quarta-feira, 5 de agosto de 2015
Uma Opinião "Pragmatista" a considerar.
Um primeiro passo, simples, mas por isso impossível.
Os partidos políticos em Portugal estão ainda divididos ideologicamente entre "extrema-esquerda", "esquerda", e "direita". O "centro", onde deveria residir o pragmatismo, está desocupado. Inexplicavelmente, a "extrema-direita" também não tem ninguém, … mas o país só ganha com isso.
Os vários partidos de extrema-esquerda e de esquerda, o PCP, os Verdes, o BE, para nomear só os que estão representados no Parlamento, estão separados pela proximidade e distinções sem diferenças, e estão permanentemente engalfinhados, lembrando o conflito entre a Judean People's Front, a People's Front of Judea e a Popular Front of Judea no filme Life of Brian dos Monty Python. Acreditam que o Estado é a solução para tudo e para todos, e são, numa avaliação generosa, utópicos e líricos, mas a historia ensina-nos que, no poder, se comportam como os partidos da extrema-direita. Os dirigentes criticam, com o desdém pseudo-intelectual de quem pensa ser possuidor da única verdade, todos os que acham que o Estado é por regra mau investidor e pior gestor. São apoiados por alguns poetas líricos, mas principalmente pelos invejosos que querem nivelar tudo por baixo e procuram usufruir sem esforço da riqueza produzida por outros. A esquerda já governou Portugal e ainda há memória do que aconteceu. Não vão nunca evoluir e estão estagnados naquele espaço cómodo de constante critica, que por vezes é até útil, exigindo regalias, a que chamam direitos, que seriam incapazes eles próprios de realizar, na certeza de que nunca mais vão ser chamados a governar. Não são fiáveis.
O PS, dizendo que é um partido de esquerda, que não é, tenta ocupar o centro, mas ao tentar ser tudo para todos, acaba por não ser nada para ninguém. Manteve-se no poder durante anos "comprando" os votos dos Portugueses com uma prosperidade virtual conseguida com dinheiro emprestado. É o principal responsável pelo buraco onde Portugal se encontra. Não fez acto de contrição e dá indícios de poder voltar ao mesmo. Não é fiável.
Os partidos de direita (PSD e CDS/PP) são apoiados por uma mistura de pequenos e médios empreendedores que não quer o Estado às costas e por oportunistas manhosos que exploram as imperfeições do Capitalismo sem ética e mal regulamentado. São também apoiados pelos que têm horror ao Socialismo, em qualquer das suas formas, e temem que o poder caia de novo nas mãos do "povo unido", e escolhem o mal menor. Em coligação governamental estão a atacar os sintomas da crise económica da forma mais fácil, descurando as causas, sem fazer a reforma do Estado, o que garante uma nova crise num futuro mais ou menos próximo. Não são fiáveis.
O PS, o PSD e o CDS/PP são colectivamente responsáveis pela relação incestuosa entre a política e a economia, que é responsável pela corrupção, que é uma das causas da actual situação de Portugal. Não se vislumbra qualquer vento de mudança. Não são de fiar. Com estes partidos Portugal não sai da cepa torta. É essencial que esta situação dê um salto qualitativo. Evolução e não revolução.
É urgente que surja um Partido Republicano, pragmático, para defender a res publica, tanto da Esquerda utópica e da invejosa, como da Direita ultra-liberal e da manhosa. É fundamental não cair da tentação de apoiar auto-proclamados messias, ou grupos de Salvação Nacional, de espírito "Abrilista", como o Livre, o Podemos e o Syriza, todos infectados do vírus esquerdista/populista. Estes indivíduos ou movimentos poderão até ter no início boas intenções, mas todos sabemos que lugar está já cheio de boas intenções.
A solução pragmática talvez passe por reciclar o que que já existe - uma fusão qualificada entre o PS e o PSD. Os membros mais conservadores e menos comprometidos do PS (que de Socialista, para além do nome, tem muito pouco), e os membros menos liberais e menos comprometidos do PSD (que de Social-Democrata já não tem nada) poderiam formar a base de um partido politico para ocupar o Centro. Este partido poderia apresentar aos Portugueses um programa de governo realístico e pragmático, sem estar acorrentado a ideologias, fazer finalmente a tal reforma do Estado, encorajando e regulamentando a actividade económica privada sem a asfixiar, promovendo a livre concorrência, investigando eficientemente as actividades ilegais e fazendo cumprir a lei com celeridade e rigor.
