segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Administração hospitalar
















Administradores hospitalares admitem crescimento descontrolado da dívida às farmacêuticas : "um crescimento de dois milhões de euros por dia em Julho passado!"

... e eu sinto que falta capacidade das direcções para, sem prejuizo dos doentes, implementarem rigor no uso dos medicamentos e meios auxiliares de diagnóstico.

É que aqui o problema não é o "querer"! É preciso "saber"!

Ou será que a ordem é deixar cair o SNS?

domingo, 15 de agosto de 2010

Incendiários


Recuso o conceito de pirómano delinquente como causa do flagelo dos incêndios. O fogo parece-me a arma de quem sente os seus direitos continuamente desrespeitados.

Quando qualquer estrutura (neste caso a floresta) é colocada numa região, sem evidente benefício para quem lá vive, vai surgir quem põe na destruição a sua razão. O pastor pirómano é o protótipo.

Há uns quarenta anos acompanhei, durante uma semana, um geólogo amigo do meu pai, numa visita ao Gerez, para que ele não andasse sozinho pelos campos. Num dos trajectos, parámos num café em Pitões das Júnias onde se discutia a interferência dos Serviços Florestais com a actividade da região.
A certa altura um comentou, com desânimo: “A gente podia matá-los! Mas, vão-se estes e vêm outros!” Já então a floresta não agradava a muitos dos que aí residiam.

Talvez seja a localização da floresta, e a não participação da população na sua exploração, a causa deste fumo que todos os verões nos ensombra.

sábado, 14 de agosto de 2010

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Incêndios


António Serrano, ministro da Agricultura admitiu, esta quarta-feira (11/08/2010), que o Estado poderá vir a tomar conta das propriedades que estejam ao abandono, e que estão a ser estudados «alguns instrumentos» de «agravamento fiscal para quem não utiliza as terras, não as mantém, não as arrenda ou não as vende».

Talvez seja parte da solução para travar o abandono dos campos com a consequente desertificação do interior.
O país tem de rentabilizar a terra, nem que seja necessário desviar o dinheiro que se gasta na prevenção e no combate aos incêndios, para se criarem estruturas agrícolas e florestais que permitam modernizar o sector.
Mas é curioso como de imediato se levantaram vozes importantes para impedir qualquer atitude que vise alterar a situação actual.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Cidadania


- Dona Julieta, eu vou chamar o Delegado de Saúde para indagar se o restaurante cumpriu os procedimentos de higiene no casamento do seu primo. Para já são quatro pessoas com diarreia, e pode haver mais convidados doentes.
- Oh, Sr. Dr! Não me meta em complicações, eu já estou melhor e a minha filha também. Eles foram tão atenciosos.
- Dona Julieta! Entenda isto como um procedimento habitual. Amanhã pode haver outro casamento lá, e acontecer o mesmo ou pior.
- Oh Sr. Dr.! Mas eu não quero confusões com o restaurante!
- Já ouvi, dona Julieta! Mas vai ter que ser!

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Alta segura







- Então essas fotografias foram tiradas quando a Segurança Social foi activada e chamou a Delegação de Saúde?
- Sim! Ele tinha tido alta de um hospital do Porto com uma enorme ferida na região sub-mandibular, com intensa exsudação – talvez fosse uma neoplasia da boca - , e foi visto pelos vizinhos que alertaram os Serviços Sociais.
A casa ficava arredada da mais próxima uns cem metros. Ele vivia lá com o irmão que era alcoólico.
Já cá fora se indiciava o que se passava lá dentro, pelo monte de garrafas de vinho e de cerveja vazias, ao lado da porta de entrada, e pelo cheiro já se fazia sentir. Depois o interior era indescritível. Parecia um aterro sanitário onde tinham posto umas paredes e uma cama. Levámo-lo dali, mas ele morreu três dias depois no Centro de Saúde da Vila.
Os médicos do Porto nem sonharam para onde o mandaram, quando lhe deram alta.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Riba de Mouro


- Sr. Dr.! E não me passa o papel para a ambulância?
- Não dona Júlia. A senhora não encaixa na Circular nº 233/PI de 30.12.87 da ex-DGCSP, que regula o transporte em ambulância e, a esta hora, o Serviço Social do Hospital já fechou. Mas olhe que, mesmo que estivesse aberto, duvido que lhe desse solução.

