se desconhece ou se não antevê as consequências remotas.
Raramente se ouve um motivador "Ich bin ein Berliner". O mais são desesperados a gritar um “Para Angola, rapidamente e em força! ou grandes castigos para os oponentes políticos. 
Por isso, a minha atitude para com esses movimentos é do estilo “ou mato ou morro!”. Se eles vêm do mato, eu fujo para o morro e vice-versa. Odeio-lhes a irracionalidade e mais quem os usa, mesmo que tenha a melhor das intenções, pois atrás de uma ideia (que até pode nem ser má), a grande onda que se forma, vai necessariamente arrastar muito entulho, que rapidamente desvirtua as intenções iniciais.
Prefiro as pequenas ondas consistentes que em pequenos passos racionais, nos levam onde queremos, sem lixo a embaraçar-nos.

A epilepsia era chamada, no tempo dos romanos, de "mal comicial", atribuindo-a, em certa medida, à excitação que esses ajuntamentos podiam causar e eu, quando ouço a populaça a responder irracionalmente a palavras de ordem que nem ouve, temendo um "treco" ...ponho-me a milhas!

Caro Erdogan: queria dizer-te que acredito que se o Golpe de Estado na tua Turquia tivesse tido sucesso, estaríamos agora a assistir a uma instabilidade social pior que aquela que aconteceu no Egipto, com milhares de mortos a pagar a factura.
Mas isso não te dá o direito de fazer essa onda com a massa (52%) que te elegeu, “afogando” os 48% que te são críticos.
Não te esqueças que:
1) Quem com ferro mata, com ferro morre! quer a sua alimentação seja à base de batatas, arroz, trigo, couscous ou kebab!,
2) Que a globalização está para ficar!
3) Que não é com nacionalismos pategos ou com Religiões de Estado, que se acham soluções com futuro.
4) Que o Cristianismo conquistou Roma com a premissa: "Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus", estabelecendo uma relação de não interferência com a autoridade secular e a base para o Estado Laico moderno.

-Será que não aprendes??

quarta-feira, 13 de julho de 2016

GANHÁMOS!!!!!!!!!


Há uma esquizofrenia presente na população de Portugal.  Os portugueses conseguem abrigar dois sentimentos diametralmente opostos, e, mesmo assim, ... "funcionar".  Esta é a definição de artista de Scott Fitzgerald.  Talvez sejamos (quase) todos artistas, e essa seja a razão para os altos níveis de ansiedade nacional.
Por um lado, há um sentimento de inferioridade colectivo derivado do facto inegável de que o país tem estado, só para falar nos últimos 100 anos, na cauda dos países da Europa.  Portugal não só tem sido incapaz de sair dessa situação como, apesar dos progressos feitos, esta situação até se tem agravado, e as diferenças para os países do norte da Europa têm aumentado.  Portugal está até a ser ultrapassado por países que estiveram debaixo do jugo da URSS durante mais de 50 anos. Isto devia ser motivo de preocupação e objecto de um esforço de introspecção colectiva.  Mas não é. 

Por outro lado, como para compensar, deixamo-nos possuir, ocasionalmente, por um sentimento de superioridade, em que passamos de bestas a bestiais, num fechar de olhos.  Isto acontece em geral quando a selecção nacional de futebol (ou um clube qualquer) ganha qualquer taça lá fora, e então lembramo-nos que temos um clima privilegiado, o fado, uma orla costeira linda, bom peixe, bom vinho, etc., e que houve, e há, alguns portugueses extraordinários.  Esquecemo-nos que eles são extraordinários apesar de serem portugueses, e não porque são portugueses, o que lhes dá um mérito acrescido.  São extraordinários apesar das dificuldades que tiveram de superar para chegar ao topo, causadas principalmente pela inveja nacional, e muitos só foram reconhecidos em Portugal depois de terem tido sucesso no estrangeiro.

Parece, no entanto, que Portugal encontrou no futebol uma fórmula para o sucesso. Através da meritocracia foi capaz de escolher os melhores, com provas dadas de competência - lideres e jogadores - para vencer um campeonato de futebol.
Se sabemos qual a solução para o sucesso, porque é que continuamos a escolher para nos governar gente sem curriculum, sem história de vida relevante para funções governativas, e não aplicamos esta fórmula - meritocracia - para escolher os nossos governantes?

A resposta é que todos aceitamos que um treinador ou jogador de futebol seja despedido se não produzir os resultados esperados, mas não aceitamos que esse critério se aplique nas nossas vidas. Não aceitamos que a incompetência seja justa causa para despedimento e isto faz com que não haja incentivo para dar o melhor.  Se fosse, muitos dos incompetentes de hoje, seriam competentes amanhã, e haveria um salto qualitativo imediato.

Elegemos governantes medíocres, porque só esses prometem o que a maioria quer ouvir, mesmo que todos saibamos que estão a mentir.
São poucos os melhores portugueses que se metem nesses ninhos de ratos que têm sido os partidos políticos. 

Ainda à cerca de futebol.
Os portugueses esquecem-se que é apenas um jogo para nos entreter e equacionam a selecção nacional de futebol como parte das forças armadas, lutando para vencer um "inimigo".  Cantar os hinos nacionais antes dos jogos só pode exacerbar esta convicção. 

Não é só em Portugal que se faz essa relação. Pela reacção dos franceses à derrota da sua selecção frente a Portugal, ficou mais do que óbvio que o orgulho nacional francês ficou gravemente ferido.  
São estas e outras, manifestações de nacionalismo barato e de orgulho nacional mal dirigido (patrioteirismo), que se pode extrapolar para outros aspectos do dia a dia, e que impede a formação de uma União Europeia.  

Os dirigentes políticos alimentam este sentimento como ferramenta de manipulação das massas.  A formula dos 3 Fs continua válida.  
Com a vitoria da selecção nada mudou em Portugal, mas durante 15 minutos os portugueses sentem-se os melhores da Europa.  ... Ganhámos!

