segunda-feira, 31 de março de 2025

Lembranças do Olimpo - 42





Nessa noite Hipólito custou a adormecer a pensar no evoluir da guerra na Ucrânia. Estava claro que os Estados Unidos da América, sob a liderança de Donald Trump, queriam manter o poder hegemónico sobre o mundo e qualquer fortalecimento da União Europeia era entendido como uma ameaça, pelo que o melhor era pôr um travão à entrada da Ucrânia no espaço europeu e deixá-la cair nas mãos de Putin que, mesmo que saísse vitorioso daquela guerra, saía coxo e com dívidas, o que o iria afastar de qualquer outra cavalgada na próxima década.

Eram três horas da manhã quando um pequeno ruído no jardim fronteiro à casa o fez acordar sobressaltado. Levantou-se, vestiu o roupão e espreitou por entre as frinchas da persiana. Uma pequena luz tremeluzia por cima de um arbusto. Desceu as escadas temendo por um início de incêndio, abriu a porta da sala e viu um vulto sentado na borda do muro. Aproximou-se e rapidamente identificou Nossa Senhora da Graça, com veste branca e manto azul celeste com uma pequena vela na mão esquerda, que protegia do vento com a direita. Parecia cansada, como se estivesse há muitas horas sem dormir. Hipólito ajudou-a a descer e encaminhou-a para a sala de estar, junto à lareira, onde umas brasas  ainda emitiam algum calor.

-Sente-se aqui neste sofá, que eu vou atiçar um pouco o lume!, convidou o médico, enquanto lhe oferecia um pequeno castiçal para ela pousar a vela.
Depois sentou-se numa banqueta aos seus pés e questionou-a: – O que é que a trás aqui, em finais de Março quando as suas festas são em Agosto? Agora não há emigrantes para movimentarem a aldeia. E ainda por cima à noite, com este frio!

Nossa Senhora que mantinha os olhos baixos, levantou-os, fixando a lareira, onde já passeavam pequenas labaredas, e respondeu calmamente: A quem o diz! Isto de ser humano e ter de viver eternamente não é fácil. Eu devia ter morrido como qualquer mortal, mas foi vontade de Deus que entrasse num estado de dormição e ascendesse em corpo e alma aos Céus. Era melhor que fosse só a alma que ascendesse, porque ter que andar com o corpo pelo céu, é pior que viajar pelo mundo com cinco malas grandes, que essas podem dar-se à guarda de alguém e, por um tempo, esquecê-las. Há dois mil anos não havia grandes problemas. Evitava as tempestades e os Invernos, mudando de hemisfério, ajeita-me em cima de uma nuvem mais fofa e dormia profundamente horas seguidas, mas desde a década de 20 do século passado, com o aumento exponencial de aviões no ar, é uma sorte dormir três horas seguidas. Ainda por cima tenho de ter cuidado para não cair no buraco do ozono!

- Acredito! Disse Hipólito. – Então agora com as Low Cost e a publicidade ao Turismo, não há gato pingado que resista a uma fugida de fim de semana para gastar o que não tem a centenas de quilómetros de distância. Para quem tem residência no Céu deve ser grande incómodo.
Nossa Senhora confirmou. – É como diz! Pudesse eu sair da atmosfera e ir para um lugar sossegado mas, como sou mortal, mesmo neste estado de dormição, preciso de respirar e por isso tenho de me manter próximo da Terra. O manto é polar e mantem-me quente, mesmo quando subo aos quatro mil metros, mas aí o ar já é muito rarefeito e eu dou-me mal nesse ambiente.

Hipólito anuiu salientando que por cada mil metros a temperatura ambiente desce 6,4ºC e, sem Oxigénio suplementar, o mínimo a esperar é uma dor de cabeça "das antigas". Depois, fitou-a nos olhos e relembrou a questão daquela "aparição”.

