terça-feira, 16 de março de 2010

Richard Dawkins























Fundamental, principalmente para quem anda por áreas centradas na vida em geral e na humana em particular.
É fácil de ler e dá-nos a ideia certa da nossa dimensão no mundo.
Richard Dawkins é não só um cientista de grande qualidade, como também é um master na comunicação oral e escrita.

segunda-feira, 15 de março de 2010

domingo, 14 de março de 2010

Uma gravidez


















- “Isabel! A Sra. não sabe que o seu companheiro está infectado pelo vírus da SIDA?”
- “Sei, Sra. Dra.! Disse-me ontem a médica. Mas, felizmente, o bébé parece que não tem nada, e eu também não!”
Era então uma bonita jovem de 19 anos.
Na consulta seguinte do companheiro, questionei-o:
- “Então você tem a mulher grávida e não lhe falou da sua doença?”
- “Eu não disse porque esse filho não é meu! Quando comecei a namorar com ela, ela já estava grávida!”, respondeu, justificando o injustificável, e falseando a verdade pois os anos iriam chapar na cara do garoto a sua marca.

Ela tinha testes negativos nessa altura e meses depois, e ele com doença multi-resistente foi encaminhado para tratamento num centro mais diferenciado. Perdi-lhes o rasto.

Voltava agora, sete anos depois, por ter sido despistada positividade numa consulta de dadores de sangue. Tinha aspecto cuidado e, embora mais magra, aparentava a saúde própria da idade.
- “Isabel! Então você está seropositiva? Como é que arranjou isso? Vocês deviam ter cuidado. A Sra. teve muita sorte de início, como é que se foi deixar infectar pelo seu marido?, pergunto.
- “Meu ex-marido, Sra. Dra.! Ele tratava-me muito mal! Batia-me e não queria saber de mim! Olhe que até estive internada em Psiquiatria! Agora tenho outro, que é meu amigo e quer muito ter um filho meu! Será que posso engravidar? Não sou bem eu que quero, que já tenho dois. Ele é que quer, que não tem nenhum!”
- “Oh Isabel! Há quanto tempo é que anda com este?”, pergunto a ganhar tempo para compreender.
- “Há 1 mês, Sra. Dra! ... Mas ele quer muito!”
História de A.S.

sábado, 13 de março de 2010

SNS hoje

















Também tenho a sensação que Portugal está a andar para trás, de que há mais coisas a piorar que a melhorar, no meio desta conversa do “vamos fazer” ou do “fizemos”, sem ter a obrigação de mostrar qualidade.
É assim que andam as modas. Na preocupação de “não ficar para trás”, fazem-se “inovações” à custa dos aspectos essenciais das funções, e baixa a qualidade.
E vai ser a baixa de qualidade, o medo que se voltou a instalar, o autoritarismo, o desrespeito pela legalidade e a baixa motivação para a actualização, que vão servir de “mote” para a privatização da Saúde.

Se for este o caminho, não irá também haver capacidade de fiscalização séria dos privados, e estará aberto o espaço para outras ineficiências e preços escandalosos.
Mas nessa altura, talvez seja tarde para salvar o SNS.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Por aqui não passou























Era uma vez uma Ordem Religiosa que para além do culto do Divino, tinha por regra falar sempre verdade e, a tal ponto levavam o assunto, que a mínima mentira era suficiente motivo para exclusão da irmandade.
Um dia, um jovem frade, passeava pelas imediações do convento, quando foi surpreendido por um homem a correr esbaforido que lhe disse: -“Vou-me esconder ali atrás daquele silvado. Vem aí gente atrás de mim! Se dizes onde eu estou, dou-te um tiro com esta pistola que te estouro os miolos!”, e disto isto, foi-se esconder do lado de lá do caminho quando, de imediato, surgiu o grupo que o perseguia, e lhe pergunta: -“Viste passar por aqui alguém a correr? É que ele matou um homem ali em cima!”
O frade sentiu a morte a rondar e, talvez por ainda não estar preparado para enfrentar o criador, respondeu calmamente, mantendo os braços cruzados sobre o peito e as mãos enfiadas nas mangas: -“Por aqui não passou!”
Com esta informação, os perseguidores voltaram para trás e o fugitivo continuou a sua fuga.
Mas … nestas coisas das histórias, há sempre alguém que assiste, para depois pôr em causa o prevaricador, pelo que um frade mais velho de imediato surge em cena para o questionar:
-“Tu mentiste!”
Ao que o frade respondeu, seráfico: -“Não menti! É que eu quando lhes disse - por aqui não passou, estava com o indicador a apontar para dentro da manga do meu hábito!”.

São artes destas que constituem a retórica actual dos nossos “políticos” para esconder as práticas, pois sabem que a maior parte dos ouvintes ou é crente ou pouco dado a discernir para além do óbvio.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Testemunhas Oculares

Este é o famoso exemplo, preparado pelo Prof. Daniel J. Simons da Universidade de Illinois.
Durante 25 segundos, filmou jovens que lançam um par de bolas de basquetebol de uns para os outros.
Nós, os objectos da experiência, observamos o filme, e a nossa tarefa, para nos testar o poder de observação, é contar o número de passes entre a equipe vestida de branco.

