Portugal enfrenta problemas crónicos, que os sucessivos governos têm evitado enfrentar por receio de que um aumento de impopularidade lhes faça perder as próximas eleições — e, consequentemente, os cargos de que depende a respetiva clique.
Temos um país a envelhecer, sem solução eficaz para os idosos sem cuidadores familiares disponíveis e com rendimentos insuficientes para pagar uma ERPI (Estrutura Residencial para Idosos).
Temos um SNS incapaz de lidar com os custos crescentes da Saúde, resultantes das maiores necessidades humanas e do preço cada vez mais elevado das terapêuticas sofisticadas.
Temos um ordenamento do território incapaz de responder a incêndios, inundações, erosão costeira e à necessidade de criação de novas vias de comunicação.
Vivemos num país onde a burocracia cresce em todos os setores, criando barreiras à resolução de pequenas dificuldades do dia a dia.
Temos uma Justiça que, sob o pretexto das “garantias”, abre espaço à fraude mais descarada por parte de quem tem recursos financeiros.
Temos um país pouco culto, onde grande parte da população é incapaz de compreender a complexidade de algumas soluções e se entrega com facilidade ao populismo das respostas simples.
Sim! Precisamos de mudar! Mas não podemos saltar da frigideira para o fogo.
Precisamos que os políticos estejam mais próximos, para que possam ser responsabilizados pela população.
Precisamos que Lisboa deixe de ser o centro único, e que passemos a ter vários centros decisórios independentes — para a Saúde, a Justiça, a Segurança Social, o Ensino e a Gestão do Território.
Precisamos urgentemente de uma verdadeira “Regionalização”.
Precisamos de responsabilizar os decisores e julgá-los quando for caso disso, sem permitir uma sucessão interminável de recursos, tratando o erro judicial do mesmo modo que se trata o erro médico.
Lisboa já deu provas de ineficiência na gestão do país. É tempo de pensar “fora da caixa”. É preciso que Lisboa deixe de sugar a “inteligência” e o poder económico de Portugal, para que se possam criar centros decisórios eficazes fora da sua tutela.
The way to get started is to quit talking and begin doing." - ... Walt Disney