Um primeiro passo, essencial, para eliminar a partidocracia perniciosa que está na raiz de tudo, será rever a Constituição para permitir a eleição uninominal dos deputados para que estes respondam directamente aos cidadãos que os elegeram e não aos partidos que os nomearam.
Um partido com estas características acabaria por se impor num Parlamento realmente eleito pelo povo, forçando o PS, o PSD e o CDS/PP a evoluir sob pena de se tornarem irrelevantes.
Se os Portugueses quiserem, poderiam finalmente ter um país viável para entregar às próximas gerações.
Texto assinado por um "Anónimo"
terça-feira, 28 de julho de 2015
A Corymbia

-Pára! Pára!
-Que foi?
-Volta atrás, que eu quero ver aquela árvore!
-Onde?
-Na Sereia da Gelfa. Volta atrás que a Corymbia está em flor e eu quero vê-la de perto, outra vez. Não deve haver em Portugal outra tão linda como esta. Quem a vê o resto do ano toma-a por um eucalipto, com quem é aparentada. Esta floração é um espanto. Há outra de flor vermelha, lá atrás. Vamos vê-las, que este fogo não dura mais que duas semanas!
O nome correcto é Corymbia ficifolia. É natural da Austrália como os eucaliptos. É uma lotaria ter uma destas. Não florescem antes dos nove anos e não é possível garantir a cor da sua flor. Pode sair branca, rosa, púrpura, vermelha ou laranja, já que se pode cruzar com uma “prima” a Corymbia calophylla que tem flores brancas ou rosadas. Como não pega de estaca e tem de ser semeada há que esperar para ver.
-É o paraíso das abelhas. Vou dizer à Né para vir vê-la, que ela é doida por flores e, por certo, não conhece estas! Ou melhor! Vou esperar que ela venha aqui!sábado, 25 de julho de 2015
"Noblesse oblige"!
- Tens de comprar pijamas de verão! Os que tens estão velhos e, na nossa idade, há que cuidar da roupa interior!
Constato a minha surpresa com esta afirmação. Mesmo sem intenções de morrer nos próximos tempos, a probabilidade de um achaque que nos leve a um Serviço de Urgência torna um buraco numa meia, umas boxers remendadas ou um pijama surrado, um cartão-de-visita nada recomendado, principalmente quando nos conhecem e nos tomam por “desafogado”.
Há que estudar a moda, deitar fora o que está “ruim” e rever a malinha dos "precisos" para que a imagem se não deteriore mais do que aquela que os anos vão causando.
Que o embrulho não nos apouque quando já estivermos diminuídos.
sexta-feira, 24 de julho de 2015
A dona Gracinda
A dona Gracinda escreve todos os dias. Vai a meio do caderno. Também gosta de agrupar moedas, umas em cima das outras, e das suas três bonecas. Para o Hospital só trouxe uma.
Vive acarinhada pelas irmãs mais novas. Uma meningite, na infância, limitou-a. Se lhe perguntarem a idade dirá, depois de muita insistência, um ou quatro, que são os números que conhece.
Há bem pouco tempo seria “medicamente” classificada como uma “imbecil” (do lat. “imbecillis”- ‘frágil’, ‘débil’, ‘vulnerável’) e não uma “idiota” (do grego idhiótis, um cidadão "privado" –usado depreciativamente, na antiga Atenas, para se referir a quem se apartasse da vida pública), por ter tido capacidade para adquirir linguagem falada e um desenvolvimento intelectual que permite um mínimo aprendizado, como o de conservar a capacidade de obedecer a ordens e cumpri-las de forma satisfatória.
Era assim a Tríade da Oligofrenia (do grego - olígos, «pouco» + phrenós - espírito, mente; inteligência): debilidade, imbecilidade e idiotia, onde a Debilidade representa o grau ligeiro, sem grandes prejuízos para a capacidade socializante dos portadores, que, no entanto, apresentam capacidade de julgamento perturbada e dificuldade em se adequar a novas situações.
