segunda-feira, 31 de maio de 2010

I Grande Guerra


- Então Sr. Manuel? Você andou na guerra?
- Sim Dr.! Eu fui companheiro do soldado Milhões! A gente estava na trincheira e, ao fim do dia, começava o tirótéro. Nós de cá ... tiro, tiro, … tiro. E eles de lá, … téro, téro, … téro. Era o tirótéro.
- Ahhhh!!!!

domingo, 30 de maio de 2010

sábado, 29 de maio de 2010

Não ter tempo


Deus me pede do tempo estrita conta!
É preciso dar conta a Deus do tempo;
mas, quem gastou, sem conta, tanto tempo,
Como dará sem tempo tanta conta?

Para fazer a tempo a minha conta,
dado me foi, por conta, muito tempo:
mas não cuidei na conta e foi-se o tempo...
Eis-me agora sem tempo, eis-me sem conta!

Ó vós que tendes tempo sem ter conta,
não o gasteis sem conta em passatempo:
cuidai, enquanto é tempo, em terdes conta.

Pois, se quem isto conta do seu tempo
houvesse feito a tempo apreço e conta,
não chorava sem conta o não ter tempo.


Anónimo

Era este soneto que o meu pai me dizia quando eu queixava de “não ter tempo”.
Raramente lhe ouvia mais que os dois primeiros versos, pois não entendia como dar resposta às múltiplas solicitações, à preguiça e ao medo de iniciar gestos que manifestassem a minha inépcia.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

No Serviço de Orgência


- Sr. Cunha, e que medicamentos está a tomar?
- Sr. Dr. não sei os nomes, mas aí na carta que trouxe estão a etiquetas.
- Então são estes dois, Varfine e Lasix?
- Não! São seis, Sr. Dr.! Se calhar caíram pelo caminho. Vá lá que escaparam esses!
- Que sorte!!!!!

quinta-feira, 27 de maio de 2010

O cão e os testículos


“Os homens fazem todo o mal que podem, e todo o bem a que são obrigados”.
Não somos todos iguais. Há quem na primeira oportunidade mostre o pior de si, e há quem dê a vida pelos outros, mas o grosso da massa humana, pesa as consequências.
É por isso que há leis, normas éticas e quem as defenda e imponha.

O problema surge quando quem devia defender leis e princípios permite que alguém, num atrevimento, se "saia bem" e prejudique os outros.
Aí eu pergunto:
- "Porque é que um cão lambe os testículos?"
Resposta: -"Porque pode!"
-"E porque é que esse alguém fez o que fez?"
Resposta: -"Pelo mesmo motivo!"
... mas só pode, ... porque o deixaram!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Auditar o software hospitalar - SAPE


A solução é auditar e acabar com as modernices que só trouxeram encargos e perdas de tempo.

A significativa melhoria da qualidade dos enfermeiros, consequência da melhoria na escolaridade e do empenho de muitos que apostaram em dignificar a profissão com as suas vidas, é prejudicada pelo software que foi implementado para registo informático do seu Diário de Enfermagem (SAPE).
Este SAPE (Sistema de Apoio à Prática de Enfermagem) que foi concebido pelo Enfº Abel Paiva (Escola Superior de Enfermagem do Hosp. S. João - Porto), para a sua tese de Doutoramento e desenvolvido pelo Departamento de Informática do IGIF, sob o patrocínio da Dra. Cármen Pignatelli, não teve certificação dos órgãos representativos de enfermeiros ou médicos.
É uma "modernice" que os afasta dos doentes e dos médicos, com quem deviam partilhar informação.

Apoia-se na CIPE (Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem) que usa uma linguagem básica para, provavelmente, atingir países menos exigentes na qualidade dos seus enfermeiros.

O que a princípio era uma “vaidade” (registar informaticamente), transformou-se num pesadelo para quem se preocupa com a eficiência.
Os enfermeiros passaram a obrigar-se a preencher aquelas páginas de “fenómenos de enfermagem” que , por terem acesso difícil, informação dispersa e “formato rebuscado”, raramente são consultadas pelos médicos, o que diminui a eficiência do sistema.

