Até que ponto deve o vendedor revelar informação ao comprador?
Diógenes da Babilónia (240 BC -150 BC) e o seu discípulo Antíparo de Tarso discutiram este dilema à luz da informação assimétrica. Imaginemos que um homem traz um grande carregamento de trigo de Alexandria para Rodes, num momento em que o trigo é caro nesta cidade devido à escassez e à fome. Suponhamos ainda que ele sabe que muitos outros navios zarparam de Alexandria em direção a Rodes com a mesma mercadoria.
Deverá informar os rodienses desse facto e vender o trigo a um preço mais baixo, ou aproveitar a circunstância para o vender pelo preço mais elevado possível?
Diógenes defendia que o vendedor deveria revelar apenas o que o direito civil exigisse. Antíparo, pelo contrário, sustentava que toda a informação relevante deveria ser revelada, de modo que não existisse nada que o vendedor soubesse e o comprador ignorasse.
Taleb inclina-se para a ideia de que a política mais eficaz — e moralmente isenta de vergonha — é a transparência máxima, idealmente acompanhada até de transparência de intenções.
Mas surge a fratura ética quando o comprador é um “suíço”: o estranho, o distante, aquele em relação ao qual as nossas normas morais tendem a ser atenuadas ou mesmo suspensas. Exercemos as nossas normas éticas apenas até um certo limite de escala; a partir daí, elas deixam de funcionar.
É uma infelicidade estrutural, mas o geral acaba por matar o particular. Será possível ser-se simultaneamente ético e universalista? Em teoria, sim. Na prática, porém, sempre que o “nós” se transforma num clube demasiado grande, o sistema degrada-se e cada indivíduo começa a agir primordialmente em função do seu próprio interesse.
in "Arriscar a Pele - Assimetrias ocultas na vida quotidiana" de Nassim Nicholas Taleb


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