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sábado, 15 de setembro de 2018

Universitários (?)



Hoje fui a Braga.
Entrei na Livraria Centésima Página, para comprar “O Segundo Sexo - volume 2, de Simone de Beauvoir, para oferecer a uma das minhas filhas. Estava esgotado e acabei nas suas traseiras a almoçar uma salada de presunto.

À saída, do outro lado do jardim da Avenida Central, topei uma escultura “futurista” encimada por uns pequenos painéis solares, que me sugeriu um carregador de telemóveis, por já ter visto noutras cidades europeias coisa semelhante.
Estava a dar-lhe a volta e a aperceber-me da sua disfunção, quando um “arrumador” que por ali passou me esclareceu:

- Foram os meninos ricos que o estragaram! E depois dizem que nós é que somos a escumalha da cidade!

Disse-o convictamente, enquanto se dirigia para um lugar vago do estacionamento fazendo sinais a um automóvel que circulava, deixando-me a pensar nas praxes académicas e nas palermices que o "vandalismo universitário" é capaz.

Já em casa, procurei a notícia da sua inauguração. Terá custado 39 mil euros e foi ali implantado há pouco mais de um ano.



quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Fogos.pt


Começo a ter raiva a quem me entra diariamente em casa a falar dos incêndios e a dizer que é do vento, da falta do retardante, dos helicópteros Kamov e do SIRESP que custam milhões, das casas que ardem que são primeira e segunda habitação e as que estavam, há décadas, desabitadas, e dos milhares de hectares de área ardida.

Eu quero é saber como se vai acabar com este desbarato de recursos. Quero saber se é possível manter o minifúndio na floresta, onde a maioria dos proprietários são idosos, sem nenhuma vontade de modificar o que quer que seja, e que pensa (e bem) que, se vender, no dia seguinte, o dinheiro que pôs no Banco, começa a desaparecer.

Portugal não tem tradição de associativismo e não é possível gerir uma floresta quando as propriedades têm pouco mais de meio hectare. O que se gasta a apagar fogos não compensa a rentabilidade que de lá se tira e os impostos não podem ser aplicados a alimentar quem faz do fogo negócio, nem políticos temerosos que acções mais enérgicas lhes possam trazer maus resultados  eleitorais.

Exige-se frontalidade no impedir que eucaliptos e pinheiros convivam com os aglomerados urbanos, na modernização do cadastro florestal e na implementação de obrigações mínimas de manutenção.
Só assim a floresta atrairá empregos e fixará população, mesmo que os proprietários vivam nas cidades, como os que a vêm apagar.

Já chega de jornalistas a descrever “ad nauseam” os “cenários de guerra”, os “infernos” dantescos, as lágrimas dos desafortunados, as frustrações dos bombeiros, dos políticos, dos comentaristas, enquanto “o touro” investe sobre tudo e todos, sem que um Governo se decida pegá-lo pelos cornos para que, ao menos, se protejam as pessoas e as habitações.

sábado, 14 de outubro de 2017

Carta aberta ao Diabo


Caro Diabo:

Há tempos que te aguardava, mas confesso que te esperava sob a forma de uma crise económica e não pela mão de um processo judicial.

Tu és mesmo maligno! Está a gente a olhar para um lado e tu apareces do outro! A realidade atraiçoa-nos sempre!, e só podes ser tu a dar voltas ao Destino para que tal aconteça. Eu, que sou ateu, tinha rezado aos deuses de todas as religiões para que o José Sócrates fosse culpado e que a nossa Justiça não fosse tão má que incriminasse um primeiro ministro (repetidamente reeleito secretário-geral do PS com maiorias a rondar os 90% dos votos), sem uma base extremamente sólida mas, agora com as notícias recentes que o envolvem com a Portugal Telecom e o BES, fico sem jeito a pensar que gastei todas as Salvé-Rainhas e Pai-Nossos no lado errado. É que, a ser verdade, há muito mais gente envolvida que os “cabeças de série” indiciados. Não se faz uma trafulhice destas, que lesa o principal Banco privado nacional e faz vender ao desbarato uma das maiores empresas portuguesas, obrigando os contribuintes a pagar balúrdios, sem a colaboração e a passividade de muita gente!

Cá para mim, quiseste dar a volta ao Passos Coelho. Induziste uns radicais a dar uns tiros, em nome de Maomé, nas zonas turísticas do norte de África, para que tivéssemos um “boom” no turismo e em algumas indústrias e, em vez de vires em 2016, vieste agora com as achas bem acesas.