- Mas Sr. Dr.!, eu não posso pagar um Táxi cada vez que trago a minha avó à consulta e aos exames. Como é que eu a trago? Quando ela em Janeiro esteve internada, eu demorava quatro horas a chegar ao Hospital, entre o andar a pé e na camioneta, e outras tantas para voltar. Na casa somos três mulheres. Ela é viúva como eu, que perdi o marido há 3 anos debaixo de um tractor e me deixou com dois filhos. A minha mãe está divorciada há cinco, depois do meu pai ficar tolo com uma vizinha e sair de casa. Se não fossem os Bombeiros, como é que eu a trazia?!
Esses Srs. que fazem essas leis em Lisboa, e que têm todas as disponibilidades, deviam ser obrigados a ir ao médico à Guarda, para saber o que significam as distâncias!

E num repente veio-me à ideia o discurso que o Alçada Baptista , pôs na boca de duas tias solteironas, num dos seus livros: - "Irmã, na nossa idade, a gente vai precisar cada vez mais dos médicos. Já estive a perguntar, e parece que eles são mais baratos em Coimbra. O melhor é vendermos a casa, e irmos viver para lá!"

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Ao meu pai!


Tem calma! Podes queixar-te, mas não exageres, que se tivesses nascido noutra época, se calhar tinham-te morto, por causa dessa tua crença de que a verdade vence sempre. Nem parece que viveste lúcido nestas últimas nove décadas.

Há dois anos decidiste dar corpo ao texto, expondo as tuas feridas e as que tentaste evitar neste corpo que somos todos nós e a que chamamos Nação, analisando o apogeu e queda da instituição (Serviço de Fomento Mineiro / Direcção-Geral de Minas e Serviços Geológicos) a que te dedicaste, muitas vezes sobrepondo-a à família, para que fosse uma das riquezas do país.

Mas tu, que lidas mal com a incompetência, confiaste nos teus pares e foste surpreendido pela sua fragilidade face às "conveniências e às contas bancárias".
Também tiveste azar com o voluntarismo ignorante misturado com todo o tipo de oportunismo do 25 de Abril, que levou a que quem nada entendia da vida nem do saber, decidisse sobre os teus pareceres técnicos. Só podia dar no que deu.

Mas deixa lá. Fazes hoje 90 anos e manténs boa memória e capacidade intelectual. Alimentas ainda a esperança de que se reescreva a História, e se coloque o teu nome à frente de muitas das minas de Portugal, entre as quais estará necessariamente Neves-Corvo. Mas não contes com isso, que quem se move nos corredores do poder, não vendo nisso qualquer interesse particular, deixará tudo como está.

Dá graças pela saúde que tens e por ter havido peças para os teus pequenos achaques, para que continuemos a levantar as taças e a desejar “Que os nossos filhos tenham pais ricos, e que as nossas mulheres nunca fiquem viúvas!”
Parabéns!

sábado, 7 de agosto de 2010

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

“Si non è vero, è ben trovato”


A história ter-se-á passado em finais de 1970, numa das aldeias do Minho, onde “alguém” teria consultório para atendimento de doentes. Digo "alguém", porque então, não seria de estranhar que um farmacêutico fosse “entendido em crianças”, ou que qualquer bruxo usasse estetoscópio para se adequar às exigências de uma clientela que iniciara a familiarização com a medicina oficial. Neste contexto, os factos de seguida relatados, podem ter sido obra de gente de fora do ofício. O que parece certo, é que havia um “saber” e uma solução, que o tempo validava.