A solução está no primeiro comentário …

terça-feira, 9 de março de 2010

Estilicão

Imperador Flavius Honorius




Flavius Stilicho (359 - 408), filho de pai Vândalo e de mãe Romana foi um semi-Bárbaro, que pela qualidade dos seus feitos atingiu os mais altos cargos do Império Romano.
A sua eficiência militar em múltiplas campanhas, valeram-lhe sucessivas promoções - foi General (magister militum), Patrício e Cônsul do Império Romano. Salvou por duas vezes Roma da invasão dos Bárbaros.


Foi mandado executar por ordem do fraco Imperador Honório, de quem fora tutor, padrinho e sogro, por intrigas palacianas dos seus opositores. A sua morte fragilizou Roma e abriu portas aos Bárbaros que em vagas sucessivas iriam determinar a Queda do Império em 476.

É uma história terrível a deste homem, dedicado e capaz, que se “deixa morrer” na ideia de que a defesa da sua causa seria, também ela, uma desestabilização que fragilizaria o Império.

… e de repente, é Bocage que me vem à memória:

Camões, grande Camões, quão semelhante
Acho teu fado ao meu, quando os cotejo!
...
Se te imito nos transes da Ventura,
Não te imito nos dons da Natureza.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Dia Internacional da Mulher



Treat me like a fool,
Treat me mean and cruel,
But love me.
Break my faithful heart,
Tear it all apart,
But love me.

If you ever go,
Darling, I'll be oh so lonely
I'll be sad and blue,
Crying over you, dear only.

I would beg and steal
Just to feel your heart
Beatin' close to mine

.......
Beggin' on my knees,
All I ask is please,
please love me
Oh yeah

domingo, 7 de março de 2010

A próxima Religião



















Fazer coisas certas pelas razões certas. Fazer coisas certas por razões erradas. Fazer coisas erradas pelas melhores razões. Abandonar as coisas certas por falta de racionalizações que as suportem.É neste espaço que nos movemos. Cumprimos objectivos adequados ao tempo em que vivemos, e corremos riscos se os rituais se entenderem independentes da evolução cultural do povo a que se destinam.

Hoje lembrou-me definir alguns aspectos que antevejo para a próxima Religião, que será apelativa por ser útil.
Rituais sociais centralizados na necessidade.
Baptismo: a "apresentação" social, para dar conhecimento e solicitar participação no desenvolvimento e integração.
Comunhão: celebrar-se-á em grupo, quando a criança (após provas do conhecimento das normas sociais) pode ganhar estatuto de membro responsável.
Casamento: apresentação pública de duas pessoas que decidem viver em comum e que, passam a ser entendidas como uma, pois o que se fizer de bom e de mau sobre um deles, se reflectirá necessariamente sobre o outro.
Funeral: despedida e elogio de quem nos deixa (para exemplo dos demais), e manifestação de solidariedade com o seu grupo familiar.

Novos Icons religiosos (que integrarão os antigos) presentes e não intervenientes. Festas sociais no mesmo espaço dos rituais.

Não há aqui nada "de novo", salvo o diferente enfoque no Além e no Aquém.

Razões para o Bem fundamentadas mais na História e na Ciência que na crença.
Templos como espaço de estudo, discussão e divulgação dessa cultura, tipificada em histórias paradigmáticas e naquilo que a ciência for tornando óbvio.
"Padres” (de qualquer sexo, sem necessidade de celibato) conhecedores de Biologia e História suficiente para ajudarem a integrar o dia-a-dia no geral do conflito social, sem o sobrenatural a condicionar as decisões.

Como sempre aconteceu com qualquer Religião, primeiro seriam convertidos os mais esclarecidos, depois os mais poderosos e por fim “o público em geral” .

Uma futura Bíblia escrita nos próximos cinquenta anos. Uma Obra Social reorientada das outras Religiões, à semelhança do que aconteceu com a dos deuses antigos.

Como não estou disposto a morrer para acelerar os factos, dou a dica para quem o esteja.
Darwin chama-vos! Sereis os novos Apóstolos!

sábado, 6 de março de 2010

Os Gestores


















Na calma deste sábado leio na “Visão” Nº887, a “Opinião” o Prof. da Fac. de Ciências de Lisboa – Dr. Carlos da Câmara, sobre as recentes cheias. Nos últimos parágrafos estranha que o presidente do Instituto de Meteorologia, gestor de formação, tenha sido a voz daquela Instituição.

De repente fez-se-me um “click”. É isso! São os nossos gestores a liderar, a falar por quem sabe, só porque há números a defender. Depois, só é necessário ser atrevido e decorar meia dúzia de chavões para que a populaça acredite que se está dentro do assunto e se sabe o que se quer.

É o que “está a dar”. Uma licenciatura em “Gestão”, tirada em curso nocturno ou como trabalhador estudante, uma filiação e amizade partidária, e o acesso às rédeas das Instituições é quase uma garantia.
Tão apetecível é a função que até quem se diferenciou em Direito se auto-nomeia “Gestor” e paga pareceres que a sua deficiente formação impede.