O que nos vale é que já se fala em dez anos para digerir as 4.000 páginas da acusação, o que dá tempo para chamar bombeiros, máquinas de arrasto, aviões, helicópteros, pôr o SIRESP a funcionar e até dar passos significativos na Lei n.º 76/2017 que altera o Sistema Nacional de Defesa da Floresta contra Incêndios.

Esta coisa de comprar o poder político mesmo no topo da hierarquia só podia vir de ti! Dar uns trocos ao Presidente da Junta para calcetar uma rua ou facilitar um pequeno negócio, é mau. Mas dar 24 milhões de Euros a um primeiro ministro, é inclassificável. Está para lá das estrelas! Deves ter envolvido muitos mafarricos na empresa e creio que até passaste umas noites sem dormir. Felizmente que te não lembraste da AutoEuropa. Aí é que era o desastre completo!

És um demónio! Agora que não andas entretido em Grandes Guerras, viraste-te para o crime económico. Já te vejo a entrar pelo ciberespaço a tentar dar cabo de dados de hospitais, grandes empresas e até a interferir com a actividade do vulgar cidadão, por puro gozo malévolo, antes que os novos deuses, “made in” Silicon Valley, ocupem os tronos e nos protejam, desde que lhes paguemos as devidas décimas.

Vê se te conténs! Há mais mundos! Deixa isto aqui acalmar e não fomentes abusos nem greves com reivindicações impossíveis. Tu até tens acesso a outros planetas para as tuas diabruras. Dá espaço para que, aqui na Terra, tentemos um novo estar que poupe o que construímos.

Vai de Retro Satanás! Ou se não quiseres ir de retro, vai noutro meio de transporte, mas vai, que já fizeste estrago que chegue neste país que se diz … Europeu!

Até nunca!

Fernando

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Pensamentos do Dia



“The whole problem with the world is that fools and fanatics are always so certain of themselves, and wise people so full of doubts.”
Bertrand Russell

Não é preciso acreditar em deuses ou mitos, desde que se saiba que as certezas são temporárias e não absolutas. O único conceito absoluto é que nada é absoluto!
O problema surge quando, carregados de dúvidas, ficamos paralisados e não vamos a lado nenhum.  
Não é necessário, nem suficiente, nem indispensável, ser fanático para se ter uma certeza suficiente para resolver os problemas que se nos deparam.  
António Gomes

terça-feira, 12 de julho de 2016

sexta-feira, 24 de junho de 2016

No comments



Nunca falta um chinelo velho a um pé manco.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Economia na Saúde




A Europa vive tempos de incerteza. Um vento de multinacionais entra em negócios tradicionalmente nas mãos de pequenas empresas, oferecendo serviços e bens a menor custo para o consumidor, à custa da precariedade do trabalho, do esmagar dos preços à produção e dos salários dos trabalhadores. É também esta a lógica dos “investidores em Saúde”.

Os políticos têm dificuldade em integrar o exponencial desenvolvimento tecnológico dos últimos anos e, no caso da Saúde, deixam-se levar na lógica dos preços baixos por acto, sem analisarem a sua necessidade e qualidade e, em pouco tempo, vêem-se avassalados com custos crescentes a que o Serviço Nacional de Saúde não consegue dar resposta.

Subrepticiamente, grandes empresas foram tomando conta dos consultórios médicos e das pequenas clínicas, retirando os médicos da tradicional profissão liberal, a troco de uma organização mais ágil na resposta às necessidades de um “mercado” definido pelas expectativas da população.

Ora são as expectativas artificialmente criadas e que são uma das principais áreas de negócio para muitos dos “Privados”, que um Estado responsável tem de conter, para que o orçamento da Saúde seja comportável, pois, neste negócio não há limites para quem queira consumir.

As “guidelines” internacionais e as Normas de Orientação Clínica (NOCs) da Direcção Geral de Saúde, não impedem que se abuse de Meios Auxiliares de Diagnóstico e Tratamento, numa prática que tem sido apelidada de “Medicina Defensiva”, mas que também pode ser interpretada como atitude de “shotgun”, quando se ultrapassa a capacidade de diagnóstico.

Mas, se o fenómeno existe no Público e no "Privado", neste, o controle dos excessos, não só é mais deficitário, como, nalguns casos, inexistente, numa política de minimizar o doente para maximalizar o negócio.

Acresce que a Saúde, nos últimos vinte anos, para além dos tradicionais médicos, enfermeiros e auxiliares, alargou a tipologia dos seus funcionários a “conselheiros políticos, economistas, gestores, psicólogos, dietistas, nutricionistas, assistentes sociais, podologistas … pois, todos eles contribuem para o "bem-estar físico, psíquico e social dos indivíduos".

