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domingo, 28 de julho de 2019

Atahualpa




O momento mais dramático entre europeus e nativos americanos, foi o primeiro encontro entre o imperador inca Atahualpa e o conquistador espanhol Francisco Pizarro, na cidade de Cajamarca, nas montanhas peruanas, a 16 de novembro de 1532.

Atauhalpa era o líder absoluto da maior e mais avançada sociedade do Novo Mundo, enquanto Pizarro representava o sacro-imperador romano Carlos V (Carlos I em Espanha), monarca do mais poderoso estado europeu.

À frente de um exército de cento e setenta e oito soldados espanhóis, Pizarro encontrava-se num território desconhecido e nada sabia sobre os habitantes locais. … Atahualpa estava no seu império de milhões de súbitos, com um exército de oitenta mil soldados. Mesmo assim Pizarro capturou Atahualpa poucos minutos depois de os dois líderes se terem entreolhado.
Pizarro manteve o seu prisioneiro cativo durante oito meses e exigiu o maior resgate de sempre em troca da garantia de libertação. Após o resgate – ouro suficiente para encher um compartimento de sete metros de comprimento por cinco de largura e dois e meio de altura – lhe ter sido entregue, Pizarro ignorou a promessa e executou Atahualpa.


Segundo os relatos escritos por companheiros de Pizarro, entre eles os irmãos Pedro e Hernandez, testemunhas em primeira mão:

Pizarro queria obter informações de alguns índios e por isso mandou-os torturar. Eles confessaram ter sabido que Atahualpa os esperava em Cajamarca.

No dia seguinte chegou-nos um mensageiro de Atahualpa e Pizarro indicou-lhe: “Diz ao teu senhor que venha quando e como lhe aprouver e que, venha como vier, o receberei como amigo e meu irmão. Rezo para que venha depressa, pois desejo vê-lo. Nenhum mal ou injúria lhe serão dirigidos”.
...
Pizarro escondeu as tropas à volta da praça de Cajamarca. Dividiu a cavalaria em duas partes e entregou o comando de uma ao seu irmão Hernando e da outra a Hernandez de Soto. Dividiu também a infantaria, ficando ele com uma parte e entregou a outra ao irmão Juan Pizarro. Ordenou ainda a Pedro de Candia e a dois ou três soldados de infantaria que fossem com clarins para uma pequena fortificação na praça, onde deveriam ficar com uma pequena peça de artilharia.

Ao meio-dia, Atahualpa aproximou-se com os seus soldados. A quantidade de objectos de ouro e prata que traziam era imensa. Atahualpa, vinha numa liteira magnífica, carregada aos ombros por oitenta homens, envergando riquíssimas indumentárias azuis.


Entretanto, nós esperávamos, prontos a agir, ocultos num pátio, cheios de receio.

Pizarro enviou então Frei Vicente de Valverde para falar com Atahualpa, para lhe pedir, em nome de Deus e do rei de Espanha, que se submetesse à lei de Nosso Senhor Jesus Cristo e ao serviço de Sua Majestade, o rei de Espanha. Avançando com um cruz na mão e a Bíblia na outra, passando entre os soldados índios até onde se encontrava Atahualpa, o frade dirigiu-se-lhe assim: “ Sou um sacerdote de Deus Nosso Senhor e ensino aos cristãos as coisas do Senhor, e isso mesmo te venho ensinar a ti. O que eu ensino é aquilo que Deus nos diz neste Livro. Portanto, da parte de Deus e dos cristãos, rogo-te que sejas Seu amigo, pois tal é a vontade de Deus e será para teu bem!”

Atahualpa pediu o livro, para o poder examinar, ao que o frade lho entregou fechado. Atahualpa não sabia abrir o Livro e o frade estendeu o braço para o fazer, quando Atahualpa, lhe deu uma pancada no braço, não querendo que o Livro fosse por ele aberto. Depois abriu-o ele mesmo e, sem qualquer espanto perante as letras e o papel, atirou-o a uma distância de cinco ou seis passos.

O frade voltou-se para Pizarro, gritando: “Venham! venham, cristãos! Venham contra estes cães que rejeitam as coisas de Deus. Este tirano atirou o meu livro da Lei Sagrada ao chão! Não viram o que fez? Para quê ser educado e servil com este cão sarnento? Avancem contra ele, pois eu vos absolvo!”

Então Pizarro fez sinal a Candia que começou a disparar as armas. Ao mesmo tempo fizeram-se ouvir os clarins e as tropas espanholas nas suas armaduras, tanto a cavalaria como a infantaria, saíram dos seus esconderijos a caminho da massa de índios desarmados que se apinhavam na praça, bradando o grito de guerra espanhol “Santiago!”. Tínhamos prendido guizos aos cavalos para atemorizar os índios. O troar das bocas de fogo, a estridência dos clarins e os chocalhos dos cavalos lançaram os índios numa confusão de pânico. Os espanhóis caíram sobre eles e começaram a esquartejá-los. Os índios estavam tão apavorados que se pisotearam uns aos outros, sufocando-se mutuamente. Como estavam desarmados, puderam ser atacados sem risco para qualquer cristão. A cavalaria derrubou-os com as montadas, matando-os, ferindo-os e caçando-os. A infantaria levou a um ataque tão violento sobre os que ficaram que rapidamente a maior parte foi passada a fio de espada.