Embora estes termos tenham sido tecnicamente substituídos por “cidadãos portadores de deficiências”, o seu futuro nunca deixou de estar coberto de nuvens negras, principalmente, como agora em Portugal, devido à emigração maciça de jovens com formação média/superior, à progressiva diminuição de recursos afectos às áreas da Saúde e à diminuição dos recursos das famílias.
A manterem-se as “regras” que Bruxelas impõe como “inevitáveis", que tendem a ignorar quem está fora da “máquina produtiva”, tudo se conjuga para o seu regresso à precariedade de uma institucionalização, mesmo para quem tenha irmãs com o grau de disponibilidade da dona Gracinda!
sexta-feira, 17 de julho de 2015
O peso da palavra
Ghhe! Ghheee! … Ghhheeeee! Gemeu o motor de arranque, à saída de casa.
Já lhe tinha sentido uma queixa - alguém mais expedito, entenderia como séria ameaça -, que eu, à boa maneira portuguesa, ignorei, na vã esperança de um “não vai ser nada!”, numa bateria de 8 anos, quase o dobro do seu “habitual” ciclo de vida.
Desta vez não aconteceu na pior altura como dita a Lei de Murphy. Estava sem pressa e em casa tenho um carregador para lhe dar uma ajuda e pôr o motor trabalhar.
Arranquei até à Electro-Auto, esquecido dos outros afazeres.
- Sr. Lages, a bateria do meu carro está “fraca”. Será que com uma carga aguenta mais uns tempos?
- Isso vê-se já!, e se assim o disse melhor o fez. No minuto seguinte, um pequeno aparelho, dava o diagnóstico.
RUIM & SUBSTITUA
Assim sem mais – RUIM : "mau ou perverso, que não possui nem expressa sentimentos bons, que pratica actos de maldade, de péssima qualidade, prejudicial, que ocasiona danos, …
Podia ver lá escrito – Deteriorado, Avariado, Estragado, … mas o que lá estava, em letras maiúsculas, era - RUIM, para me tirar de todas as hesitações e dizer adeus aos 80 Euros, sem um mínimo de remorso.
Vai-te bateria velha! Abrenúncio!!!!!! T´arrenego! … Uffff!!!
sexta-feira, 10 de julho de 2015
Grécia
E é também aqui que eu ponho a tónica. É só medir o tamanho da maçã comercializável e definir como construir WC nos consultórios
e restaurantes, ou essa “malta que ganha milhões em Bruxelas” não soube o que se estava a passar nos Bancos e nos Partidos que usam os Estados sem um mínimo de
cumprimento das tais “regras” por que se devia reger a União Europeia?
Assumir o poder sem postura que contrarie quem é disfuncional e não cumpre regras básicas é ser “político de pacotilha” cuja principal preocupação é não levantar ondas para sair incólume no fim do mandato.
Há muito que se sabia que a Grécia não estava a cumprir o “estar Europeu”, como acontece ainda em muitos sectores em Portugal onde é possível viver impunemente no “faz de conta”. Quadros superiores incompetentes ou incumpridores que se mantêm activos depois de longos anos devidamente identificados, empresários cujo “sucesso” está apoiado em encomendas facilitadas por partidos políticos, políticos corruptos a usar facilidades para enriquecimento ilícito, advogados "espertalhões" a fazer cortinas de fumo a toda esta gente e tudo isto a acabar num Sistema Judicial ineficiente por vícios antigos e escassez de recursos.
Temos sido governados por gente que sente que sabe jogar com as regras do
capitalismo liberal, onde o momento dita o gesto e não há qualquer projecção
colectiva da sociedade, ignorando que não é possível uma União Europeia onde cada Estado se procura “safar”, seja ele a Grécia com espertezas saloias, ou os países do norte que para vender automóveis e aviões à China sacrificam os
países do Sul.
domingo, 5 de julho de 2015
O meu irmão
O autor usou a sua experiência pessoal - tem um irmão mongoloide - mas, ao contrário do que eu esperava, trata o tema com a autenticidade e ambivalência que estas situações despertam no comum dos mortais.
