sábado, 30 de abril de 2011

sexta-feira, 29 de abril de 2011

O Dr. Rino



- Sr. Dr! A minha filha entrou aqui no Serviço de Urgência há mais de uma hora e eu não a encontro! Disseram-me que está no consultório do Dr. Rino. Importa-se de me dizer onde fica!?

- Espere um pouco que a enfermeira Cláudia resolve-lhe o problema!

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Exemplos




O Governador do Banco de Portugal diz que: crucial que os decisores de política e os gestores públicos prestem contas e sejam responsabilizados pela utilização que fazem dos recursos postos à sua disposição pelos contribuintes … . Endividaram-se e não quiseram cumprir regras europeias apesar do objectivo de atingir um saldo orçamental próximo do equilíbrio ter sido sistematicamente reiterado …”.

Mas quem é esta gente? Não tem nome? E quem é que os vai responsabilizar?


- Os Tribunais?, ou o povo na rua em milícias populares?

O Estado atribui funções a um gestor que implicam um vencimento e o cumprimento das regras. Por corrupção, incompetência ou vaidade incontrolada, ultrapassa o orçamento que lhe foi disponibilizado, e no fim … NÃO ACONTECE NADA?
A um funcionário são atribuídas funções de chefia e a sua actividade é pautada por frequentes incumprimentos. A qualidade do serviço por que é responsável degrada-se, e no fim … NÃO ACONTECE NADA?


Se calhar é necessário perguntar se não há qualquer compromisso entre eles.
É que são exemplos destes que servem de mote a quem vive de expedientes.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

O enxerto





Dr. ! Eu isso pergunto a um tio do meu marido que é “pró”. Ele está reformado dos Correios, mas esteve sempre ligado à agricultura. Tem os terrenos cultivados que dá gosto. Mas é miudinho até dizer chega! Olhe que já o vi à noite a separar em cima de uma mesa de vidro, baldes de tremoços em pequenos, médios e grandes, com a televisão ligada em frente. Parece que os grandes são para vender, os médios para replantar e os pequenos para adubo! Faz aquilo à mão. Eu comprava um crivo, mas ele gosta de fazer aquilo assim! Tem uma conversa capaz de secar uma palmeira, mas é muito boa pessoa e faz muito bem enxertos.
Há um ano pedimos-lhe para ele ir lá a casa enxertar uma pereira que, apesar dos tratamentos, só dava peras podres. Enquanto trabalhava esteve sempre a falar com a árvore e até lhe pôs a sua “saliva milagrosa”, mas no mês seguinte a pereira morreu. A minha mãe diz que foi da conversa.

terça-feira, 26 de abril de 2011

A Incompetência







Sempre me embaraçou a incompetência. Venha ela de onde vier. Ao erro estamos todos sujeitos, mas quando nos metemos a fazer coisas para as quais não adquirimos ou perdemos competências, merecemos punição.
O gesto inteligente é pedir ajuda, e não jogar na baixa probabilidade de poder correr bem e sermos uns heróis.

Um amigo meu diz que "só domina uma técnica quem é capaz de resolver as suas complicações". Fazer direito quando tudo corre bem, tem muito pouco saber, digo eu.

Na Medicina, a incompetência é uma aflição, pois pode não haver tempo para corrigir.
Aqui os grandes incompetentes vestem-se de gente “séria”, fazem um jogo complexo de partilha de confidências e amabilidades subservientes, e com isso conseguem a bonomia dos seus pares e chefias quando a bronca lhes rebenta nas mãos.

Como se actuarem isolados correm o risco de reprimenda, "sabedores do que a casa gasta", encobrem-se em embrulhadas que envolvam outros, inibindo assim quem não sabe ou não quer diferenciar o erro da incompetência.
Como estes são a maioria, a burrice floresce … democraticamente.

domingo, 24 de abril de 2011

O jornal


Quem contava isso era a Cacilda, que o homem era da terra dela. Talvez a tivesse ouvido à mãe que foi professora primária. Vizela, naquela altura tinha umas Termas muito concorridas.
O “Manuelzinho das Pimpas”, enriquecera com o vinho, mas mantivera-se analfabeto. Ficou-lhe o nome por andar sempre a falar das pimpas que produzia.
Quando ia a Vizela, ficava intrigado com as esplanadas dos cafés cheias de termalistas a ler o jornal. Até que um dia resolveu comprar um, embora não soubesse ler.
Numa das bancas perguntou: -“Quanto custa o jornal?” Responderam-lhe: - “Dez tostões!”, e aí ele retrucou, espantado: - “Eh, carago! Que barato! Dê-me dois!”.

sábado, 23 de abril de 2011

Dr. dê-me um tónico!