Ao enorme aumento da população mundial (quadruplicou no último século), os regimes comunistas responderam com um plano centralizado e falharam. Os regimes capitalistas deixaram “funcionar os mercados”, sem repararem que, se a área de negócio é interessante (e a Saúde é uma das mais importantes, no Ocidente, onde se projecta quem em 2030 mais de 50% da sua população tenha mais de 50 anos), a tendência é para a formação de grandes grupos económicos para a sua exploração.

Se a concentração termina em três “players” (como agora se diz), de modo a que da sua concorrência, resultem preços baixos apelativos para a população, os políticos de pacotilha, sorriem.

Três é a sua fórmula mágica, seja nos Hipermercados, nas Telecomunicações, nos Bancos, nos Seguros de Saúde, nas Análises Clínicas ou na Hemodiálise.

É-lhes mais cómodo assim. Sabem com quem devem falar, mesmo que os investidores sejam chineses ou sediados em offshores de origem incerta.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Demência



-Vai-me desculpar, mas a dona Conceição não tem doença que justifique internamento hospitalar. A sua demência está razoavelmente controlada e as análises estão bem. Vai ter de a levar assim!

-Dr.! Eu não tenho vida para cuidar dela. Até há duas semanas, antes de adoecer com a celulite da perna, ainda ajudava, mas depois de ter vindo do hospital, não colabora em nada. A Segurança Social tem que lhe arranjar um Lar, que a reforma dela é muito baixa.

-Mas a senhora não é da família?

- Não Dr.! Eu sou casada com um sobrinho dela. O meu marido, há uns meses, arranjou-lhe um quarto num anexo de nossa casa. Ia de dia para o Centro e à noite ficava sozinha. Mas assim, como agora está, eu não a posso ter connosco. Ela tinha uma casa, mas doou-a ao padre na esperança de que ele a ajudasse na velhice, mas o padre morreu, e quem herdou foi uma filha dele, que não mora na freguesia. Agora não tem nada. Nós ajudamos, mas não podemos pagar o que os Lares pedem e ela nem 300 € tem de reforma!

- Ahhh!

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Democracia


Democracia não é um sistema. É uma cultura. Baseia-se em hábitos, atitudes, partilhas de poder há muito estabelecidas, crença arreigada na lei e na ausência de corrupção sistemática e de cinismo.
Pode importar-se um sistema, instalá-lo e fazê-lo funcionar. Não se pode importar uma cultura.

Andrew Marr in "História do Mundo"

domingo, 15 de novembro de 2015

"Professor Doutor"



Profissionalmente, estava longe de ser brilhante. O doutoramento culminou uma amizade com uma doença, como se ela fosse um refúgio para as dificuldades do primeiro projecto em que se metera.
Nada contra, mas o título de "Professor" para um doutoramento, que mais não é que uma "competência", para quem não se dedica primeiramente ao ensino, é, na falta de melhor entendimento, uma incorrecção linguística.

Para que se  desfaçam dúvidas, informa-se:
Em Portugal, doutor significa que se doutorou. Os apenas licenciados, como os licenciados em Medicina, em Farmácia, Filosofia, etc., são também doutores. A diferença está no seguinte; para os doutorados, doutor é um grau académico; para os licenciados doutor é um título. 
Na linguagem escrita, há quem distinga o doutorado, escrevendo doutor (com todas as letras); e para o licenciado, dr. (em abreviatura).
Quando o doutorado é professor universitário, costuma-se, às vezes, distingui-lo com o tratamento de professor doutor.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Carta a Marcello Caetano


Caro Marcelo:
Decidi escrever esta carta para sinalizar os 35 anos da tua morte real, seis anos depois da tua morte política.
Lembro-me de ti nos telejornais em banhos de multidão e nas “Conversas em Família” para nos doutrinar, até ao dia em que, de repente, caíste, dizendo uma frase estrondosa: “Rendo-me, para que o poder não caia na rua!”
Nessa altura, eu não sabia o que era o poder “na rua”. Só depois do PREC e das guerras civis nas colónias da Europa em toda a África, é que o entendi e passei a olhar-te como um académico crente num regime que recusava a nova moda mundial que ditava a autodeterminação dos povos e a alternância do poder.
Atiraram-te para primeiro-ministro quando já não havia solução. Um General num beco, envolto em denso nevoeiro, à mercê de vozes que o confundem, a tentar espaço no apoio dos fracos, até eles se cansarem e lhe virarem as costas.

A realidade atraiçoa quem dá "o seu melhor" quando a máquina já resvala e não há tempo nem mãos para lhe alterar o rumo. O regime estava em vias de extinção. Tu cumpriste-lhe o destino, qual mamute lanoso do Holoceno.