É um romance que prende pela qualidade da escrita e pelas imagens que nos dá do ambiente em que se movem as famílias e instituições com deficientes intelectuais a seu cargo, neste Portugal actual à espera que um D. Sebastião lhe dê um rumo consistente.
Um livro de verão para quem tem ligações à Saúde, ... e não só.
sexta-feira, 3 de julho de 2015
quarta-feira, 1 de julho de 2015
IACs
Bem! A coisa
é quase sempre assim: eles calados, temerosos, elas a querer mostrar o que
valem. Eles de sapatilhas, T-shirt e calças de ganga. Elas, sem peias, de tacão alto, sedas
e transparências. Todos capazes de ouvir à primeira aquilo que, por vício, sempre
repito.
É assim que,
nos últimos anos, me surpreendem os jovens médicos Internos do Ano Comum (IACs) nos confrontos com as realidades e
as irrealidades que fazem parte da ciência e da vida no Hospital. Atentos e preparados para
aceitar dificuldades.
Hoje foi dia
de mudança. Os que partem deixam uma memória - um nome,
uma característica, uma história.
Esta por arregaçar as mangas para se medir, aquele por uma
timidez que só a custo se ultrapassa. Da Teresa,
para além da feminidade que discretamente pôs em tudo o que por aqui fez, fica-me a
receita de um Tiramisù.
Boa sorte a todos.
Voem alto e sejam humildes, ... mesmo que a sorte vos bafeje!
Até sempre
Tiramisu
1 pacote de
palitos “la Reine”
200ml de
nata
200ml de
leite condensado
2 yogourts
gregos
Café
Cacau em pó
Bater a
nata. Acrescentar o leite condensado e os yogourts.
Deixar
arrefecer o café (pode-se acrescentar vinho do Porto a gosto).
Molhar os
palitos no café durante 3 a 4 segundos e fazer uma camada numa travessa funda.
Depois colocar o creme, outra camada de palitos e outra de creme.
Por cima pôr
o cacau em pó.
Enfeitar com
morangos
quinta-feira, 25 de junho de 2015
terça-feira, 23 de junho de 2015
S. João
Hoje é dia de S. João no Porto e em Braga. Era inicialmente uma festa pagã, associada à fertilidade e à alegria das colheitas, centrada no solstício de Junho e que, à semelhança do que sucedeu com o Entrudo, a Igreja cristianizou atribuindo-lhe o nascimento de S. João Baptista.
João, filho do sacerdote Zacarias e Isabel, prima de Maria, pregava a purificação pelo baptismo. Tinha 25 a 30 discípulos e baptizava judeus e gentios arrependidos. Foi preso por alegadamente liderar uma revolução. Foi decapitado aos 24 anos, a pedido de Salomé, neta de Herodes, o Grande, por alegadamente a ter difamado.
É santo protector contra as doenças infantis, da amizade, das modistas e dos antiquários e santo padroeiro do Porto, Braga em Portugal e de Camaquã e Macaé no Brasil, de Florença em Itália, ... para além de múltiplas paróquias da "latinidade" e também da Maçonaria.
Pensamento:
Se quisermos memorizar eficientemente um facto ou um conceito, temos de o incluir numa pequena história. É este o fundamento da Bíblia para dar os princípios prevalentes nas sociedades judaico-cristãs. Como essas histórias têm milhares de anos e se reportam a um estar que já não existe, os exegetas tentam dar-lhes sentido.
Algumas, só são aceites por “tradição”, como a de Job, onde Deus numa “aposta” com o Diabo, lhe permite a destruição do seu património, família e saúde, para pôr à prova a sua fé, para depois desta confirmada, lhe dar novas mulheres, filhos, gado e outros bens, tudo incluído no mesmo "pacote".
A igreja católica, para além da Bíblia, utiliza também os “Santos”, para controlar as crenças pagãs, que tendem a desviar-se do núcleo bíblico, orientando-as para “comportamentos úteis”.
