sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

O Enes


- Remédios caros, de 1000mg! E não fazem nada!?. ... Sr. Dr.! Como é???? ... Eu às consultas não falho! Não perco nenhumas! Nem as da fisioterapia. Já fiz 80. Com aquelas pomadas e tudo! E a Dra. disse que já chega?! ... Para este ano. Que tenho de dar lugar aos outros!! Como é????
Só quero que me tratem! Isto não pode ser! Esta dor sempre aqui no enes! Continuada! ... Já fui a Urologia, a Cirurgia, à Reumatologia, à Neurologia, à Psiquiatria, exames e mais exames e ... nada!!!! Nem consigo dormir!!!!! E olhe que eu tomo 15 gotas, mais 150mg e outro pequenino! E nada!...

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Goethe



- ESTOU PERDIDO! DEVO PARAR?
- NÃO! SE PÁRAS, ESTÁS PERDIDO!
Goethe

Roubei esta frase daqui. Tanto que ela me diz, neste tempo de névoa, em que caminhamos envoltos numa turba que nos trucida se a tentarmos suster.
A uns permitem-se "cinco minutos de estupidez". Outros atribuem-se muitos mais.
Pobre Estilicão.
...

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Dez mil guitarras



É um romance.
Ficciona D. Sebastião (O Desejado, O Encoberto) e Alcácer Quibir. Mais os Habsburgo, as guerras religiosas, a loucura do Imperador da Áustria e as irreverencias da rainha Cristina da Suécia.
O elo de ligação é um rinoceronte que veio da Índia para Portugal, para deleite exótico de D. Sebastião, e que a morte atira para aquelas mãos (1578 a 1689) na forma de taça feita com o seu corno, a que eram atribuídos poderes antiveneno e afrodisíacos.

Fundamenta-se na História que se não conta, mas que é determinante, pois tem por base o ideário e as fantasias dos seus personagens.

A autora é uma "of the brightest specialists currently working in the fields of anthropology and psychoanalysis".

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

A board



- Está lá?
- Sim! Diga!
- É por causa da reparação do seu televisor. Tem de levar uma board nova. São 210 Euros. É para arranjar?

É-me difícil duvidar da necessidade daquele arranjo. É gente que tenho por honesta, mas nos tempos que correm, empolar uma avaria é uma "oportunidade" a que muitos não resistem.

Dou o meu "sim" ao mesmo tempo que me assalta à memória a história (contada) de um cirurgião, dado a expedientes, que interrompeu uma cirurgia ginecológica para se dirigir à família, com as luvas sujas calçadas, dizendo: "Surgiu uma complicação! Vamos ter de tirar o apêndice. ... São mais 10 contos. Está bem?"

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Reality show



"O futuro já não é o que era!”. Hoje ele é de quem se projecta cheio da “boa química”.
Há que estar “muito na moda” e irradiar “a boa energia”.
Se souber fazer qualquer coisa de útil, melhor.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Valores






Os nossos “valores”, bloqueiam-nos ou despertam-nos, e fazem de nós aquilo que somos. São sensibilidades que nos choca ver ausentes nos outros.
Julgamos universais o respeito pelo outro, pelos animais, plantas e pelo ambiente, e pasmamos diariamente quando os vemos a toda a hora desrespeitados.
Digo “nossos” porque quero pertencer ao grupo que resiste à banalização da indignidade, principalmente por aqueles que deviam ser exemplo e usam o acesso aos púlpitos para se justificarem pela “necessidade de um momento”, que até se compreende, mas que não se pode deixar de punir.

Lembro-me de numa consulta, numa aldeia de Trás-os-Montes, ter perguntado à mulher, do outro lado da secretária, se era casada e de ter ouvido como resposta um sim, complementado por “Mas o meu marido está preso!”, rapidamente corrigido por “Mas é por matar, não é por roubar!”, não fosse eu pensar que ele não tinha dignidade.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Jacinto Lucas Pires





Ontem fui-te ouvir.

Afirmaste-te escritor, mas não disseste o teu porquê, e ficou no ar se não foi só um ganha-pão a razão desta história sem esqueleto.
Eu entendo a escrita como um desafio para clarificar um pensamento que nos surpreendeu e que registamos, para nós e para procurar sintonias. Talvez também uma vaidade.
O motivo é uma inquietação ou uma surpresa que nos fez ver para além do óbvio e nos desafia a procurar coerências, subentendendo e afirmando com o cuidado de deixar margem para que eventuais leitores possam integrar as suas experiências.

