terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Declaração de Voto



Pois é! Todos dizem que vais ser tu a representar os portugueses, mas por favor, tira-me da tua lista.
Pareces-me um fado triste de xailes negros e vozes roucas a escoar esperanças nos bordões de uma guitarra, e não me convenço que o teu Palácio de Belém (a sorver fundos superiores aos do Rei de Espanha) possa ajudar no que quer que seja.
Representas quem faz do lucro o seu objectivo, e és pouco atento na promoção de condições para que as Instituições do Estado sejam eficientes, fingindo não entender que há um grupo que as sorve o mais que pode, para assim garantires o seu apoio político.
Vejo-te como um “homem de um só livro”, incapaz de um golpe de asa que fuja às estritas regras do dinheiro, e que recusa a paternidade dos monstros que ajudou a criar, como BPN e outros subprodutos do cavaquismo, onde incluo as auto-estradas onde só os ricos vão poder andar.
És, de facto, o garante desta estabilidade política onde os poderosos se acomodam à sombra do Estado em Parcerias Público Privadas e tentam escorraçar os funcionários públicos, apontando-os como causa do défice, mas não te acho capaz de garantir estabilidade social no futuro próximo.

Não te queria isento de erros, que és humano, mas essa de se ter de nascer duas vezes para ser mais honesto que tu, é sinal de que o teu circulo de referência está muito limitado à Urbanização da Coelha, e isso não abona muito em teu favor.

Dizem que não há alternativa, mas quero que saibas em primeira-mão que, se ganhares, escusas de agradecer. Guarda lá o teu dinheiro, entretém-te como puderes, mas não te esqueças que, mesmo não votando em ti, vou ser obrigado a pagar parte das tuas contas, pelo que espero que reduzas aos assessores, desligues as luzes à noite e ponhas a Maria a fazer parte do trabalho doméstico, que isso de empregados para todo o serviço foi chão que deu uvas!

Adeus

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

As cinzas do Carlos Castro


Eu já vi um porco a andar de bicicleta, o senhor Vidal a ler o Expresso, mas enfiar as cinzas de um ente querido por um bueiro sob os holofotes da Comunicação Social, confesso que me espanta!
...
Que mais nos reservam os prodígios do futuro!?

domingo, 16 de janeiro de 2011

sábado, 15 de janeiro de 2011

Uma Cheia no Zêzere




















Este texto é mais um daqueles que o meu
avô escreveu e que eu, com "ousadia de ignorante", me atrevo a uma versão, para lembrar esse tempo em que as calamidades eram diárias.


Quando o Zêzere se enfurecia e saltava as trincheiras do seu estreito leito, era um touro investindo contra a trincheira do Tejo que o oprimia, e as águas de Albarracim quase se suspendiam, represadas num grande lago, que se escoava encostado aos salgueiros, como um burguês a atravessar uma ruela em dia de romaria. Nem Caronte ousaria dobrar aquele cabo das Tormentas que se formava na foz do rio lusitano.
Mal das plantas sem raízes bem seguras. Nateiros ubérrimos apareciam e desapareciam como mágica. Terras produtivas, onde antes se empenachavam milheirais e graciosas tangerineiras a reluzirem entre a folhagem verdoenga, emergiam desventradas, acabadas estas fúrias, só com a ossatura degradada à mostra. Terrenos áridos, onde outrora só medravam nalguma cova, tramagas raquíticas ou reduzidos canteiros de grama, eram recobertos por grossa camada de lodo, que se ajustava ali tão bem, como um casaco nas costas de um janota. E neste rodopiar de rapa, tira, põe e deixa, surgia, às vezes, nestes oásis, uma oliveira, que na primavera seguinte continuava a sua vida esquecida do puxão que o rio lhe dera nas raízes.