A religião romana, à semelhança das grega, persa e egípcia da Antiguidade, era politeísta. Os seus deuses tinham formas e carácter humano, o que lhes possibilitou adoptar o culto a deuses dos povos com que estabeleciam contacto, quando eles possuíam poderes inexistentes no seu "cardápio" religioso. O culto público era organizado pelo Estado através de funcionários públicos, sendo o maior deles o Sumo Pontífice.
Quando Constatino (272 -337), em 313, publicou o Édito de Milão, foi concedida liberdade para todas as religiões no Império Romano e terminou a perseguição aos cristãos. Mais tarde, à boa maneira romana, assumiu o papel de Sumo Pontífice, responsável pelos deuses e pela saúde espiritual dos súbditos e, como Jesus não deixara nada escrito e a transmissão oral levara a múltiplas interpretações e cultos em igrejas locais independentes, em 325, patrocinou generosamente o Primeiro Concílio de Niceia, para estabelecer as bases da ortodoxia cristã, a serem aplicadas em todo o Império, criando assim os hereges para questionar essas “verdades”.
O culto dos Santos padroeiros, surgiu naturalmente, num povo habituado a uma multitude de deuses menores, cada um com a função de defender um aspecto da vida ou de uma comunidade, dependendo mais da "fėzada" de quem o invoca de que da sua actividade em vida.
segunda-feira, 22 de junho de 2015
A ditadura do carro
Acordar na última, tomar o pequeno-almoço no elevador, entrar no carro, o saber que se não chega à rotunda dentro de 5 minutos não vai chegar ao trabalho a horas e o carro de trás já está a buzinar. A rádio diz que a rotunda de relógio tem 30 minutos de filas e por aqui pensamos ai ainda bem que não vivo em Lisboa. Estas são as primeiras horas do dia da maioria dos portugueses. Como se estas primeiras horas não fossem horas a sério, como se não contassem, o correr como se o dia apenas começasse quando uma pessoa se senta a trabalhar, tudo até aí é preparativo. O ritmo corrido dos nossos dias, a glorificação da pressa, apenas o destino interessa, nunca o caminho.
As cidades estão desertas e às 7.30 começa-se a ouvir o zumbido dos carros. 1 pessoa – 1 carro. Uma bolha, vidros fechados, todos os dias o mesmo trajecto, a monotonia do tempo porque este tempo deixou de ter valor. O que interessa é chegar. E depois voltar e chegar a outro lado. A cidade que deixa de existir para ser apenas um espaço entre pontos de partida e destino.
As cidades só fazem sentido enquanto espaços para pessoas. Os negócios, os cafés, os museus, as lojas, os jardins, as esplanadas, as praças não foram criados para os sábados à tarde e domingos soalheiros. As cidades têm uma vida própria em conjunto com as pessoas que pisam as ruas e quem vive entre pontos, entrando e saindo do carro não a conhece. As cidades do século XXI terão de descobrir o que querem ser – se um aglomerado de dormitórios ou espaços de convívio, onde as pessoas abraçam outros espaços fora da sua sala de estar.
Nova Iorque, uma das cidades mais apressadas do mundo, decidiu em 2008 criar vias cicláveis por toda a cidade e os resultados foram impressionantes – numa cidade com 20 milhões de habitantes a correr de um lado para o outro, a mudança do paradigma da mobilidade conduziu a uma diminuição dos acidentes automóveis em 25%, diminuição de 10% da emissão de gases de efeito de estufa, aumentos de cerca de 50% no consumo no comércio local, diminuição dos espaços comercias vazios e cerca de 80% de aumento no número de pessoas que passaram a usar as esplanadas e parques da cidade. As cidades não mudam por acidente. Amesterdão nem sempre foi a cidade das bicicletas. As cidades do século XXI são planeadas e cabe aos bracarenses pensarem que cidade querem viver e deixar para o futuro.
Junte-se a nós. Saiba mais em bragaciclavel.pt. Boas pedaladas!