Pizarro com a ajuda de sete ou oito espanhóis montados, chegou à liteira de Atahualpa e agarrou-o com toda a coragem, capturaram-no e mataram todos os índios que o escoltavam.

Depois Pizarro disse a Atahualpa: “Não vejas como um insulto o facto de teres sido derrotado e feito prisioneiro. Foi o rei de Espanha que nos mandou conquistar esta terra para que todos possam ter conhecimento de Deus e da Sua Sagrada Fé Católica; e por causa da nossa boa missão, Deus Nosso Senhor, Criador do céu e da terra e de todas as coisas que nela existem, permite que assim seja, para que tu O possas conhecer e deixes a vida selvagem e demoníaca que tens levado. Quando vires os erros com os quais tens vivido, compreenderás o bem que te fizemos ao virmos para a tua terra, por ordem de Sua Majestade, o rei de Espanha. O Nosso Senhor permitiu que o teu orgulho fosse esmagado e fez com que nenhum índio pudesse vir a ofender um cristão.”

in "Armas, Germes e Aço" de Jared Diamond

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Cogumelos Mágicos


Chegaram. Tão bonitos! Tão vistosos, a dar cor ao parque infantil! Vou ficar atento, pois eles devem ser o prenúncio de ali morarem gnomos, fadas ou, quem sabe, se algum trasgo fugido da Galiza ali se instalou, antes de se aventurar na minha casa.  

Amanita muscaria


Embora sejam considerados venenosos, raramente a sua ingestão é causa de morte (a fervura enfraquece a sua toxicidade).
O Amanita muscaria é conhecido pelas suas propriedades halucinogénicas. Os seus constituintes psicoativos são os Ácido Iboténico e o Muscinol. A dose activa para um adulto é aproximadamente 6 mg de Muscimol ou 30 a 60 mg de Ácido Iboténico, o que é possível encontrar numa cápsula de um destes cogumelos - embora a concentração varie de cogumelo para cogumelo e também com as estações do ano (na primavera e no verão tendem a ter concentrações dez vezes superiores).

Os constituintes activos são solúveis em água, pelo que a fervura e a sequente rejeição da água, diminui-lhes a toxicidade. Por outro lado, a secagem aumenta-lhes a potência, por facilitar a conversão do Ácido Iboténico no mais potente Muscimol.

A Muscarina, que em tempos foi responsabilizada pelos efeitos halucinogénicos do A. muscaria é um constituinte minor, sem concentrações suficientes para provocar sintomas. O Ácido Iboténico e o Muscimol têm estruturas relacionadas com dois neurotransmissores do Sistema Nervoso Central: o Ácido Glutâmico e o GABA (Ácido Gama-Amino- Butírico) respectivamente, e actuam como esses neurotransmissores.


quarta-feira, 12 de julho de 2017

Eucaliptos


Os eucaliptos são árvores de folha perene e de grande porte (podem atingir os 80 metros). São pouco exigentes no que respeita ao clima e à fertilidade do solo - toleram bem todos os tipos de solo, com excepção dos calcários. São resistentes a pragas e produzem madeira de alta qualidade.
Existem em todo o mundo cerca de 600 espécies diferentes. O Eucalyptus globulus, introduzido em Portugal em meados do século XIX, é a mais comum e economicamente importante. É originária da Tasmânia e Austrália, onde os bombeiros a apelidaram de árvore-gasolina

A sua principal utilização é na produção de madeira para pasta celulósica. As suas flores são procuradas pelas abelhas para produção de mel e as folhas possuem um óleo -  cineol ou eucaliptol - a que se atribuem propriedades balsâmicas e antissépticas, pelo que muitos as usam em infusões, rebuçados, ou para inalação, contra bronquites e catarros.
Como a madeira tem múltiplos usos, durante o ciclo produtivo, podem ser feitos sucessivos cortes para diferentes propósitos. Com quatro ou cinco anos o insumo serve para produção de carvão, lenha e estacas. Entre oito e nove, para celulose e postes. Já ao final do desenvolvimento, dos 12 aos 15 anos, é indicado para serração e laminação.

O problema surge quando os proprietários de áreas vizinhas a florestas de eucaliptos se queixam dos prejuízos com os danos causados pelo sombreamento, queda de galhos e risco de incêndio  e o direito de propriedade colide com os direitos de vizinhança, pois a propriedade deve ser usada de modo a permitir uma pacífica convivência social.
A lei prevê que os proprietários ou arrendatários cumpram distâncias mínimas e coimas até a solução da desconformidade.

O nº 2, do artigo 1366º do Código Civil, regula, de modo especial, a plantação ou sementeira de eucaliptos, acácias e outras árvores igualmente nocivas.

No artigo 1º do Decreto-lei nº 28039, de 14 de Setembro de 1937, afirma-se que é proibida a plantação ou sementeira das espécies arbóreas, acima referidas, a menos de 20 metros de terrenos cultivados e de 30 metros de nascentes, terras de cultura de regadio, muros e prédios urbanos.