Foi a Esperança que te substituiu. Uma Esperança esfarrapada, a tomar medicamentos estrangeiros, a braços com “mercados” e “investidores” internacionais, impossibilitada de decidir por si, mas, apesar disso, melhor que a água choca onde pretendias que nadássemos.

Estive a ler os teus anos no Brasil até a morte te apanhar, de surpresa, encurralado pela vida, amargurado, solitário e com dificuldades económicas.
Devias saber ser esse um destino possível dos primeiros-ministros dos países do terceiro mundo, quando os regimes se eternizam no poder. É dos livros. Há uma altura em que o Povo dá ouvidos aos que perderam a Esperança, e exige aos poderosos que se arrastem na lama em que se julgam atolados. Só Cincinatus o interiorizou.

Tens mausoléu no Cemitério de S. João Batista, no Rio de Janeiro, onde o mármore roxo te acalma as recordações das múltiplas traições, bem longe deste Portugal que semanas depois de publicamente te aclamar, quis sumariamente acabar com os teus dias.

É a vida!

Fica bem!

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Eleições


Um número significativo dos nossos governantes não são pessoas do povo, ou académicos a puxar pela nação, mas políticos profissionais determinados em ganhar eleições e a ensinar a emputescer (corrigido) cordeiramente.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Uma Opinião "Pragmatista" a considerar.


Um primeiro passo, simples, mas por isso impossível.

Os partidos políticos em Portugal estão ainda divididos ideologicamente entre "extrema-esquerda", "esquerda", e "direita". O "centro", onde deveria residir o pragmatismo, está desocupado. Inexplicavelmente, a "extrema-direita" também não tem ninguém, … mas o país só ganha com isso.

Os vários partidos de extrema-esquerda e de esquerda, o PCP, os Verdes, o BE, para nomear só os que estão representados no Parlamento, estão separados pela proximidade e distinções sem diferenças, e estão permanentemente engalfinhados, lembrando o conflito entre a Judean People's Front, a People's Front of Judea e a Popular Front of Judea no filme Life of Brian dos Monty Python. Acreditam que o Estado é a solução para tudo e para todos, e são, numa avaliação generosa, utópicos e líricos, mas a historia ensina-nos que, no poder, se comportam como os partidos da extrema-direita. Os dirigentes criticam, com o desdém pseudo-intelectual de quem pensa ser possuidor da única verdade, todos os que acham que o Estado é por regra mau investidor e pior gestor. São apoiados por alguns poetas líricos, mas principalmente pelos invejosos que querem nivelar tudo por baixo e procuram usufruir sem esforço da riqueza produzida por outros. A esquerda já governou Portugal e ainda há memória do que aconteceu. Não vão nunca evoluir e estão estagnados naquele espaço cómodo de constante critica, que por vezes é até útil, exigindo regalias, a que chamam direitos, que seriam incapazes eles próprios de realizar, na certeza de que nunca mais vão ser chamados a governar. Não são fiáveis.

O PS, dizendo que é um partido de esquerda, que não é, tenta ocupar o centro, mas ao tentar ser tudo para todos, acaba por não ser nada para ninguém. Manteve-se no poder durante anos "comprando" os votos dos Portugueses com uma prosperidade virtual conseguida com dinheiro emprestado. É o principal responsável pelo buraco onde Portugal se encontra. Não fez acto de contrição e dá indícios de poder voltar ao mesmo. Não é fiável.

Os partidos de direita (PSD e CDS/PP) são apoiados por uma mistura de pequenos e médios empreendedores que não quer o Estado às costas e por oportunistas manhosos que exploram as imperfeições do Capitalismo sem ética e mal regulamentado. São também apoiados pelos que têm horror ao Socialismo, em qualquer das suas formas, e temem que o poder caia de novo nas mãos do "povo unido", e escolhem o mal menor. Em coligação governamental estão a atacar os sintomas da crise económica da forma mais fácil, descurando as causas, sem fazer a reforma do Estado, o que garante uma nova crise num futuro mais ou menos próximo. Não são fiáveis.

O PS, o PSD e o CDS/PP são colectivamente responsáveis pela relação incestuosa entre a política e a economia, que é responsável pela corrupção, que é uma das causas da actual situação de Portugal. Não se vislumbra qualquer vento de mudança. Não são de fiar. Com estes partidos Portugal não sai da cepa torta. É essencial que esta situação dê um salto qualitativo. Evolução e não revolução.