(Texto de alguém que se quer Anónimo)

terça-feira, 12 de julho de 2016

sábado, 28 de maio de 2016

Economia da Saúde e o SNS




Em Portugal, a organização dos serviços de saúde com alguma dimensão, remonta à década de 1960, com a criação da ADSE, mas o grande marco, surge em 1979, com a criação do Serviço Nacional de Saúde, universal e gratuito.

Em 1993, o Estatuto do SNS, substituiu o termo “gratuito” por “tendencialmente gratuito” e de então para cá (embora os gastos “per capita” sejam inferiores à média dos países desenvolvidos da EU, em proporção ao PIB, eles são superiores), o progressivo aumento da despesa em saúde (~ 65% da despesa pública), põe em causa a sua sustentabilidade.

A entrada dos Privados, principalmente na área dos MCDT, apesar de alegarem fornecer o mesmo serviço a menor custo, tendem a induzir o consumo em saúde e a onerar gastos, para além de criarem a falsa ilusão de que são eles o cerne do diagnóstico e não a qualidade do raciocínio do médico que os requisita.

A Medicina Interna vive desta perspicácia, que permite encontrar a meia dúzia de tópicos que orientam o tratamento de cada doente, frequentemente envolvidos num imenso ruído de ansiedades, falsas concepções e MCDT desnecessários.

Eu acredito que é possível aceitar o desafio de "Fazer mais com menos!" se não se puser toda a tónica nos "Indicadores de Desempenho" e se reduzir o consumismo, a medicalização excessiva e a iatrogenia.

Atribuir o devido valor à qualidade do raciocínio médico no Serviço Nacional de Saúde é o passo primeiro para a sua sustentabilidade.

Para se aceitar o desafio de "Fazer mais com menos!", não se pode pôr toda a tónica nos "Indicadores de Desempenho" pois eles não permitem uma clara redução do consumismo, da medicalização excessiva e da iatrogenia.

Os médicos no SNS devem lutar por uma organização dos serviços onde a qualidade do seu raciocínio clínico seja validada pelos pares e por gestores que os entendam.



segunda-feira, 2 de maio de 2016

Economia na Saúde




A Europa vive tempos de incerteza. Um vento de multinacionais entra em negócios tradicionalmente nas mãos de pequenas empresas, oferecendo serviços e bens a menor custo para o consumidor, à custa da precariedade do trabalho, do esmagar dos preços à produção e dos salários dos trabalhadores. É também esta a lógica dos “investidores em Saúde”.

Os políticos têm dificuldade em integrar o exponencial desenvolvimento tecnológico dos últimos anos e, no caso da Saúde, deixam-se levar na lógica dos preços baixos por acto, sem analisarem a sua necessidade e qualidade e, em pouco tempo, vêem-se avassalados com custos crescentes a que o Serviço Nacional de Saúde não consegue dar resposta.

Subrepticiamente, grandes empresas foram tomando conta dos consultórios médicos e das pequenas clínicas, retirando os médicos da tradicional profissão liberal, a troco de uma organização mais ágil na resposta às necessidades de um “mercado” definido pelas expectativas da população.

Ora são as expectativas artificialmente criadas e que são uma das principais áreas de negócio para muitos dos “Privados”, que um Estado responsável tem de conter, para que o orçamento da Saúde seja comportável, pois, neste negócio não há limites para quem queira consumir.

As “guidelines” internacionais e as Normas de Orientação Clínica (NOCs) da Direcção Geral de Saúde, não impedem que se abuse de Meios Auxiliares de Diagnóstico e Tratamento, numa prática que tem sido apelidada de “Medicina Defensiva”, mas que também pode ser interpretada como atitude de “shotgun”, quando se ultrapassa a capacidade de diagnóstico.

Mas, se o fenómeno existe no Público e no "Privado", neste, o controle dos excessos, não só é mais deficitário, como, nalguns casos, inexistente, numa política de minimizar o doente para maximalizar o negócio.

Acresce que a Saúde, nos últimos vinte anos, para além dos tradicionais médicos, enfermeiros e auxiliares, alargou a tipologia dos seus funcionários a “conselheiros políticos, economistas, gestores, psicólogos, dietistas, nutricionistas, assistentes sociais, podologistas … pois, todos eles contribuem para o "bem-estar físico, psíquico e social dos indivíduos".

Ao enorme aumento da população mundial (quadruplicou no último século), os regimes comunistas responderam com um plano centralizado e falharam. Os regimes capitalistas deixaram “funcionar os mercados”, sem repararem que, se a área de negócio é interessante (e a Saúde é uma das mais importantes, no Ocidente, onde se projecta quem em 2030 mais de 50% da sua população tenha mais de 50 anos), a tendência é para a formação de grandes grupos económicos para a sua exploração.

Se a concentração termina em três “players” (como agora se diz), de modo a que da sua concorrência, resultem preços baixos apelativos para a população, os políticos de pacotilha, sorriem.

Três é a sua fórmula mágica, seja nos Hipermercados, nas Telecomunicações, nos Bancos, nos Seguros de Saúde, nas Análises Clínicas ou na Hemodiálise.

É-lhes mais cómodo assim. Sabem com quem devem falar, mesmo que os investidores sejam chineses ou sediados em offshores de origem incerta.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Democracia


Democracia não é um sistema. É uma cultura. Baseia-se em hábitos, atitudes, partilhas de poder há muito estabelecidas, crença arreigada na lei e na ausência de corrupção sistemática e de cinismo.
Pode importar-se um sistema, instalá-lo e fazê-lo funcionar. Não se pode importar uma cultura.

