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quarta-feira, 12 de novembro de 2014
quinta-feira, 16 de outubro de 2014
Bastonário
sábado, 27 de setembro de 2014
Futebol
Havia arreganho e pertinácia, mas faltava pundonor naquele jogo, tido como decisivo pela equipa da casa, para quem o empate era suficiente.
Os primeiros minutos foram jogados numa toada morna, para ambientar os jogadores, pois muitos dos titulares estavam amarelados, lesionados ou a cumprir castigo, pelo que a primeira parte não teve história. Os treinadores observaram o adversário e não arriscaram lances que pudessem fragilizar a defesa.
No início da segunda parte surgiram as picardias a meio campo e, de rajada, três jogadores do PSD – Governo levaram cartões amarelos. A partir daí, a equipe do AllStars-Oposição desdobrou-se em fintas e rodriguinhos para provocar o vermelho.
O empate persistia. Alugava-se meio campo, com os visitantes a atirar repetidas vezes a bola para a grande área do PSD-Governo na expectativa do golo num lance fortuito.
O guarda-redes do AllStars, retirara as luvas e limava as unhas no poste da baliza, o treinador gesticulava para o relvado, o público berrava e insultava e o árbitro deixava jogar.
Faltavam quinze minutos para o final quanto Paula Cruz, numa entrada de pés juntos, atinge os tornozelos de Tribuno que rebolou pelo relvado com um grito lancinante. O árbitro conferenciou com os assistentes e, no meio de assobios, de pedidos de vermelho directo e de uma chuva de objectos, mostrou-lhe cartão amarelo.
A falta de qualidade do jogo punha as bancadas a lembrar a ratice de um Carneiro para a frente de ataque, o estilo raçudo do Mendes para confundir a defesa, a habilidade para as bolas altas do Santana ou a trapaceirice do Menezes, velhas glórias com as botas penduradas.
Aos 80 minutos, aconteceu novo caso. Numa completa falta de jeito, o avançado Crato num carrinho atropelou um defesa e um apanha-bolas. Os adeptos levantaram-se temendo a expulsão. O jogador recompôs-se e correu rápido para o árbitro e, ajoelhado, pediu perdão, justificando-se com o mau estado do relvado. Levou cartão amarelo.
Aproximava-se o minuto noventa, sem que a toada do jogo se alterasse e sem que os médios do AllStars dessem criatividade ao ataque, quando surgiu o caso do jogo.
Foi mão dentro da grande área? A falta foi “casual”? Pedro Coelho apontou para o ombro e o árbitro não viu razão para desconfiar da sua palavra. As imagens em “slow-motion” confirmam que a bola ia em direcção à baliza e que foi desviada ao nível da cintura, mas o emaranhado de pernas impediu uma clara observação. Interrompeu-se o jogo. Houve sururu dentro e fora do relvado e temeu-se uma invasão do campo.
Ao fim de alguns minutos um “in dubio pro reo” deu recomeço ao jogo, sem qualquer admoestação ao jogador.
Zero a zero - resultado final.
A AllStars desespera. Culpa o árbitro, o peso da bola, o estado da relva, a hora do jogo, a falta de prolongamento, a “mão de Deus”, a corrupção e fala em vitória-moral e no próximo jogo.
São assim os jogos da terceira divisão!
domingo, 24 de agosto de 2014
Minas e Pantominas. Mineiros Pantomineiros
A serra de Arga, domina sobranceira, uma região, delimitada a Norte pelo rio Coura e pela mancha do granito de Covas, a Oeste pela Ribeira de São João e a Sul pela Ribeira de Arga e pelo Cabeço do Meio-dia, que se distingue pela existência de várias explorações mineiras dispostas numa geometria grosseiramente circular, apelidada de "janela de Covas".
Nas antigas minas de Cerdeirinha, Valdarcas, Lapa Grande e Fervença, no concelho de Vila Nova de Cerveira, exploraram-se "skarns" ricos em scheelite e volframite.
Agora encerradas, mantiveram-se activas até 1979, embora sem a pujança das décadas de 1940 e 1950, quando a guerra na Coreia aumentou o preço do tungsténio.
A "janela de Covas", corresponde a um afloramento de um domo estrutural, onde uma fase fluída abundante, proveniente de magmas fortemente hidratados e com elementos químicos dissolvidos, interveio com as rochas sólidas para formar jazigos e filões mineralizados.
As escombreiras dos materiais não aproveitados, deram origem a efluente ácido de sulfuretos e óxidos de ferro, que desaguavam no Rio Coura e que só foram seladas em 2008, com dinheiros de todos nós - 1.188.658 € - FEDER- 75%, do Estado- 20% e Câmara de Vila Nova de Cerveira- 5%, porque quer a “Geomina”, quer ”Gaudêncio, Valente e Faria”, empresas que as exploraram, para além de fazerem “lavra ambiciosa”, em desrespeito por regras fundamentais da “arte de minas”, as abandonaram sem as selar (como era de contrato), com o conluio dos Serviços de fiscalização da Direcção Geral de Minas e Serviços Geológicos.
É também para coisas destas que vão os nossos impostos, quando há fé de que os privados são melhores gestores que o Estado e o Estado anda a reboque deles.
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
Ainda o BES
É curioso como não estranhei a queda do BES e, estou em crer, como eu, muita gente!