A informação relativa ao doente internado deve ser concisa e facilmente partilhada pelos profissionais envolvidos, mas, enquanto os médicos disponibilizam a sua informação em papel na História e no Diário Clínico, os enfermeiros registam-na nas "suas" bases de dados, e nem os sinais vitais lhes disponibilizam em papel.
No sistema actual, para um médico saber se um seu doente teve febre, tem de dar os seguintes passos: 1- aceder a um computador disponível, 2- abrir o programa (SAM), 3- identificar-se com password, 4- escolher a área - Internamento, 5- identificar o serviço onde o doente está, 6- procurar o doente em causa, 7- abrir o item “Vigilâncias”, 8- procurar em temperatura.
Mas quem diz temperatura diz qualquer outro facto relevante que suspeite ter sido registado por um enfermeiro. É um desespero!

Eram muito mais eficientes as Notas de Enfermagem em papel, que estas montanhas de bits que diariamente enfiam nos PCs, atafulhando-os e lentificando todos os outros procedimentos importantes.

Atrevo-me a pensar que o CIPE/SAPE, é obra de quem tem os enfermeiros em fraca consideração, e que os toma por incapazes de descrever por palavras próprias os acontecimentos relevantes do seu turno, sem a muleta de grelhas que obrigam a respostas tipo “muito, pouco ou nada” para uma longa série de itens.

É possível identificar os problemas (diagnósticos de enfermagem), e fazer o registo da sua evolução em papel, e só usar o registo informático para uma eventual “Nota de Alta de Enfermagem”, se ela se tornar necessária.

Para cúmulo, as direcções dos enfermeiros para “apresentar serviço”, aumentaram ainda mais a carga de registos, tornando obrigatório o preenchimento de mais uns itens que definem o grau de dependência do doente “A TODOS OS DOENTES” e durante tempo ilimitado. Se é para estatística não se justifica (bastava uma amostra significativa), se é para gestão de recursos “na hora” … eu não acredito nessa capacidade.

Mas há sempre os deslumbrados que se preocupam mais com a forma que com a função e que julgam perder estatuto se voltarem ao papel, e outros tantos que assim se defendem da incapacidade de escrever um português “mínimo”. Mas esses são a minoria atrevida que tenta abafar quem sabe que registar não é o mesmo de executar com qualidade, e que é esta que urge promover.

Quem lucra no meio disto são as empresas de Informática que fizeram do SNS área de negócio, ao influenciarem os "políticos" das vantagens da "informatização", sem que se auditassem os programas antes da sua generalização.
Agora que se fala em contenção de gastos, é bom que estas patetices tenham fim, e se utilize a Informática para aquilo onde ela é realmente útil: Registo dos doentes, Gestão dos Meios Auxiliares de Diagnóstico, Farmácia e Notas de Alta e se acabe de vez com os "Diários informatizados".

terça-feira, 25 de maio de 2010

Promoção da Incompetência



Por favor, digam-me como recuperar deste fosso, quando muitos dos lugares-chave, das nossas Instituições, estão ocupados por incompetentes que se dispuseram a pactuar com os delírios de grandeza dos "provincianos" detentores do poder.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Grasnares

- Ali em cima, naquela quinta, por esta hora, as “fracas” queixam-se sempre.
- Não são “fracas”, são pavões, e o que eles estão dizer não é “tou Fraca!, tou Fraca!” , mas "Queiroz! Queiroz!".
- Oh Carlos! Eu ia dizer que são galinhas da Índia!
- Olhe que não! A minha irmã tem lá umas, e o grasnar é menos intenso e mais rouco que este.