Andrew Marr in "História do Mundo"

quarta-feira, 20 de abril de 2016

São João Crisóstomo



João Crisóstomo - o Boca de Ouro (347-407, n. Antioquia).
Foi arcebispo de Constantinopla e um dos mais importantes patronos do cristianismo primitivo.
É conhecido pela sua oratória na denúncia dos abusos cometidos por líderes políticos e eclesiásticos de sua época.
As igrejas ortodoxas e católicas orientais veneram-no como santo. A Igreja Católica classifica-o Doutor da Igreja.

Como não era politicamente correcto, acabou os dias exilado, num fim do mundo da Anatólia.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Marcelo



A primeira visita oficial do novo Chefe de Estado, ao estrangeiro, foi ao Vaticano. Marcelo justificou essa escolha, por ter sido este o primeiro Estado a reconhecer a independência de Portugal, no século XII. De seguida, foi a Espanha que, até Afonso XIII (já no século XX), teve muita dificuldade em aceitar o Estado português.

Este tocar os extremos, parece ser um dos "leitmotif" da sua presidência.
Contudo, acreditar nas razões por si invocadas é o mesmo que admitir que a Terra é plana e o centro do Universo.

Marcelo, católico apostólico romano confesso (direito que lhe assiste), enquanto Presidente de uma República laica, devia evitar que qualquer religião interferisse nas suas decisões políticas e a sua visita ao Papa tem claros motivos pessoais, mesmo que tal agrade à maioria dos portugueses.

Marcelo, Presidente da Republica de todos os portugueses, encontrou-se com o Papa Francisco, e beijou-lhe a mão.

Se no campo pessoal este gesto deva ser interpretado como demonstração de respeito e devoção, numa visita oficial, como representante de uma nação, configura uma manifestação medieval de vassalagem de Portugal ao Vaticano, e como tal, uma gafe imperdoável.

O convite oficial que se lhe seguiu:
 «"Trago comigo uma carta formal da República Portuguesa a convidar Sua Santidade a visitar Portugal a propósito do centenário das aparições de Fátima!", não faz sentido, e "rezo" para não ver o PR ou o Governo participarem, nessa qualidade, nas cerimónias que venham a ter lugar.

Poder-se-ia dizer que Marcelo é mentiroso e hipócrita, mas estes atributos, por serem comuns entre os políticos, não lhe fazem justiça. Marcelo é diferente. É um "sofista extraordinaire", fruto da fusão da sua cultura familiar, religiosa, profissional e política. 

O contraste com o anterior presidente, não pode ser maior. 

Aníbal era professoral, carrancudo, distante, incapaz de subtilezas. De poucas falas, dizia o que pensava, frequentemente com maus resultados. Alguém que se queria de honestidade inquestionável: "para serem mais honestos do que eu, têm de nascer duas vezes!", sem entender que as declarações enfáticas são, por regra, feitas pelos desonestos. 
Aníbal nunca deixou de ser um campónio engravatado, a dar razão ao dito de que "se pode tirar o homem de Boliqueime, mas não se pode tirar Boliqueime de dentro do homem!".

Marcelo é de outra loiça. É um causídico de artes subtis. Um D. Sebastião envolto num nevoeiro de simplicidade de um povo a que não pertence, armado de uma "fuzzy logic", onde tudo pode ser uma coisa e o seu contrário, que baralha e anestesia os incautos e a inteligência de quem o rodeia. 

Há quem chame a isto carisma. Outros não são tão benevolentes!

Veremos quem terá razão.


Texto escrito por um Anónimo, devidamente identificado.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Carta a Marcello Caetano


Caro Marcelo:
Decidi escrever esta carta para sinalizar os 35 anos da tua morte real, seis anos depois da tua morte política.
Lembro-me de ti nos telejornais em banhos de multidão e nas “Conversas em Família” para nos doutrinar, até ao dia em que, de repente, caíste, dizendo uma frase estrondosa: “Rendo-me, para que o poder não caia na rua!”
Nessa altura, eu não sabia o que era o poder “na rua”. Só depois do PREC e das guerras civis nas colónias da Europa em toda a África, é que o entendi e passei a olhar-te como um académico crente num regime que recusava a nova moda mundial que ditava a autodeterminação dos povos e a alternância do poder.
Atiraram-te para primeiro-ministro quando já não havia solução. Um General num beco, envolto em denso nevoeiro, à mercê de vozes que o confundem, a tentar espaço no apoio dos fracos, até eles se cansarem e lhe virarem as costas.

A realidade atraiçoa quem dá "o seu melhor" quando a máquina já resvala e não há tempo nem mãos para lhe alterar o rumo. O regime estava em vias de extinção. Tu cumpriste-lhe o destino, qual mamute lanoso do Holoceno.

Foi a Esperança que te substituiu. Uma Esperança esfarrapada, a tomar medicamentos estrangeiros, a braços com “mercados” e “investidores” internacionais, impossibilitada de decidir por si, mas, apesar disso, melhor que a água choca onde pretendias que nadássemos.

Estive a ler os teus anos no Brasil até a morte te apanhar, de surpresa, encurralado pela vida, amargurado, solitário e com dificuldades económicas.
Devias saber ser esse um destino possível dos primeiros-ministros dos países do terceiro mundo, quando os regimes se eternizam no poder. É dos livros. Há uma altura em que o Povo dá ouvidos aos que perderam a Esperança, e exige aos poderosos que se arrastem na lama em que se julgam atolados. Só Cincinatus o interiorizou.

Tens mausoléu no Cemitério de S. João Batista, no Rio de Janeiro, onde o mármore roxo te acalma as recordações das múltiplas traições, bem longe deste Portugal que semanas depois de publicamente te aclamar, quis sumariamente acabar com os teus dias.

É a vida!

Fica bem!

domingo, 13 de setembro de 2015

O Cerne e o Alburno



Sou absolutamente contra a AUSTERIDADE  e desesperadamente a favor do RIGOR.
E dito isto, passemos ao cerne.

