“Nem sempre são os mesmos deuses que reinam no céu, nem sempre são os mesmos impérios que cobram impostos nas cidades e nos campos.”
Paul Veyne (1930-2022), historiador francês.
Qualquer modo de ver a realidade é necessariamente limitado. Estas são algumas das histórias que definem o meu olhar.
“Nem sempre são os mesmos deuses que reinam no céu, nem sempre são os mesmos impérios que cobram impostos nas cidades e nos campos.”
Paul Veyne (1930-2022), historiador francês.
Nada é mais violento do que a política. Se os militares apenas combatem em tempo de guerra, os políticos vivem em guerra permanente. Os seus inimigos mais perigosos escondem-se quase sempre nas próprias fileiras, e a velocidade a que tudo se transforma multiplica os erros e acelera as quedas.
Neste meio, raramente se confia nos mais inteligentes: hesitam demasiado antes de empunhar a alabarda. Porque, no fim, a tomada de riscos é a única verdadeira moeda do poder.
in "A Hora dos Predadores" (2025) de Giuliano da Empoli
O homem por detrás da anomalia gravimétrica de
Neves-Corvo
Quando se fala da descoberta da Mina de Neves-Corvo, é
frequente encontrar referências vagas a “equipas do Fomento Mineiro” ou a
“campanhas geofísicas” realizadas na Faixa Piritosa Ibérica durante os anos 70.
Raramente surge um nome concreto associado à definição da anomalia gravimétrica
que levou às sondagens decisivas.
Contudo, importa recordar o papel do engenheiro de minas AlbertinoAdélio Rocha Gomes, então engenheiro-chefe da Brigada do Sul do Serviço de
Fomento Mineiro.
Foi sob a sua orientação técnica que se desenvolveram
trabalhos de prospeção geofísica e geoquímica no Baixo Alentejo, incluindo a
identificação da anomalia gravimétrica que viria a conduzir à descoberta do
jazigo de Neves-Corvo — uma das mais importantes descobertas mineiras europeias
do século XX.
A tendência da historiografia mais divulgada tem sido
atribuir a descoberta a entidades coletivas — Fundo Mineiro, Serviço de Fomento
Mineiro, equipas de prospeção ou empresas internacionais que mais tarde
participaram no desenvolvimento do projeto. Embora isso seja parcialmente
correto, corre-se o risco de apagar o papel determinante dos técnicos
portugueses que trabalharam no terreno durante décadas.
O próprio LNEG –Laboratório Nacional de Energia e Geologia, ao assinalar o falecimento de
Albertino Adélio Rocha Gomes, reconhece explicitamente a importância do seu
trabalho na prospeção mineira da Faixa Piritosa Ibérica e nas descobertas daí
resultantes.
A história da mineração portuguesa faz-se também destas
figuras discretas: engenheiros, geólogos e geofísicos que, longe dos holofotes,
interpretaram sinais ténues no subsolo e abriram caminho a descobertas de
enorme impacto económico e científico.
No caso de Neves-Corvo, a anomalia gravimétrica teve um
rosto: o do engenheiro Albertino Adélio Rocha Gomes.
A importância económica da Mina de Neves-Corvo para
Portugal
A descoberta da Mina de Neves-Corvo representou muito mais
do que um êxito geológico. Foi um dos mais importantes acontecimentos
económicos do interior português nas últimas décadas.
Quando o jazigo foi identificado, em 1977, Portugal
atravessava ainda um período de grande fragilidade económica e tecnológica. A
confirmação da existência de enormes reservas de cobre, zinco e estanho colocou
o país no mapa mundial da mineração moderna. O jazigo de Neves-Corvo viria a
ser considerado um dos mais ricos depósitos de sulfuretos maciços da Europa e
um dos mais importantes do mundo em teor de estanho.
A exploração industrial iniciou-se em 1988, através da
SOMINCOR, numa parceria inicial entre o Estado português e a Rio Tinto. Desde
então, a mina tornou-se um dos maiores polos exportadores nacionais e um dos
principais motores económicos do Baixo Alentejo.
O impacto económico foi profundo em vários níveis.
Em primeiro lugar, pelo emprego. Numa região marcada pela
desertificação humana e pela escassez de indústria, a mina criou milhares de
postos de trabalho diretos e indiretos. Ao longo dos anos, sustentou não apenas
mineiros, engenheiros e técnicos especializados, mas também empresas de
transportes, metalomecânica, manutenção, restauração e serviços associados.
Algumas estimativas apontam para cerca de cinco mil empregos dependentes,
direta ou indiretamente, da atividade mineira.
Em segundo lugar, pela riqueza criada localmente. Castro
Verde passou a apresentar indicadores de poder de compra invulgares para um
concelho do interior alentejano, ultrapassando mesmo várias capitais de
distrito. Os salários relativamente elevados do setor mineiro transformaram
profundamente a economia local.
Mas a importância de Neves-Corvo ultrapassa largamente a
dimensão regional.
A mina tornou-se uma infraestrutura estratégica nacional. O
Ramal Ferroviário de Neves-Corvo ligou diretamente a exploração aos portos
portugueses, facilitando exportações minerais de elevado valor acrescentado.
Além disso, Neves-Corvo ajudou a preservar em Portugal
competências técnicas altamente especializadas nas áreas da geologia,
engenharia mineira, geofísica e metalurgia. A exploração exigiu tecnologias
modernas de mineração profunda, tratamento mineral e gestão ambiental,
contribuindo para a modernização do setor mineiro português.
