quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Desafio
























O livro de Truman Capote - “A sangue frio” (1966) é a “narração verídica de um quádruplo assassínio e suas consequências”. Inicia-se com uma declaração que transcrevo:
“ O material contido neste livro não é produto da minha observação directa. Foi colhido em relatos oficiais ou é fruto de entrevistas com as pessoas envolvidas no caso, entrevistas essas na sua maioria bastante demoradas. Visto este “colaboradores” serem identificados no texto, inútil se tornaria nomeá-los; no entanto, quero exprimir-lhes a minha gratidão sincera porque, sem a sua paciente colaboração, impossível teria sido levar a cabo a tarefa. Também não vou estampar aqui a lista de todos os cidadãos de Finney County que, embora não sejam citados nestas páginas, ofereceram ao autor deste livro uma hospitalidade e uma amizade que ele só poderá retribuir mas nunca pagar. …”

O mundo é feito de grandes e de pequenas histórias, algumas com honras de “best sellers”, outras com honras de mesa de café, como são as que venho escrevendo, sempre cuidando em não identificar o personagem e o lugar, quando a situação merece este cuidado.

Ao fim destes dois anos, muitas das “histórias guardadas na memória” foram já aqui escritas e, embora outras possam ainda vir à mente, é chegada a altura de pedir aos meus leitores algumas das “suas histórias”, que possam ver “neste formato” e aqui, a luz do dia.
O mail é fasgomes2@gmail.com. O anonimato é uma garantia.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

No teu deserto
























Vieste como prenda de Natal. Li-te num dia.
Está bem. Dava-me vontade de te dizer : assim também eu! Tudo pago... , uma bela mulher ... , nada de compromissos ... , ... e uns anos depois contar, omitindo as partes quentes da história, e ainda ganhar umas massas.
A ser verdade o texto, ... foste fino!

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Àgora
























Ágora
era a praça principal da polis (a cidade grega) na antiguidade clássica. Era um espaço de mercado livre e de edifícios públicos, onde o cidadão grego convivia, onde ocorriam as discussões políticas e os tribunais populares. Era o espaço da cidadania.

Agora é o nome deste filme histórico de 2009, que conta a história da filósofa Hypatia de Alexandria (~350 – 415 DC), acusada de bruxaria e assassinada pela turba cristã, por não lhes ser entendível a dissidência cultural.

Uma lufada de ar fresco na “História que se vai contando”, reescrita mil vezes pelos vencedores.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Almoço de última hora












- Os teus pais não estão cá! Devem ter ido almoçar fora! Devíamos ter telefonado antes. Vamos a Santo Tirso, que é já aqui ao lado. Mete as miúdas no carro, que elas devem estar cheias de fome.

- Aqui no centro, deve haver um restaurante que nos sirva uma refeição rápida. Olha ali aquele Snack-bar!

- Está cheio, mas aquela mesa vai vagar!

- Esperem, meninas, enquanto o senhor levanta a mesa. Tenham calma!

O empregado, com um cheiro intenso a suor, levanta a louça suja, sacode a toalha com nódoas de vinho e de gordura, põe-na de novo na mesa e afasta-se para ir buscar um papel para lhe pôr por cima. Entretanto, pego na toalha e embrulho-a em cima da mesa, expondo-lhe o tampo de fórmica parcialmente destruído.
O empregado vem com o papel e espantado, questiona:
- Não quer toalha?

- ???!!! É melhor irmos embora, que estamos em 1980 e a ASAE só vai a aparecer em 2005!

sábado, 26 de dezembro de 2009

Fúria Divina
























José Rodrigues dos Santos é o Dan Brown português.

É um romance que ensina qualquer coisa sobre o fundamentalismo islâmico. Tem 608 páginas em letra gorda de fácil leitura.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Uma heroína
























Dou-te valor. Poucas fariam o que fizeste. Lidar com a toxicodependência e sair vitoriosa, é coisa rara. Sem baixares a guarda, opuseste-te à indignidade que as recaídas e as mentiras te traziam porta adentro, e viveste os desgostos sem mostrar fraquezas que lhe facilitassem esse mundo onde se afundava.
Foste forte na altura certa e disponível sempre que viste um caminho possível. Empenhaste-te para pagar tratamentos, e obrigaste-te a frequentar os Toxicodependentes Anónimos para perceberes os como e os porquês, e te adequares àquela realidade.

