domingo, 19 de junho de 2011
Velhos
Jacques Brel - LES VIEUX – Original de 1963
Les vieux ne parlent plus ou alors seulement parfois du bout des yeux
Même riches ils sont pauvres, ils n'ont plus d'illusions et n'ont qu'un coeur pour deux
Chez eux ça sent le thym, le propre, la lavande et le verbe d'antan
Que l'on vive à Paris on vit tous en province quand on vit trop longtemps
Est-ce d'avoir trop ri que leur voix se lézarde quand ils parlent d'hier
Et d'avoir trop pleuré que des larmes encore leur perlent aux paupières
Et s'ils tremblent un peu est-ce de voir vieillir la pendule d'argent
Qui ronronne au salon, qui dit oui qui dit non, qui dit: je vous attends
Les vieux ne rêvent plus, leurs livres s'ensommeillent, leurs pianos sont fermés
Le petit chat est mort, le muscat du dimanche ne les fait plus chanter
Les vieux ne bougent plus leurs gestes ont trop de rides leur monde est trop petit
Du lit à la fenêtre, puis du lit au fauteuil et puis du lit au lit
Et s'ils sortent encore bras dessus bras dessous tout habillés de raide
C'est pour suivre au soleil l'enterrement d'un plus vieux, l'enterrement d'une plus laide
Et le temps d'un sanglot, oublier toute une heure la pendule d'argent
Qui ronronne au salon, qui dit oui qui dit non, et puis qui les attend
Les vieux ne meurent pas, ils s'endorment un jour et dorment trop longtemps
Ils se tiennent la main, ils ont peur de se perdre et se perdent pourtant
Et l'autre reste là, le meilleur ou le pire, le doux ou le sévère
Cela n'importe pas, celui des deux qui reste se retrouve en enfer
Vous le verrez peut-être, vous la verrez parfois en pluie et en chagrin
Traverser le présent en s'excusant déjà de n'être pas plus loin
Et fuir devant vous une dernière fois la pendule d'argent
Qui ronronne au salon, qui dit oui qui dit non, qui leur dit: je t'attends
Qui ronronne au salon, qui dit oui qui dit non et puis qui nous attend.
John Denver - Old folks - versão inglesa de 1970
The old folks don't talk much
They talk so slowly when they do
They are rich they are poor
Their illusions are gone
They share one heart for two
Their homes all smell of time
Of old photographs
and an old fashioned song
Though you may live in town
You live so far away
when you've lived too long
Have they laughed too much
Do their dry voices crack
talking of things gone by
have they cried too much
A tear or two still always seems
To cloud the eye
They tremble as they watch the old silver clock
When day is through
tick tock oh so slow
It says yes it says no
It says I wait for you
The old folks dream no more
Their books have gone to sleep
the piano's out of tune
the little cat is dead
and no more do they sing on a sunday afternoon
The old folks move no more
Their world become to small
their bodies feel like lead
they might look out a window
or else sit it a chair
or else they stay in bed
and if they still go out
arm in arm, arm in arm
in the morning chill
its to have a good cry
to say their last goodbye
to one who's older still
and then they go home
to the old silver clock
when day is through
tick tock so so slow
it says yes it says no
it says I wait for you
the old folks never die
they just put down their heads
and go to sleep one day
they will hold each others hands
like children in the dark
but one will get lost anyway
and the other will remain
just sitting in a room
which makes no sound
it doesn't matter now
the song has died away
and echo's all around
you'll see them as they walk
through the sun filled parks
where children run and play
it hurst to much to smile
it hurts so much
but life goes on for still another day
as they try to escape the old silver clock
when day is through
tick tock oh so slow
it says yes it says no
it says I wait for you
the old old silver clock
thats hanging on the wall
that waits for us all
Num tempo em que a música popular abordava problemas sociais.
sábado, 18 de junho de 2011
Palito Métrico
- Nos quoque gens sumus, et quoque cavalgare sabemus!
- O quê?
- “Nós também somos gente e também sabemos cavalgar!”. Isto é Latim macarrónico de “Palito Métrico”, que era usado em Coimbra pela comunidade académica. Íamos lá buscar frases para dar ênfase ao que se queria dizer. Na altura ter alguns conhecimentos de latim era comum entre os universitários, pelo que os trocadilhos e jogos de palavras que por lá se encontravam tinham, para nós, graça e significância, para além de ser uma espécie de dialecto estudantil.
Nesta frase é evidente a pretensão ao associar o ser gente ao saber cavalgar, e usava-se para aqueles que por terem tido uma formação elementar pensam que sabem “cavalgar” uma profissão.