Tendem a ignorar outros valores que não sejam os seus números e “o que fizer falta” para se manterem nos lugares, pois pouco entendem do que se joga nesses números que lhes servem no papel.

sexta-feira, 5 de março de 2010

O Papa João Paulo II























-"Larguem-me! Deixem-me entrar, que eu sou o Papa João Paulo II!"
E ali à porta de imediato se estabeleceu um sururu, de gentes que se afastam e outras que atrás o tentam agarrar, enquanto a acompanhante, de telemóvel em punho, dava um directo daquela entrada no Serviço de Urgência.
-"Eu sou o Papa João Paulo II!", insiste, esbaforido, forçando a entrada e, num repente, livra-se das roupas para dar o espectáculo de um belo jovem nú, exposto naquele átrio público.

-“Bem vindo! Eu sou o Papa Bento XVI!”, diz-lhe quem o contém antes de o sedar.

Era uma crise psicótica num doente bipolar. A 2ª da vida desse rapaz estudioso e inteligente, filho de uma família de gente culta e influente, onde a Doença Bipolar e as histórias de suicídio coexistem com actividades científicas de grande exigência e qualidade.

A Doença Bipolar (anteriormente chamada de Psicose Maníaco-Depressiva), nas suas fases "maníacas" pode passar despercebida e arrastar os doentes e os que lhe estão próximos para situações desastrosas, e é por isso que eu temo o subdiagnóstico de Hipomania em políticos ou em alguém com cargos de direcção (pública ou privada).

quinta-feira, 4 de março de 2010

O Tripanário



Porque é que o que se se passa nesta cave, me lembra os andares superiores do meu Bairro?

quarta-feira, 3 de março de 2010

Notícia do "Público"


Hoje o "Público" noticia sobre a "Via Verde do AVC no Alto Minho", como pode ler aqui.

São "disfunções" a vir à tona.

Meses de planeamento, compromissos assumidos e uma desactivação inexplicada.

É muito MAU, porque não só não se resolveu nada como se criou mal-estar dentro dos Serviço de Medicina do Hospital, que (em meu entender) prejudicam a Instituição.

Há responsabilidades, porque neste processo foram marginalizadas as opiniões divergentes e desrespeitadas normas legalmente definidas.

Quanto ao facto da Administração garantir que "os doentes em questão, que rondam os quatro a oito por mês, não estarem a ser prejudicados, seguindo as vias alternativas já existentes sem qualquer prejuízo no seu diagnóstico e tratamento", não parece ter qualquer verdade, pois a solução de Porto, Braga ou Vila Nova de Gaia, coloca não só alguns doentes fora da janela terapêutica das 3 horas, como os que ainda podem ser tratados com fibrinólise só o farão mais tarde, e seguramente com maiores sequelas neurológicas. Nesse caso: Porque se justificaria uma Via Verde em Viana do Castelo?. Manter-se-ia tudo como estava. O facto de se dizer que são 4 a 8 e com isso pretender "dimensionar" o problema - não comento.

terça-feira, 2 de março de 2010

O desmaio
















- Então, conte lá como foi o transporte dessa doente. Parece que houve percalços.
- Foi tudo bem até meio da viagem, quando a enfermeira, que ia junto da doente, pediu para pararmos. Fui lá atrás e dei com ela nauseada, pálida e quase a desfalecer. Tinha as tensões muito baixas. Recostei-a um pouco e depois de se dizer melhor, dei-lhe o lugar da frente e fui para o lugar dela ao pé da doente. Mais uns Kms, e a motorista volta a parar porque ela estava quase a vomitar. Saí, deitei-a no asfalto da auto-estrada, levantei-lhe as pernas e dei-lhe uma Metoclopramida e.v.. Ainda ficamos ali uns 10 minutos enquanto a doente lá dentro perguntava repetidamente se já tínhamos chegado. Felizmente que ela estava bem.
Depois a enfermeira lá melhorou e continuámos.
Se calhar foi o hálito do socorrista que a pôs assim!
História de S.O.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Ainda



















Quando o conheci era já um homem limitado pela incapacidade visual que o atirava mais para os títulos que para os conteúdos, mas mesmo assim foi deputado da Nação, daqueles que entra mudo e sai calado, em três anos de mandato. Falava-se dele mais pelas histórias de quando esbracejara para ocupar o lugar a que se entendia merecedor, do que pela sua actividade científica.
A história que me lembrou agora, tem a ver com a sua parca actividade clínica nos idos anos 70, quando os Electrocardiogramas eram o maná dos cardiologistas e Trás-os-Montes a coutada de alguns deles.
Em parceria com outro, tinha montado o circuito. Uma vez por semana, passava a recolher os traçados que alguém havia feito, e distribuir os já relatados pelas diferentes "estações", de Penafiel a Bragança.
Nessa altura um ECG era coisa de cardiologista, e a sua leitura no sossego do lar, um complemento ao vencimento.
O que me fazia espécie eram os seus relatórios quando tudo estava bem. É que ele não escrevia: Electrocardiograma Normal. Ele escrevia: Electrocardiograma ainda normal, deixando os incautos na expectativa do “até quando”.