Fiquei sem internet e sem TV.
Entre conversas com bots, assistentes reais em videochamadas para ver o material e o habitual «liga, desliga e volta a ligar», foi necessário agendar a visita do técnico para hoje até às 13h.
Não apareceu. Falei de novo com o bot várias vezes, sem que ele me compreendesse.
Quando finalmente consegui falar com uma assistente, esta mandou-me esperar.
Às 15h lá chegou o técnico — suado e cansado —, mas, mesmo assim, demorou apenas 1 minuto a identificar e resolver o problema. Era um fio com mau contacto!
No entanto, a visita demorou 52 minutos no total. Ou seja, 51 minutos foram gastos a manobrar o telemóvel em verificações e respostas ao sistema... o que o levou às seguintes expressões:
— Ah... não era assim!
— Não sei o que eles querem dizer com isto!
— Eu trabalho para a NOS e para a Vodafone.
— Ora bolas! Desliguei sem querer! Vou ter de recomeçar!
— Vou ligar ao meu supervisor!
— Não me responde!
— Vou começar de novo.
— Isto está lento!
— Sim! Não!
— Não percebo o que eles querem!
— Não se aplica!
— Não vejo aqui nenhum autocolante!...
Entretanto, soa um sinal sonoro agudo no braço esquerdo do técnico.
— É o alarme de vida! — diz. — 45 segundos é o tempo que demora a ligar o alarme quando o técnico está com o braço quieto. Mais 30 segundos e ligam para a central. Se eu não responder à chamada, ligam para os bombeiros.
Ao menos isso... protegem os trabalhadores. Em caso de queda, têm os procedimentos bem afinados. Até lá, vão-no baralhando, pois está simultaneamente ao serviço da NOS e da Vodafone, com procedimentos nem sempre semelhantes.
Ele até acha que tem um clone para dar conta do recado, mas recebe apenas pelo original.
História de H.G.

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