Há 3 dias, em minha casa, estive a arranjar um empedrado construído há 8 anos que não resistiu à limpeza com meia dúzia de mangueiradas e ficou escarnado por a argamassa ter uma mistura de cimento inferior à recomendada. Nas minhas contas, foi o mestre-de-obras quem assim determinou e o trabalhador deve ter cumprido, ou porque não tinham trazido o cimento necessário ou para arrecadar mais uns míseros Euros.
Este exemplo é um reflexo do país. Meia dúzia de gananciosos a aldrabar o mais que pode e o grosso dos trabalhadores a cumprir ordens erradas, porque "fazem o que se lhes manda".
Pelo que se me aparenta, Ricardo Salgado é só mais um neste sistema que promove a capacidade de engolir sapos de bico calado.
Como, por tradição, o português típico espera benefício por se chegar a quem tem poder, confia, e só reclama quando a disfunção aparece, sem se lembrar que um caminho é feito de muitos passos e é o sucesso no pequeno crime que faz os grandes criminosos.
Depois queixa-se de não ter instituições fortes que garantam uma qualidade mínima ao que está na sua dependência.
É aqui que está o cerne da questão. Não podemos continuar a ter instituições lideradas por quem não garante isenção e qualidade.
As Ordens, as Escolas, os Tribunais, os Hospitais, as Forças de Segurança .... não existem para defender os interesses do poder e dos seus profissionais, e a qualidade dos seus serviços não depende dos discursos pomposos nas ocasiões solenes, para esconder a incompetência e os jogos onde se movimentam interesses "invisíveis", que só prestam contas a quem os nomeou por interesse particular.
E é nesse sentido que o que se passou no BES não me causou estranheza. Ontem foi este Banco, amanhã a borrada poderá sair de uma qualquer outra instituição "Acreditada" ou vigiada por "Regulador", porque o que se audita, é papelada e meia dúzia de aspectos físicos. O que tem a ver com o cumprimento dessa papelada e as boas práticas do dia-a-dia, não são passíveis de ser analisadas em Auditorias de 8 dias, onde os funcionários ou são ignorados ou temem pelas carreiras e pelo emprego.
O que se passou no BES não é obra única, nem de um só. E a solução é um cortar de pernas para manter o corpo vivo.
Este colapso irá certamente afectar toda a economia do país e “exigir” mais cortes e impostos, enquanto a "pandilha" que se movimenta entre os Bancos, as grandes empresas e os lugares do Governo, “assobia para o ar” e a população se mantém a dançar a música que lhe tocam.
Dificultam o arrendamento? Ela compra casa. Não actualizam o transporte público? Ela passa a andar de carro. Dificultam a ocupação dos centros das cidades? Ela muda-se para a periferia. Fazem auto-estradas a custo zero? A malta vai viver ou trabalhar para longe.
E quando introduzem portagens, aumentam os impostos sobre a gasolina e se acaba com o estacionamento gratuito, o Zé … paga e começa a protestar.
Mas a maior lata nisto tudo, é dizer que a culpa é de ele "viver acima das possibilidades" e pô-lo a pagar BPN, BES, PPPs e o que lhes aprouver.
quinta-feira, 15 de maio de 2014
Condescendentes
Somos um país disposto a perdões. Gente de “likes”, preocupada com causas sem compromissos, condescendente com a incompetência, porque “ele no fundo, não é má pessoa” e com a corrupção porque “comparado com outros, aquilo que ele faz, … são trocos”.
À nossa desvalorização interna e externa, respondemos com um simples "tudo se há-de arranjar", conformando-nos com a incontinência financeira dos gestores públicos que alimentam os seus egos e o bolso dos amigos que lhes atribuem valor “no mercado” à custa de um "brutal aumento dos impostos".
Temos um Estado que não vigia os desmandos e facilita as impunidades, e uma elite tão ocupada com o dia-a-dia, que esquece que a credibilidade de um país depende mais da resolução de casos como o BPN, dos submarinos e de todas as negociatas dos que fizeram da política trampolim, do que de um pagamento mais ou menos célere aos credores.
Tudo é tolerado se for "um bocadinho de cada vez" e, se for anunciado o péssimo e acontecer o mau, respiramos de alívio, porque evitámos umas "chatices".
Só os "grandes gestos" nos merecem reacção, e esquecemo-nos de que são os muitos poucos que fazem o muito.
Esperámos sentados que uma data alterasse o nosso modo de estar neste Mundo em rápida mudança, onde a irresponsabilidade se paga, e qualquer um assume lideranças, porque sabe, à partida, que, faça o que fizer, não haverá consequências negativas.
À nossa desvalorização interna e externa, respondemos com um simples "tudo se há-de arranjar", conformando-nos com a incontinência financeira dos gestores públicos que alimentam os seus egos e o bolso dos amigos que lhes atribuem valor “no mercado” à custa de um "brutal aumento dos impostos".
Temos um Estado que não vigia os desmandos e facilita as impunidades, e uma elite tão ocupada com o dia-a-dia, que esquece que a credibilidade de um país depende mais da resolução de casos como o BPN, dos submarinos e de todas as negociatas dos que fizeram da política trampolim, do que de um pagamento mais ou menos célere aos credores.
Tudo é tolerado se for "um bocadinho de cada vez" e, se for anunciado o péssimo e acontecer o mau, respiramos de alívio, porque evitámos umas "chatices".