O Salvador cruzara os braços sobre a mesa medalhada pelos copos, e com o queixo pousado sobre as mãos, observava a bisca de nove dos camaradas. Ainda a meio da jogatina, já resfolegava num sono tão ruidoso, que o baralho vibrava como um harmónio.
O Calhaz, irritado com aquele bufar e com o olho vivo do Alqueirão a espreitar à sorrelfa a carta que se arqueava, socou a mesa com tais modos, que o Salvador ao acordar bruscamente, desmanchou o baralho com os braços.
-Raios partam o homem, mais as habilidades dele!, resmungou, tentando segurar a mortalha que lhe caía do beiço. -Ganhava dois jogos! Tinha manilha, às e três trunfos!, e levantou-se embezerrando a sua cara de Eduardo VII, enquanto aquele, depois de esfregar os olhos com as costas das mãos e de olhar ao redor da Taberna da Ana Casimira, gaguejou sem saber nem poder explicar-se: -Que raio de sonho! E eu que tenho tanto azar quando sonho assim! Sonhei que o meu pai, que Deus haja!, e levantou o barrete, mostrando as melenas emaranhadas na varanda da testa, - Vinha a boiar rio abaixo, envolto em enguias grossas como punhos, inchadas de tanto mamarem! Uma delas, com uns olhitos vermelhos, muito saídos, preparava-se com o focinho agudo para lhe entrar pela boca aberta, onde só havia um dente de ouro!
-Isso é que era uma festa para as enguias, ó Salvador! Era como se nós matássemos uma cabra e a estivéssemos a comer à vista dos chibatos!, gracejou o Alqueirão enquanto esmigalhava na cova da mão uns restos de charuto. -Reza-lhe por alma, que é o que ele precisa!
-E eu que logo de manhã vi o maldito cabril sobre o telhado a saltitar de telha em telha. E a minha mulher disse-me: Temos morte na vizinhança! Sempre tive agouro com o raio do pássaro!, rematou, ainda envolvido nas superstições.
-Deixem-se de cantigas!, retorquiu, mal humorado, o Calhaz, atando o baraço para segurar as calças. - O cabril é um pássaro como os outros. E quem se fia em sonhos, tem falta de entendimento! Toca mas é a andar! Que hoje temos de levar o milho ao dono!
-O quê? Com um temporal destes?!, protestou o Alqueirão embrulhando-se mais na japona negra que o transformava num esbirro do Santo Ofício.
-Para baixo, todos os santos ajudam!, argumentou, solene, o arrais.



Eia! O que aí vem!, exclamou o Cacilhas para o pai, suspendendo a caminhada. – Voltemos para trás e vamos segurar melhor o abringel, que o rio vem cheio de farroncas!, e dando uma reviravolta ao guarda-chuva de barbas de baleia, que os abrigava, assestou-o como um D. Quixote, contra a chuva que os enroscava.
Ouvira já o sussurrar do Zêzere lá ao longe, na Escorrega, sussurro que se perdera depois nalguma curva, para depois aparecer mais vivo e perto e começar de novo a soar como o chocalhar de muitas matracas.
-Este rio, com uma mijadela de gato, põe-se assim!, disse-lhe, imitando-lhe a corcova, quando um aguaceiro mais violento os impelia contra a parede. Além, cruzaram-se com o Barbisco a oscilar sob o peso de um barril que trazia sobre o ombro, e à porta do Couve-Velha pararam para lhe ouvir os lamentos do prejuízo que o rio tinha causado na madeira levara. Já longe, disse o pai, entre dentes: Tenho pena, mas é dos pobres! A cheia é como o Zé do Telhado, tira aos ricos e dá aos pobres!
Na verdade a cheia era uma cornucópia para esta gente. A madeira e outros despojos que cabriolavam rio abaixo, ficavam à mão de semear entre os arvoredos, como um foro que eles cobravam anualmente ao rio. Não havia cães de guarda, feitores ou donos de quintas, nem tão pouco muros nem portões. Tudo ficava ao Deus-dará.

….

Já não havia mais dilações para os moradores da parte baixa da vila. Na madrugada já as águas fariscavam pelas embocaduras das ruas e becos.
Nas tabernas e armazéns um lufa-lufa de gente esgatafunhava todos os cantos. Despiam-se prateleiras, enchiam-se cabazes e caixotes de garrafas, despejavam-se tonéis para barris e cascos mais pequenos, fazendo–os rolar com rumores de trovoada. Desaparafusavam-se balcões, armários e as portas dos seus gonzos. Homens corcovados transportam sobre o dorso objectos volumosos para a rua de Trás-da-Igreja, para os por a salvo da investida das águas, deixando para trás todos os recantos e esconsos a patentearem a sua velhice e sordidez, num chocante abandono de lojas nuas e portas escancaradas.
O silêncio sombrio do rio ia transformando em casarões decrépitos os prédios setecentistas, com soalhos apodrecidos e janelas sem caixilhos, contaminando de tristeza quem ali passava, sem contudo atormentar a maioria dos moradores, pois das casas habitadas saíam, a tempos, gargalhadas e cantigas.
A Garcelha, com as ninhadas de frangas já a pedirem galo, acabava de deixar o tegúrio entregue às ratazanas e ao enxovalho do rio e partiam com os restos das bugigangas, meneando as ancas e enchendo a rua com cantigas de despedida ao velho prédio, que deixavam de goelas escancaradas e olhos vazados.
Mais adiante a Perdida, a chocar outro parto gemelar, e sempre de galo vadio, rouquejava o seu estribilho predilecto: -Oh! Rapazes, isto é que é gado! Parecia o homem dos sete instrumentos. Sobre a cabeça um grande alguidar vidrado onde espreitavam garrafas e bicos de almotolias, debaixo de um braço um cântaro e às cavalitas o último rebento dos seus loucos amores. Os outros pintainhos, molhados até aos ossos, rodeavam-na carregadinhos conforme as posses como a afirmar o adágio de que o trabalho dos meninos é pouco, mas quem o não aproveita é louco.