Sr. Dr.! Dói-me a crise
Dói-me a dívida
Mais as tricas
E os resgates.
Sinto as toikas
Que decidem a insolvência
E a estratégia
Que me cansa a paciência.

Oh! Dr.! O que é que faço
Com o rating
Q’inviabiliza o manifesto
E o orçamento
Que me põe em baixo o mento?
O que é que digo
aos omissos compromissos
Que não querem execução?

Sr. Dr.! Pense um pouco
E me diga o que valem os milhões
e complementos
dessa dívida soberana
que empurra os credores,
esses senhores
E os custos desses justos.

Dr. Eu não durmo
Com o financiamento do momento
a reestruturação da recessão
A maturidade dos títulos
E os cenários mais prováveis!
Dr.! Eu desmaio com os custos
e a pressão da convergência
dos mercados atiçados
Em austeridades de cão

Oh Dr. dê-me um fôlego
que me tire do fracasso
Que me torne a carne em aço
e me escude destes PIB, destes PEC
Destes Fundos
Dos empréstimos
Das rejeições oficiais
das impertinências dos jornais
e me deixe a porta aberta
p’ra que eu possa respirar

Dr. dê-me um tónico por favor!

sexta-feira, 22 de abril de 2011

O Subsídio


- Faz favor de se sentarem!
- Antes de mais, Sr. Dr., quero agradecer ter antecipado a consulta da minha filha para hoje. De facto, como ela estuda Design Gráfico nas Caldas da Rainha, tinha de faltar às aulas, sem contar com o incómodo das deslocações a meio da semana!
- De nada! Mas do modo como a sua familiar, que é aqui enfermeira, me falou, deixou-me pouca possibilidade de recusar. Mas então qual é o problema!
- Dr.! Ela sofre da rinite alérgica. Andou anos na consulta de Pediatria, chegou a fazer vacinas e melhorou. Ocasionalmente ainda tem crises de falta de ar, como a última, há uns quatro meses, em que teve de ir às urgências depois de uma constipação. Agora toma todos os dias Aerius, um spray para o nariz e o Singulair e anda bem. ... Mas a principal razão desta consulta é a declaração para o subsídio!
- Bem! Assim à primeira vista, a sua filha, parece saudável, mas deixe-me observá-la, não vá aparecer qualquer surpresa.
… minutos depois concluo:
- Desculpe, minha senhora, mas eu não lhe passo esse documento, porque a sua filha, apesar de ter uma rinite alérgica e uma asma intermitente, é uma pessoa saudável e com normal capacidade de esforço!

E pronto! ... A partir daqui esmorecem os sorrisos, e inicia-se a via dolorosa para a fazer entender que esse subsídio, que lhe foi dado por múliplos médicos, é um abuso. Não entende, e responde-me como se eu não tivesse dito nada:
- Dr.! Ela sempre teve subsídio! Só agora, por o médico dela se ter reformado e já não ser aceite na Pediatria, é que ficou sem ter quem lho passasse.
- Lamento, minha senhora! Mas isto não tem nada de pessoal. Recuso pôr uma cruz num quadrado, onde identifico um doente como “deficiente”, por ter uma alergia desta gravidade, só para dar direito a um subsídio aos pais com crianças deficientes a seu cargo.
- O Dr. podia passar. Não lhe custava nada!
- De facto não custava. Quem iria pagar era o Estado, e não faria diferente do que a maior parte dos alergologistas fez, e não sei se ainda faz. Mas não é esse o meu entendimento.
- Dr.! Desculpe insistir, mas nós já contamos com esse dinheiro para o plano do mês!
- É definitivo. Não passo! E digo-lhe mais. Sempre que recebo algum doente que vem da Pediatria é quase obrigatória uma conversa deste teor, independentemente da capacidade financeira das famílias.
- O Dr. não passa, mas eu sei que há médicos que passam, que um vizinho meu, recebe!
- Então pergunte-lhe quem foi o médico que passou esse documento, vá ao seu consultório e peça-lho! Aqui tem a receita e a marcação para Agosto, para não faltar às aulas.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Bocage




Camões, grande Camões, quão semelhante
Acho teu fado ao meu, quando os cotejo!
Igual causa nos fez, perdendo o Tejo,
Arrostar co'o sacrílego gigante;

Como tu, junto ao Ganges sussurrante,
Da penúria cruel no horror me vejo;
Como tu, gostos vãos, que em vão desejo,
Também carpindo estou, saudoso amante.

Ludíbrio, como tu, da Sorte dura
Meu fim demando ao Céu, pela certeza
De que só terei paz na sepultura.