Também no plano financeiro a mina teve enorme relevância. Ao
longo de décadas gerou exportações significativas de cobre e zinco, atraiu
investimento estrangeiro de centenas de milhões de euros e reforçou a balança
comercial portuguesa. Diversas expansões da mina implicaram investimentos muito
elevados destinados a prolongar a sua vida útil e aumentar a produção.
Por fim, Neves-Corvo teve um significado simbólico
importante: demonstrou que o interior português podia albergar projetos
industriais de dimensão internacional, tecnologicamente sofisticados e
economicamente sustentáveis.
Tudo isto começou com uma anomalia gravimétrica identificada por técnicos portugueses do Serviço de Fomento Mineiro — entre eles o engenheiro Albertino Adélio Rocha Gomes — num tempo em que poucos imaginavam a riqueza escondida sob o subsolo alentejano.
Parte inferior do
formulário
# Não existe um valor oficial único sobre quanto o Estado português recebeu da exploração da Mina de Neves-Corvo, porque as receitas resultam de várias fontes: royalties, IRC, derramas, Segurança Social e outras taxas.
Segundo dados divulgados pela Lundin Mining, a mina gerou cerca de 350 milhões de euros em impostos e royalties apenas entre 2007 e 2017. Até 2017, as exportações acumuladas de minério rondavam já os 6 mil milhões de euros.
Tendo em conta a continuação da exploração e as restantes receitas fiscais e económicas associadas, é provável que o benefício acumulado para o Estado português ultrapasse atualmente mil milhões de euros.
Hoje em dia, em Portugal, quase todos viajam. Em serviço ou por lazer, as estradas andam cheias de automóveis e, pelo ar, quase não há gato-pingado que não tenha ido à Polónia, a Paris ou a Cabo Verde, à boleia dos “low cost” da EasyJet e da Ryanair.
No tempo da outra senhora, ir ao “estrangeiro” era assunto para meses de conversa. A novidade fazia do viajante uma pessoa importante, mesmo que a viagem pouco lhe tivesse acrescentado.
Corria então uma anedota sobre um paisano que regressara de uma longa volta pela Europa até ao Egipto. No café, perguntavam-lhe o que mais o impressionara. Falava das italianas, das gregas, das alemãs, sempre com entusiasmo crescente, até que alguém lhe perguntou:
— E as pirâmides?
Ele hesitou um instante, como quem revira gavetas na memória, e respondeu:
— As pirâmides? Ah… as pirâmides são umas putas!...
Foi isto que ele viu do mundo.
A história sempre me pareceu menos caricatura de um homem do que retrato de muitos viajantes. Conhecem aeroportos, hotéis e restaurantes, acumulam fotografias e carimbos no passaporte, mas regressam praticamente iguais ao que eram quando partiram.
Talvez por isso olhe com algum cepticismo para esta necessidade moderna de colecionar países. Há quem percorra o mundo como outros colecionam caricas: o prazer parece estar menos na descoberta do que na contabilidade.
Viajar a sério dá trabalho. Obriga a ler antes de partir, a perceber a história dos lugares, a prestar atenção ao que não está exposto para turista ver. É mais fácil circular pelas ruas, absorver um ambiente vago e regressar com a ilusão de ter conhecido um país.
Às vezes olho o céu riscado pelos jactos que passam continuamente sobre nós e pergunto-me que utilidade tira o mundo de tão incessante movimento. Meio mundo corre de férias para o outro meio, muitas vezes em busca de qualquer coisa que talvez existisse já ao pé da porta.
E, no entanto, suspeito que isto não seja apenas frivolidade. Há no homem uma inquietação antiga, quase peregrina, uma necessidade persistente de abandonar o lugar onde está, como se algures, sempre mais adiante, pudesse encontrar qualquer coisa que não sabe bem o que é.
Ninguém sabe nada de si, antes da acção em que tiver de empenhar-se todo!
In "Deste mundo e do outro" de José Saramago
Hoje em dia, quando vaso parte, vai para o lixo. Mas aqui vai-se dando um jeito, para o vaso manter a funcionalidade a custo 0.
Estou cansado de ouvir tretas sobre os motivos desta guerra. É para libertar o povo de uma ditadura, é para libertar as mulheres da opressão, é por causa das armas nucleares e mísseis balísticos, é por não gostarem de teócracias, é pelo raio que o parta, mas ninguém fala que é por causa da China.
Ninguém diz que o Irão a vender petróleo em yuans, e não em dólares, o que já acontecia na Venezuela, estava a dar tiros no estomago dos USA.
Ninguém diz que Israel é o maior porta aviões dos USA, e ainda por cima inafundável! Ninguém diz que toda esta guerra visa tolher a economia chinesa e mais nada!
Não é Trump. É o Pentágono há décadas a planear o que se faz na Ucrânia, em Cuba, na Venezuela, no Brasil, no Iraque, na Síria, na Nigéria, etc..., para que os USA não caiam como caíu o Império Romano, com o qual mais se identificam.
Os senadores de agora, vestem jeans em vez da toga, mas o "modus operandi" não mudou.
E os Aiatololas, desde 1979, que andam a trilhar o caminho para afundar Israel, desvalorizando o poder dos judeus no mundo ocidental, o que me parece uma insensatez, que o povo iraniano não merecia!