É urgente que surja um Partido Republicano, pragmático, para defender a res publica, tanto da Esquerda utópica e da invejosa, como da Direita ultra-liberal e da manhosa. É fundamental não cair da tentação de apoiar auto-proclamados messias, ou grupos de Salvação Nacional, de espírito "Abrilista", como o Livre, o Podemos e o Syriza, todos infectados do vírus esquerdista/populista. Estes indivíduos ou movimentos poderão até ter no início boas intenções, mas todos sabemos que lugar está já cheio de boas intenções.

A solução pragmática talvez passe por reciclar o que que já existe - uma fusão qualificada entre o PS e o PSD. Os membros mais conservadores e menos comprometidos do PS (que de Socialista, para além do nome, tem muito pouco), e os membros menos liberais e menos comprometidos do PSD (que de Social-Democrata já não tem nada) poderiam formar a base de um partido politico para ocupar o Centro. Este partido poderia apresentar aos Portugueses um programa de governo realístico e pragmático, sem estar acorrentado a ideologias, fazer finalmente a tal reforma do Estado, encorajando e regulamentando a actividade económica privada sem a asfixiar, promovendo a livre concorrência, investigando eficientemente as actividades ilegais e fazendo cumprir a lei com celeridade e rigor.

Um primeiro passo, essencial, para eliminar a partidocracia perniciosa que está na raiz de tudo, será rever a Constituição para permitir a eleição uninominal dos deputados para que estes respondam directamente aos cidadãos que os elegeram e não aos partidos que os nomearam.

Um partido com estas características acabaria por se impor num Parlamento realmente eleito pelo povo, forçando o PS, o PSD e o CDS/PP a evoluir sob pena de se tornarem irrelevantes.

Se os Portugueses quiserem, poderiam finalmente ter um país viável para entregar às próximas gerações.

Texto assinado por um "Anónimo"

sexta-feira, 24 de julho de 2015

A dona Gracinda



A dona Gracinda escreve todos os dias. Vai a meio do caderno. Também gosta de agrupar moedas, umas em cima das outras, e das suas três bonecas. Para o Hospital só trouxe uma.
Vive acarinhada pelas irmãs mais novas. Uma meningite, na infância, limitou-a. Se lhe perguntarem a idade dirá, depois de muita insistência, um ou quatro, que são os números que conhece.

Há bem pouco tempo seria “medicamente” classificada como uma “imbecil” (do lat. “imbecillis”- ‘frágil’, ‘débil’, ‘vulnerável’) e não uma “idiota” (do grego idhiótis, um cidadão "privado" –usado depreciativamente, na antiga Atenas, para se referir a quem se apartasse da vida pública), por ter tido capacidade para adquirir linguagem falada e um desenvolvimento intelectual que permite um mínimo aprendizado, como o de conservar a capacidade de obedecer a ordens e cumpri-las de forma satisfatória.
Era assim a Tríade da Oligofrenia (do grego - olígos, «pouco» + phrenós - espírito, mente; inteligência): debilidade, imbecilidade e idiotia, onde a Debilidade representa o grau ligeiro, sem grandes prejuízos para a capacidade socializante dos portadores, que, no entanto, apresentam capacidade de julgamento perturbada e dificuldade em se adequar a novas situações.
Embora estes termos tenham sido tecnicamente substituídos por “cidadãos portadores de deficiências”, o seu futuro nunca deixou de estar coberto de nuvens negras, principalmente, como agora em Portugal, devido à emigração maciça de jovens com formação média/superior, à progressiva diminuição de recursos afectos às áreas da Saúde e à diminuição dos recursos das famílias.

A manterem-se as “regras” que Bruxelas impõe como “inevitáveis", que tendem a ignorar quem está fora da “máquina produtiva”, tudo se conjuga para o seu regresso à precariedade de uma institucionalização, mesmo para quem tenha irmãs com o grau de disponibilidade da dona Gracinda!

sábado, 25 de abril de 2015

Videirinhos


Alguns são protótipos, mas a maioria dos que conheço são de série, daqueles que andam pelos bares e corredores à procura de uma qualquer informação que possam utilizar em seu proveito, baldando-se o mais que podem ao que deviam estar a fazer. São comuns nas instituições públicas e nos Cafés, mas podem-se encontrar em qualquer local onde haja gente.
Perguntam coisas ou procuram ouvir as conversas do lado, enquanto se fingem absorvidos em qualquer actividade, para depois difundirem por quem gosta de emprenhar pelos ouvidos. Aqui no burgo chamam-lhes "faroleiros".