Tens 37 anos. Falaste muito. Deste uma ideia do ambiente de uma Lisboa onde o hedonismo marca os dias, longe do cerne que se sente em quem tem a terra ou a sobrevivência por perto.
Foi isto que eu li neste teu novo livro – “O verdadeiro ator” – mas eu não sou crítico literário.

Expuseste-te, e daí o meu apreço. Foi bom ouvir-te! Não perdi o meu tempo.
Obrigado!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Nanotecnologia



A tecnologia dos últimos cinquenta anos mudou o mundo. Muitas dos benefícios em que diariamente tropeçamos têm por base o trabalho de químicos na produção de novos fármacos, novos materiais, na produção e conservação dos alimentos e no modo como se utilizam os antigos.
A química contribuiu, sem dúvida, para o bem-estar da humanidade, pese embora algumas agressões ao ambiente que, actualmente, são também fortemente consideradas.

Jaime Rocha Gomes, professor catedrático de Engenharia Têxtil da Universidade do Minho venceu recentemente o Grande Prémio BES Inovação com uma tecnologia que reduz significativamente a poluição - a aplicação de nanopartículas de silício coloridas para tingir tecidos, um método que não polui, não exige sal e poupa 70% da água, para além de garantir uma cor mais intensa, uniforme e resistente à lavagem e ao atrito.

Um prémio no Ano Internacional da Química.
Boa sorte para a conquista de "mercado"!
Um abraço!

Parabéns!

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Mau feitio



É uma chatice. Nem com o futebol se aprende a dificuldade em conseguir uma equipe ganhadora, e é ouvi-los dizer, do alto dos seus pedestais, que ninguém é insubstituível.
São meias verdades como estas que nos afundam, quando servem para pôr de lado quem pugna pela qualidade, intitulando-os de "mau feitio".

"Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem." Bertolt Brecht

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

S. Crisóstomo



Rachmaninov: Liturgia de S. João Crisóstomo, Op 31. 'A Misericórdia da Paz”, pelo coro "Russian State Symphony Cappella" de Moscovo.
As imagens são da Igreja do Nosso Salvador no Sangue Derramado em St. Petersburg / Rússia.

São João Crisóstomo (349-407) teólogo e escritor, foi bispo de Constantinopla.
Quis iniciar uma restauração eclesiástica, contra os excessos e a opulência, e deparou com os muitos interesses dos privilegiados. Entrou em conflito com parte do clero que o depôs e desterrou.
Pela sua inflamada retórica, ficou conhecido como Crisóstomo - que em grego significa «boca de ouro».

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Hospitais EPE






O Fundo Monetário Internacional, o Banco Central Europeu e a Comissão Europeia “não são nada [favoráveis] às EPE” garante o presidente da ACSS: “2012 já vai ser um ano diferente, em que os EPE vão ter um controlo idêntico ao [dos hospitais] SPA”.
“A empresarialização dos hospitais foi uma experiência que descarrilou “Nenhum administrador hospitalar foi demitido por ser incompetente”, afirmou Adalberto Fernandes na I Conferência Economia e Financiamento em Saúde,
Miguel Gouveia, professor da Universidade Católica, sublinha que em Portugal não existe “o mecanismo de os hospitais irem a falência”. “Não vão [à falência], nem os fechamos e muitos já teriam desaparecido do mapa, porque são verdadeiras hemorragias de recursos.”
Carvalho das Neves disse que os “hospitais EPE são um saco azul”


... e ninguém fala em discricionalidade associada à correspondente subserviência, nepotismo, favorecimento, corrupção...