- Oh Cristina! Este grasnar é de uma fraca, ou é de um pavão ?
- Deve ser o de um pavão, que a Selecção Nacional joga hoje!
- Ahh!


domingo, 23 de maio de 2010

Frases deste fim-de-semana


No Abrupto: JPP lembra a frase atribuída a Maria Antonieta, em resposta aos protestos do povo: “Não têm pão? Comam brioche!”.
Na Visão nº898: o eng. Campos Cunha cita provérbio chinês: “Quando o sábio aponta as estrelas, o idiota discute o dedo!”.

sábado, 22 de maio de 2010

O que nos fica



Às vezes, uma informação subtil estrutura-nos.

Vem ao caso a minha primeira grande viagem. Juntámos-nos 4, avaliamos as economias e planeámos a logística possível e, com o carro do pai, duas tendas de campismo, umas panelas e o mapa da Europa na mão, partimos à aventura.

Estávamos no fim dos anos 60, quando a música anglo-saxónica nos trazia um mundo que por aqui tardava, e a cópia de alguns dos seus sinais (calças à boca de sino e longos cabelos masculinos), era alvo de comentários de rua a todo o instante. Eram as pressões de então sobre tudo o que fugisse aos códigos que a Mocidade Portuguesa e a Santa Igreja bramiam nas aulas obrigatórias.

Foi uma festa essa descoberta, mas foi um cartaz de parede do quarto de dormir de um "Auberge de la Jeunesse" na Bélgica, que me fez luz do porquê do nosso atraso.
Dizia em letras garrafais, para que não houvesse dúvidas:

Osez la Difference!
Assinado: Ministério da Educação

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Está tudo doido!


-“Você é o chefe? Eu quero falar consigo!”, surpreende-me uma pequena mulher a esbracejar à minha frente, no meio da confusão do corredor, tentando explicar-me, qualquer coisa, num espanhol arrevesado, cheio de decibéis. A custo identifico-a. De manhã estava sentada numa cama do corredor à espera do psiquiatra.
-“Tenha calma minha senhora, que eu agora não a posso atender. Importa-se de esperar um pouco?”
Mas qual quê! Aquela indignação, insistia em explicar a quem por ali estava, que estivera toda a noite a aguardar um psiquiatra, que a meio da tarde chegou e pediu um parecer de neurologia, e que este, sem a ter observado, lhe pediu um TAC à cabeça, mesmo depois de ela lhe ter dito que tinha efectuado um, há 15 dias, que era normal e o tinha ali dentro da mala, e que, para cúmulo, ele recusara ver.
-“Entre aqui para …, ESPERE eeeee!”, digo-lhe, enquanto a vejo a sair esbaforida pela porta da frente do Serviço de Urgência, vociferando “que não faz mais TACs, que o neurologista não a viu, e que está tudo doido!”, e … eu fico a cogitar que, por aqui, até os doidos já têm razão!

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Carta ao Paulo



-Hoje não te vi, mas não me admirei, porque tu não és assíduo. Vens no limite, quando o corpo to exige. Não tens ambulância às ordens, nem discernimento para aproveitares o que esta casa te pode dar. Talvez andes protegido pelo bom tempo!
-Sabes? O Costa lá se foi! Sim, aquele que se sentava no canto oposto ao teu! Não te deve interessar nada, que vocês não partilhavam intimidades, mas ficas a saber que agora há mais espaço e que escusas de te encolher em qualquer canto. Não penses que estas palavras são um convite para lhe tirares os louros, que não te vejo a ombrear com ele. Os teus 41 anos de "mundo" sugaram-te a carne, e deixaram-te pouco mais que o cabelo e a pele pendurada nas clavículas, quando, de início, até eras um gajo gordo. Tens um honroso 2º lugar, e não ficas mal. Ganhaste-lhe em dias de internamento (204), 180 dos quais gastos em promessas de "desintoxicações", mas as tuas 968 vindas ao Serviço de Urgência, nestes últimos 5 anos, deixam-te a milhas dele.
Para além disso, és 1º em "Altas por Abandono", já que a maior parte das vezes entras mudo e sais calado, quando sentes que as pernas te conseguem levar daqui. Não é grande coisa, mas entende que as migalhas são pão, e que estamos em tempo de crise.