O fundamental para qualquer animal é a alimentação que lhe permita crescer e manter-se saudável, um abrigo onde possa descansar em segurança e a possibilidade de se poder reproduzir, para se  perpetuar depois da morte.
Estas três condições constituem o ambiente favorável que qualquer progenitor deve garantir.

Numa sociedade humana moderna, a maioria da população, conta também com o Estado para lhe assegurar estas condições e centra-se essencialmente na sua valorização dentro do grupo, e olha para a fome e para insegurança como perigos longínquos. Quanto à reprodução ... "temos tempo!".

Para conseguir lugar de destaque e obter índices que lhe permitam o reconhecimento dos outros, há que se meter por um dos caminhos já existentes ou arriscar abrir outros não trilhados e ser o primeiro, nem que seja a dar a volta ao mundo em cima de um skate. São opções individuais com toda a legitimidade, desde que não interfira com o bem-estar do próximo, pois o que fizer só irá  "animar a economia".

Outra coisa é quando se gasta o dinheiro dos outros, seja ele dos contribuintes, depositado em Bancos Privados ou de um patrão desatento. Aí não pode haver desperdício e as contas têm de estar certas com o acordado. Os luxos, se os houver, devem estar previamente estabelecidos, porque a norma é a eficácia e não a vaidade.
No Estado, viaturas oficiais "topo de gama" e luxo nos gabinetes oficiais, só para a Presidência da República e Primeiro Ministro, mas com despesas de representação muito bem justificadas. Ponto Final.

Por isso pasmo quando ouço falar de Austeridade na Administração Pública, onde eu esperava ouvir Rigor e responsabilização de todos os que, por incompetência ou desleixo, malbaratam os recursos que lhes estão disponíveis.
Por exemplo: gostava de ver auditorias sobre a ADSE, ADMG e outros subsistemas de Saúde que, actualmente, sustentam as múltiplas clínicas que proliferaram a empolar tratamentos e exames auxiliares de diagnóstico para compensar (e não só) o fraco preço da consulta.
Isso seria Rigor e não Austeridade.

Gostava de sentir um Rigoroso controle dos gastos dos Ministérios, Autarquias e Empresas Públicas, que as impedissem de fazer obras desnecessárias ou impossíveis de manter.
Mas acima de tudo gostava que se tivesse aprendido alguma coisa com o nosso passado e se tivesse identificado quem nos propôs e facilitou os desmandos que nos levaram a ficar reféns de uma dívida impagável, para poder decidir um caminho mais saudável.

Não é com austeridade que nos resolvemos. É com Rigor e Responsabilização.
É esse o cerne! A Austeridade é ... o carnaz!

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Eleições


Um número significativo dos nossos governantes não são pessoas do povo, ou académicos a puxar pela nação, mas políticos profissionais determinados em ganhar eleições e a ensinar a emputescer (corrigido) cordeiramente.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

O burro de Buridan


Buridan (1300 1358) foi um filósofo e religioso francês que teve a audácia de dizer que os movimentos dos astros no céu estão submetidos às mesmas leis dos movimentos das coisas cá em baixo.
E para justificar as forças que mantinham os planetas fixos, sem caírem em direcção ao sol nem se afastarem para o infinito, idealizou uma parábola que  viria a ser chamada “O paradoxo de Buridan” em que um burro é colocado entre duas manjedouras equidistantes, com igual quantidade de feno, como únicas variáveis para o seu comportamento.

Nestas condições ideais, por ser incapaz de decidir, o burro deveria morrer à fome. 

A razão é uma ferramenta poderosa para levar a cabo os objectivos estabelecidos pelos afectos. 
António Damásio demonstrou que lesões frontais que destroem a capacidade de pensar “moralmente”, levam a decisões desastrosas. 
A emoção é a bússola para navegar (com racionalidade) neste mundo.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Uma Opinião "Pragmatista" a considerar.


Um primeiro passo, simples, mas por isso impossível.

Os partidos políticos em Portugal estão ainda divididos ideologicamente entre "extrema-esquerda", "esquerda", e "direita". O "centro", onde deveria residir o pragmatismo, está desocupado. Inexplicavelmente, a "extrema-direita" também não tem ninguém, … mas o país só ganha com isso.

Os vários partidos de extrema-esquerda e de esquerda, o PCP, os Verdes, o BE, para nomear só os que estão representados no Parlamento, estão separados pela proximidade e distinções sem diferenças, e estão permanentemente engalfinhados, lembrando o conflito entre a Judean People's Front, a People's Front of Judea e a Popular Front of Judea no filme Life of Brian dos Monty Python. Acreditam que o Estado é a solução para tudo e para todos, e são, numa avaliação generosa, utópicos e líricos, mas a historia ensina-nos que, no poder, se comportam como os partidos da extrema-direita. Os dirigentes criticam, com o desdém pseudo-intelectual de quem pensa ser possuidor da única verdade, todos os que acham que o Estado é por regra mau investidor e pior gestor. São apoiados por alguns poetas líricos, mas principalmente pelos invejosos que querem nivelar tudo por baixo e procuram usufruir sem esforço da riqueza produzida por outros. A esquerda já governou Portugal e ainda há memória do que aconteceu. Não vão nunca evoluir e estão estagnados naquele espaço cómodo de constante critica, que por vezes é até útil, exigindo regalias, a que chamam direitos, que seriam incapazes eles próprios de realizar, na certeza de que nunca mais vão ser chamados a governar. Não são fiáveis.

O PS, dizendo que é um partido de esquerda, que não é, tenta ocupar o centro, mas ao tentar ser tudo para todos, acaba por não ser nada para ninguém. Manteve-se no poder durante anos "comprando" os votos dos Portugueses com uma prosperidade virtual conseguida com dinheiro emprestado. É o principal responsável pelo buraco onde Portugal se encontra. Não fez acto de contrição e dá indícios de poder voltar ao mesmo. Não é fiável.

