quarta-feira, 29 de julho de 2026

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Revoluções


Mais do que um facto político, a revolução tornou-se uma questão técnica e mil homens, bem organizados, têm mais possibilidade de se apoderar do Estado do que uma massa revolucionária armada. 

In A Técnica do Golpe de Estado de Curzio Malaparte.


quarta-feira, 22 de julho de 2026

Tempos modernos

 


Fiquei sem internet e sem TV.

​Entre conversas com bots, assistentes reais em videochamadas para ver o material e o habitual «liga, desliga e volta a ligar», foi necessário agendar a visita do técnico para hoje até às 13h.

​Não apareceu. Falei de novo com o bot várias vezes, sem que ele me compreendesse.

​Quando finalmente consegui falar com uma assistente, esta mandou-me esperar.

​Às 15h lá chegou o técnico — suado e cansado —, mas, mesmo assim, demorou apenas 1 minuto a identificar e resolver o problema. Era um fio com mau contacto!

​No entanto, a visita demorou 52 minutos no total. Ou seja, 51 minutos foram gastos a manobrar o telemóvel em verificações e respostas ao sistema... o que o levou às seguintes expressões:

​— Ah... não era assim!

— Não sei o que eles querem dizer com isto!

— Eu trabalho para a NOS e para a Vodafone.

— Ora bolas! Desliguei sem querer! Vou ter de recomeçar!

— Vou ligar ao meu supervisor!

— Não me responde!

— Vou começar de novo.

— Isto está lento!

— Sim! Não!

— Não percebo o que eles querem!

— Não se aplica!

— Não vejo aqui nenhum autocolante!...

​Entretanto, soa um sinal sonoro agudo no braço esquerdo do técnico.

​— É o alarme de vida! — diz. — 45 segundos é o tempo que demora a ligar o alarme quando o técnico está com o braço quieto. Mais 30 segundos e ligam para a central. Se eu não responder à chamada, ligam para os bombeiros.

​Ao menos isso... protegem os trabalhadores. Em caso de queda, têm os procedimentos bem afinados. Até lá, vão-no baralhando, pois está simultaneamente ao serviço da NOS e da Vodafone, com procedimentos nem sempre semelhantes.

​Ele até acha que tem um clone para dar conta do recado, mas recebe apenas pelo original.

História de H.G.

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Frase do dia

 


"Em tempo de guerra, a verdade é tão preciosa,  que precisa de ser defendida por uma guarda pessoal de mentiras!"

Winston Churchill

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Três livros





Há livros que nos contam uma história. Outros ajudam-nos a compreender a História.

Nos últimos tempos li três obras muito diferentes entre si, mas unidas por um mesmo tema: a política e o poder.

O Mundo de Ontem, de Stefan Zweig, é o testemunho de um judeu vienense que assistiu ao desmoronar da Europa liberal e ao triunfo dos totalitarismos. Os Anos, de Annie Ernaux, acompanha, através da memória pessoal e coletiva, a evolução da sociedade francesa entre 1941 e 2006. Já A Hora dos Predadores, de Giuliano da Empoli, leva-nos aos bastidores do poder contemporâneo, onde a estratégia, a comunicação e a manipulação da informação se tornaram armas decisivas.

São três autores, três épocas, três olhares muito diferentes: o de um humanista obrigado ao exílio; o de uma professora que transforma a memória individual em memória de uma geração; e o de um antigo conselheiro político que conhece os corredores do poder por dentro.

Apesar das diferenças, todos acabam por conduzir à mesma conclusão: a natureza humana muda muito menos do que a tecnologia ou as circunstâncias históricas. Mudam os regimes, os discursos e os instrumentos. Mas a ambição, a sedução do poder, o medo e a capacidade de manipular os outros permanecem surpreendentemente constantes.

Talvez seja por isso que ler o passado seja uma das melhores formas de compreender o presente.