...

Os barcos acompanhavam a enchente e abrigavam-se entalados nas ruas cochilando contra o muro dos quintais como uma armada prestes a assaltar a vila.
-Eh Zé, acorda que são horas!, clamou o Alqueirão por debaixo do oleado, gatinhando por cima dos sacos de milho que lhe tinham servido de colchão, em direcção à proa. Espreguiçou-se, pegou na garrafa de aguardente, bocejou, bebeu três goladas, limpou os lábios com as costas da mão, fez um AHH!, e disse:
-Que raio de tempo! Tu ontem sonhaste com o cabril e eu fartei-me de comer uvas brancas esta noite!
-São lágrimas!, respondeu o camarada, novamente crucificado pelas superstições. Arregaçou as calças, saltou para a margem e meteu-se pela água espumosa para desatar a embarcação.
Àquela hora, nas ruas e becos da parte baixa, já inundada, ainda era cedo para as comadres observarem das janelas o vaivém das ressacas. O Excomungado, um pirata do rio, era o primeiro a passar ali com o seu abringel carregado de madeiras, abóboras e tronchudas. E, enquanto remava, dava a novidade: - A canoa do Zé Coimbra escangalhou-se contra os pilares da ponte. Foi uma sorte não levar ninguém!

O rio tinha uma sonoridade mais forte contra os pilares da ponte. Era um sorvedouro abísmico, que fazia tremer o mais ousado só de olhar para aquela torrente entrançada que fugia embaraçando-se nos obstáculos e desfazendo-se em turbilhões de massas pardas como lavas na cratera de um vulcão.
-Isto agora vai num rufo! Daqui a uma hora estamos lá!, afirmou o Calhaz, enquanto fazia fica-pé e empurrava a proa do barco com as costas.
-O raio é o nevoeiro que se está a formar!, emendou o Alqueirão, afugentando o cão que saltava e gania em volta do seu abringel, em ânsias de navegante.
O nevoeiro tombava pesadamente sobre o Tejo, como se um carreamento de mármore lhe tivesse tapado o seu leito, ameaçando soterrar a vila.
-Isto passa! Nós não somos fidalgos! Temos de ganhar o pão com o suor!, disse o arrais, segurando firme o leme do barco que seguia célere a baloiçar sobre a corrente impetuosa do Zêzere, e que ao chofrar-se com as águas do Tejo se empinou como um cavalo assustado, para depois numa reviravolta, apanhar a corrente de feição e furar pela serração compacta, enquanto o cão, na margem, uivava baixinho com intermitências, como um dobre de finados.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Viagens na nossa terra















- Sra. Maria.! Porque é que a levaram à Urgência?
- Sr. Dr.! Eu não fui à Urgência. Fui a uma consulta ao Centro de Saúde. De lá enviaram-me de ambulância para outro sítio, onde outro médico me enviou para aqui. Deve ter sido engano. Devem-me ter confundido com outra!
- Olhe que não! A carta do médico do Centro de Saúde diz que a sra. estava muito mal, e a carta do outro médico do Serviço de Urgência Básica parece confirmá-lo!
- Sr. Dr.! O que eu tenho é as pernas tolhidas e custa-me muito andar. Saí do Lar depois do almoço. Já passa da meia-noite e ainda ando por aqui! Por favor, mande-me para casa!
- D. Maria! Não está ninguém consigo?
- Não, Sr. Dr.! A senhora do Lar ainda foi comigo ao outro médico. Mas ela tinha a vida dela, e quando me mandaram para aqui, não me pode acompanhar. Mas disse que ia telefonar!
- Pois é! Tirando os ossos e o coração um bocadinho fraco, a senhora, apesar dos seus 94 anos, parece bem, e as análises confirmam-no! Tem a certeza que não se sentiu muito mal quando estava junto dos médicos que a viram?
- Não sr. Dr.! O meu mal são as pernas! Custa-me andar!
- Deixe lá, que hoje vai viajar mais de 180Km e leva que contar!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Também está bem!