Agora tens sessenta anos, e a mesma vida com que te conheci aos vinte. Continuas alegre, bonita e cuidada, pese embora todo esse passado que te pôs no limite da resistência.
O teu primeiro casamento com um imaturo, deixou-te esse filho com um ano nos braços. Criaste-o no meio de dificuldades, e foste surpreendida quando o pensavas a divertir-se de surfista.

És uma heroína.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

No Serviço de Urgência














- Oh Luís. O homem pode queixar-se de tonturas, mas se ele não saía daqui tão depressa, quem caía para o lado era eu!, digo para o interno que está comigo neste dia.
- Mas porquê, Dr?, pergunta ele, estranhando o meu dito.
- Porque ele cheira que tolhe! Ele tem um cheiro que lembra uma estação da CP das antigas, aumentado 30 vezes. Tu perguntaste-lhe se ele caiu nalgum lado ou se andou a esfregar algum produto no corpo?
- Não! Mas vou já perguntar!
, e de imediato saiu, para voltar com ar satisfeito minutos depois.
- Bingo! O homem andou a aplicar um produto que comprou na Casa do Lavrador, para matar "os carrapatos"dos animais!
- E porquê?
- O fulano é trolha. Há um mês foi às meninas, e veio de lá com uma camada de chatos das antigas. Primeiro, foi à Farmácia, e o farmacêutico deu-lhe um líquido que não lhe resolveu o problema, e vai daí ele foi à Casa do Lavrador lá da terra, dizer que tinha "carrapatos" nos bois, e a "engenheira" deu-lhe aquele produto para deitar em 50 litros de água e pôr nos bichos!
- Que produto era?
- Ele diz que se chamava Tic Tac!
- Tic Tac? Não será Taktic (Amitraz)?! E como é que ele fez?
- Deitou 20 litros de água na banheira e metade do frasco e ontem e hoje meteu-se lá dentro 15 minutos e só se secou, daí o cheiro. Mas não contente com isso, andou a passar "Mafu líquido" pelos locais onde tinha mais comichão.
- E a mulher dele não deu por nada?,
pergunto ainda a estranhar aquele cenário.
- Ele é solteiro e vive só!
- Graças a Deus! ... Manda dar-lhe um banho de alto a baixo, muda-lhe a roupa e pede-lhe umas análises que isso, apesar do cheiro, não tem grande toxicidade. Olha! ... de caminho, abre a janela!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Mudar



















Mudar foi um imperativo da 2ª metade do século XX, uma vez que a disponibilização de novas tecnologias nos objectos de uso corrente lhes deu novas funcionalidades, facto acrescido da maior facilidade na produção ter transformado bens de consumo esporádico em consumíveis.
Abandonaram-se assim algumas boas práticas de "consertar", para dar lugar a um estar de "substituir", mesmo quando o “avanço” tecnológico não só não trazia benefício, como até dificultava o uso.

Este sentimento influenciou as relações interpessoais, e facilitou o conceito de substituir pessoas sem medir as consequências dessa mudança, pois frequentemente a pessoa que resolve melhor um problema, tropeça em muitos outros que anteriormente estavam cobertos.

Resolver problemas criando outros maiores, … qualquer um faz, é como ter a faca e o queijo na mão, ... e cortar a mão!.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Os nossos Cérebros

Existem diferenças entre o cérebro do homem e da mulher?
- Só nas funções cerebrais relacionadas com as emoções vinculadas ao sistema endócrino. Mas quanto às funções cognitivas, não tem qualquer diferença.
Drª Rita Levi Montalcini

sábado, 19 de dezembro de 2009

Ana Moura

Nasceu em Coruche, 1979.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Também está bem!
