Os partidos de direita (PSD e CDS/PP) são apoiados por uma mistura de pequenos e médios empreendedores que não quer o Estado às costas e por oportunistas manhosos que exploram as imperfeições do Capitalismo sem ética e mal regulamentado. São também apoiados pelos que têm horror ao Socialismo, em qualquer das suas formas, e temem que o poder caia de novo nas mãos do "povo unido", e escolhem o mal menor. Em coligação governamental estão a atacar os sintomas da crise económica da forma mais fácil, descurando as causas, sem fazer a reforma do Estado, o que garante uma nova crise num futuro mais ou menos próximo. Não são fiáveis.

O PS, o PSD e o CDS/PP são colectivamente responsáveis pela relação incestuosa entre a política e a economia, que é responsável pela corrupção, que é uma das causas da actual situação de Portugal. Não se vislumbra qualquer vento de mudança. Não são de fiar. Com estes partidos Portugal não sai da cepa torta. É essencial que esta situação dê um salto qualitativo. Evolução e não revolução.

É urgente que surja um Partido Republicano, pragmático, para defender a res publica, tanto da Esquerda utópica e da invejosa, como da Direita ultra-liberal e da manhosa. É fundamental não cair da tentação de apoiar auto-proclamados messias, ou grupos de Salvação Nacional, de espírito "Abrilista", como o Livre, o Podemos e o Syriza, todos infectados do vírus esquerdista/populista. Estes indivíduos ou movimentos poderão até ter no início boas intenções, mas todos sabemos que lugar está já cheio de boas intenções.

A solução pragmática talvez passe por reciclar o que que já existe - uma fusão qualificada entre o PS e o PSD. Os membros mais conservadores e menos comprometidos do PS (que de Socialista, para além do nome, tem muito pouco), e os membros menos liberais e menos comprometidos do PSD (que de Social-Democrata já não tem nada) poderiam formar a base de um partido politico para ocupar o Centro. Este partido poderia apresentar aos Portugueses um programa de governo realístico e pragmático, sem estar acorrentado a ideologias, fazer finalmente a tal reforma do Estado, encorajando e regulamentando a actividade económica privada sem a asfixiar, promovendo a livre concorrência, investigando eficientemente as actividades ilegais e fazendo cumprir a lei com celeridade e rigor.

Um primeiro passo, essencial, para eliminar a partidocracia perniciosa que está na raiz de tudo, será rever a Constituição para permitir a eleição uninominal dos deputados para que estes respondam directamente aos cidadãos que os elegeram e não aos partidos que os nomearam.

Um partido com estas características acabaria por se impor num Parlamento realmente eleito pelo povo, forçando o PS, o PSD e o CDS/PP a evoluir sob pena de se tornarem irrelevantes.

Se os Portugueses quiserem, poderiam finalmente ter um país viável para entregar às próximas gerações.

Texto assinado por um "Anónimo"

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Grécia


Como disse hoje Vladimir Putin: "Onde estava a UE" quando os problemas da Grécia se acumulavam?

E é também aqui que eu ponho a tónica. É só medir o tamanho da maçã comercializável e definir como construir WC nos consultórios e restaurantes, ou essa “malta que ganha milhões em Bruxelas” não soube o que se estava a passar nos Bancos e nos Partidos que usam os Estados sem um mínimo de cumprimento das tais “regras” por que se devia reger a União Europeia?

Assumir o poder sem postura que contrarie quem é disfuncional e não cumpre regras básicas é ser “político de pacotilha” cuja principal preocupação é não levantar ondas para sair incólume no fim do mandato.

Há muito que se sabia que a Grécia não estava a cumprir o “estar Europeu”, como acontece ainda em muitos sectores em Portugal onde é possível viver impunemente no “faz de conta”. Quadros superiores incompetentes ou incumpridores que se mantêm activos depois de longos anos devidamente identificados, empresários cujo “sucesso” está apoiado em encomendas facilitadas por partidos políticos, políticos corruptos a usar facilidades para enriquecimento ilícito, advogados "espertalhões" a fazer cortinas de fumo a toda esta gente e tudo isto a acabar num Sistema Judicial ineficiente por vícios antigos e escassez de recursos.

Temos sido governados por gente que sente que sabe jogar com as regras do capitalismo liberal, onde o momento dita o gesto e não há qualquer projecção colectiva da sociedade, ignorando que não é possível uma União Europeia onde cada Estado se procura “safar”, seja ele a Grécia com espertezas saloias, ou os países do norte que para vender automóveis e aviões à China sacrificam os países do Sul. 