Quando ouço a vontade de destruir o estado social, que entendo ser o único processo de garantir a estabilidade de uma nação, contra o arbítrio de uma economia fundamentada no lucro, vêm-me memórias que não têm nada a ver com políticas, mas com posturas dos profissionais do Estado.

A história passa-se num Serviço de Urgência de um Hospital do SNS em finais dos anos 80, e tem por intervenientes dois médicos. Um em início de carreira, preocupado com o bem-estar dos doentes e outro mais velho, com funções de chefia, preocupado unicamente com o número de doentes em macas num corredor cronicamente atafulhado.

Numa dessas macas está uma jovem mulher, que se queixa vivamente de uma dor de cabeça, o que desperta uma jovem médica para a ir observar, ignorando que ela já tinha sido avaliada pelo seu colega mais velho.
Já quase no final do seu exame físico, a médica ouve-o dirigir-se-lhe com ar autoritário, informando-a: “Essa doente é para ter alta e ir embora. É tudo do quinto andar!”, tentando assim explicar as queixas como dependentes de qualquer estado de ansiedade, coisa que só poderia ter essa interpretação por quem, com qualidade, tivesse excluído todas as outras possibilidades, o que não era o caso, pois o médico em questão, na prática recente, nunca provara interesse ou competência.
O diagnóstico dela era o de um processo neurológico agudo, a merecer exames auxiliares num Hospital Central, pelo que lhe respondeu: “Dr.!, Pode ser do quinto andar, como lhe chama, mas não é para ter alta! É para transferir para um Hospital que tenha Neurocirurgia!”
E em resposta ouviu: “Também está bem!”

É este o actual estado de coisas no país. “Também está bem!”. Defende-se hoje uma solução e amanhã outra porque não há brio profissional e nada tem consequências. Também as chefias abdicam de impor qualidade, pois frequentemente foram tomadas de assalto por quem pactua com uma solução e com a sua contrária, a coberto de “urgente necessidade de implementar políticas” ditadas por não se sabe quem, nem para quê.

Também está bem!. Ou tem alta, ou vai transferida!. Também está bem! Desde que vá daqui para fora, tudo está certo. Se morrer! Também está bem! Se se curar, melhor. Também está bem!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Comunicação



“Não é o vento que dita o êxito do barco à vela, mas a forma como se põe a vela do barco ao vento!”


Retirado daqui!

domingo, 9 de janeiro de 2011

Carta fúnebre a Carlos Castro
























Morreu aos 65 anos, assassinado e sexualmente mutilado pelo seu amante de 21 anos.

Foste o grande promotor do glamour sintético das revistas dos quiosques e contribuíste, com o futebol, para a conversa da treta nos espaços públicos.
Moldaste a vida para que se falasse de ti e daqueles que apostam no “irreality show” e foste um criativo desse circo que formata o gosto das meninas dos shopping e afins, onde o insólito de feira embasbaca a populaça e esconde a aridez da ignorância.
Agora com o teu mundo nas primeiras páginas, todos procuram os flash e aqueles segundos decisivos para uma carreira na prestidigitação do supérfluo que serve de encobrimento aos negócios, que o público, aplaudindo licita.
Eu não vou sentir a tua falta, pois não admiro nem o estilo nem as paixões, mas a sociedade precisa de espectáculo, mesmo que ele seja sórdido e crie monstros ou vazios tão grandes que sorvam jovens na ilusão de risos e de amores assépticos.
Parece que foste inábil nesta tua última paixoneta, pois não te hão-de faltar culpas em tudo o que aconteceu, ao iludires o jovenzito com as facilidades que o dinheiro dá. Mas o “show must go on” e quem te seguir irá sorver esse espaço onde as feras se trucidam por um segundo de glória e morrem se esquecidas.
Repousa em paz, que eu espero para mim um céu sem flashs, nos teus antípodas.