O Decreto-Lei n.º 17/2009, de 14 de Janeiro, no nº 2 do Artigo 15º , refere:
“Os proprietários, arrendatários, usufrutuários ou entidades que, a qualquer título, detenham terrenos confinantes a edificações, designadamente habitações, estaleiros, armazéns, oficinas, fábricas ou outros equipamentos, são obrigados a proceder à gestão de combustível numa faixa de 50 metros à volta daquelas edificações ou instalações, medidos a partir da alvenaria exterior da edificação,....”

Se as medidas de gestão de combustível não forem cumpridas, tal facto deve ser comunicado à Câmara Municipal pelos interessados e “Em caso de incumprimento do disposto nos números anteriores, a Câmara Municipal notifica as entidades responsáveis pelos trabalhos.”

Os números seguintes do Artigo 15º explicitam os procedimentos a adoptar para que a gestão de combustível seja feita, mesmo que de forma coerciva.

Artigo 19.º Depósito de madeiras e de outros produtos inflamáveis. 1: - ... 2: - Durante o período crítico só é permitido empilhamento em carregadouro de produtos resultantes de corte ou extracção (estilha, rolaria, madeira, cortiça e resina) desde que seja salvaguardada uma área sem vegetação com 10 metros em redor e garantindo que nos restantes 40 metros a carga combustível é inferior ao estipulado no anexo do presente decreto-lei e que dele faz parte integrante.

Há estudos que permitem classificar a propensão para o incêndio nas florestas, de acordo com a seguinte ordem decrescente: florestas de pinheiros-bravos, florestas de eucaliptos, florestas de folha larga não especificada, florestas de coníferas não especificadas, montado de sobro, florestas de castanheiros, florestas de azinheiras e florestas de pinheiros-mansos;
O Vidoeiro ou Bétula (Betula pendula) é considerada a árvore-bombeiro! Quando o fogo entra no vidoal, normalmente arde por manchas e com chama muito curta, extinguindo-se.

A reforma florestal vai ser votada no próximo dia 19 de Julho.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Yuval Noah Harari









Yuval Noah Harari (Haifa, 1976) é professor de História e lecciona no departamento de História da Universidade Hebraica de Jerusalém.

Diz que não é um Profeta, mas eu elege-o como tal. "I don't think he is as widely recognized as he deserves to be, but, in my opinion, Yuval Harari will become one of the most influential thinkers of the XXI century".

O Youtube tem muitas aulas suas disponíveis e os dois livros que recentemente escreveu - "Sapiens: Uma breve História da humanidade" (2014) e "Homo Deus: Uma breve história do amanhã" (2016), são uma verdadeira Bíblia, que toda a gente que se preocupa com o evoluir da Humanidade tem obrigação de ler.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Arranhador

Giovanni Pico della Mirandola (Florença - 1463 - 1494), morreu aos 31 anos. Era dono de uma memória privilegiada e sabia tudo e mais alguma coisa.

Desde que soube da sua existência que o invejo. Não por saber tudo, mas por saber mais alguma coisa.
Eu, para não sentir a minha arte limitada à profissão, de vez em quando diversifico.


Hoje foi dia de fazer um arranhador para o gato.

Um tronco de loureiro: 0 €
Restos de uma tábua : 0 €
Restos de dois fios eléctricos: 0 €
7 metros de corda: 2 €
1 parafuso grande: 10 centimos
2 tapetes - 1 €
Total: 3,10 €

    + Uma hora e meia de trabalho 


domingo, 10 de janeiro de 2016

Frases de hoje



e     ...    "Palpites não se discutem!"

domingo, 15 de novembro de 2015

"Professor Doutor"



Profissionalmente, estava longe de ser brilhante. O doutoramento culminou uma amizade com uma doença, como se ela fosse um refúgio para as dificuldades do primeiro projecto em que se metera.
Nada contra, mas o título de "Professor" para um doutoramento, que mais não é que uma "competência", para quem não se dedica primeiramente ao ensino, é, na falta de melhor entendimento, uma incorrecção linguística.

Para que se  desfaçam dúvidas, informa-se:
Em Portugal, doutor significa que se doutorou. Os apenas licenciados, como os licenciados em Medicina, em Farmácia, Filosofia, etc., são também doutores. A diferença está no seguinte; para os doutorados, doutor é um grau académico; para os licenciados doutor é um título. 
Na linguagem escrita, há quem distinga o doutorado, escrevendo doutor (com todas as letras); e para o licenciado, dr. (em abreviatura).
Quando o doutorado é professor universitário, costuma-se, às vezes, distingui-lo com o tratamento de professor doutor.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

O burro de Buridan


Buridan (1300 1358) foi um filósofo e religioso francês que teve a audácia de dizer que os movimentos dos astros no céu estão submetidos às mesmas leis dos movimentos das coisas cá em baixo.
E para justificar as forças que mantinham os planetas fixos, sem caírem em direcção ao sol nem se afastarem para o infinito, idealizou uma parábola que  viria a ser chamada “O paradoxo de Buridan” em que um burro é colocado entre duas manjedouras equidistantes, com igual quantidade de feno, como únicas variáveis para o seu comportamento.

Nestas condições ideais, por ser incapaz de decidir, o burro deveria morrer à fome. 