- O quê?
- “Nós também somos gente e também sabemos cavalgar!”. Isto é Latim macarrónico de “Palito Métrico”, que era usado em Coimbra pela comunidade académica. Íamos lá buscar frases para dar ênfase ao que se queria dizer. Na altura ter alguns conhecimentos de latim era comum entre os universitários, pelo que os trocadilhos e jogos de palavras que por lá se encontravam tinham, para nós, graça e significância, para além de ser uma espécie de dialecto estudantil.

Nesta frase é evidente a pretensão ao associar o ser gente ao saber cavalgar, e usava-se para aqueles que por terem tido uma formação elementar pensam que sabem “cavalgar” uma profissão.
sexta-feira, 17 de junho de 2011
Paulo Macedo
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Hostel


- Não é Hostal?
- Não! É Hostel. É um modo diferente de fazer turismo. Primeiro os preços são mais em conta, porque se oferece uma cama num espaço que pode ser comum e depois porque se criam condições para que haja encontros entre quem anda a viajar para conhecer o mundo. É um conceito dirigido principalmente à gente nova. Basicamente é uma Albergue de Juventude, com uma sala comum com Net, TV e possibilidade de jogos de sala como damas, xadrez, cartas ... . Oferece-se o banho e a possibilidade de confeccionar pequenas refeições numa cozinha comum. É o ideal para a malta nova que anda a passear pelo mundo e que gosta de se conhecer.
- E por quanto é que fica uma dormida?
- Se for numa sala com mais três, fica por dezassete Euros, se for num quarto de casal, vinte a cada um. Vai ser giro, vais ver! Agora ainda há obras, mas daqui por um mês vais estar tudo arranjado. Braga vai ser a Capital Europeia da Juventude em 2012 e um espaço como este, no centro da cidade, vai certamente ter sucesso. Ainda não o posso publicitar, porque estou em obras e não tenho as fotos para pôr na Net, mas num mês vão estar lá!
- Boa sorte!



terça-feira, 14 de junho de 2011
domingo, 12 de junho de 2011
O Sr. Salsão

- Então esse não era aquele que não estava suficientemente mal para estar internado, nem suficientemente bem para ter alta?
- Não! Este teve uma pneumonia que devia ter sido tratada no seu Hospital de residência mas, como lhe foi diagnosticado, na mesma altura, infecção HIV, ficou cá. Entretanto surgiram uma série de complicações que prolongaram o internamento por cerca de dois meses. Planeamos-lhe a alta. O Serviço Social confirmou que ele vivia com o irmão em Vila do Conde, numa situação já conhecida pelas “forças vivas” da cidade. Organizámos-lhe os medicamentos para lhe fosse fácil cumprir o tratamento, marcou-se consulta externa e chamou-se a ambulância para o pôr em casa. Só que os bombeiros recusaram deixá-lo lá, porque a casa “não tinha condições”, e trouxeram-no de novo para o hospital. Por sorte só veio ele, pois com este argumento podiam ter trazido também o irmão, que lá estava.
- E o homem não se manifestou?
- Nada! Deve ter ouvido as conversas e ficou à espera que lhe arranjassem uma solução melhor. O problema foi posto às instâncias superiores e depois de várias diligências, arranjaram-lhe um quarto numa Pensão aqui, onde o homem não conhecia ninguém. Esteve lá uma semana. Depois desapareceu. Alertaram a Polícia e foram encontrá-lo … no Algarve. Como lá chegou, não sei! Trouxeram-no de volta à … Pensão.
- Mas ele estava assim tão degradado?
- Quando chegou, na primeira vez, parecia um bicho, mas depois do banho e lhe terem cortado a barba e as unhas, era um tipo magro de olhos pequeninos, com ar modesto e agradecido. Andava pelos 50 anos.
- E depois? Aguentou-se?
- Não! Uns tempos depois apareceu morto! Não sei do que foi. São vidas terríveis as dos sem-abrigo. Todos os pertences num saco de plástico, os Albergues só para as noites, as refeições das ONG e aquelas cabeças a não ajudar.
- É bem certo "Deus ajuda, quem se ajuda" e mesmo a esses, ás vezes, ajuda mal!
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Aldeias Preservadas (?)
Uma deriva a Armamar, a "capital da maçã de montanha", para ver se está em alta como o Douro Vinhateiro.
Terrenos de cultivo sem evidência de abandono. Pomares, abundantes e bem tratados e cerejas de vinte valores.