Nossa Senhora levantou-se para dar volume à voz e ser mais clara na sua determinação.
- Sabe, eu também fui ao Congresso onde o sr. esteve. Podia-me ter visto do outro lado do anfiteatro, bem em frente a si. Fui à sessão sobre “Secularismo” por me terem dito que iria estar na berlinda, o que se veio a verificar, quando a Inteligência Artificial falou. Ora eu vim aqui pedir-lhe ajuda na divulgação da minha total indisponibilidade para encabeçar qualquer movimento por mais pacifista que seja. Conheço os meandros da política e sei muito bem que a falta de consistência é geral. Por isso estive, estou e ficarei sempre de fora. Não gosto de carne assada, odeio gritos e bastam-me as confusões por que já passei!

Hipólito, surpreendido, comentou: - Mas quem sou eu, para divulgar essa missiva?
- Não é ninguém especial, mas está bem relacionado, e isso conta quando há necessidade de pôr coisas a andar. Fale com Zeus, com o Buda, com Mohamed, com quem quiser, mas tire-me desse filme. Não quero ver jornalistas a perscrutar a minha vida e concluírem que há incongruências, como acontece agora com o Montenegro.

Hipólito, aproveitou a deixa e retrucou: - Concordo consigo. O risco não é de desprezar. Até eu estranho como a sua história persiste pouco questionada. É demasiado a “preto e branco” para os conceitos actuais. Há uns anos, surpreendi-me com uma versão da Sua vida que me pareceu mais lógica. Quer ouvi-la?
Nossa Senhora sorriu e respondeu: - A história da minha vida já está escrita. Já houve quem a tentasse reescrever e saiu-se mal. O melhor é deixar tudo como está.

O médico concordou, lembrando o Primeiro Concílio de Niceia presidido pelo Imperador Constantino, em 325, onde se discutiu acerrimamente a questão da natureza divina de Jesus, por ser filho de uma mortal, até o Credo Niceno fixar a “consubstancialidade” do Filho com o Pai e, quem não o aceitou sofreu as consequências de ser considerado herético. Isto nos primórdios da Religião Cristã, porque o que se seguiu, até ao estabelecimento do “cânone”, foi mais do mesmo, até o domínio total das outras religiões do Império Romano.

Hipólito aceitou a incumbência beijando-lhe as mãos. Nossa Senhora agradeceu e dirigia-se para a porta quando parou, se voltou para trás e lhe ciciou: - As mulheres não resistem a saber do que se fala sobre si. Conte lá essa versão que diz ter lido sobre a “realidade” da minha vida. Talvez eu já a conheça!, sorriu condescendente e voltou a sentar-se.

terça-feira, 25 de março de 2025

Os abelhões

Uma das músicas que me ficou dos anos 70, foi a "Rose Garden" cantada por Lynn Anderson.

Oferecer um jardim a alguém é obra, não só pelo custo de o fazer, mas também pela manutenção que exige, pelo que o tal “Rose Garden” me parece mais um elefante branco, do que algo que se queira possuir durante muito tempo, a não ser que se tenha uma costela de "jardineiro".

Fazer a manutenção de um jardim seja ele de rosas ou de árvores e mantê-lo saudável não é fácil. Há as ervas daninhas, as doenças e a bicharada que volta e meia ataca por onde não se prevê e, se não se está atento, há perdas que podem ser irremediáveis.

Hoje, para tentar repor a verdade do lugar, meti-me a construir um abrigo para os abelhões e fi-lo, na tentativa de remediar a falta de abelhas que tenho sentido, desde que o sr. João tirou daqui as colmeias que estavam ameaçadas pelas vespas asiáticas.



Eu via uma ou outra a cirandar por aqui e nunca lhes liguei, mesmo depois de ter visto uma cair sobre uma abelha e a ter devorado em minutos. Só no dia em que tropecei na árvore onde tinham o ninho e uma me ferrou é que levei o assunto a sério, mas nessa data, há muito que as abelhas tinham saído daqui.


Agora namoro os abelhões, criando-lhes tocas para nidificarem. Como é o lá vem um à procura de um buraco jeitoso, com uns tijolos sobrantes e meia dúzia de canas fiz-lhes um abrigo.