A razão é uma ferramenta poderosa para levar a cabo os objectivos estabelecidos pelos afectos. 
António Damásio demonstrou que lesões frontais que destroem a capacidade de pensar “moralmente”, levam a decisões desastrosas. 
A emoção é a bússola para navegar (com racionalidade) neste mundo.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Para a mãe, no Dia da Mãe

Rosto de uma pequena agenda.
... aos 6 anos.

sábado, 18 de abril de 2015

Ode à enfermeira "preferida".


Antes de mais nada, quero dizer que te escrevo, porque, de algum modo, mo pediste.
Depois, quero que saibas que fico feliz quando já lá estás quando eu chego, e que, embora finjas que não dás por mim, estás atenta aos meus pequenos gestos. E porque isso me dá a importância de que preciso para me sentir confiante, respondo-te de igual modo, simulando desatenção até um acaso me justificar um sorriso para os teus olhos.

Trabalhar contigo é dançar com quem não tropeça nem pisa e dá ritmo ao voltear, recebendo uma disponibilidade que acrescenta e nos corrige, sem a petulância de quem espera um erro para mostrar o pior de si.
Gosto da calma que me dás quando ela foge e quando me apressas se o tempo se esvai, sem mais que um meio-tom na tua voz, um leve aceno no teu gesto, ou uma suave diferença nesse teu olhar esmerado de mulher, capaz de ver o que aos meus olhos se lhes se nega.
Alegra-me a doçura que derramas sobre a dor de quem padece, que não duvides da boa fé que ponho no que faço quando as coisas correm menos bem, e do direito que me dás aos maus humores quando me desacerto com o imprevisto.

És enfermeira, mas podias ser professora, bailarina, agricultora, engenheira ou uma simples dona de casa, que sei que as tuas mãos poriam o mesmo carinho nas palavras, nos ritmos, nos papéis para que os seres cresçam melhor do teu lado do mundo.

É assim que te vejo, atenta ao que te envolve, dentro e fora destas portas, para que o equilíbrio não falte a quem de ti depende, sabendo que o fazes mais pelo gosto de assim ser, que pela parca paga que te dão no fim do mês.

Bem hajas, aqui, ali ou acolá, na primeira e única vez ou na rotina do trabalho de todos os dias, onde o teu sorriso transparente limpa o ar e torna o sol ameno e que, se o acaso nos trouxer chuva fria, tu saberás limpar o rosto de quem sofre e dar sentido à tempestade.

Fernando

P.S:  os senhores enfermeiros, pelas suas próprias condições, não devem ser considerados nestas considerações. 

domingo, 30 de novembro de 2014

Nomes

Touro Sentado, Cavalo Maluco, Pequeno Lobo, Água da Floresta, Flor Eterna eram nomes dos índios da banda desenhada que lia na juventude. O dos cowboys não tinha tradução. Tinham o nome de origem - Buffalo Bill, Kit Carson, Tim McCoy e por aí fora.
Foi assim que eu aprendi. Lá fora nomes “engraçados”, por cá, nomes próprios a que eu não atribuía significado e um sobrenome de família que frequentemente apontava uma profissão, uma terra, um animal ou uma planta.
Depois disseram-me que os sobrenomes de árvores (pereira, oliveira, macieira, carvalho, nogueira), eram de famílias judias, bem como aqueles que apontavam para uma grande religiosidade cristã – do Espírito Santo, dos Anjos, da Cruz, das Chagas, … para mostrar que o “converso” havia adoptado a nova fé e que não era um “marrano” a observar clandestinamente os antigos costumes.
Nas mulheres eram muitas as Marias, como no Islão eram as Fatimas, por causa da mãe de Jesus e da filha predilecta de Maomé. Mas as Marias eram doentias. Havia a da Luz e dos Prazeres, para me tirar razão, mas o grosso era da Agonia, das Dores, da Assunção, do Carmo, da Purificação, da Ascenção e por aí afora, até encontrar uma da Circuncisão.
De África vinham nomes estranhos. Nomes de coisas e de acontecimentos postos em pessoas, e eu sem saber que as sociedades sem tradição de história escrita, dão o nome à criança para sinalizar um evento importante do tempo do seu nascimento. Edu, uma abreviatura de “educação” indica que ele veio ao mundo quando abriu uma escola na sua aldeia, Doutor – o contacto regular com um médico, Armazém – uma dessas construções nas imediações.
Mas dou preferência à poesia escondida dos nomes com origem na antiguidade. Alexandre do grego, nome composto pelo verbo aléksein (defender) e pelo substantivo andrós (homem) - "protetor da Humanidade". Filipe - do grego Phílippos, composto pela união dos elementos phílos, que significa "amigo" e híppos que quer dizer "cavalo" – amigo dos cavalos. Guilherme que significa “protetor corajoso”, tem origem no nome germânico Willahelm, composto pela união dos elementos will - “vontade” e ehelm - “proteção”. Augusto com origem no latim Augustus, significa “sagrado”, “sublime”. Ernesto do germânico eornost, que quer dizer “sério, firme, o que batalha até a morte". Eugênio - “bem-nascido”, “nobre”. Do grego - composto por eu “bem, bom” e génos “raça, família”.
Sofia do grego sophia que significa literalmente “sabedoria”. Ana, do hebraico Hannah, que quer dizer "graciosa". Eulália -“aquela que fala bem”. Do grego eu - “bem” e laleo - “para falar”. Helena do grego Heléne, que significa “tocha”.

sábado, 22 de novembro de 2014

Rosenkranz Quotes, 1946


1 – Difficulties are unsurmountable mountains to those who fearfully run from them, but they will prove to be mere molehills if you courageously go after them....