A culpa é sempre do "sistema"!

domingo, 4 de dezembro de 2011

Joe Berardo - Cavaco Silva: 3 - 2 (ao intervalo)





Cavaco deve "pedir a resignação"
Económico com Lusa 03/12/11 18:16

O empresário Joe Berardo diz que o Presidente da República não tem conseguido manter o compromisso de «defender os portugueses», nem explicar o seu envolvimento em algumas situações polémicas, pelo que deve «pedir a resignação» do cargo.
"O Presidente da Republica é um pouco responsável por muita coisa que aconteceu até agora", disse o comendador à Lusa, acrescentando: "Acho que o Presidente da República devia pedir a resignação".
"O nosso Presidente da República, não sei por quanto tempo, vai ficar muito zangado, mas não estou preocupado com o PR, estou preocupado é com o que está a acontecer a Portugal, que não há maneira de dar a volta por cima", acrescentou Joe Berardo.
O empresário justifica o pedido de resignação, dizendo que Cavaco Silva está "relacionado com o BPN, ganhou dinheiro, e isso nunca foi bem explicado aos portugueses", e tinha encontros com Oliveira e Costa (antigo responsável do BPN), um "amigo de longa data e homem do fisco do tempo" dos seus governos.
"Vi o Presidente da República dizer publicamente que o Dias Loureiro (antigo ministro e responsável do BPN) era uma pessoa honesta, em quem tinha confiança, mas já saiu", referiu ainda o comendador.
Segundo Joe Berardo, enquanto governante, Cavaco Silva, defendeu também medidas que prejudicaram o sector das pescas de Portugal e «agora diz que o Governo devia lançar-se pelo mar».
Por isso, considera que Cavaco Silva é também responsável por "uma estratégia danosa para o futuro de Portugal, era tudo empréstimos e realmente pensava que não tínhamos que pagar esta dívida".
"Se alguém é responsável pelas coisas com as quais os portugueses estão a ser penalizados, não tem outro caminho senão pedir a resignação", argumenta, realçando que "uma coisa é ser economista e outra é ser dirigente".
E sustenta que Cavaco Silva, que garante que "defende os portugueses", podia começar por dar o exemplo, instando: "Senhor Presidente da República, vá ao país diga que não quer continuar aqui, arranje uma eleição, arranje alguém. Faça como a Itália, onde foram buscar profissionais para reger o país".
O empresário critica ainda Cavaco Silva, sendo "uma pessoa culta", por nunca ter visitado o Museu Berardo, uma referência nacional e internacional.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Médicos Indignados


É Notícia da Página 89 da Revista Visão nº 978:

Cidadania:

Os hospitais poderão paralisar, em 2012, se o Governo não estiver disponível para negociar a criação de uma única carreira médica, acabando com as distinções entre os profissionais da Função Pública e aqueles com contratos individuais de trabalho. No grupo Médicos Unidos, criado há dias no Facebook e já com mais de 4840 especialistas agregados, o tópico mais comentado aponta para a possibilidade de avançarem com uma "greve por tempo indeterminado". Este movimento, que nasceu espontâneamente, sem ligações a sindicatos ou à Ordem, reclama a correcção das "medidas discriminatórias" inscritas no Orçamento do Estado e acusa o Governo de promover "um ataque ao Serviço Nacional de Saúde".

Já pedi para me associar!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

A tropa



Calculo os postos por uma cantilena da infância: “Rei, capitão, soldado, ladrão, …!”. Aos sargentos associo a palavra “lateiro” e a cabo a de … “esquadra”, e a todos eles (em tempo de guerra) a palavra discricionário.
… e lembro a história que me contaram de uma autóctone africana insurgindo-se contra as intenções sexuais pouco ortodoxas de um militar português:
- “Tu mêtê a tua pila de f…, na minha boca de comê? Nem ki foras tineinte!, cabo di merda!

Em tempo de paz a tropa é outra, e, na maior parte das vezes, é possível dizer-lhes:
“Oh meu amigo! Eu já não tenho idade para beber mau vinho!"

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O lado B


Era assim. Comprava-se o Single pela música do lado A, e raramente se tocava o lado B, pois este, por regra, tinha "fraca qualidade". Se queríamos duas músicas "boas", elas estavam necessariamente em discos diferentes, e quem se prezava raramente virava o disco.

Nós também só tocamos o nosso lado A, que é o que "nos vende" e só damos música ao Lado B quando há garantia de não interferência com as "vendas".
As instituições são Juke Boxes com discos sem Lados B registados. É necessário abri-las para que nos possamos surpreender.
Os maus lados B dos homens públicos, são o porquê de “a política não dar currículo, dar cadastro!”, enquanto o de muitos outros são o seu maior valor, apesar do Lado A agradar mais à “moda” … dos outros.

Quando os dois lados se equivalem, tanto que eu gosto deles.
Não é Dr. Jekyll/Mr Hyde?
E... viródisco!