Ao que parece também eles estão a sofrer declínio no hemisfério norte, fruto dos químicos usados na agricultura, ao ponto de já haver países a criar abelhões para dispersar por zonas agrícolas na época das polinizações. Como há diferentes variedades em diferentes regiões, há o risco de esses “abelhões de cultura” darem cabo dos nativos, pelo que o melhor é dar condições a estes para não se vir a necessitar daqueles.

Segundo o Sr. Google, são da família das abelhas. São grandes e solitários e trabalham em condições climatéricas adversas. Nidificam escavando galerias em troncos de árvores mortas ou qualquer tecido vegetal, de preferência madeira mole. As fêmeas podem ter quatro a cinco gerações por ano. São bons polinizadores e raramente picam. Produzem mel em pequena quantidade que armazenam em pequenos potes de cera “para consumo próprio”.

sexta-feira, 14 de março de 2025

Frase do Dia

Em Luar-do-Chão, nem há palavra para dizer "pobre". Diz-se "órfão". Essa é a verdadeira miséria: não ter parente.

in "Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra" de Mia Couto

domingo, 9 de março de 2025

Lembranças do Olimpo - 41

 

Hipólito chegou a casa já o sol se punha.  Zeus, antes de se despedir sugeriu: - Vi que estás muito impressionado com o Donald Trump e, por isso, gostava que esperasses aqui um pouco, que eu vou ao Inferno trazer de lá um arrependido para tu conheceres que é cinco estrelas, e, num ápice, atravessou o chão para mergulhar nas profundezas da terra em direção ao Tártaro. Minutos depois estava de volta trazendo um patrício romano pela mão.

- Oh, meu amigo! Ia trazer-te o Nero, mas achei melhor o Júlio César, pois foi ele que deu cabo da República!, disse, enquanto empurrava ligeiramente o César para a frente. – É que Trump está a tentar imitá-lo como ditador. Mas preferia que o ouvisses!

Júlio César, com as vestes senatoriais ensanguentadas, pediu autorização para se sentar e iniciou a sua narrativa sobre os factos passados, com a humildade de um escravo.
- A República tinha demasiados “Checks and balances”, como agora se diz, que dificultavam a implementação das reformas sociais e políticas que eu preconizava. Foi por isso que impus a Roma a minha vontade. Centralizei o poder e a burocracia, nomeei-me imperador e até aceitei honras divinas. Nos primeiros tempos a coisa até que nem correu mal, mas a oposição política cresceu e, nos Idos de Março de 44 a.C., num dia tido como prazo para quitação de dívidas, um grupo de senadores aristocratas liderados por Marco Júnio Bruto (que até era um dos meus mais protegidos), assassinou-me, precipitando uma nova guerra civil e, como consequência, o governo constitucional republicano nunca mais foi restaurado.
Fui morto aos 56 anos. Tivesse eu sido mais inteligente e não tinha transformado a República num Império. Os benefícios de curto prazo não compensaram o que veio depois. Mais de metade dos Imperadores que me sucederam, morreram como eu, assassinados pelas forças que supostamente lhes eram leais. O poder absoluto não só corrompe como dá um “bode expiatório” fácil de identificar.

Hipólito interrompeu-o. - Não está a sugerir que seja esse o fim mais provável para Donald Trump, pois não?!
- Não deixa de ser uma possibilidade!, respondeu Júlio César. - Foi assim no Império Romano e é-o agora.

Zeus, que até aí se mantivera calado, atalhou: - Nunca faltaram indivíduos cheios de razões, nem razões para o que quer que seja. Trump viu demasiados filmes de Cowboys, onde o herói resolve tudo sozinho e tenta imitar o Lone Ranger acompanhado por um Tonto que, no caso, é o Elon Musk.