2 – Make it your mission ...to render services to others, & you shall find that you are rendering the greatest service to yourself.

3 – Your education has been a failure, no matter how much it has done for your mind, if it has failed to open your heart.

4 – A successful life must have Aim and Purpose. When we are without aim, we are without hope of accomplishing anything worthwhile. On the other hand, if we do have a set purpose and the courage and backbone to achieve it, we are bound to succeed.
On our pathway we meet discouragement, obstacles, even temporary failure, but we must not lose hope. We must have strength of character and the determination to follow our aim consistently and courageously.
Let us remember that Aimlessness spells Hopelessness, and Purpose spells Accomplishment.

5 – He is wise who does not put off until tomorrow what he can do today .. he is wiser still who does not put off until today what he could have done yesterday.

6 – Opportunity Knocks at Man’s Door But Once. Many a time you have heard that expression and perhaps it is true, but there is no law of God or man that prohibits a man from knocking at Opportunity’s door just as often as he may wish. If he knocks often enough, sooner or later, he is sure to find opportunity at home. If he is ready it will mean Success.  Opportunity means nothing to man who is not ready. If he is not prepared he won’t even be recognized. Whatever we amount to in this world depends entirely upon ourselves, and our own efforts. If we make no effort we get nothing. If we make a big effort to get ahead we can and will succeed. In other words, we are going to be rewarded for exactly what we do.  Success will not come by merely wishing for it. It is something we must fight for. We have got to conquer every obstacle – we cannot give in to pleasures or idle dreams. And the harder we fight the greater will be our success.
Opportunity waits for no one – it’s up to us, make ourselves ready and catch her.

7 - Practical training means the acquisition of Technical information and facts, and the learning how to apply them in a useful manner. In order to acquire knowledge we must use our brain. Our brain, like our body, only grows and develops when properly used.  When we stop using any part of our body it starves and dies. When we fail to use our brain cells they decay and die of starvation.  Let’s learn how to use intelligently our natural abilities, talents, and gifts, and apply them efficiently to our task at hand.

8 – Of all the virtues, patience is the most essential to success.

9 – Success hinges on loyalty. Be true to your art, your business, your employer, your home, your “house”. Loyalty is for the one who is loyal. It is a quality woven through the very fabric of one’s being, and never a thing apart.

10 – A great factory with machinery all working and revolving with absolute and rhythmic regularity, and with the men all driven by one impulse and moving in unison as though a constituent part of the mighty machine, is one of the most inspiring examples of directed force that the world knows. One rarely sees the face of a mechanic in the act of creation, which is not fine, never one, which is not earnest and impressive.

11 – There is no moment like the present. The man who will not execute his resolutions when they are fresh upon him can have no hope from them afterward; they will be dissipated, lost, and perish in the hurry and scurry of the world, or sunk in the slough of indolence. There is but one straight road to success, and that is merit. The man who is successful is the man who is useful. Capacity never lacks opportunity. It cannot remain undiscovered, because it is sought by too many anxious to use it.

12 – In conversation there are two important things to remember: first, to speak sparingly so that others will know that we are wise; second, to listen interestedly, so that they will think that they are wise.

13 – The Wrecking Gang may sometimes render useful Services. But my advice, to ALL men is: Always join hands with the construction crew.

14 – Many things considered impossible and even hopeless are often mastered by determination and intelligent industry.

15 – In order to achieve success in Life we must have ideals, aims and ambitions. We must be willing to work hard, sacrifice freely, be unselfish, cooperative, enthusiastic and determined.

16 – When you are climbing up be sure to help some one else up to , ...that may prove to be your best assurance that you will continue to stay up.

17 – Self Reliance – Work is a mighty hard thing to keep track of. A man will go to an employer saying he has been looking for work everywhere, but cannot find it. The employer gets busy, fins work and gives it to him. Then the employer expects work from the employee, and when he does not get it, pays him off and starts him out looking for work again and the chances are he never finds it.
The less you require looking after, the more able you are to stand alone and complete your tasks. The greater your reward.. Then if you cannot only do your work, but also intelligently and effectively direct the efforts of others, your reward is exact ratio; and the more people you direct, and the higher the intelligence you can rightly lend, the more valuable is your life.

18 – REAL happiness begins where selfishness ends.

19 - Circumstances are masters of weak and the indifferent; they are a challenge to the courageous and the ambitious.

20 – We are not poor when we can be happy without riches.

21 – He who sits and dreams of living on top of the mountain will die in the valley.

22 – Why waste time hunting for excuses when you should invest time in correcting your shortcomings.

23 – I consider him a friend who points out my shortcomings.

24 – If you want your troubles to grow just tell them to everyone you know.

25 – Too many of us believe in the Golden Rule and live by the rule of gold.

26 – You will never find a great movement built up by small men.