Só os "grandes gestos" nos merecem reacção, e esquecemo-nos de que são os muitos poucos que fazem o muito.
Esperámos sentados que uma data alterasse o nosso modo de estar neste Mundo em rápida mudança, onde a irresponsabilidade se paga, e qualquer um assume lideranças, porque sabe, à partida, que, faça o que fizer, não haverá consequências negativas.
segunda-feira, 5 de maio de 2014
quarta-feira, 30 de abril de 2014
Belinho
Era sábado e o acaso levou-me ao restaurante “Tiro no Prato”, em S. Paio de Antas, e a um curto passeio pela frontaria da Quinta de Belinho e às histórias que se contam da gente importante que por ali andou no século passado.
Família pujante quando o poder se apoiava na posse da terra e na força das armas, que participou em guerras e batalhas aquém e além-mar, e que viu a revolução industrial derrubar-lhe o poderio, por séculos incontestado.
A última grande figura que aqui viveu foi o poeta bucólico e saudosista, António Correia de Oliveira (1879–1960), “eleito” de Salazar (1889-1970) e do Estado Novo, que pôs em verso a alma popular, do “doloroso e comovido saber do coração”.
O poeta, tinha origem humilde. Filho de lavradores pobres, nasceu em S. Pedro do Sul e, como Salazar, estudou no Seminário de Viseu, que fica a meia distância com Santa Comba Dão.
Não cursou estudos secundários ou universitários. Aos 19 anos, rumou para Lisboa para iniciar a carreira de funcionário público, como amanuense na Procuradoria-Geral da Coroa. Aí escreve em jornais e frequenta tertúlias nos Cafés e Salões da cidade, onde mostra as suas primícias literárias. Aos 33 anos (1912) surge-lhe a oportunidade de fugir à instabilidade política de Lisboa, provocada pela
implantação da República (1910) e arruma a vida, casando com a rica viúva Maria Adelaide da Cunha Sottomayor d’Abreu Gouveia, herdeira da Quinta de Belinho e de um coração boníssimo, de sensibilidade vibrátil e lhaneza de trato.
A soberba vista sobre o mar, desde a Apúlia a Vila Praia de Âncora, entre rosas, lilases e glicínias, avivam-lhe a verve e transformam-no num ” poeta-ermitão” de gosto popular, fervilhante de sentimentalismo, exaltação patriótica e de idealismo cristão.
Frequentes vezes, quando o procuram, os visitantes ouvem da boca dos criados: "O poeta não o pode atender. Está inspirado!"
Em Belinho, fundará um colégio que o fará Grande-Oficial da Ordem da Instrução Pública (1955), título que junta ao de Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada (1934) por mérito literário. Foi o primeiro português a ser nomeado para um Prémio Nobel, mas o certo é que, apesar dos numerosos textos nos livros únicos do ensino primário e secundário, durante o Estado Novo, a sua bibliografia está actualmente esquecida. Ficou-lhe o nome em ruas (Coimbra, Viana do Castelo, Póvoa de Varzim, Baguim do Monte, S. Pedro do Sul, …), na Escola EB 2,3 de Esposende e nos papéis da venda ao Estado (1916) do antigo “Palácio dos Cunhas” - actual sede do Governo Civil de Viana do Castelo, que fora arrendado para Liceu da cidade, até 1911.
O seu corpo está na capela de Nossa Senhora do Rosário, fronteira ao portão principal da quinta, destinada aos membros da Casa de Belinho.
Se a história do poeta me surpreendeu, a do seu filho mais velho, José Gonçalo da Cunha Sottomayor Correia de Oliveira (1921-1976), foi-me reveladora dos meandros do poder.
Sem ter sido um aluno excelente, licenciou-se, aos 23 anos, em Ciências Jurídicas na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Aos 28 anos era Director do Gabinete de Estudos do Conselho Técnico Corporativo, passando a Vice-Presidente no ano seguinte. Depois foi Secretário de Estado do Orçamento (1955-1958), Secretário de Estado do Comércio (1958-1961), Ministro de Estado Adjunto do Presidente do Conselho (1961-1965) e Ministro da Economia (1965-1968).
A precocidade com que o poder lhe caiu nas mãos, são mais prova de fidelidade aos valores dos poderosos da época, que de grande competência. Privava com Salazar. Não casou, nem teve filhos.
Em 1967, a sua progressão política foi travada pelo escândalo Ballet Rose, ao saberem-no envolvido, juntamente com outros políticos das mais altas cúpulas do Estado Novo, em orgias com crianças entre os 8 e os 12 anos e em práticas de sado-masoquismo. Antes de abandonar Portugal, em 1975, foi presidente do Banco Burnay.
Suicidou-se em 31 de Dezembro de 1976, atirando-se do sétimo andar de um hotel de Paris.
A Quinta permanece sem a vida de outros tempos. O grande tanque da água está furado, mas a casa ainda é morada da viúva do segundo filho do poeta. Já foi palco para casamentos e baptizados, mas foi sol de pouca dura.
A crise não ajudou e os poetas não andam “inspirados”.
Em 1967, a sua progressão política foi travada pelo escândalo Ballet Rose, ao saberem-no envolvido, juntamente com outros políticos das mais altas cúpulas do Estado Novo, em orgias com crianças entre os 8 e os 12 anos e em práticas de sado-masoquismo. Antes de abandonar Portugal, em 1975, foi presidente do Banco Burnay.