O grande desejo do videirinho é a política, onde se sentem corredores de Fórmula 1, a falar do que nunca fizeram, com "escuderias" e "sponsors" que lhes cobrem as pulhices com que presenteiam quem é apanhado "à má fila".
Já deram provas nos campeonatos de segunda e terceira divisão. Iniciaram o currículo nas escolas e nos seus locais de trabalho. Sabem engolir sapos vivos e utilizaram a adulação para reduzir as obrigações profissionais e assim garantir a frequência dos corredores, pois é aí que se consegue o acesso aos gabinetes onde se permitem as ultrapassagens. Mostraram disponibilidade "para o que quer que seja" e são ávidos naquelas "novidades" que confundem o adversário e lhes criam a falsa auréola de estarem dentro da "problemática da temática" e, como dentro da sua profissão, pouco ou nada fizeram, é difícil alguém tropeçar num dos seus erros.

A sua relevância nesses campeonatos, junto ou num conselho de administração de uma empresa, seja ela do Estado ou de um privado, influencia as promoções e é frequente a causa do insucesso, ao desvalorizar a qualidade em favor daquilo a que ele chama "estabilidade", que mais não é que a sua escada para o poder.

Abril não exigiu qualidade aos dirigentes. Manteve o padrão básico do "muito é melhor que pouco!" e do "rouba, mas faz!" e, pela larga porta da sua "bondosa confiança" muitos se apressaram a lançar as suas raizes.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Médicos / Enfermeiros

Os avanços científicos das últimas décadas, alteraram significativamente o modo de estar de quase todas as profissões, num “boom” que obriga ao reposicionamento constante, de modo a que não sejam engolidas pelos avanços das que lhe estão próximas.
Por outro lado, criou-se a ilusão de que o "auto-didactismo de Internet" é capaz de suprir o saber de um percurso escolar seguido do acompanhamento próximo de profissionais competentes, que valorizem os pormenores que fazem certas as decisões, principalmente onde elas devam ser individualizadas, pois é aí que muitas vezes se joga o sucesso.

Pôr enfermeiros a prescrever, salvo um “refill” numa terapêutica já decidida e que não há razão para alterar, é um erro que não beneficia ninguém, para além de lhes imputar responsabilidades sobre eventual iatrogenia.
De igual modo, a prescrição de meios auxiliares de diagnóstico por enfermeiros, quando não é sua função diagnosticar, influencia o médico que vier a seguir, e uma pequena “confusão” pode atrasar e induzir erro. No processo de diagnóstico, há muito “gut feeling” dependente da experiência e um doente raramente põe  "um" só problema.

Há médicos que cheguem no país. Alivie-se o seu trabalho burocrático e o mesmo número responderá a muito mais doentes.
Nas profissões técnicas, se as chefias forem atribuídas aos mais convenientes para as direcções nomeadas pelos Governos e para a corporação dos profissionais, o mais certo é acontecerem mais falhas que as aceitáveis, pois o interesse da população que beneficia dos seus serviços estará relegado para terceiro plano.

O que se passou nesta última época festiva é disso exemplo. O aumento de afluência às urgências, a criar condições de assistência que nem no terceiro mundo se vêem, não se justifica por qualquer epidemia, mas por uma conjuntura de irresponsabilidade que permitiu que nesse período se acumulassem feriados,  “tolerâncias”, folgas e férias, nos Hospitais e Centros de Saúde, pondo os Serviços de Urgência a responder "como pudessem"!

sábado, 3 de janeiro de 2015

Portugal 2015



Recebi este texto de alguém bem identificado, mas que se deseja "Anónimo"
 


Quinta Lei da Termodinâmica: Mais tarde ou mais cedo tudo se transforma em merda.

Esta lei aplica-se que nem uma luva a muitas instituições Portuguesas.
Aqui estão alguns exemplos do passado e da actualidade:


1 - A Monarquia estava incapaz de governar o país e foi substituída violentamente por uma República defeituosa que trouxe sucessivamente Anarquia, Ditadura, Golpe de Estado, Comunismo mal disfarçado de Socialismo, e finalmente Partidocracia, mas nunca realmente Democracia.

2 - O Sistema Colonial continuou, por anos. mesmo depois ter ficado evidente que era insustentável, e foi desmantelado nas piores circunstâncias possíveis. Foi denominado pelos autores de "descolonização exemplar", apesar de ter originado guerras civis e cleptocracias, com consequências desastrosas para milhões de pessoas.

3 - É cada vez mais evidente que os partidos políticos não representam os interesses dos cidadãos, mas mantêm-se no mesmo caminho.

4 - O Sistema de Justiça é manifestamente inadequado, mas nada de significativo está a ser feito para o tornar eficaz e justo.

5 - O Sistema Bancário dá evidencias de grande fragilidade, e pode até já ter colapsado, mas ninguém ainda se apercebeu ou quer admiti-lo.