Adeus!

sábado, 8 de janeiro de 2011

O rolhão


Sr. Dr.! Não volto àquela Clínica! Fui lá por causa de um rolhão de cerúmen e acabei por fazer um audiograma e um TAC ao ouvido. Aquilo é um engana meninos! Dr.!

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Ventilação não invasiva



Quem trouxe a Sra Olímpia?
Foi a VMER! A cuidadora chamou o 112 quando a encontrou caída na cama. Tem 83 anos e tem um sindome de hipoventilação/obesidade. Vive só há mais de 10 anos e desde Abril que não sai da cama por estar vinte e quatro horas por dia ligada ao Oxigénio e ao ventilador.

E fica sozinha à noite?
À noite e em grande parte do dia, que as duas ajudantes familiares, só lá vão para a higiene e refeições. A que avisou foi lá às cinco da manhã e encontrou-a bem, e quando lá voltou às dez, encontrou-a "a espumar" e "frustrada", sem dar acordo de si.
E não tem família?
Tem um filho em Lisboa que raramente cá vem. Vive da reforma e de uma pensão de alimentos do companheiro que faleceu. Mas ainda ontem estava no seu normal a ver televisão, na sua cama articulada com colchão anti-escara.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

2ª carta ao Paulo



Então Paulo! O que é que te deu? Entravas por aqui a qualquer hora, saías quando querias sem uma “boa-noite” ou um obrigado, e agora dizem-me que foste tu quem matou a idosa em Lanheses!?
Sempre me pareceste incapaz de levantar as mãos acima dos ombros para qualquer tarefa, quanto mais para arrombar uma porta e entrar pela casa adentro e agredir tão violentamente alguém a ponto de a matar! Confesso que não te imaginava nesses preparos! De roubar, não me admiro, por te saber marginalizado pelos teus e sem apoio da Segurança Social. Mas de matar, custa!
Também, pensando bem, o que é que perdes por ir para a cadeia? Nada! Vais ter médico para a “bronquite”, remédios e comida de graça … e … a horas, cama lavada, corte de cabelo de vez em quando e, com sorte, até um pouco de droga para matar saudade e um parceiro à tua medida, para te contar histórias que te façam voar o pensamento.
Pena é, que não tenhas feito outro tipo de crime, mas nos tempos que correm está difícil ser preso, sem ser libertado no dia seguinte, e lá terias de esgravatar as sobras de uma refeição alheia, ou bater pela enésima vez à porta do hospital. Roubar já não dá essa garantia! Dar uns murros, igual! Sobrava-te a violação e o assassínio, já que não te vejo a elaborar planos para crime mais complexo.
Queres um conselho? Arranja uns ventilões e tem-nos sempre à mão. É melhor que nada! Assim, se o carcereiro se distrair e não to der a horas, vais bombando para que não acordes com o céu da boca gelado.
E conforma-te com a vida que te saiu em sorte: pobre, cigano e toxicodependente.

És um bom exemplo de que vale mais ser rico e ter saúde, que ser pobre e estar doente!

Adeus!

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Yuppie



"Yuppie" é uma derivação da sigla "YUP", expressão inglesa que significa "Young Urban Professional", ou seja, Jovem Profissional Urbano.
Pretende definir os jovens profissionais entre os 20 e os 40 anos de idade, geralmente da classe média/alta com pouca formação universitária, obcecados pelas modas e pelo individualismo, que a revolução tecnológica dos últimos trinta anos promoveu.
Abraçam uma profissão com o único objectivo de “realizar dinheiro”, e levam tudo à frente para obter os ícones de sucesso social (residências, sofisticados automóveis e aparelhos tecnológicos, desportos de elite, …), numa competição constante para não perderam a “crista da onda”, que os impede de ter outra visão da vida, para lá dos limites das suas carreiras, onde sacrificam as famílias e aqueles que avidamente exploraram.

Na versão portuguesa, há várias cores.
Hoje, para estar "a 140%" vai a versão Laranja!

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

sábado, 1 de janeiro de 2011

Um tratado























É um livro que ajuda a entender como se organizou a nossa sociedade nos últimos anos, e que avisa para os perigos futuros se o pragmatismo prevalecer e nos mantivermos dirigidos por políticos que não acreditam em qualquer conjunto coerente de princípios, e para quem tudo o que é “legal” é “moralmente aceitável”.
... e também fala da importância do Estado para conter o "cleptocapitalismo", ... desde que não seja tomado de assalto por ele, como nos dá exemplo a deputada brasileira Cidinha Campos!