Suicidou-se em 31 de Dezembro de 1976, atirando-se do sétimo andar de um hotel de Paris.
A Quinta permanece sem a vida de outros tempos. O grande tanque da água está furado, mas a casa ainda é morada da viúva do segundo filho do poeta. Já foi palco para casamentos e baptizados, mas foi sol de pouca dura.
A crise não ajudou e os poetas não andam “inspirados”.
sexta-feira, 25 de abril de 2014
40 anos
Todos falam: Os bons, os maus e os vilões.
Quantos agiram e agem de acordo com o interesse colectivo?
terça-feira, 15 de abril de 2014
Corvos e burros
Desde a infância que elegi como meus animais “mágicos” o burro e o corvo.
Um burro puxava a carroça que levava o pão lá a casa. Parava obrigatoriamente em todos os clientes, numa rotina que só o dono sabia alterar. Nem com festas, nem agarrando-lhe o arreio me obedecia, e assim que sentia um cliente aviado, iniciava a marcha, sério e honesto, em direcção ao próximo, com uma rectidão de procedimentos difícil de superar.
O corvo habitava o jardim público. Tinha nome de Vicente e fama de ladrão de tudo o que brilhasse, verdadeiro ou pechisbeque. Ninguém se atrevia a deitar-lhe a mão, e todos o respeitavam por saberem que ele valorizava aquele espaço. Associei-o à astúcia e à sabedoria. Só mais tarde é que soube haver quem o considerava símbolo de morte, solidão, mau presságio, do profano e da bruxaria.
A vida tornou-me citadino e atirou-os para os espaços desabitados onde agora raramente vou.
Dos burros vou sabendo notícias de quem lhes tenta dar utilidade. Dos corvos estranho a ausência do seu voo na paisagem portuguesa, principalmente quando facilmente os encontro depois de atravessar a fronteira.
Os burros ainda têm a sorte de um Centro para Acolhimento, subsidiado por uma organização britânica e dos raros programas de "Ecoevasão", em Trás-os-Montes, que os fazem companheiros de viagem. Dos corvos ninguém fala. Só sei deles quando alguém me diz que tem "lá um em casa, numa gaiola" promovido a papagaio de "low cost", emitindo sons e soletrando palavras num espaço de metro cúbico.
Mas enquanto os burros são animais domésticos, criados para o ambiente humano, que as novas tecnologias tiraram utilidade, os corvídeos, são arrancados à natureza.
A sua capacidade em interagir com os humanos, torna-os rapidamente incapazes de sobreviver no seu habitat, quando libertados.
Embora protegidos pelo Dec-Lei n.º 140/99 de 24 de Abril, modificado pelo Dec-Lei n.º 49/2005 de 24 de Fevereiro, que obriga a uma autorização da Direcção-Geral dos Recursos Florestais, válida por cinco anos, para a sua detenção e a faz depender de condições de espaço que implicam enormes custos, o facto é que tal não desincentiva a população de os meter em gaiolas, pela quase certeza de não ser "apanhado" ou denunciado, como o provam os comentários à notícia de uma multa a um casal que deteve um milhafre real ferido, em vez de o ter transportado, em tempo certo, ao SEPNA (Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente) para lhe proporcionar tratamento adequado.
Portugal custa a integrar os valores que a Europa civilizada há muito assumiu, e onde estes problemas deixaram de ser polémicos. Enquanto tal, ficaremos privados de ver a graça do seu voo circular e de lhes ouvir o seu áspero crocitar. Mais fácil será ouvi-los a papaguear o nome de um qualquer paisano e a esvoaçar de poleiro em poleiro feitos garnizés em luto rigoroso.
Um burro puxava a carroça que levava o pão lá a casa. Parava obrigatoriamente em todos os clientes, numa rotina que só o dono sabia alterar. Nem com festas, nem agarrando-lhe o arreio me obedecia, e assim que sentia um cliente aviado, iniciava a marcha, sério e honesto, em direcção ao próximo, com uma rectidão de procedimentos difícil de superar.
O corvo habitava o jardim público. Tinha nome de Vicente e fama de ladrão de tudo o que brilhasse, verdadeiro ou pechisbeque. Ninguém se atrevia a deitar-lhe a mão, e todos o respeitavam por saberem que ele valorizava aquele espaço. Associei-o à astúcia e à sabedoria. Só mais tarde é que soube haver quem o considerava símbolo de morte, solidão, mau presságio, do profano e da bruxaria.
A vida tornou-me citadino e atirou-os para os espaços desabitados onde agora raramente vou.
Dos burros vou sabendo notícias de quem lhes tenta dar utilidade. Dos corvos estranho a ausência do seu voo na paisagem portuguesa, principalmente quando facilmente os encontro depois de atravessar a fronteira.
Os burros ainda têm a sorte de um Centro para Acolhimento, subsidiado por uma organização britânica e dos raros programas de "Ecoevasão", em Trás-os-Montes, que os fazem companheiros de viagem. Dos corvos ninguém fala. Só sei deles quando alguém me diz que tem "lá um em casa, numa gaiola" promovido a papagaio de "low cost", emitindo sons e soletrando palavras num espaço de metro cúbico.