27 – When mankind will substitute Tolerance and Truth for Bigotry and Deception – that shall be the beginning of civilization.

sábado, 26 de abril de 2014

Sais



Pedi 10 sacos de 25Kg de sal e trouxeram-me estes. Descarreguei, paguei e só depois estranhei a etiqueta "Sun Salt", Dead Sea Works, Ltd.
-Queres lá ver que já não há sal em Portugal?
Depois pus-me a pensar que o Mar Morto está a descer a um ritmo acelerado e que o sal lá, deve ser um problema, pelo que o devem vender ao preço da uva mijona, não vá o vento levá-lo para terrenos férteis e salinizá-los.

Vista de satélite em 1972, 1989 e 2011

Vou à Net pesquisar para concluir que o Mar Morto tem uma salinidade 8,6 vezes superior à do oceano, que há 330 gramas de sal em cada litro da sua água, uma concentração tão grande que causa a sua precipitação no fundo.
Confirmei assim as minhas suspeitas. O nível das suas águas está 427 metros abaixo do nível do mar. O rio Jordão, a sua principal fonte de água, tem vindo a reduzir o seu caudal de chegada, pela crescente captação das suas águas para consumo humano - entre 1930 e 1997, o nível das águas do Mar Morto diminuiu 21 metros.

Mas quando passei ao parágrafo sobre a sua composição, veio-me o arrepio à espinha. Enquanto 97% do sal da água do mar dos oceanos é Cloreto de Sódio, o sal da água do Mar Morto é composto por Cloreto de Cálcio (CaCl): 14.4%, Cloreto de Potássio (KCl) 4.4%, Cloreto de Magnésio (MgCl2) 50.8% e Cloreto de Sódio (o sal comum) (NaCl) 30.4%.

Resumindo: o Cloro, que queria, está lá. Só tenho de aguardar que o cálcio se não deposite nos eléctrodos e me dê cabo da ferramenta.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Arquitectos, Decoradores, Enfermeiros e Doutores



"Estou provisoriamente a fumar Definitivos, mas vou passar definitivamente a fumar Provisórios". Era uma chalaça do tempo em que o tabaco não fazia mal. Tabaco barato, cheio de talos, mas fazia fumo como os mais caros.
Desapareceram as marcas, ficou a frase a lembrar o provisoriamente "tosco", que se eterniza.

Nas instituições públicas multiplicam-se os candidatos a arquitectos e decoradores. Qualquer um opina e leva avante projectos para dar funcionalidade diferente ao existente, se lhe ocorre uma razão e a torna premente.
Hoje é aumentar o número de gabinetes numa determinada área, amanhã são intervenções num Bloco Operatório ou num Serviço de Urgência.
Chama-se um desenhador e logo surgem candidatos a arquitectos de pacotilha que não são suficiente machos para serem engenheiros, nem suficientemente maricas para serem decoradores, ou porque estão na calha para serem chefes e ou para não ficar atrás de ninguém. Todos se juntam para riscar no papel, com aquele sentimento de que se pusermos cinco mil macacos a bater nos teclados de outras tantas máquinas de escrever, durante cinco dias, algum irá escrever uma frase com princípio meio e fim.
Quem paga é o Estado (todos nós) e, se ficar mal, deita-se abaixo e faz-se de novo.

O mal tem a ver com "incultura".
Pobres arquitectos. Qualquer médico ou enfermeiro os substitui. Mas ai de quem fizer uma incursão no âmbito da Saúde, que até as Ordens se põem em bicos de pés - que há que ter formação nem que seja para despejar um bacio de trampa.

Enquanto isto, multiplica-se o desemprego nos arquitectos e as suas queixas de incompreensão. Afirmam ser impossível cobrar uma consulta, que lhes roubam os anteprojectos para os entregarem a mestres de obras que os adulteram e que os clientes julgam saber "muito bem como querem viver" e os tentam obrigar a soluções arquitectonicamente erradas, como se alguém fosse ao médico e impusesse o tipo de tratamento a que queria ser submetido.

Temos escolas de Arquitectura que não nos envergonham, mas com esta mentalidade no país e em especial nos serviços públicos, vamos andar a fazer e a desfazer sem nunca ter solução eficiente.
Bem dizia o meu avô: "A ignorância é muito atrevida!"

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Falar

Não fui bom aluno a Português. Não li o que devia nos anos do Liceu, e os Lusíadas e o Aquilino foram areia demais para a minha Toyota de caixa aberta.
Lembro-me dos caderninhos, com uma coluna para as palavras difíceis e outra para o seu significado e dos dicionários e da Enciclopédia Luso-Brasileira a ocuparem lugar de destaque na casa de meus pais. Nesse tempo, em que o audiovisual era uma miragem e a rádio “só dava fado e radionovelas”, não havia refeição em que os livros não saltassem para a mesa para pôr termo a qualquer discurso mais confuso, pois o que se afirmava não podia conter ambiguidades e tinha de ter suporte.
Falava-se mais de Ciência, mas, mesmo quando a Filosofia ou a História vinham à baila, havia necessidade de comprovar os porquês, e neste contexto, riamos com uma pequena história da família:

