Por prudência ou timidez, tento cumprir o lema “Low profile, high performance” (baixo perfil, alto desempenho). “Alto desempenho” é, para mim, o melhor desempenho de que sou capaz, o que me obriga a procurar um resultado que não me deixe desconfortável com a minha própria consciência, mesmo quando o custo pessoal ultrapassa o que seria razoável para muitos.
Não me seduzem elogios públicos e sinto até algum embaraço quando ouço alguém expor as suas fragilidades e erros em praça pública, ou gabar-se de vitórias individuais. São coisas que considero deverem ser guardadas para a nossa “tribo”, para o círculo de confiança. Diferente é quando falamos de vitórias integradas num esforço de equipa, onde o mérito é partilhado e o resultado é coletivo.
Mas neste novo mundo de “likes”, onde muitos se expõem na procura de uma aceitação que dê sentido à vida, surgem os influencers, sempre prontos a “vender” qualquer produto, seja ele um bem de consumo ou uma ideia. Não se coíbem, muitas vezes, de distorcer a verdade, de exagerar ou mesmo de inventar uma mentira, desde que a coisa “funcione” ou “não funcione” conforme lhes convém e lhes dê espaço de ação e visibilidade.
Quando eu andava no 7.º ano do Liceu, uma das cadeiras com prova escrita e oral no fim do ano era a OPAN – Organização Política e Administrativa da Nação. Estudava-se por um pequeno livro, com pouco mais de cem páginas. Um dia ouvi, da boca de um ou dois dos melhores alunos da turma, que “para OPAN não é preciso estudar; aquilo lê-se dois dias antes do exame e tira-se boa nota”. E eu acreditei.
Não estudei. Mas, uma semana antes do exame, peguei no livro para o “medir” e caí na realidade: memorizar as funções dos diferentes órgãos do Estado não era tarefa de dois dias. Li, reli, e segui por aí fora, angustiado, até ao dia da prova. Consegui tirar 13 valores, mas o maior ensinamento não foi a nota. Foi deixar de acreditar em quem empola capacidades e minimiza o esforço, por passar a duvidar de que o seu propósito seja apenas serem “os melhores”, mesmo que isso implique fazer os outros tropeçar.
Os influencers pertencem, muitas vezes, a essa mesma classe de ilusionistas. Usam uma linguagem apelativa, emocional e simplificadora, que leva os crentes a “entrar na onda” em benefício deles próprios. A lógica é antiga, apenas mudou o palco.
A verdade é simples:
“Quem sabe, faz. Quem não sabe, fala para as multidões.”
Ensinar exige proximidade, responsabilidade e compromisso com a verdade. Exige acompanhar, corrigir, escutar e responder. Os influencers, em regra, não ensinam: seduzem. Não formam: atraem. Não constroem: exibem.
E talvez por isso eu continue a preferir o silêncio do trabalho bem feito ao ruído da vida em alta voz.


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