Há livros que nos contam uma história. Outros ajudam-nos a compreender a História.
Nos últimos tempos li três obras muito diferentes entre si, mas unidas por um mesmo tema: a política e o poder.
O Mundo de Ontem, de Stefan Zweig, é o testemunho de um judeu vienense que assistiu ao desmoronar da Europa liberal e ao triunfo dos totalitarismos. Os Anos, de Annie Ernaux, acompanha, através da memória pessoal e coletiva, a evolução da sociedade francesa entre 1941 e 2006. Já A Hora dos Predadores, de Giuliano da Empoli, leva-nos aos bastidores do poder contemporâneo, onde a estratégia, a comunicação e a manipulação da informação se tornaram armas decisivas.
São três autores, três épocas, três olhares muito diferentes: o de um humanista obrigado ao exílio; o de uma professora que transforma a memória individual em memória de uma geração; e o de um antigo conselheiro político que conhece os corredores do poder por dentro.
Apesar das diferenças, todos acabam por conduzir à mesma conclusão: a natureza humana muda muito menos do que a tecnologia ou as circunstâncias históricas. Mudam os regimes, os discursos e os instrumentos. Mas a ambição, a sedução do poder, o medo e a capacidade de manipular os outros permanecem surpreendentemente constantes.
Talvez seja por isso que ler o passado seja uma das melhores formas de compreender o presente.