Uma comunidade religiosa, tinha por regra nunca mentir. Um dia, quando um dos seus frades passeava no exterior do convento, foi surpreendido por um homem a correr esbaforido que, antes de se esconder no meio de uns arbustos na sua frente, o ameaçou dizendo: “Se me denuncias, dou-te um tiro que te mato!”
Minutos depois surgiram os perseguidores, que lhe perguntam: “Viste passar por aqui um tipo a fugir?”, ao que o frade, de braços cruzados no hábito, respondeu sereno: “Por aqui não passou!”, permitindo assim a fuga ao fugitivo.
O facto foi casualmente observado por um seu “irmão”, que, de imediato, o confrontou, chamando-lhe a atenção para a mentira e para o incumprimento da regra, ao que o frade respondeu, enquanto abria ligeiramente os braços, mostrando que apontava com o indicador direito para dentro da manga esquerda. “Eu só disse, que ele por aqui, não passou. E como tal, não menti!”

“Espertezas” destas não eram aceites. As palavras tinham significados precisos e eu entendia-lhes a utilidade. Mais tarde, comecei a gostar da sonoridade de algumas (terebrátula, ornitorrinco, parcimonioso, baldaquino, parafernália, ...), e brincava com elas às voltas entre a língua e o palato antes de as deixar esgueirar pelos lábios e, quando aprendi inglês, “shrapnel” deu-me um gosto igual ao dos nossos emigrantes franceses a soprar o “Obadidan,… puff!”. Também entendi que há palavras noutras línguas que não são traduzíveis, por não ter havido necessidade delas, como é o caso de "accountability" que implica uma definição de mais de vinte palavras em português - "significa que quem desempenha funções de importância na sociedade deve regularmente explicar o que anda a fazer, como faz, por que faz, quanto gasta e o que vai fazer a seguir".

Rodrigues Lobo marcou-me com o seu: Fermoso Tejo meu, Quão diferente te vejo e vi, Me vês agora e viste, …. Passei a gostar de palavras em sequências difíceis e cheguei a pensar que as musas me protegiam, até ao dia em que o fruto de um turbilhão de sentimentos da minha verve, para tentar impressionar uma adolescente de caracóis em cachos caídos pelos ombros, me ter sido devolvido sem resposta. 
Já adulto, Torga deu-me a mão para os livros, mostrando-me a tecedura da forma com o conteúdo, com as palavras certas a induzir os mais diversos sentimentos. Eficiente a separar desejos de factos, irrevogável a não permitir voltar atrás, incompatibilidades a impedir que quem se quer pelos pobres possa viver sumptuosamente ou que um moralista enriqueça em funções políticas.

Actualmente, com o poder a usar as palavras sem a significância dos Dicionários, a falar de "vitórias" onde se vêem roubos, compadrios, humores e contingências, corre-se o risco de que o mesmo mal grasse na sociedade e passemos todos a navegar à vista, naquela perspectiva tola  de que  – “Se é para a desgraça!?, … É para a desgraça!” e caminhemos inexoravelmente para o abismo.

terça-feira, 12 de março de 2013

Cães



“Se non è vero, è ben trovato".  Foi até aqui que a pesquisa e a especulação me levaram.

Desde tempos imemoriais que os cães se associaram ao homem, ajudando-o na caça e na protecção contra inimigos comuns. Esta simbiose, permitiu ao homem seleccioná-los de acordo com as melhores aptidões do seu património genético, promovendo características que actualmente são apanágio das suas diferentes raças. Na Europa, este processo foi francamente desenvolvido no reinado da Rainha Vitória (1819-1901) de Inglaterra. Até então repoduziam-se quase livremente.  

Quando surgiam as grandes fomes, eram frequentemente abandonados  (talvez alguns fossem parar à panela de alguém mais aflito), e Lisboa chegou a ser referenciada, por estrangeiros, pelas suas matilhas de cães vadios devorando os detritos que a população lançava fora.
O cão vadio é uma particularidade dos povos do sul, um “bombo” para os frustrados, que só recentemente mereceu a preocupação geral da população, enquanto o gato vadio manteve o seu estatuto.
Mas adiante. Hoje o assunto é cães e, mais especificamente, na Idade Média, e é bom lembrar que, nesta altura, não havia esgotos, aterros sanitários ou estações de tratamento de resíduos sólidos e que as pessoas “iam a campo” e os cães … também.
Também ao analisar alguns dos quadros onde os pintores da época representaram refeições, não se estranha a presença de cães, nem a ausência de talheres sobre as mesas. De facto o garfo em Portugal foi introduzido no século XVI, na corte de D. Manuel I, e só se vulgarizou em meados do século XIX, no reinado de D. Maria II. Até lá comia-se com as mãos, com eventual apoio de um punhal e de uma colher.

Ora é neste contexto que vemos os cães a rondar a mesa,  à espera de qualquer sobra. Mas não lhes descuremos outra utilidade. Na ausência da indústria do papel e com os dedos completamente engordurados, por um qualquer assado, três soluções se aprontavam como fáceis ao paisano em questão. 1: Limpá-los ao pão e comer o pão, 2: Limpá-los à toalha ou à roupa, 3: Dá-los a lamber ao cão e atacar de novo o prato, depois de os passar já limpos pelas calças. Das três, e atendendo aos conceitos higiénicos da época, estou em crer que a terceira prevalecia.

sábado, 30 de junho de 2012

Violência

Das frases que me condicionam, duas vieram-me hoje à memória: “Quem tem mais probabilidade tem de te matar, já tem a chave de tua casa!” e “ A pessoa que maior probabilidade tem de te matar, é o teu médico!”. Não são absolutas, até porque se excluem, mas centram-se em duas facetas do nosso quotidiano, a que importa estar atento: a Violência Doméstica e a Iatrogenia.