Nas aldeias, vê-se um esforço (individual e colectivo), mas abunda o alumínio e o mau gosto, com as casas e os espaços a implorar um restauro que lhes mantenha um mínimo de memória.
Para quando o concurso de quem sabe?
Tanto arquitecto no desemprego!
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Alto Douro Vinhateiro
Na foz do rio Távora tomamos café numa esplanada sobranceira ao Douro, aconchegados pelos montes que abraçam o rio, que majestosamente serpenteia. É o princípio deste dia no Douro Vinhateiro, Património da Humanidade desde 2001.
Passado o Pinhão, subimos a Casal de Loivos para uma panorâmica dos vinhedos que com os socalcos, os patamares com os seus taludes e a vinha "ao alto" nos declives menos acentuados, dão aos montes a regularidade de uma verde manta de retalhos da monocultura.
As quintas internacionalizaram-se e os seus proprietários, são agora gente de muitos teres que requalificaram as casas para Enoturismo, Turismo em Espaço Rural e para casamentos e outros eventos, a preços internacionais.
Os baldios foram reconvertidos em vinhas e já não se vêm os mortórios que ainda há dez anos pontuavam na paisagem. Produzem-se vinhos com denominações de origem “Porto” e “Douro” para consumo e exportação (muito para os PALOP e sonha-se com a China).
Os nomes Américo Amorim, Eduardo dos Santos, Miterrand e outros igualmente sonantes surgem amiúde.
Visitamos a Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo associada ao primeiro.
É a filha que faz a gestão. Almoçamos na esplanada, pão, vinho e uma tábua de queijos e enchidos. 
Na recepção dizem-nos que estão cheios e pelo modo como o recepcionista nos fala percebe-se a sua maior disponibilidade para o público estrangeiro. Mesmo assim disponibiliza-se para nos guiar numa visita à adega e nos mostrar os “Ferrari” onde o vinho é processado.
Tudo em grande!
Não resisto e pergunto-lhe se usam rolhas sintéticas nos vinhos destinados a serem consumidos muitos anos depois de engarrafados, e sou fulminado por uns cabelos em pé, pois "as rolhas do Sr. Amorim têm o problema do TCA resolvido". Ainda lhe pergunto o que é o TCA, mas ele adianta-se e orienta-nos para fora da sala onde estão armazenadas as garrafas destinadas à História.
(Nota: O TCA, abreviatura de 2,4,6- Tricloroanisole, é um químico encontrado em produtos alimentares e líquidos. Quando contaminados com TCA, os vinhos apresentam um "sabor a rolha" , mas a contaminação pode ter outras origens. O TCA resulta da actividade de microorganismos, como os fungos Penicilium e Trichoderma).
De volta à Régua, passagem pelo Miradouro de S. Leonardo de Galafura para nova vista sobre o vale. Jantamos num armazém a preços do centro da Europa, rodeados de ingleses, com a sensação de que Portugal não sobrevive muito tempo.
Passado o Pinhão, subimos a Casal de Loivos para uma panorâmica dos vinhedos que com os socalcos, os patamares com os seus taludes e a vinha "ao alto" nos declives menos acentuados, dão aos montes a regularidade de uma verde manta de retalhos da monocultura.
As quintas internacionalizaram-se e os seus proprietários, são agora gente de muitos teres que requalificaram as casas para Enoturismo, Turismo em Espaço Rural e para casamentos e outros eventos, a preços internacionais.
Os baldios foram reconvertidos em vinhas e já não se vêm os mortórios que ainda há dez anos pontuavam na paisagem. Produzem-se vinhos com denominações de origem “Porto” e “Douro” para consumo e exportação (muito para os PALOP e sonha-se com a China).
Os nomes Américo Amorim, Eduardo dos Santos, Miterrand e outros igualmente sonantes surgem amiúde.
Visitamos a Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo associada ao primeiro.
Na recepção dizem-nos que estão cheios e pelo modo como o recepcionista nos fala percebe-se a sua maior disponibilidade para o público estrangeiro. Mesmo assim disponibiliza-se para nos guiar numa visita à adega e nos mostrar os “Ferrari” onde o vinho é processado.
Não resisto e pergunto-lhe se usam rolhas sintéticas nos vinhos destinados a serem consumidos muitos anos depois de engarrafados, e sou fulminado por uns cabelos em pé, pois "as rolhas do Sr. Amorim têm o problema do TCA resolvido". Ainda lhe pergunto o que é o TCA, mas ele adianta-se e orienta-nos para fora da sala onde estão armazenadas as garrafas destinadas à História.