Hipólito, sorriu e acrescentou: - Eu já tinha feito uma analogia entre o Elon Musk e o Rasputin. Um a fazer a cabeça do Trump e o outro a fazer a da czarina Alexandra Feodorovna, esposa do czar Nicolau II, da Rússia, mas a sua imagem é melhor. De facto, o filme que passa na cabeça dele é um velho filme do oeste americano, em que o artista entra no bar armado com duas pistolas e depois de matar os maus, volta a montar o cavalo em direcção ao sol poente, com toda a população feliz no “backstage” e o som de uma guitarra a trinar em decrescendo, sobreposta ao trote do corcel.

Estavam todos de acordo, mas Zeus não quis sair dali sem pôr todos os pontos nos iis e lembrou. - No caso presente, quem levou a Ucrânia àquela guerra, foram os USA quando achavam que a Rússia era a sua maior ameaça, mas quando se aperceberam das fragilidades do seu exército nesta guerra e do salto que a China deu, querem virar-se para o Indo-Pacífico e deixar os europeus cuidar da sua Defesa. Enganam-se se pensam que vão manter os mesmos privilégios económicos. O mais provável é que a Nova Rota da Seda venha a ser uma realidade, pois Trump mostrou à saciedade que os USA não são mais fiáveis que os chineses.

Despediram-se. Hipólito subiu as escadas em direcção ao quarto de dormir, quando encontrou a mulher, incomodada por não ter tido notícias dele.
- Deixaste o telemóvel em casa e eu não encontrei, nesse Congresso, um número para te contactar.! Podias ter telefonado!
O médico justificou-se: - Neste Congresso … andei à vontade dos deuses!
- Andamos todos!, replicou a mulher. Hipólito retrucou, para amenizar o ambiente: - Mas olha que nem todos! Muitos maridos andam ao mando das esposas, dando razão ao provérbio galego: “Se a tua mulher te pedir para te atirares da janela abaixo, reza para morares no rés-do-chão!”. 
Abraçaram-se.  Ela disse-lhe ao ouvido: “Hoje o jantar é alheira! Daquelas que tu gostas!” e desceram de mão dada para a sala de jantar, enquanto o médico ainda cogitava: “Os genes sofrem mutações, os indivíduos são selecionados e as espécies evoluem!”, sem ser capaz de vislumbrar qualquer evolução favorável na espécie humana na História dos últimos três mil anos.

sexta-feira, 7 de março de 2025

Frase do Dia


Ser inimigo dos USA é perigoso.

Ser amigo ... é fatal!

Henry Kissinger Secretário de Estado e Conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos nos governos dos presidentes Richard Nixon e Gerald Ford.

sábado, 1 de março de 2025

Lembranças do Olimpo - 40

 


Sobre o Mediterrâneo, Hipólito olhou para baixo, à procura de barcos com emigrantes em risco de naufrágio e poucos viu. Pediu então a Zeus que passasse sobre o canal da Mancha para ver se havia gente a passar clandestinamente, quando ele lhe chamou a atenção para um avião que passava em sentido contrário e à mesma altitude a que voavam.

- Sabe quem vai ali!?! É o Volodymyr Zelenskyy, o presidente da Ucrânia, a regressar dos USA em direcção a Londres onde se vai encontrar com os principais líderes europeus. Vem descoroçoado depois daquela vergonhosa audiência na Sala Oval. Não quer ir lá dar-lhe uma palavra?, perguntou.

Hipólito não tinha assistido em directo, mas Zeus contou-lhe em segundos, com todo o pormenor, tudo o que se tinha passado e o médico anuiu ao convite e, no mesmo instante, estavam os dois sentados ao lado de Zelenskyy e da sua comitiva.

Hipólito, segurou-lhe nas mãos e disse-lhe: - Estou em crer que a grande maioria de quem assistiu àquela audiência está consigo. Aquilo foi uma armadilha que lhe foi montada por um psicopata – narcisista, mas o modo como o sr. presidente se comportou fez com que Trump levasse o tiro no pé. Parabéns!