Da poeira, ficou que, anexo á sala de consulta, existiria outra sala completamente escura, onde se "fariam radiografias", e que, se identificasse alguém suficientemente “crédulo”, o faria entrar, o ajudaria a subir para a porta da frente de um guarda-vestidos de três módulos, o posicionaria contra o seu fundo e bateria com as portas dos lados, num simulacro de disparo eléctrico. Depois disto, enquanto o ajudava a sair, pegava numa radiografia (sempre a mesma) meio húmida, e voltava à sala principal abanando-a para a secar e a colocar no negatoscópio.
Da conversa e das terapêuticas nunca se disse nada!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O Dr. Agulha


Era uma reunião para promoção de um novo medicamento. Uma sessão de uma hora, seguida de jantar, numa Estalagem no alto de um monte. Na sessão ... uns vinte médicos, no jantar … cinquenta pessoas, pois as borlas atraem sempre "esposos e penduras”.
No meio dos copos e dos pratos o Dr. Norton pontuava com as suas histórias de outros tempos, coadjuvado por um coetâneo companheiro, de ácido humor. Falaram de doenças, da vida de antanho, em histórias marcadas pelo insólito ou pela dificuldade superada.
No fim, depois do "até um dia", acerco-me do delegado de informação médica, e pergunto: "Quem é o fulano que estava com o Dr. Norton?". – “Não conhece?” espanta-se. –“É o Dr. Agulha! São inseparáveis!"
-“E ele também é de Clínica Geral?”, completo a pergunta, pois nas pequenas comunidades é mais frequente a hostilidade entre gente do mesmo ofício, que este tipo de amizade.
-“Não!”, responde-me. –“O Dr. Agulha, não é médico. É alfaiate. Como são amigos e estão os dois viúvos, para onde vai um, vai o outro. Foram os seus colegas que decidiram chamar-lhe assim! O nome dele ... não sei!"

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Diáspora - 4


30 anos. É cabeleireira. Nasceu em Paris.
- E veio para uma aldeia de Monção, porque carga de água?
- Eu vivia em Saint Maur, no 94!. Há 8 anos, numa vinda de férias à terra dos meus pais, encontrei marido e fiquei!
- Como foi isso?
- Estava a ajudar uma amiga que tem um Salão. Ele entrou e disse que queria cortar o cabelo. Eu até me espantei, que ele tinha o cabelo curtinho! No fim convidou-me para ir tomar café. Ele tinha 18 anos e eu 22.
- E o resto da família?
- Estão todos lá!

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Emancipação feminina


O bikini nasceu em 1946, a pílula em 1951, e esta música em 1960.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Diáspora - 3


















Tem 75 anos. Nasceu por aqui e quis ser serralheiro mecânico. Aos 17 anos concorreu para aprendiz. Deram-lhe como prova de admissão, cortar um pedaço de aço e fazer um cubo com 4cm de aresta. -"Éramos muitos e a maior parte nem sabia montar a serra manual. Eu fiz o trabalho bem feito e não fui admitido, e vi passar à minha frente quem trazia carta do Bispo de Leiria. Ainda me inscrevi na Marinha e até cheguei a prestar provas em Caxias, mas o meu pai, que era anti-Salazar, impediu-me - "Não vais servir o Exército!", disse.
-Fui para o Brasil, onde tinha o meu irmão mais velho. Cheguei a gerente de uma fábrica de material eléctrico no Rio de Janeiro. O meu nome era conhecido em todos os estados. Andava pelas exposições e feiras na Europa e copiava tudo o que via. À noite, no hotel, desenhava aqueles circuitos eléctricos que vira nos certames e nas fábricas dos nossos fornecedores. Os brasileiros são como os chineses. Copiam tudo. Mas em 1990, "uma família passou-me a perna", e eu deixei a firma. Depois a empresa foi-se abaixo. Gente que só pensa em dinheiro!
- Vinha cá muitas vezes de férias, e em 1994, voltei de vez com a minha mulher. Eu lá pagava o equivalente a 450 Euros por mês para um Seguro de Saúde, e não tinha metade do que aqui tenho. É só por isso que eu não volto para o Brasil. A saúde lá, é um problema gravíssimo, Dr.!"

domingo, 1 de agosto de 2010

João























- Oh avô! A minha mãe disse que se eu aprendesse a andar de baloiço, me dava um Gormitis!
...
- Os dias a seguir aos anos e ao Natal, sempre foram os meus favoritos. Tantas coisas novas para brincar...