6 - Por último, mas não menos importante, há a corrupção endémica nos níveis mais altos do governo, de que todos suspeitávamos, mas só agora começa a vir à luz do dia. O sistema está manifestamente podre mas a intelligentsia local ocupa-se a falar (demais) sobre aspectos de forma, e ninguém ousa abordar a substância - como é que chegámos a esta situação? - e muito menos elaborar uma estratégia para conter a corrupção. (Faço aqui um pequeno aparte para comentar que em Portugal o verbo falar confunde-se frequentemente com o verbo fazer, talvez porque ambas a palavras comecem por f, e terem ambos cinco letras.)

*

A realidade é que não há nenhuma varinha mágica para detectar, prevenir ou parar a deterioração das instituições. As soluções para evitar que as instituições se deteriorem, ao ponto de se tornarem impróprias para os fins para que foram criadas, são do foro do senso comum. Infelizmente, o senso comum não é muito comum. Apela-se muito ao senso comum, mas tendemos a agir no nosso próprio interesse.

Ansiamos por estabilidade e esquecemo-nos que tudo muda constantemente. Estabilidade é um mito. O que pensamos ser estabilidade não passa de períodos de equilíbrio instável. Esses períodos são, no entanto, mais curtos do que pensamos porque a passagem de "estável" a instável é gradual e, quando a detectamos, ou quando uma catástrofe acontece, o processo já vem acontecendo há algum tempo, mas passou despercebido por ignorância, estupidez, complacência, incompetência, negação, ou desonestidade, ou uma combinação em partes variáveis destes atributos.

A melhor oportunidade para nos preocuparmos com a desagregação de uma instituição é quando pensamos que não há razão para nos preocuparmos. Infelizmente uma atitude preventiva raramente é recompensada e os que se preocupam, e querem prevenir, são ignorados e frequentemente ridicularizados.

Os agentes que influenciam negativamente as instituições são fáceis de detectar, se/quando estivermos atentos, mas é impossível se ninguém está. Isto é especialmente verdadeiro quando os interesses ou ambições pessoais e/ou de grupos envolvidos têm precedência sobre os interesses das instituições.

A única forma de evitar que uma instituição se transforme em merda é através de: Integridade, Responsabilidade, Transparência, Competência, Meritocracia.

Não deve se necessário explicar estes atributos, mas como parece terem caído em desuso em Portugal, uma consulta ao dicionário poderá ser aconselhável. Meritocracia é um neologismo e ainda não consta nem na língua, nem na conduta dos Portugueses.

Quando um ou mais destes atributos está ausente a deterioração da instituição é inevitável, e apenas uma questão de tempo

Não é por "sorte" que a Alemanha está onde está agora, ou por "má sorte" que a Venezuela está onde está agora. A Alemanha e a Venezuela merecem estar onde estão. A Alemanha corrigiu os seus caminhos, mas a Venezuela ainda acredita que está no caminho certo.

*

Várias instituições em Portugal ruíram e outras estão em processo de deterioração, e a caminho de se tornarem ineficazes para os fins para que foram criadas, porque alguns, ou todos os atributos acima mencionados estão em falta. Esta situação não pode ser separada da ineficácia crónica da Justiça.

Um dos erros graves que fazemos em Portugal é colocar o indivíduo acima da instituição, por vezes por um conceito paroquial de humanismo e de igualdade, mas com mais frequência por razões muito menos nobres.

Respeitando os direitos fundamentais do indivíduo (o direito à vida, à liberdade, à livre expressão de ideias, etc.), em oposição aos famosos direitos adquiridos, a integridade da instituição deve ser protegida para que esta possa proteger o indivíduo. Sem proteger a integridade da instituição não é possível proteger o indivíduo.
Não há direitos permanentemente adquiridos para além dos direitos fundamentais. Poderá haver regalias adquiridas mas só enquanto produzirmos riqueza suficiente para as usufruir.

Nós devemos ter todos os mesmos direitos e oportunidades, mas não somos todos iguais.

A preocupação (obsessão?) dos Portugueses com a igualdade, garantida em teoria na Constituição, não passa de uma manifestação de inveja camuflada de humanismo, e que impede que talentos floresçam, e leva inevitavelmente a um nivelamento por baixo.

Cada indivíduo deve ser capaz, e ser incentivado, a chegar a seu nível de competência máxima, mas não deve ser autorizado a permanecer no seu nível de incompetência. Um único indivíduo pode fazer um dano imenso a uma instituição.
Incompetência, assim como desonestidade, é motivo para demissão. Se podemos fazê-lo no campo de futebol, podemos fazê-lo em todos os lugares. As associações profissionais de médicos, advogados, engenheiros, contabilistas, pilotos, electricistas, canalizadores, professores, etc., deveriam abraçar este conceito.