Mas enquanto os burros são animais domésticos, criados para o ambiente humano, que as novas tecnologias tiraram utilidade, os corvídeos, são arrancados à natureza.
A sua capacidade em interagir com os humanos, torna-os rapidamente incapazes de sobreviver no seu habitat, quando libertados.
Embora protegidos pelo Dec-Lei n.º 140/99 de 24 de Abril, modificado pelo Dec-Lei n.º 49/2005 de 24 de Fevereiro, que obriga a uma autorização da Direcção-Geral dos Recursos Florestais, válida por cinco anos, para a sua detenção e a faz depender de condições de espaço que implicam enormes custos, o facto é que tal não desincentiva a população de os meter em gaiolas, pela quase certeza de não ser "apanhado" ou denunciado, como o provam os comentários à notícia de uma multa a um casal que deteve um milhafre real ferido, em vez de o ter transportado, em tempo certo, ao SEPNA (Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente) para lhe proporcionar tratamento adequado.
Portugal custa a integrar os valores que a Europa civilizada há muito assumiu, e onde estes problemas deixaram de ser polémicos. Enquanto tal, ficaremos privados de ver a graça do seu voo circular e de lhes ouvir o seu áspero crocitar. Mais fácil será ouvi-los a papaguear o nome de um qualquer paisano e a esvoaçar de poleiro em poleiro feitos garnizés em luto rigoroso.
domingo, 6 de abril de 2014
Os cucos
Há muito que os identifico, no bando heterogéneo dos restantes profissionais, pondo os ovos, que é como quem diz, as suas obrigações, na agenda dos outros, num parasitismo que custa caro ao erário público e à saúde de quem com eles se vê envolvido.
Antes fossem aves de arribação (como os verdadeiros), que só tínhamos de os aturar meio ano, mas só nos conseguimos ver livre deles nos curtos períodos das suas férias.
Neste país não há quem trave estes “cucos”, nem os “melros de bico amarelo”, que usam o sistema para a sua projecção social.
Os nossos gestores públicos andam ocupados com os números para “inglês ver” e põem em segundo plano a qualidade do serviço por que são responsáveis. Falam para dentro da bolha que lhes garante o emprego, na certeza de que se faltar o dinheiro, são sempre possíveis “aumentos inevitáveis” a este povo que nunca os responsabilizou pela ineficiência dos seus gastos e, enquanto sorriem, dizendo-se impotentes, os "cucos" descredibilizam todo o sistema, ao ponto de os investidores nos considerarem “lixo”.
Se queremos ganhar credibilidade e sair da crise, é urgente arrumar a casa e retirar do meio dos quadros superiores que se esforçam por cantar piu-piu, estes passarões que passam o dia a cantar cu-cu.
domingo, 30 de março de 2014
O Xico-Esperto
Encontramo-los em todo o lado. São trabalhadores indiferenciados, escriturários, empresários ou quadros, tecnicamente medíocres, com padrinhos nas forças vivas da cidade, promovidos por avaliadores desleixados ou temerosos de lhes ver barrada uma reforma confortável.
Cheiram a testosterona requentada quando, mentalmente, percorrem os fluxogramas na procura de uma pequena vantagem que possa dificultar a vida ao outro. Têm a memória saturada de automóveis, futebol e esquemas de um indefinido sonho exótico.
Movem-se por dinheiro ou pelos objectos onde julgam ver a felicidade. Contrariam-se no que fazem em gestos despegados de copy-paste. Usam o seu pequeno/grande poder para exigir portagens, certos da constância dos costumes e de que não serão nem social nem criminalmente punidos. Opõem-se a qualquer eficiência, porque é na ineficiência e no poder de activar a alcateia (onde até as fêmeas lhes tomam os trejeitos), que têm o seu espaço.
É o chico-esperto português. O fruto da não promoção da competência.
terça-feira, 4 de março de 2014
Bêbados
Todos têm nome de guerra. Juntam-se ao fim do dia naquela esquina tornada passagem pelo fecho abrupto das lojas. Perto um supermercado vende-lhes o vinho a 60 cêntimos o tetrapak. Uns deitam-se no lajedo frio do passeio. A outros ainda sobra energia para desequilíbrios de trapezista. O Mudo não faz mal a ninguém mas assusta pelos guinchos. O Teixeira é campeão em idas ao Serviço de Urgência. Tem um telemóvel. A Mulher do Mudo, raramente engrossa o magote.
Se há festa, dispersam-se e desaparecem, levados pelos movimentos caóticos dos arraiais, para se encontrarem dormentes ou feridos, caídos mais que prováveis, na soleira de uma porta, num banco de jardim, de borco num boeiro.
Este chamou a atenção, esparramado, o cão a rondá-lo, ganindo. Está morto!? Chamem o 112! conclui o povaréu que entretanto se junta.
Chega a ambulância e a VMER. Correm enfermeiros, médico e socorristas com macas, desfibriladores e malas de primeiros socorros. Abre-se uma clareira na gente que se afasta.
- É o Mickael Jackson!
Viram-no de lado. Tosse e mais um vómito. -Estás bem?! abanam-no. Esboça um gesto. Tem pulso, respira. Dá vontade o deixar ali, e ir embora, mas o público está atento e, à mínima indecisão do artista, disposto a patear. Colocam-no na maca. O cão aproxima-se e ele abre um olho e agarra-o.