Zelenskyy surpreso olhou para os dois, como a perguntar como é que eles surgiram do nada. Zeus acalmou-o, dizendo: - Eu sou Zeus, o rei dos deuses do Monte Olimpo e, este aqui, é um médico amigo, que fui buscar a Israel. Íamos para Portugal quando o topei neste avião e, como o dr. Hipólito se interessa pelo que hoje está a acontecer no mundo, aproveitei para lho apresentar, pois creio que ele gostava de lhe dizer algumas coisas no que respeita à saúde mental de Trump.

Zelenskyy concordou. Zeus elevou o médico um pouco no ar, depois sentou- o numa cadeira alta para que ele pudesse falar de “cátedra” e o clínico assumiu ar professoral para afirmar: - Trump não é um “negociador”. Trump tem todas as características de um “Manipulador” e tal foi muito evidente naquela pequena discussão que teve consigo. Digo-lhe isto como médico que se preocupa com o assunto. SE me permite, vou usar umas notas sobre o assunto, para que não me esqueça de mencionar alguma das características do “Manipuladores”.

1. São intolerantes: Não respeitam as opiniões, atitudes ou comportamentos dos outros. Vivem cheios de preconceitos, reagem agressivamente, de forma ressentida ou pouco educada, porque acreditam que não há nenhuma razão para impedir que a sua vontade prevaleça. Muitas vezes são sexistas.
2. São encantadores nas fases iniciais da relação, mas ofendem-se com facilidade se algo não se encaixa na sua verdade e mudam de humor em segundos, passando de um estado agradável ao de fúria em questão de segundos.

3. São amantes da ordem, com base no seu critério pessoal. Autoritários e intransigentes, perseguem uma única verdade, a deles. Se não lhes obedecem, ficam furiosos.

4. São rígidos e têm pensamento dicotómico - tudo está certo ou tudo está errado, sem meios termos. Não conversam na busca de um consenso. Geralmente, os agressores cresceram em famílias que os trataram assim.

5. São chantagistas – Provocam medo nas vítimas, culpando-as por coisas que não fizeram ou de coisas que fizeram, mas que não são graves.

6.  Não aceitam a crítica como algo construtivo e reagem a elas como a um ataque pessoal, procurando defeitos nos outros para os esmagar e submeter. São especialistas em procurar interpretações arrevesadas da realidade.

7. Desconectam as vítimas dos seus familiares e amigos, causando-lhes medo de falar com outras pessoas.

8. Têm baixa empatia (não reconhecem as emoções dos outros), o que lhes permite fazer a vítima sofrer sem qualquer ressentimento. São cruéis e não se arrependem, mesmo quando pedem desculpa. Na próxima, agirão do mesmo modo.

9. São controladoras - Têm necessidade de se sentir superiores, mas no fundo são inseguros. 

10.  Reagem impulsivamente, sem ponderar as consequências, sem controle emocional. Os fins justificam-lhes os meios. São capazes de agir discretamente em lugares públicos, o que torna a vida da vítima uma verdadeira provação.

11. Vitimizam-se, tentando culpar outros para justificar as suas ações.

 

Zelenskyy ouviu calmamente a explanação do médico e no fim perguntou, na esperança de uma resposta positiva: - Mas será possível que algum tratamento os faça alterar estes comportamentos?

Hipólito respondeu cabisbaixo: - Não! Os Narcisistas têm uma total ausência de humildade. Pensam que são muito melhores que os outros e queixam-se de tudo e de todos. Têm zero de empatia e tendem a relacionar-se com os outros de acordo com a sua “utilidade” e, nesse sentido, a usá-los como objectos pessoais.

Zelenskyy olhou para Zeus, como a perguntar se uma intervenção divina não poderia por cobro à loucura de um homem. Zeus baixou também os olhos e retorquiu: - Até o lavar dos cestos é vindima! Trump está meter-se em demasiadas alhadas ao mesmo tempo e não tarda começar a sentir a areia a fugir-lhe por entre os dedos. Vá para casa, sr. presidente, durma, e vai ver que amanhã as coisas vão estar um pouco melhor. Como dizem os mortais: “De hora a hora, Deus melhora!

  E dito isto, pegou no braço de Hipólito e assim como entraram, saíram do avião em direção ao extremo ocidental da Europa.