Darwinismo - ascensão do mais competente e destituição do incompetente - dentro da instituição é essencial para manter as instituições saudáveis. Nenhum sistema é perfeito; erros serão cometidos, mas devem ser corrigidos assim que forem detectados. Cada um deve encontrar o seu lugar na sociedade por mérito próprio.

Enquanto não abraçarmos estes princípios: Integridade, Responsabilidade, Transparência, Competência, Meritocracia, nada vai mudar em Portugal, porque negamos aos nossos melhores a possibilidade de governar Portugal porque, com o sistema contaminado, evitam o Serviço Público (em oposição ao funcionalismo público), ou emigram.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

4ª Carta a Sócrates

Caro Sócrates:
Esta é a quarta carta que te escrevo. A primeira vai para 5 anos, a segunda há 4 e a terceira, em Maio de 2011, quando já estavas a escorregar para a mó de baixo.
Como deves saber eu agora estou noutra. Já paguei para o peditório dos jogos de poder. Depois fartei-me dos duques de paus, e decidi-me por outra gente. É o bem de quem não liga à potência dos automóveis, às luzes de acender e apagar, e de quem desconfia do bacalhau a pataco. Até me arrepio só de me lembrar de que houve tempos em que via a malta que se senta à mesa do dinheiro com um mínimo de preocupação social.
Adeus inocência. Agora olho de esguelha para as Instituições, para o partido em que sempre votei, para a qualidade dos profissionais da nação e para a sua população que cheguei a acreditar honesta, competente e temente das consequências dos seus erros, mas depois de ver aquele magote de badamecos a alcandorar-se a lugares de responsabilidade, a mando, a interferir com o bem-estar do grosso da população, "escrementei-me!".
Não me peças para me pôr do teu lado, mesmo que não tenhas gamado a massa de que te acusam, que eu agora faço como o da musiquinha e “só vou gostar de quem gosta de mim”.
Agravaste o pragmatismo provinciano em que vivemos, enquanto brincavas de arauto dos princípios do teu caderno de encargos. Quiseste pôr uns “na ordem” enquanto fazias vista grossa à malta da construção civil e agora, nem os que andaram com as “malas de dinheiro” e os amigos que enriqueceram, te perdoam. Tens essa sarna para te coçar e ainda ninguém questionou as contas dos partidos.
Eu sei que é com dinheiro que se compram os melões e as outras coisas. Mas há uns que gostam demais dele e, quem joga em várias mesas, como tu fizeste, havia de ter muito cuidado, pois na mesa do poder as regras são diferentes das do jogo do dinheiro, mesmo que o dinheiro sujo possa ajudar a resolver muito problema social. Depois ... há os batoteiros sempre atentos a quem se ausenta.
Tu, que andaste metido nas novas tecnologias, a dar meios ao fisco para o transformar na maior empresa portuguesa financiadora de tudo o que é maluco, devias saber que é fácil fazer o "tracking" da massa, e que era arriscado usá-lo para deixar obra para a posteridade.
Essa malta que se punha em segundo plano nos écrans da TV quando aparecias a legitimar-lhes os gastos, devia fazer uma excursão a Évora. Iam de manhã, davam uma volta pela cidade, passavam pela Capela dos Ossos, liam a inscrição da entrada, almoçavam no Fialho, e depois de te ver, iam pôr uma velinha para não te fazer companhia prolongada.
Eu digo isto daqui deste meu púlpito, porque me afirmo a favor da criminalização dos políticos. Uma gestão tão má que até uma dona de casa se arrepia, não pode ficar impune. Por isso te acho muito desacompanhado. Não que vos queira presos, que isso só dá despesa. Queria ver-vos a pagar até só vos restar o salário mínimo, para que quem se mete nessas guerras saiba que há consequências e não acabasse tudo nuns "privados" que ninguém controla, a gerir os Hospitais, a água, a electricidade, os transportes e qualquer dia as Câmaras, as Juntas de Freguesia e quem sabe … os Tribunais.
É por isso que não me dói esse teu calvário. Deixaste fazer merda que chegasse nos três últimos anos da tua governação e para isso, ou tinhas uma justificação que encalacrava alguém dessa Europa que nos faltou, ou então, andaste a dar passos maiores que as pernas e isso tem um nome - "irresponsabilidade".

Passa bem!

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Oh Meeeeeeeeendes!


- Cá o tendes!
(Presidente do Conselho Consultivo da ULSAM)