segunda-feira, 22 de junho de 2015

A ditadura do carro



Acordar na última, tomar o pequeno-almoço no elevador, entrar no carro, o saber que se não chega à rotunda dentro de 5 minutos não vai chegar ao trabalho a horas e o carro de trás já está a buzinar. A rádio diz que a rotunda de relógio tem 30 minutos de filas e por aqui pensamos ai ainda bem que não vivo em Lisboa. Estas são as primeiras horas do dia da maioria dos portugueses. Como se estas primeiras horas não fossem horas a sério, como se não contassem, o correr como se o dia apenas começasse quando uma pessoa se senta a trabalhar, tudo até aí é preparativo. O ritmo corrido dos nossos dias, a glorificação da pressa, apenas o destino interessa, nunca o caminho.
As cidades estão desertas e às 7.30 começa-se a ouvir o zumbido dos carros. 1 pessoa – 1 carro. Uma bolha, vidros fechados, todos os dias o mesmo trajecto,  a monotonia do tempo porque este tempo deixou de ter valor. O que interessa é chegar. E depois voltar e chegar a outro lado. A cidade que deixa de existir para ser apenas um espaço entre pontos de partida e destino.
 As cidades só fazem sentido enquanto espaços para pessoas. Os negócios, os cafés, os museus, as lojas, os jardins, as esplanadas, as praças não foram criados para os sábados à tarde e domingos soalheiros. As cidades têm uma vida própria em conjunto com as pessoas que pisam as ruas e quem vive entre pontos, entrando e saindo do carro não a conhece. As cidades do século XXI terão de descobrir o que querem ser – se um aglomerado de dormitórios ou espaços de convívio, onde as pessoas abraçam outros espaços fora da sua sala de estar.  
Nova Iorque, uma das cidades mais apressadas do mundo, decidiu em 2008 criar vias cicláveis por toda a cidade e os resultados foram impressionantes – numa cidade com 20 milhões de habitantes a correr de um lado para o outro, a mudança do paradigma da mobilidade conduziu a uma diminuição dos acidentes automóveis em 25%, diminuição de 10% da emissão de gases de efeito de estufa, aumentos de cerca de 50% no consumo no comércio local, diminuição dos espaços comercias vazios e cerca de 80% de aumento no número de pessoas que passaram a usar as esplanadas e parques da cidade. As cidades não mudam por acidente. Amesterdão nem sempre foi a cidade das bicicletas. As cidades do século XXI são planeadas e cabe aos bracarenses pensarem que cidade querem viver e deixar para o futuro.
Junte-se a nós. Saiba mais em bragaciclavel.pt. Boas pedaladas!

Helena Gomes in Diário do Minho

domingo, 7 de junho de 2015

Portugal e a Emigração pelos olhos de um ex


Abalar para os quatro cantos do mundo em busca de uma vida melhor foi a solução encontrada pelos melhores portugueses através dos séculos. Uns foram empurrados, outros, os Cripto-Judeus que escaparam à fogueira, expulsos. Melhores, não pelas qualificações académicas, mas, só pelo facto de terem decidido emigrar, demonstraram e demonstram ter a energia, a iniciativa e estar dispostos ao risco para progredir,  qualidades de que Portugal necessita para se revitalizar. (para nos apercebermos do capital humano que perdemos ao expulsar os Judeus Sefarditas, recomendo o livro "Farewell España" de Howard M. Sachar).
Eles e os seus descendentes, foram e continuam a ser factores positivos nas economias e nas culturas dos países que os acolheram - França, Alemanha, Suíça, Luxemburgo, Holanda, Reino Unido, EUA, Brasil, África do Sul, entre outros. Sem pedir nada a ninguém, e sem subsídios, refizeram as suas vidas a partir do zero em terras estranhas. Fizeram nestes países o que lhes foi impedido de fazer por cá.
Emigrar parece ser também a solução dos melhores Portugueses deste século, e o ciclo repete-se.

Os que cá estão são, obviamente, os descendentes dos que por cá foram ficando, e com eles aprenderam a estar na vida. A vasta maioria pertence a uma classe média instável ou a uma classe média-baixa atemorizada, que cedo aprendeu as regras do jogo, e se "adaptou", tal como os progenitores, para assegurar o pouco que tem, ficando a fazer parte do problema. Dentro destes há uma sub-espécie parasitária, particularmente perniciosa, que se filia ainda muito jovem nas hordas das Mocidades Partidárias (seguindo as tradições Fascista e Comunista), e organizações quejandas, para assegurar um futuro sem nunca necessitar de ter um emprego sério. Há também uma minoria que, mesmo que em algum momento tenha tentado ser agente de mudança para fazer parte da solução, acaba inevitavelmente, por medo ou desalento, por se acomodar à mediocridade nacional para sobreviver. Há os que vivem com 10 Euros por dia. E por fim, há uma minoria de Portugueses inovadores e produtivos, que vive no século XXI, e vai evitando que o barco afunde, mas sem dimensão suficiente para fazer Portugal sair do marasmo em que sempre esteve.

Agora que a recente prosperidade virtual dos Portugueses esbarrou com a realidade, os media exaltam periodicamente o sucesso de alguns Portugueses da Diáspora. Parece ser uma tentativa de associar o sucesso desses emigrantes com Portugal e os Portugueses, para levantar o moral colectivo, tal como quando Ronaldo é eleito o melhor futebolista do mundo, ou o Mourinho o melhor treinador. Esquecem-se de mencionar que os emigrantes foram durante muito tempo alvo de escárnio dos que por cá ficaram e que, quando os que cá vinham de vacances se atreviam a criticar fosse o que fosse, ouviam com frequência o comentário: "só porque vives lá fora achas que sabes tudo!", e os mais sofisticados, que vinham de férias, ouviam "há que adaptar as soluções dos outros países à realidade nacional", o que na realidade significa torná-las ineficazes.

Tem havido recentemente também apelos e iniciativas do governo para aliciar emigrantes a regressar e trazer capital e know-how para participarem na revitalização da economia. Estas iniciativas canhestras, estão condenadas a falhar, porque é pouco provável que um emigrante no seu perfeito juízo acredite que Portugal tenha feito as reformas estruturais necessárias para fazer o país atractivo ao investimento. O investimento estrangeiro em Portugal tem-se limitado, com raras excepções, à aquisição de empresas falidas a preços de saldo por investidores oportunistas (o que nāo tem nada de errado), ou por oligarcas da cleptocracia Angolana para branquear capitais (o que tem tudo de errado), ou ainda por empresas Chinesas, mais ou menos estatais, por motivos estratégicos (o que deveria ser acautelado).


Houve algumas mudanças, impostas do exterior, mas que apenas arranham a superfície, e não mudam a cultura. A Justiça continua politizada, a relação incestuosa entre política e economia continua, assim como a burocracia paralisante. Os Portugueses parece que só aceitam mudança desde que tudo fique essencialmente na mesma.
E como se isto não fosse suficientemente perverso, a massa crítica da população permanece ignorante, mesquinha, retrógrada, invejosa e intoxicada de futebol, em proporções variáveis. Panem et circences revisitado?
Heróis do mar? Pobre povo!

