Em 5 de Janeiro de 1985, Juan Flores, um estofador de Ayamonte, que também se dedicava ao contrabando, deslocou-se no seu barco ao sapal de Castro Marim, perto da foz do Guadiana, para comprar marisco para vender em Espanha. A transação foi interrompida por uma patrulha da Guarda Fiscal e, por razões mal explicadas, um dos guardas, o cabo José Nunes, disparou à queima-roupa contra Juan Flores, que teve morte imediata.
O caso causou grande indignação na população de Ayamonte.
O corpo foi levado para a morgue de Vila Real de Santo António e aqui começa a trama de “Maria La portuguesa”. Durante os quatro dias em que o cadáver ali permaneceu, foi velado por uma misteriosa mulher que o acompanhou, em lugar de destaque, no funeral a que assistiram milhares de pessoas.
“Diz-se” que o que aconteceu “na verdade”, foi um assassinato passional. Nunes, cego por um amor não correspondido por Maria, uma bela jovem que vivia uma paixão idílica com Juan, decide terminar com a vida do seu rival.
Carlos Cano (1946.2000), um cantautor espanhol, compôs e enviou a Amália que a cantou em 1986, quando a voz já lhe fugia. Esta versão da Silvia Perez Cruz é a minha preferida.