Helena Gomes in Diário do Minho
segunda-feira, 8 de junho de 2015
domingo, 7 de junho de 2015
Portugal e a Emigração pelos olhos de um ex
Abalar para os quatro cantos do mundo em busca de uma vida melhor foi a solução encontrada pelos melhores portugueses através dos séculos. Uns foram empurrados, outros, os Cripto-Judeus que escaparam à fogueira, expulsos. Melhores, não pelas qualificações académicas, mas, só pelo facto de terem decidido emigrar, demonstraram e demonstram ter a energia, a iniciativa e estar dispostos ao risco para progredir, qualidades de que Portugal necessita para se revitalizar. (para nos apercebermos do capital humano que perdemos ao expulsar os Judeus Sefarditas, recomendo o livro "Farewell España" de Howard M. Sachar).
Eles e os seus descendentes, foram e continuam a ser factores positivos nas economias e nas culturas dos países que os acolheram - França, Alemanha, Suíça, Luxemburgo, Holanda, Reino Unido, EUA, Brasil, África do Sul, entre outros. Sem pedir nada a ninguém, e sem subsídios, refizeram as suas vidas a partir do zero em terras estranhas. Fizeram nestes países o que lhes foi impedido de fazer por cá.
Emigrar parece ser também a solução dos melhores Portugueses deste século, e o ciclo repete-se.
Os que cá estão são, obviamente, os descendentes dos que por cá foram ficando, e com eles aprenderam a estar na vida. A vasta maioria pertence a uma classe média instável ou a uma classe média-baixa atemorizada, que cedo aprendeu as regras do jogo, e se "adaptou", tal como os progenitores, para assegurar o pouco que tem, ficando a fazer parte do problema. Dentro destes há uma sub-espécie parasitária, particularmente perniciosa, que se filia ainda muito jovem nas hordas das Mocidades Partidárias (seguindo as tradições Fascista e Comunista), e organizações quejandas, para assegurar um futuro sem nunca necessitar de ter um emprego sério. Há também uma minoria que, mesmo que em algum momento tenha tentado ser agente de mudança para fazer parte da solução, acaba inevitavelmente, por medo ou desalento, por se acomodar à mediocridade nacional para sobreviver. Há os que vivem com 10 Euros por dia. E por fim, há uma minoria de Portugueses inovadores e produtivos, que vive no século XXI, e vai evitando que o barco afunde, mas sem dimensão suficiente para fazer Portugal sair do marasmo em que sempre esteve.
Agora que a recente prosperidade virtual dos Portugueses esbarrou com a realidade, os media exaltam periodicamente o sucesso de alguns Portugueses da Diáspora. Parece ser uma tentativa de associar o sucesso desses emigrantes com Portugal e os Portugueses, para levantar o moral colectivo, tal como quando Ronaldo é eleito o melhor futebolista do mundo, ou o Mourinho o melhor treinador. Esquecem-se de mencionar que os emigrantes foram durante muito tempo alvo de escárnio dos que por cá ficaram e que, quando os que cá vinham de vacances se atreviam a criticar fosse o que fosse, ouviam com frequência o comentário: "só porque vives lá fora achas que sabes tudo!", e os mais sofisticados, que vinham de férias, ouviam "há que adaptar as soluções dos outros países à realidade nacional", o que na realidade significa torná-las ineficazes.
Tem havido recentemente também apelos e iniciativas do governo para aliciar emigrantes a regressar e trazer capital e know-how para participarem na revitalização da economia. Estas iniciativas canhestras, estão condenadas a falhar, porque é pouco provável que um emigrante no seu perfeito juízo acredite que Portugal tenha feito as reformas estruturais necessárias para fazer o país atractivo ao investimento. O investimento estrangeiro em Portugal tem-se limitado, com raras excepções, à aquisição de empresas falidas a preços de saldo por investidores oportunistas (o que nāo tem nada de errado), ou por oligarcas da cleptocracia Angolana para branquear capitais (o que tem tudo de errado), ou ainda por empresas Chinesas, mais ou menos estatais, por motivos estratégicos (o que deveria ser acautelado).
Houve algumas mudanças, impostas do exterior, mas que apenas arranham a superfície, e não mudam a cultura. A Justiça continua politizada, a relação incestuosa entre política e economia continua, assim como a burocracia paralisante. Os Portugueses parece que só aceitam mudança desde que tudo fique essencialmente na mesma.