-Oh Mickael! Larga o cão que o bicho não pode ir na ambulância!
-O cão vai comigo! Senão eu não vou!, afirma.
Uns sorriem, outros não entendem a demora em partir. Do grupo, uma mulher confronta a enfermeira da VMER: -Bocês que bão para o Hospital, é que lhe podiam lebar o coum! Carago!
sábado, 1 de março de 2014
Ética
E lá fui eu ouvir falar de Ética.
Cheguei à hora, receoso de não ter lugar sentado. Felizmente que tinha lugar no parque. Corri até à porta da Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Viana do Castelo e a passo acelerado até ao seu Auditório. UUFFF!!!. Olho o relógio ante de entrar: 21:30h em ponto. Empurro lentamente a porta para não incomodar. Na mesa, ninguém! Na plateia duas pessoas. Uma no centro, outra numa ponta da última fila, como a dizer "se isto durar muito, vou-me embora sem ninguém notar".
Sento-me. Passam longos minutos. Agora entra um, depois outro. Mais minutos e entram mais quatro que cumprimentam um dos que já cá estava. São 21:50h quando entra uma revoada de vinte pessoas. Três dirigem-se à mesa, um com flores que pousa no centro, e se dirige para o púlpito para ligar um computador. Entra o orador ao lado de um idoso que irá presidir à sessão. Pede desculpa pelo atraso, referindo que o material de apoio informático que ontem enviou por mail, se … extraviou! Quieto no meu lugar pergunto-me se será possível que não tenha uma cópia ou que não tenha acesso ao mail, que mais não seja no telemóvel, para ter resolvido o problema antes da hora de início da sessão?
Por fim, um dos supostos assistentes, depois de vários cumprimentos a gente do público, dirige-se ao púlpito e troca o Portátil. Segundos depois surge no écran o ficheiro correspondente à palestra.
Pedido de desculpas de 2 minutos. São 22:10h quando se ouvem as primeiras palavras sobre ética. Estão vinte e cinco pessoas na sala.
Crítica:
A par de conceitos elementares, algumas dicas interessantes (a necessitar de confirmação), ditas num tom excessivamente “leve” como p. ex: de que na Holanda 70% dos engenheiros agrónomos são proprietários agrícolas e em Portugal 70% trabalham no Ministério da Agricultura.
Mas como resumo “resumido”, o palestrante não separou Ética de Lei, quando é essa mistura que nos tolhe os movimentos e impede um Portugal moderno.
Lei é aquela linha que não se pode descer sob pena de graves penalizações.
Ética é, como ele disse e bem, ir além daquilo a que a lei obriga.
Em 20 dei-lhe 13 valores, o que é mau para quem é doutorado em Economia e Filosofia.
domingo, 2 de fevereiro de 2014
3ª Carta a Passos Coelho
Caro PC:
É a terceira vez que te escrevo. Na segunda, já eras 1º Ministro, chamei-te a atenção para o que deverias considerar, se querias deixar alguma nota positiva. Ignoraste-me e optaste pelo empobrecimento colectivo e pela demissão do Estado como garante dos direitos fundamentais da população. Só te preocupaste com o dinheiro.
Neste paraíso de caciques, chico-espertos e borra-botas disponíveis a vergar quem quer andar de pé, encontraram-se três corruptos, quando todos esperávamos uma auditoria (com auditores de jeito) às EPEs e aos particulares a quem o Estado paga balúrdios em serviços e parcerias, para avaliar a qualidade dos decisores e os porquês, e descobrir se houve quem estivesse a resolver "não problemas" com "não soluções", a fazer palheiro onde queríamos guardar agulhas.
Tinhas na mente impostos e cortes nos vencimentos de quem vive do trabalho, com especial incidência na classe média dos funcionários públicos. A eito e sem ética, como se não houvesse amanhã, ao ponto de veres na emigração dos nossos licenciados a solução para a baixa do desemprego, desvalorizando “o saber”, num país onde é raro encontrar quem escreva um parágrafo com elegância ou sintetize um problema, mantendo-nos na senda de que qualquer um se ajeita a qualquer função, desde que seja nomeado por um partido.
Como muitos portugueses, vivo do salário, e se tenho alguma folga, uso-a, sem viver acima das possibilidades. Quem se armou em rico, foram os “políticos do arco da governação” e os Bancos, pelo que esperava que surgissem nomes e penalizações, em vez de me retirarem 50% do salário para pagar as suas asneiras. A actual “narrativa” não me é digerível. Porque se fizeram auto-estradas onde uma estrada resolvia o problema? Porque deixaram os autarcas com rédea solta nos gastos? Quem justificou as “derrapagens financeiras”?
Quem vier depois de ti, vai encontrar o país mais pobre, desorganizado e sem “mística”, pois nem aquela parola do Portugal que deu mundos ao mundo, mais a do Eusébio e da Amália convencem o mais tacanho.
O que todos esperam é mais aumentos, menos apoios do Estado e menos qualificação da população, a acreditar nos “paineleiros” a soldo, que enxameiam a comunicação social para nos convencer da inevitabilidade de tudo o que acontece, sem pôr a tónica na qualidade dos partidos e de quem eles põem nos órgãos do Estado.