Ora andava eu na Internet, por estes caminhos, quando tropecei num artigo sobre "A Verdade àcerca da Violência", de um tal Sam Harris (1967) escritor, filósofo e neurocientista americano.

Primeiro introduz-nos, informando que nos USA a probabilidade de ser roubado, assaltado, violado ou assassinado nos próximos 30 anos (a manter-se constante a actual taxa de criminalidade), é de 1 para 9, pelo que nos devemos preparar para responder à violência de modo racional, pois os nossos instintos, embora bons a reconhecer o perigo, aumentam a probabilidade de sair magoado ou morto quando a ameaça surge. Depois lembra que a Polícia responde ao crime consumado, para (com alguma sorte) apanhar quem o cometeu, que os primeiros momentos em que a vítima se encontra com o predador são cruciais, e que só depois de escapar é que é seguro ligar o 112.

Define três princípios fundamentais.

1) Evitar pessoas e locais perigosos.
Auto-defesa não é vencer combates com gente agressiva que não tem nada a perder. Não ameace o seu oponente. Baixe o nível de agressividade e vá embora.

2) Não defender a sua propriedade.
Defendê-la é um convite à violência e uma oportunidade para morrer ou para ir parar à prisão.
Se alguém lhe aponta uma arma à cabeça e lhe pede a carteira, entregue-a de imediato e fuja. Se vir um grupo a vandalizar-lhe o carro, mantenha-se em casa e avise a Polícia.

3) Se alguém o tentar conter fisicamente, responda imediatamente e fuja.
Faça tudo para evitar o confronto físico, mas se ele se tornar necessário, ataque explosivamente, com o que for necessário, com o intuito de escapar.
Se alguma vez se encontrar em tal situação, deve assumir que o seu oponente tem uma carreira criminosa e que já vitimou outros. Não perca um segundo a argumentar.

Até parece consensual, mas quando ele passa a exemplos sobre o princípio nº 3, é que a coisa se torna diferente.

Imagine: Você transporta as compras da mercearia para o carro e surge um homem ao seu lado com uma arma que lhe diz: “ Entre no carro, e não lhe acontecerá nada!” O seu instinto irá provavelmente funcionar mal. Entrar no carro é a última coisa que deve fazer. “Entre no carro ou estouro-lhe com os miolos!”.
Por muito mau que lhe pareça o momento, obedecer a uma pessoa que está a tentar controlar os seus movimentos, é uma ideia terrível. Uma coisa é tentar controlar a sua propriedade, outra é tentar controlá-lo a si, orientando-o para outro quarto, para um beco, para dentro do carro, prendendo-o, etc ... . Isso indicia que a próxima situação em que se vai encontrar será ainda pior.
Fuja qualquer que seja o risco, pois compensa.
Qualquer que seja a sua capacidade física o seu objectivo é fugir, mesmo que esteja em casa e que tenha armas. Esses segundos lugares serão imensamente mais favoráveis ao(s) atacante(s).
Um ladrão geralmente assegura-se que a casa está vazia antes de entrar. Se alguém entra em sua casa consigo lá dentro, não há assunto a discutir. Deve fazer tudo para escapar. Se alguém aponta uma faca ao pescoço da sua esposa e, com isso, o tenta controlar, você deve fugir imediatamente, pois cooperar com o atacante e esperar a sua benevolência é o maior erro que pode cometer. Se ele tem intenção de a matar, ele vai matá-los aos dois se tiver oportunidade. Se você fugir, pode voltar em condições muito mais favoráveis.

O artigo é escrito por um americano que vive nos USA. Podem dizer que lá o mundo ... é outro, mas, como dizia Bob Dylan “The times they are a-changing”.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Pensamentos


Página 116 de "Tempo contado" Sexta-feira, 2 de Setembro – Folheio os diários que escrevi na adolescência e ainda me envergonha o ver-me neles nu e tão ingénuo. Os que mantive ao redor dos trinta anos envergonham-me pelo romantismo, a fantasia, a ilusão em que eu vivia de que com entusiasmo e solidariedade se salvaria o mundo.

...

e eu que não consigo aprender isto!

quinta-feira, 17 de março de 2011

Cartapácio


Cartapácio - Livro grande e antigo em mau estado; calhamaço.

Há pouca informação sobre a origem da palavra, mas a julgar por este texto, a palavra deve ter origem em Carta Pacis - carta de paz, um tratado que, pela sua extensão, foi entendido como excessivo para o comum dos mortais da época.

"Post mortem vero reginae domnas B. redeant omnia supradicta ad eum statum quetn continet carta pacis ínter me et regem Castellae facta".

São raros os portugueses que dizem e escrevem bem esta palavra. A maioria diz catrapázio.