Modelo meu tu és, mas... oh, tristeza!...
Se te imito nos transes da Ventura,
Não te imito nos dons da Natureza.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Conversa ao Café




-Mas porque é que não me conta?
-Na altura calei-me, e agora não tenho moral para falar, mas se o tivesse denunciado tinha infernizado a minha vida e a dos meus.
- Aceito! Mas passado tanto tempo, há coisas que perdem actualidade e são observadas com outros olhos!
- O Dr. sabe, tão bem como eu, que havia médicos que se cobravam das cirurgias que faziam aqui no Hospital público. Olhe que, a um deles, um familiar meu pagou duzentos e cinquenta contos … em Libras. Também era gentinha da aldeia que fazia tudo o que lhe pediam.
- Eu sempre "ouvi falar" em coisas dessas, mas nunca tive prova de que fosse verdade. Sei de doentes que iam aos consultórios particulares com o intuito de terem preferência e serem operados mais rapidamente no público. Um deles, que era construtor civil, até ouviu "eu opero-o pela Caixa, se você me vender também uma casa pela Caixa!", mas de pagamentos ... por cirurgias efectuadas cá dentro, nunca soube de fonte fidedigna!
- Oh Dr., deixe-me estar calada! A Dra. X que agora anda aí, pelas igrejas e em “acções humanitárias”, tinha um tal desrespeito pelos doentes, que eu ainda agora me admiro como ninguém lhe pôs travão! Eu sei que em todas as profissões há maus profissionais. Pena é que as chefias não queiram ou não tenham meios para os travar.


- É verdade. No nosso país a Justiça cria tantas dificuldades que, se do lado de lá está alguém com dinheiro, quem sai enchovalhado somos nós.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Academia de Música de Viana do Castelo












Hoje na Igreja de S. Domingos, o Coro da Academia de Música e a Orquestra da Escola Profissional de Música de Viana do Castelo, interpretaram o Requiem de Mozart.
Um espectáculo a começar às 21:30h, casa cheia e gente sentada no chão às 21:00h.

A prata da casa a dar orgulho à cidade!

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Diagnose Póstuma



É uma realidade. Depois do diagnóstico, não falta quem apareça a explicar todos os meandros dos "como e dos porquês".
É assim em todas as áreas do conhecimento, da Medicina à Política. Tudo é complexo quando não conseguimos encontrar uma linha de pensamento que nos leve à solução (o tal fio que Ariadne colocou no Labirinto e que permitiu a Teseu matar o Minotauro), mas uma vez colocados no caminho correcto, a evidência é tão grande que começamos a pensar que fomos nós que tivemos a ideia.
No Mundo Ocidental (à excepção da Alemanha) as autópsias sem intuito Médico-Legal, caíram em desuso, não só porque a qualidade dos estudos imagiológicos melhorou muito, mas também porque os médicos se confrontavam frequentes vezes com resultados inesperados e determinantes para o desenlace fatal, que na mesa de autópsia os desacreditavam.
Actualmente, na Política, é mais difícil enterrar os erros e não faltam na Comunicação Social os painéis de comentadores a fazer "diagnose póstuma".
É que "Depois da noiva casada, não faltam pretendentes!"

domingo, 17 de abril de 2011

Beethoven para visuais


Há os auditivos, que “emprenham pelos ouvidos”, e os visuais, que não resistem ao belo.
Ambos são vítimas, se ninguém os ajudar.
Este 2º andamento da 7ª Sinfonia de Beethoven é para ver e ouvir … muitas vezes! Primeiro porque é excepcional. Depois porque é um desafio procurar identificar visualmente os diferentes instrumentos e as suas melodias.

sábado, 16 de abril de 2011

A Natureza


Ahhh! a Natureza!
A Natureza é tão linda! Os passarinhos no céu, as formiguinhas nos seus carreiros, as flores, o sol, o calor …
Mas, no meu jardim, mal acaba o tempo frio ... começam os meus trabalhos. É podar, limpar das folhas caídas, desenvencilhar-me das ervas daninhas, matar o piolho, a cochonilha, o pedrado da maçã, a lepra do pessegueiro, mais a toupeira e os ratos na lenha, desparasitar o cão e o gato, cortar relva, verificar o sistema de rega …
É que a natureza deixada à solta, é muito agressiva!

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Fim de festa


- E as luzes?
- Como o sol do meio-dia!
- E o foguetório?!
- Do melhor! Morra o homem, fique a fama!
- E quem paga?
- Depois, vê-se!
Parece que o FMI quer por ordem em Portugal e acabar com a festa dos nossos políticos e aprendizes, espalhados pelo Poder Local.
Fico á espera da receita para a Justiça.