A carta vai longa. Tu deves ter mais que fazer e eu não quero que chegues tarde por causa destas linhas. Vai à tua vida, que eu vou aquecer o grão-de-bico, que daqui a pouco chega a mulher do trabalho e eu sem nada preparado. Se vires a Assunção Esteves, diz-lhe que as tiradas à aldeã do seu berço transmontano me confundem, e diz à Cristas que eu vou com ela na agricultura.
Dá um abraço ao teu pai, e pede-lhe o poema que ele fez ao descanso no tratamento da tuberculose, que eu publico-o neste blog.
Até um dia.
Fernando
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
Exame de Geografia Política
- Menino Rochinha, por favor, diga-me o nome das cidades de Portugal na Idade Média?
- Braga, Porto, Viseu, Lamego, Guarda, Coimbra, Lisboa, Évora e Silves.
- Muito bem! E quantas havia em 1974, antes do 25 de Abril?
- Quarenta e três!
- Muito bem! E depois da lei nº 11/82, quantas vilas passaram a cidade?
- Cento e treze. Agora temos cento e cinquenta e seis cidades em Portugal!
- Já vi que tem os números decorados. Pode-me dizer então as vantagens de uma vila passar a Cidade.
- Ser cidade influencia as transferências financeiras que o município recebe da administração central.
- E o que é preciso para ser considerado cidade?
- A lei nº 11/82 exige mais de oito mil eleitores, um aglomerado populacional urbanizado contínuo, e pelo menos metade dos seguintes equipamentos colectivos: Instalações hospitalares com serviço de permanência, farmácias, corporação de bombeiros, casa de espectáculos e centro cultural, museu e biblioteca, instalações de hotelaria, estabelecimento de ensino preparatório e secundário, estabelecimento de ensino pré-primário e infantários, transporte público (urbano e inter-urbano) e/ou parques ou jardins públicos.
- Muito bem! E o menino sabe o que esses equipamentos nos custam?
- Sim! Esses equipamentos têm custos de construção e de manutenção. Atendendo a que se permitiram cidades com menos eleitores que o previsto e que na maioria das vilas foi possível construir a metade daqueles equipamentos com gestão pouco eficiente, o resultado são os grandes encargos municipais que actualmente se reflectem em impostos directos e indirectos, e na progressiva diminuição do salário dos funcionários públicos e das reformas dos pensionistas.
-Oh Rochinha! Já tem um vinte! Mas antes de ir embora responda-me, por favor, a mais esta pergunta: Acha possível desqualificar cidades como Borba, Gandra, Mealhada, Mêda, Moura, Oliveira do Bairro, Oliveira do Hospital, Passos de Ferreira, Pinhel, Reguengos de Monsaraz, Sabugal ou Vila Nova de Foz Coa?
- Não Sr. Professor. Temos é de dar graças a Deus por Macinhata do Vouga não se ter candidatado.
- Estou satisfeito.
- Braga, Porto, Viseu, Lamego, Guarda, Coimbra, Lisboa, Évora e Silves.
- Muito bem! E quantas havia em 1974, antes do 25 de Abril?
- Quarenta e três!
- Muito bem! E depois da lei nº 11/82, quantas vilas passaram a cidade?
- Cento e treze. Agora temos cento e cinquenta e seis cidades em Portugal!
- Já vi que tem os números decorados. Pode-me dizer então as vantagens de uma vila passar a Cidade.
- Ser cidade influencia as transferências financeiras que o município recebe da administração central.
- E o que é preciso para ser considerado cidade?
- A lei nº 11/82 exige mais de oito mil eleitores, um aglomerado populacional urbanizado contínuo, e pelo menos metade dos seguintes equipamentos colectivos: Instalações hospitalares com serviço de permanência, farmácias, corporação de bombeiros, casa de espectáculos e centro cultural, museu e biblioteca, instalações de hotelaria, estabelecimento de ensino preparatório e secundário, estabelecimento de ensino pré-primário e infantários, transporte público (urbano e inter-urbano) e/ou parques ou jardins públicos.
- Muito bem! E o menino sabe o que esses equipamentos nos custam?
- Sim! Esses equipamentos têm custos de construção e de manutenção. Atendendo a que se permitiram cidades com menos eleitores que o previsto e que na maioria das vilas foi possível construir a metade daqueles equipamentos com gestão pouco eficiente, o resultado são os grandes encargos municipais que actualmente se reflectem em impostos directos e indirectos, e na progressiva diminuição do salário dos funcionários públicos e das reformas dos pensionistas.
-Oh Rochinha! Já tem um vinte! Mas antes de ir embora responda-me, por favor, a mais esta pergunta: Acha possível desqualificar cidades como Borba, Gandra, Mealhada, Mêda, Moura, Oliveira do Bairro, Oliveira do Hospital, Passos de Ferreira, Pinhel, Reguengos de Monsaraz, Sabugal ou Vila Nova de Foz Coa?
- Não Sr. Professor. Temos é de dar graças a Deus por Macinhata do Vouga não se ter candidatado.
- Estou satisfeito.
terça-feira, 13 de agosto de 2013
domingo, 21 de julho de 2013
Carta a Cavaco
Caro Cavaco:
Estou a escrever-te antes do teu previsível discurso, com mais um dos teus avisos.