(Nota: O TCA, abreviatura de 2,4,6- Tricloroanisole, é um químico encontrado em produtos alimentares e líquidos. Quando contaminados com TCA, os vinhos apresentam um "sabor a rolha" , mas a contaminação pode ter outras origens. O TCA resulta da actividade de microorganismos, como os fungos Penicilium e Trichoderma).
De volta à Régua, passagem pelo Miradouro de S. Leonardo de Galafura para nova vista sobre o vale. Jantamos num armazém a preços do centro da Europa, rodeados de ingleses, com a sensação de que Portugal não sobrevive muito tempo.
terça-feira, 7 de junho de 2011
Aldeias raianas
- Vamos por cima e passamos por Pitões de Júnias, que talvez ainda lá viva gente e, pelo caminho, passamos por algumas aldeias a ver o "progresso".
Primeira e segunda aldeias. O melhor é o que lembra o passado. O que é recente ... assusta. De onde em onde um sinal de preservação.
Mosteiro de Sta Maria das Júnias antes do almoço, para fazer apetite e lembrar que desde os primórdios de Portugal há gente que prefere o isolamento ao bulício.
Vinte minutos para lá, quarenta para cá, com passagem pela cascata.
Na Casa do Preto picamos enchidos e queijo com pão de centeio e vinho da terra do Sócrates (Vilar de Maçada) ao som de uma telenovela brasileira.
- Isto aqui dá para viver?
- É oito ou oitenta. Há fins de semana em que não chegamos para as solicitações e à semana e no Inverno é o lá vem um!
- E gente nova há?
- Não querem ficar aqui!
- Nem nós! ... Está visto!
segunda-feira, 6 de junho de 2011
domingo, 5 de junho de 2011
O mundo imaginário
Onde os "bailarinos fingem que tocam instrumentos".
Isto é espectáculo! É história isto a que estamos a assistir!
sábado, 4 de junho de 2011
Censurado

Como os meus leitores devem entender, não devemos pôr a público todos os pensamentos, principalmente quando eles envolvem pessoas por quem temos estima.
Há que ser contido, mesmo quando se trata de afectos positivos, para deixar que os pequenos sinais diários tenham mais significado que as exuberantes afirmações, pois é nessa filigrana que se fortalecem as relações.
O texto que hoje este substitui, foi um "estado de alma", com fragmentos impróprios para ser repetidos fora de portas, quanto mais para lá do atlântico, como acontece neste Blog, com 50% dos leitores no continente americano.
Por este motivo foi AUTOCENSURADO.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Gajas Boas
Este sketch tem muito a ver com o "português típico".
Faz a pergunta como se soubesse a solução, dá a resposta fundamentado num facto ocasional e por fim quase pede desculpa ao admitir poder estar enganado.
Parabéns RAP! Pena que o tivesses prolongado tanto.
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Aninhas

Aninhas estava doente
No peito tinha uma dor
Eu bem te dizia Aninhas
Que chamasses o doutor.
Lá vem o senhor doutor
Com a lanceta na mão
Para lancetar Aninhas
À beira do coração
À primeira lancetada
Deu um ai que comoveu
À segunda lancetada
Suspirou e morreu!
Era isto que me cantavam na infância, com voz doce e maviosa, para me acalmar e adormecer, enquanto eu a balbuciava, mecanicamente, sem lhe atribuir qualquer significado negativo.
Agora ponho-me a pensar em quem se alheia do que se diz e se deixa embalar pela doçura de uma voz, e é curioso neles encontrar os "indignados de outrora" que entretanto se acomodaram.
Bertrand Russel (1872-1970) terá dito, que o livro mais dramático que algum dia lera foi "As viagens de Gulliver" - 1726 de Jonathan Swift (Dublin, 1667 - 1745).
...No peito tinha uma dor
Eu bem te dizia Aninhas
Que chamasses o doutor.
Lá vem o senhor doutor
Com a lanceta na mão
Para lancetar Aninhas
À beira do coração
À primeira lancetada
Deu um ai que comoveu
À segunda lancetada
Suspirou e morreu!
Era isto que me cantavam na infância, com voz doce e maviosa, para me acalmar e adormecer, enquanto eu a balbuciava, mecanicamente, sem lhe atribuir qualquer significado negativo.
Agora ponho-me a pensar em quem se alheia do que se diz e se deixa embalar pela doçura de uma voz, e é curioso neles encontrar os "indignados de outrora" que entretanto se acomodaram.
Bertrand Russel (1872-1970) terá dito, que o livro mais dramático que algum dia lera foi "As viagens de Gulliver" - 1726 de Jonathan Swift (Dublin, 1667 - 1745).
Como diferem os olhares!
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