Dá notícias! Até 5ª
Fernando

quarta-feira, 19 de maio de 2010

O Euro



Eu conheço o Dólar, mas não sei nada do Wyoming, USA, pelo que calculo que quem lá vive, não conheça Portugal, mas conheça o Euro. Isto para dizer que, neste tempo, o dinheiro é mais importante que a geografia.

O Euro é um problema para a credibilidade da "Europa" e, como são os países do Sul que o enfraqueceram, é lógico que sejam forçados a medidas correctivas.

Nesse sentido, e no imediato, atrevia-me a propor uma significativa redução na Administração do Estado, começando pelos deputados na Assembleia da República e seus assessores, e acabando numa reorganização política e administrativa do território que optimize a dimensão do poder autárquico, o que por si só eliminaria muita corrupção e ineficiência.
O "sistema partidário" iria ver emagrecer o seu "nicho de negócio" mas, se não cumprirmos esses objectivos, a "Europa" far-nos-á "propostas irrecusáveis", com Sócrates, com Passos Coelho ou com um outro qualquer, pois o Euro vale mais que qualquer "especificidade" portuguesa.
Com Sócrates, o mais provável é uma redução dos salários dos funcionários públicos de mais de 15%.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Carta ao Costa



Apesar dos teus 78 anos, eu tinha-te por imortal, pelo que a notícia da tua morte me surpreendeu. Felizmente que não foi aqui, onde viveste boa parte dos teus últimos 13 anos, partilhando connosco manhãs, tardes e noites com refeições incluídas, no meio dos “fuminhos para a falta de ar”.
Bateste todos os records: 3 810 vindas ao Serviço de Urgência desde Janeiro de 1997, a uma média de 293/ano. Imbatível em qualquer lugar do planeta e só superada por ti próprio, se formos aos teus registos dos últimos 5 anos, onde conseguiste 2 416 inscrições e a média notável de 483/ano, o que te obrigou a duas ou mais deslocações diárias, num terço dos dias.
Se a estes números, juntarmos o facto de morares a 20 Km do Hospital, e andares de ambulância paga pelo SNS, obtemos um fenómeno merecedor do Guinness. Mas, se alguém fizer as contas ao que custou a tua falta de ar (fruto de muito cigarro e alguma pedra), merecerias novo registo no dito livro, mesmo descontando os 22 internamentos (149 dias) e as 12 consultas a que te conseguiram levar.
Foste um caso paradigmático deste SNS português, onde as portas se abrem sem exigência a doentes, clientes, utentes e seus familiares.
Deixaste livre o cadeirão, onde te encolhias quando me vias, e acabou-se a certeza de te descobrir num qualquer recanto, com a cara de sofrimento que usavas quando não estavas à conversa com o vizinho do lado.
Morreste longe dos médicos, enfermeiros, auxiliares e bombeiros que, por comodismo, te aceitaram o estar, sem um adeus ou um até amanhã, mas merecias a publicitação da tua partida num dos placards do corredor, para que os mais velhos não estranhassem a tua ausência, e os mais novos soubessem que o funcionamento institucional permite alguém como tu.

Fica bem!
Fernando

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Sinais dos Tempos























- Oh, Sr. Dr.! Ando tão incomodada que nem durmo. Olhe que até já fui à urgência por causa deste mal-estar que não me deixa respirar.
Não é que eu estava na sala, e ouvi o meu neto (que tem 13 anos), a telefonar a um amigo ou lá quem era, a dizer (desculpe usar os mesmos termos): “Eu ainda queria saber o nome do gajo que anda a comer a minha mãe!”. Oh Sr. Dr.! Ao que a gente chega!
- Deixe lá, Dona Catarina! A sua filha está divorciada e não fez voto de castidade, e o rapaz é um ganapo! A Sra. chamou-lhe a atenção?

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