Por último, e o mais importante, Portugal não tem credibilidade. Poderá ser um parceiro fiável nos contractos supostamente gravados na pedra, que o Estado fez com grupos privilegiados para criar as famigeradas PPPs, mas tem uma história de incumprimento dos contractos assumidos para com os seus cidadãos.

Texto de um ex-emigrante que se quer anónimo

sábado, 25 de abril de 2015

Videirinhos


Alguns são protótipos, mas a maioria dos que conheço são de série, daqueles que andam pelos bares e corredores à procura de uma qualquer informação que possam utilizar em seu proveito, baldando-se o mais que podem ao que deviam estar a fazer. São comuns nas instituições públicas e nos Cafés, mas podem-se encontrar em qualquer local onde haja gente.
Perguntam coisas ou procuram ouvir as conversas do lado, enquanto se fingem absorvidos em qualquer actividade, para depois difundirem por quem gosta de emprenhar pelos ouvidos. Aqui no burgo chamam-lhes "faroleiros".

O grande desejo do videirinho é a política, onde se sentem corredores de Fórmula 1, a falar do que nunca fizeram, com "escuderias" e "sponsors" que lhes cobrem as pulhices com que presenteiam quem é apanhado "à má fila".
Já deram provas nos campeonatos de segunda e terceira divisão. Iniciaram o currículo nas escolas e nos seus locais de trabalho. Sabem engolir sapos vivos e utilizaram a adulação para reduzir as obrigações profissionais e assim garantir a frequência dos corredores, pois é aí que se consegue o acesso aos gabinetes onde se permitem as ultrapassagens. Mostraram disponibilidade "para o que quer que seja" e são ávidos naquelas "novidades" que confundem o adversário e lhes criam a falsa auréola de estarem dentro da "problemática da temática" e, como dentro da sua profissão, pouco ou nada fizeram, é difícil alguém tropeçar num dos seus erros.

A sua relevância nesses campeonatos, junto ou num conselho de administração de uma empresa, seja ela do Estado ou de um privado, influencia as promoções e é frequente a causa do insucesso, ao desvalorizar a qualidade em favor daquilo a que ele chama "estabilidade", que mais não é que a sua escada para o poder.

Abril não exigiu qualidade aos dirigentes. Manteve o padrão básico do "muito é melhor que pouco!" e do "rouba, mas faz!" e, pela larga porta da sua "bondosa confiança" muitos se apressaram a lançar as suas raizes.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Carta aberta ao Ministro da Saúde


Caro Paulo:

Esta é a terceira carta que te escrevo.
Quer-me parecer que já estás em percurso descendente. Fizeste a tua parte e agora é tempo de dares espaço a outro.
Nos últimos tempos, quando há necessidade de soluções médicas para os problemas, os teus secretários de estado mostraram-se muito abaixo das expectativas, com soluções que não lembram ao diabo. Essa coisa de passar as Urgências para os privados ia ser um forrobodó, ainda maior do que já é o da ADSE. Aí é que era fazer negócio. Haviam de aparecer todas as necessidades como urgências e em poucos dias a dívida pública batia recordes.
Esse teu secretário de estado da saúde - Leal da Costa, embora médico, trabalhou para professor e não deve ter vivido duas horas com responsabilidade numa Urgência Hospitalar. Não devia preconizar soluções para áreas que desconhece, pois os perigos da sua proposta não compensam (nem de longe) eventuais benefícios.
Até parece que está a procurar lugar numa qualquer clínica para quando daí sair.
Uma Urgência Médico-Cirúrgica é uma estrutura complexa que não se obtém de um dia para o outro. Só um louco faria uma proposta para a pagar aos privados no SNS. Aqui na terra, quando a doença é grave o caminho é o dos Hospitais públicos. Raramente ao contrário.

Já ouvi dizer que lhes puxastes as orelhas, mas tens de pensar que já são muitas as soluções desse tipo.
Ficas como um ministro que fez umas alterações que pouparam em medicamentos, que corrigiu algumas disfunções e que até meteu  na choldra uns caramelos que andavam na ganhunça, com àvontade extremo e, com sorte, ninguém se vai lembrar dos privilégios que deste aos privados em detrimento do SNS, sem os teres fiscalizado devidamente, nem da contribuição para desertificação do país que a concentração da saúde ocasionou.
Sabes que eu até apostei em ti, mas agora nem Deus te parece estar a ajudar.
Não te mortifiques com cilícios e abstinências, que o pessoal acredita cada vez menos nesses desagravos.

Diz qualquer coisa, que eu mantenho-me atento às tuas serenas análises dos alarmismos que se vão acumulando.

Fernando


quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

sábado, 3 de janeiro de 2015

Portugal 2015



Recebi este texto de alguém bem identificado, mas que se deseja "Anónimo"
 


Quinta Lei da Termodinâmica: Mais tarde ou mais cedo tudo se transforma em merda.

Esta lei aplica-se que nem uma luva a muitas instituições Portuguesas.
Aqui estão alguns exemplos do passado e da actualidade:


1 - A Monarquia estava incapaz de governar o país e foi substituída violentamente por uma República defeituosa que trouxe sucessivamente Anarquia, Ditadura, Golpe de Estado, Comunismo mal disfarçado de Socialismo, e finalmente Partidocracia, mas nunca realmente Democracia.

2 - O Sistema Colonial continuou, por anos. mesmo depois ter ficado evidente que era insustentável, e foi desmantelado nas piores circunstâncias possíveis. Foi denominado pelos autores de "descolonização exemplar", apesar de ter originado guerras civis e cleptocracias, com consequências desastrosas para milhões de pessoas.