E como se isto não fosse suficientemente perverso, a massa crítica da população permanece ignorante, mesquinha, retrógrada, invejosa e intoxicada de futebol, em proporções variáveis. Panem et circences revisitado?
E como se isto não fosse suficientemente perverso, a massa crítica da população permanece ignorante, mesquinha, retrógrada, invejosa e intoxicada de futebol, em proporções variáveis. Panem et circences revisitado?
Heróis do mar? Pobre povo!
Por último, e o mais importante, Portugal não tem credibilidade. Poderá ser um parceiro fiável nos contractos supostamente gravados na pedra, que o Estado fez com grupos privilegiados para criar as famigeradas PPPs, mas tem uma história de incumprimento dos contractos assumidos para com os seus cidadãos.
Por último, e o mais importante, Portugal não tem credibilidade. Poderá ser um parceiro fiável nos contractos supostamente gravados na pedra, que o Estado fez com grupos privilegiados para criar as famigeradas PPPs, mas tem uma história de incumprimento dos contractos assumidos para com os seus cidadãos.
Texto de um ex-emigrante que se quer anónimo
sábado, 6 de junho de 2015
CO2
...
não fosse a imensa piedade
dos homens que não cresceram,
que ouviram, viram, ouviram,
viram, e não perceberam,
que ouviram, viram, ouviram,
viram, e não perceberam,
...
Como gostava de ter esta piedosa bonomia de Rómulo de Carvalho, em vez do fel que me revolve quando encontro gente desta em
lugares de alguma relevância, estejam eles atrás de uma secretária “a cumprir
ordens” ou em lugares decisórios, só porque o “sistema” promove quem “cumpre” e
pune quem questiona.
Nos últimos 100 anos, o automóvel tomou conta do mundo - contabilizam-se 1 para cada 10 pessoas. Dão uma nova
medida ao tempo, facilita-nos o transporte, o lazer e são ícon de sucesso e de “poder”.
Tantas são as suas vantagens, que as cidades se alteraram
para lhes dar privilégios, sacrificando os espaços públicos e o estar de quem
os não possui.
Sob a sua égide, tudo passou a ficar longe, para ficar “perto”. Dificultou-se a actividade do comércio de proximidade, das escolas de bairro, das pequenas fábricas e criaram-se Centros Comerciais, “Mega Agrupamentos Escolares, Parques Industriais e grandes Centros Hospitalares, onde a maioria chega individualmente motorizado, libertando CO2 para a atmosfera.
Sob a sua égide, tudo passou a ficar longe, para ficar “perto”. Dificultou-se a actividade do comércio de proximidade, das escolas de bairro, das pequenas fábricas e criaram-se Centros Comerciais, “Mega Agrupamentos Escolares, Parques Industriais e grandes Centros Hospitalares, onde a maioria chega individualmente motorizado, libertando CO2 para a atmosfera.
Bem fala frei Tomás e o punhado de gente de ciência que se
alerta com as consequências do aquecimento global, que as políticas
não se alteram para que seja possível viver fora da sua dependência.
Não é fácil, principalmente quando 10 “AutoEuropa’s”
equivalem o nosso PIB e quando o “bem-estar” de muitos
países depende das indústrias associadas ao petróleo e ao
automóvel, mas, não iniciar passos que valorizem a proximidade, o comércio e
as escolas de bairro e as pequenas indústrias e se dêem fortes incentivos
ao transporte público, é construir para destruir, porque o futuro não fica desse
lado. Disse-mo Carl Sagan, Albert Arnold e o Papa Bergoglio, e eu …
acredito.
...
Quanto à “Indústria”, há que desenvolver a possibilidade de capturar o CO2, antes
de ele ser enviado para a atmosfera, e armazená-lo em bacias carboníferas «nos
poros do carvão», injectá-lo em aquíferos de água salina, não potável, ou em
jazidas de petróleo (uma medida já utilizada no Mar do Norte, pela Noruega, e
nos Estados Unidos).
Temos um trabalho ciclópico pela frente e mantemo-nos parados à espera de que os U.S.A. ratifiquem o Tratado de Quioto, para então deitarmos abaixo e começar "direito".
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