Já sabes que não admiro a tua longevidade política, porque sempre vi nela uma preocupação em serenar o povaréu, garantindo uma cortina de “ legalidade” a quem mexe nos cordelinhos, que frequentemente acaba com um dos teus “avisos” quando, por um qualquer acaso, um vento põe tudo a nu.
Tu reflectes este país, sempre à espera que um milagre de última hora nos salve do abismo para que caminhamos anos seguidos. Nunca te vi uma atitude de arrojo, que nos fizesse sair desse rumo. Pelo contrário, estiveste metido nas disfunções do Oliveira e Costa e do Dias Loureiro, e eu não acredito que não tivesses conhecimento de muitas outras, que não vieram a público, e que são agora causa da nossa ruína.
Era aí que esperava que desses o murro na mesa para que não acontecessem. Agora vir avisar do inevitável é trabalho de qualquer um.
Esta tua proposta de um Governo de Salvação Nacional era, à partida “um bacalhau com asas com sabor a marisco” para encanar a perna à rã e dar tempo para que a Finança nos "ajuste" aos “Mercados”, sob a óptica de uma Alemanha que nos entende como humanóides um pouco civilizados.
Vais ficar na História como um paisano de Boliqueime que um dia, em Lisboa, vestiu um fato e gravata para veneração de quem aguarda milagres, sem perceber que estava a dar cobertura às negociatas de uma elite, que de elite nada tem.
Agora, esgotado, vais a rojo, procurando nas palavras significados tão ambíguos como as do Paulo Portas, sem assumires intervir de peito cheio, porque isso "não faz parte do teu ADN", como dizia o teu amigo prof Marcelo, que te apelidou de “herbívoro”, por não atacares os problemas de frente, no medo de uma eventual morte política. Vais lavar as mãos, mais uma vez, alegando que “avisaste”, “que “tentaste tudo” , que “foram os partidos” e que “só te apetecia mandá-los à m####”, mas que “a Constituição não permite” e que “blá, blá, blá” e que “há que sofrer para que sejamos redimidos”.
Pede à Maria para não aparecer. A sua visibilidade é dolorosa e deixa-me envergonhado, constantemente a relembrar os seus esgares no teu discurso de vitória. Depois podias fazer-lhe companhia. Ias visitar um lugar qualquer “profundo” no nosso Portugal e arredavas-te o tempo que te falta até ao fim do mandato e talvez as coisas melhorassem.
Vai por mim, que eu, sem ser barbeiro, dou conselhos como um taxista e é na boca deles que está a sabedoria do povo e não no fundo das urnas.
Até daqui a bocado
domingo, 26 de maio de 2013
Um transmontano
Eu nasci em 1950, em Trás-os-Montes. No fim do mundo. O meu pai era um janota, de olho azul traição, a quem a família arranjou casamento tardio, depois de muitas altercações sobre o seu modo de viver, e a minha mãe, era o que se pode chamar … uma mulher “feroz”!
Com poucos meses de idade fui entregue à minha madrinha, irmã dela e professora numa aldeia do distrito. Uma viking, alta e loura que levava todos na frente. Nunca casou. Dava-me aulas dentro e fora da escola.
Até à ida para o Liceu, só ia a Moncorvo alguns dias de férias.
Quando voltei para casa dos meus pais, mal conhecia os meus irmãos. Vinha de correr atrás dos burros e das ovelhas e estranhava-lhes os ademanes.
A minha mãe era de uma religiosidade à prova de bala. Ia à missa para se salvar e ao bruxo para dar tino a um irmão que era feito da pele do diabo. Antes de se deitar, atirava sal para os cantos da cave e depois rezava o terço. Só permitia que se festejassem dois eventos. A Páscoa e o Natal. Só soube o que era uma festa de anos quando me casei.
A minha mãe era de uma religiosidade à prova de bala. Ia à missa para se salvar e ao bruxo para dar tino a um irmão que era feito da pele do diabo. Antes de se deitar, atirava sal para os cantos da cave e depois rezava o terço. Só permitia que se festejassem dois eventos. A Páscoa e o Natal. Só soube o que era uma festa de anos quando me casei.
Aos 16 anos mudámos para o Porto, por questões de saias do meu pai. Foi a primeira vez que vi uma cidade com luz à noite. Era só abrir os olhos e deixar que tudo entrasse cérebro adentro.
Quando fiz vinte e três anos a minha madrinha informou-me que tinha uma mulher para mim. Nessa altura eu já era citadino e recusei. Mas atenção, que madrinha em Trás-os-Montes não era o mesmo que no Porto, que é madrinha de festa. Madrinha obrigava. Foi com grande dificuldade que evitei aquele casamento cuidadosamente arranjado.
Depois o meu pai morreu e a minha mãe vestiu-se de preto opaco nos trinta anos que lhe sobreviveu. Morreu aos 92 anos, sem nunca nos entendermos.
Deus, se existe, deve divertir-se à brava a baralhar destinos.
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Contactos
Palavras para quê? É uma foto do écran de um computador. Um registo da identificação, no meio do nome, da morada, da data e local de nascimento, de todos os números com que nos mimoseiam do BI ao da Identificação Fiscal e que fazem de nós um cidadão de bolso inteiro.
Bem ali no meio surge este "contaqueto" para nos lembrar o pouco que investimos na língua portuguesa!
Bem ali no meio surge este "contaqueto" para nos lembrar o pouco que investimos na língua portuguesa!
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