Nem mais. Era assim que ele entendia a coisa. O que era preciso era dar resposta, … qual?, não interessava, desde que fosse … uma resposta. Então no Serviço de Urgência, que ele, nesse dia, chefiava, a sua preocupação era mesmo ... “despachar!”.
Chegava-se aos doentes como que a cheirá-los e, num ápice, decidia o modo de os pôr de ali para fora. A maior parte para a rua, “com alta" e, de vez em quando, quando o pobre mal dava acordo de si, para o internamento, com a sua fórmula mágica para todas as doenças “Ralopar e Noostan”.
Era marginal a sua preocupação em identificar doenças e individualizar soluções, pois todos os “ais” lhe soavam ao mesmo, classificando muitos como “do 5º andar” para, depois de uma lambuzadela, os aviar sumariamente com um qualquer remédio para a Farmácia.
Se tudo estava calmo, escolhia na Triagem fichas de mulheres jovens, para “matar o ócio”. Se a afluência era grande, “despachava” com “terapêutica ao sintoma”. Se sabia da chegada de um doente grave, corria a ver-lhe o aspecto e, se esse não fosse famoso, desinteressava-se e ia, diligentemente, para a secretária passar-lhe a Certidão de Óbito, ... “para ganhar tempo”.
- “Oh, Dr. No! O homem dessa certidão está muito melhor e até fala!”, ter-lhe-ão dito um dia, numa dessas situações. - “Ah, é?”, levantou-se, e rasgou o papel, com o mesmo à vontade com que o iniciara.

Mas adiante, que os muitos anos de má prática “tinham-lhe empedernido o coração e facilitado a ousadia”, e ele só assim fazia, porque aquele limbo de impunidade sempre o permitira.
Nesse dia andara de um lado para o outro, preocupado com a falta de macas. “-Este aqui? É para o Rx?, e este?, é para OBS”, perguntava enquanto empurrava as macas de um lado para o outro. –“E essa aí, Dra.”, virado para uma colega nova que diligentemente procurava esclarecer uma violenta dor cabeça numa mulher que chorava no corredor, - “Essa, … é tudo do 5º andar! É para mandar embora!”, ordenava como um sargento numa parada.
- “Oh, Dr. No! Não é para mandar embora. É para transferir para o Hospital de S. João, para observação por Neurologia, que ela tem sinais de hipertensão intracraneana!”, respondeu-lhe a médica. E ele, sem se desmanchar, a partir para nova asneira:
-“Também está bem!”

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Rickie Lee Jones

Rickie Lee Jones nasceu em Chicago em 1954.



quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Traição























Traição é a quebra ou violação de um suposto contrato social, ou da confiança, que produz conflitos morais e psicológicos dentro de um relacionamento entre indivíduos, entre organizações ou entre indivíduos e organizações. Geralmente a traição é o acto de apoio a um grupo rival, ou uma ruptura completa com uma decisão anteriormente tomada ou uma troca das normas de um grupo pelas de um outro.
in Wikipedia


A traição é uma arma disponível apenas nas mãos de quem gostamos.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Bibliotecas



Encontramos livros em bibliotecas e livrarias. Reunidos num só local, os livros assemelham-se a um exército ameaçador a perfilar-se a toda a volta a clamar por serem lidos. No seu meio, um leitor pouco regular sente-se como um bêbado no meio de uma manada de zebras em pleno galope. Tudo se lhe confunde. A quantidade dos livros intimida-o e recorda-o de tudo quanto não sabe. Estas toneladas de conhecimento são a medida da sua ignorância. Escolher um, abri-lo e começar a lê-lo parece-lhe um empreendimento ridículo. Recorda-lhe a tentativa de esvaziar um oceano com um dedal. A simples visão de uma prateleira desmoraliza-o.

Nenhum utilizador de bibliotecas as sente desta forma. Apenas vê o livro que utiliza naquele momento, e talvez mais alguns da mesma família. Os outros, vê-os, tanto ou tão pouco, como o jovem que se dirige a um encontro com uma rapariga, se apercebe da quantidade de pessoas que passam ao seu lado na avenida. ….
in "Cultura" de Dietrich Schwanitz

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Cristina Branco



Cristina Branco (1972 - …) a dar uma cor de esquerda ao fado