3 - É cada vez mais evidente que os partidos políticos não representam os interesses dos cidadãos, mas mantêm-se no mesmo caminho.

4 - O Sistema de Justiça é manifestamente inadequado, mas nada de significativo está a ser feito para o tornar eficaz e justo.

5 - O Sistema Bancário dá evidencias de grande fragilidade, e pode até já ter colapsado, mas ninguém ainda se apercebeu ou quer admiti-lo.

6 - Por último, mas não menos importante, há a corrupção endémica nos níveis mais altos do governo, de que todos suspeitávamos, mas só agora começa a vir à luz do dia. O sistema está manifestamente podre mas a intelligentsia local ocupa-se a falar (demais) sobre aspectos de forma, e ninguém ousa abordar a substância - como é que chegámos a esta situação? - e muito menos elaborar uma estratégia para conter a corrupção. (Faço aqui um pequeno aparte para comentar que em Portugal o verbo falar confunde-se frequentemente com o verbo fazer, talvez porque ambas a palavras comecem por f, e terem ambos cinco letras.)

*

A realidade é que não há nenhuma varinha mágica para detectar, prevenir ou parar a deterioração das instituições. As soluções para evitar que as instituições se deteriorem, ao ponto de se tornarem impróprias para os fins para que foram criadas, são do foro do senso comum. Infelizmente, o senso comum não é muito comum. Apela-se muito ao senso comum, mas tendemos a agir no nosso próprio interesse.

Ansiamos por estabilidade e esquecemo-nos que tudo muda constantemente. Estabilidade é um mito. O que pensamos ser estabilidade não passa de períodos de equilíbrio instável. Esses períodos são, no entanto, mais curtos do que pensamos porque a passagem de "estável" a instável é gradual e, quando a detectamos, ou quando uma catástrofe acontece, o processo já vem acontecendo há algum tempo, mas passou despercebido por ignorância, estupidez, complacência, incompetência, negação, ou desonestidade, ou uma combinação em partes variáveis destes atributos.

A melhor oportunidade para nos preocuparmos com a desagregação de uma instituição é quando pensamos que não há razão para nos preocuparmos. Infelizmente uma atitude preventiva raramente é recompensada e os que se preocupam, e querem prevenir, são ignorados e frequentemente ridicularizados.

Os agentes que influenciam negativamente as instituições são fáceis de detectar, se/quando estivermos atentos, mas é impossível se ninguém está. Isto é especialmente verdadeiro quando os interesses ou ambições pessoais e/ou de grupos envolvidos têm precedência sobre os interesses das instituições.

A única forma de evitar que uma instituição se transforme em merda é através de: Integridade, Responsabilidade, Transparência, Competência, Meritocracia.

Não deve se necessário explicar estes atributos, mas como parece terem caído em desuso em Portugal, uma consulta ao dicionário poderá ser aconselhável. Meritocracia é um neologismo e ainda não consta nem na língua, nem na conduta dos Portugueses.

Quando um ou mais destes atributos está ausente a deterioração da instituição é inevitável, e apenas uma questão de tempo

Não é por "sorte" que a Alemanha está onde está agora, ou por "má sorte" que a Venezuela está onde está agora. A Alemanha e a Venezuela merecem estar onde estão. A Alemanha corrigiu os seus caminhos, mas a Venezuela ainda acredita que está no caminho certo.

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Várias instituições em Portugal ruíram e outras estão em processo de deterioração, e a caminho de se tornarem ineficazes para os fins para que foram criadas, porque alguns, ou todos os atributos acima mencionados estão em falta. Esta situação não pode ser separada da ineficácia crónica da Justiça.

Um dos erros graves que fazemos em Portugal é colocar o indivíduo acima da instituição, por vezes por um conceito paroquial de humanismo e de igualdade, mas com mais frequência por razões muito menos nobres.

Respeitando os direitos fundamentais do indivíduo (o direito à vida, à liberdade, à livre expressão de ideias, etc.), em oposição aos famosos direitos adquiridos, a integridade da instituição deve ser protegida para que esta possa proteger o indivíduo. Sem proteger a integridade da instituição não é possível proteger o indivíduo.
Não há direitos permanentemente adquiridos para além dos direitos fundamentais. Poderá haver regalias adquiridas mas só enquanto produzirmos riqueza suficiente para as usufruir.

Nós devemos ter todos os mesmos direitos e oportunidades, mas não somos todos iguais.

A preocupação (obsessão?) dos Portugueses com a igualdade, garantida em teoria na Constituição, não passa de uma manifestação de inveja camuflada de humanismo, e que impede que talentos floresçam, e leva inevitavelmente a um nivelamento por baixo.

Cada indivíduo deve ser capaz, e ser incentivado, a chegar a seu nível de competência máxima, mas não deve ser autorizado a permanecer no seu nível de incompetência. Um único indivíduo pode fazer um dano imenso a uma instituição.
Incompetência, assim como desonestidade, é motivo para demissão. Se podemos fazê-lo no campo de futebol, podemos fazê-lo em todos os lugares. As associações profissionais de médicos, advogados, engenheiros, contabilistas, pilotos, electricistas, canalizadores, professores, etc., deveriam abraçar este conceito.

Darwinismo - ascensão do mais competente e destituição do incompetente - dentro da instituição é essencial para manter as instituições saudáveis. Nenhum sistema é perfeito; erros serão cometidos, mas devem ser corrigidos assim que forem detectados. Cada um deve encontrar o seu lugar na sociedade por mérito próprio.

Enquanto não abraçarmos estes princípios: Integridade, Responsabilidade, Transparência, Competência, Meritocracia, nada vai mudar em Portugal, porque negamos aos nossos melhores a possibilidade de governar Portugal porque, com o sistema contaminado, evitam o Serviço Público (em oposição ao funcionalismo público), ou emigram.