sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Eleições



Os políticos de um país têm de ser capazes de dar passos visíveis na resolução dos problemas que vão sendo identificados, sabendo que haverá sempre uma parte da população negativamente afetada por essas medidas. Como é impossível “agradar a todos”, o melhor a fazer é resolver os problemas tentando minimizar os efeitos negativos sobre a população atingida. Minimizar não significa eliminar, pois, se essa fosse a intenção, nunca seria possível implementar coisa alguma.

Portugal enfrenta problemas crónicos, que os sucessivos governos têm evitado enfrentar por receio de que um aumento de impopularidade lhes faça perder as próximas eleições — e, consequentemente, os cargos de que depende a respetiva clique. 
Temos um país a envelhecer, sem solução eficaz para os idosos sem cuidadores familiares disponíveis e com rendimentos insuficientes para pagar uma ERPI (Estrutura Residencial para Idosos). 
Temos um SNS incapaz de lidar com os custos crescentes da Saúde, resultantes das maiores necessidades humanas e do preço cada vez mais elevado das terapêuticas sofisticadas. 
Temos um ordenamento do território incapaz de responder a incêndios, inundações, erosão costeira e à necessidade de criação de novas vias de comunicação. 
Vivemos num país onde a burocracia cresce em todos os setores, criando barreiras à resolução de pequenas dificuldades do dia a dia. 
Temos uma Justiça que, sob o pretexto das “garantias”, abre espaço à fraude mais descarada por parte de quem tem recursos financeiros. 
Temos um país pouco culto, onde grande parte da população é incapaz de compreender a complexidade de algumas soluções e se entrega com facilidade ao populismo das respostas simples. 

Sim! Precisamos de mudar! Mas não podemos saltar da frigideira para o fogo. 

Precisamos que os políticos estejam mais próximos, para que possam ser responsabilizados pela população. 
Precisamos que Lisboa deixe de ser o centro único, e que passemos a ter vários centros decisórios independentes — para a Saúde, a Justiça, a Segurança Social, o Ensino e a Gestão do Território.
Precisamos urgentemente de uma verdadeira “Regionalização”. 
Precisamos de responsabilizar os decisores e julgá-los quando for caso disso, sem permitir uma sucessão interminável de recursos, tratando o erro judicial do mesmo modo que se trata o erro médico.

Lisboa já deu provas de ineficiência na gestão do país. É tempo de pensar “fora da caixa”. É preciso que Lisboa deixe de sugar a “inteligência” e o poder económico de Portugal, para que se possam criar centros decisórios eficazes fora da sua tutela.

The way to get started is to quit talking and begin doing." - ... Walt Disney

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