terça-feira, 20 de novembro de 2018

Cogumelos


Chegaram cheinhos de cor. Tão bonitos! Tão vistosos, a dar cor ao parque infantil! Vou ficar atento, pois eles devem ser o prenúncio de ali morarem gnomos, fadas ou, quem sabe, se algum trasgo fugido da Galiza ali se instalou, antes de se aventurar na minha casa.  

Amanita muscaria


Embora sejam considerados venenosos, raramente a sua ingestão é causa de morte (a fervura enfraquece a sua toxicidade).
O Amanita muscaria é conhecido pelas suas propriedades halucinogénicas. Os seus constituintes psicoativos são os Ácido Iboténico e o Muscinol. A dose activa para um adulto é aproximadamente 6 mg de Muscimol ou 30 a 60 mg de Ácido Iboténico, o que é possível encontrar numa cápsula de um destes cogumelos - embora a concentração varie de cogumelo para cogumelo e também com as estações do ano (na primavera e no verão tendem a ter concentrações dez vezes superiores).

Os constituintes activos são solúveis em água, pelo que a fervura e a sequente rejeição da água, diminui-lhes a toxicidade. Por outro lado, a secagem aumenta-lhes a potência, por facilitar a conversão do Ácido Iboténico no mais potente Muscimol.

A Muscarina, que em tempos foi responsabilizada pelos efeitos halucinogénicos do A. muscaria é um constituinte minor, sem concentrações suficientes para provocar sintomas. O Ácido Iboténico e o Muscimol têm estruturas relacionadas com dois neurotransmissores do Sistema Nervoso Central: o Ácido Glutâmico e o GABA (Ácido Gama-Amino- Butírico) respectivamente, e actuam como esses neurotransmissores.


terça-feira, 13 de novembro de 2018

Desafio




Estam máscara pertenceu a um médico.
?? Com que fim a usava??

domingo, 11 de novembro de 2018

A ciência do Mal



Ocorre Empatia quando suspendemos o nosso foco no “Eu” e adoptamos uma postura dupla, em que nos preocupamos simultaneamente com o pensamento do outro, para responder aos seus sentimentos com uma emoção apropriada. Se estudarmos o Grau de Empatia (Quociente de Empatia) de um grupo humano, ele distribui-se de acordo com uma curva de Gauss, onde os “não empáticos” estão no fim da assintota à esquerda e os muito empáticos, que se negligenciam para cuidar dos outros, no outro extremo. A ideia base é que todos ficamos em algum ponto desse espectro..

Quando a nossa empatia se desliga e passamos para o modo “Eu”, passamos ao modo Zero e passamos a relacionarmo-nos com as pessoas como se elas fossem meros objectos. A “Erosão Empática pode resultar de um ressentimento amargo, um desejo de vingança, um ódio cego ou de um intenso desejo de protecção. Quando alguém só está focado em perseguir os seus interesses, tem todo o potencial para se tornar “não empático”, mesmo que o seu projecto possa ter um foco positivo: por exemplo: ajudar pessoas. Em teoria a erosão empática é reversível.

Enquanto uns têm episódios em que desligam o “sistema empático”, há pessoas que estão permanentemente no ponto Zero de empatia. O Grau 0 de Empatia significa que se não tem percepção do outro, de como interagir com o outro ou de antecipar os seus sentimentos ou reacções.
Neste estado o indivíduo vive centrado em si próprio, acreditando 100% na justeza das sua ideias e crenças, e julgando quem não o segue como errado ou estúpido. O grau 0 de empatia leva a uma existência de solidão, a uma vida "incompreendida", condenada ao egoísmo. Significa não ter travões no comportamento, ficando livre para perseguir qualquer objectivo ou desejo, ou para exprimir o que lhe passa pela cabeça, sem considerar o impacto das suas acções ou palavras na outra pessoa. Em casos extremos esta falta de empatia pode levar ao homicídio ou à violação, e em casos menos extremos, a linguagem abusiva e a actos de crueldade menos graves.

Se estudarmos por Ressonância Magnética Funcional, os cérebros de indivíduos que sofrem destas situações, iremos encontrar alterações nas áreas dos seus circuitos cerebrais de empatia no córtex pré-frontal ventro-medial, no córtex médio do hipocampo e nas áreas temporais e amígdala.

Há três graus tipos de “Empatia 0” permanente: O Psicopata, o Narcisista e o com indivíduo com Perturbação de Personalidade “Borderline” (Borderline porque, segundo Adolf Stern -1938, estaria entre a neurose e a psicose) que se atribuem ao não desenvolvimento dos circuitos neuronais de empatia provocados por intensos traumas na infância ou na adolescência.  Mas não é só o ambiente que pode levar a empatia 0. Há alterações genéticas, endócrinas e lesionais (p.ex: isquemia peri-parto) que podem afectar estes circuitos, condicionando o reconhecimento emocional do outro ou o controle executivo que nos impede de fazer o que pode levar a punições.

As características da personalidade “Borderline” são uma impulsividade auto-destrutiva, raiva e alteração súbita do humor, o pensamento a “preto e branco”, pelo que as pessoas são ou “muito boas” ou “muito más”, o que as faz atraídas pelos cultos. São também muito manipuladores – fingindo ser fracos e uns desgraçados, ou usando sedução sexual ou fingindo suicídio para chamar a atenção. Na base do não estabelecimento dos seus circuitos cerebrais da empatia, provavelmente de modo irreversível, encontra-se frequentemente a negligência dos pais, o abandono, o abuso sexual, o excesso de protecção e a indiferença

O Psicopata partilha com o “Borderline” a mesma total preocupação consigo próprio, mas este apresenta uma forte vontade de satisfazer os seus desejos a qualquer preço, que pode tomar a forma de uma reacção violenta a uma pequena contrariedade ou de uma crueldade calculada e fria - Antissocial personality disorder. A inconsistente disciplina parental, o alcoolismo dos pais, a falta de supervisão, o abuso emocional, físico ou sexual ou o abandono completo, bem como uma ligação insegura com o adulto de referência, leva-os à tendência para interpretar situações ambíguas como intenções hostis e a não “aprenderem” a ter medo das punições. Os psicopatas têm um problema estrutural nos lobos frontais, que impede o controle sobre as acções que podem levar a punições, como tão bem descreveu António Damásio no seu livro “O erro de Descartes”, lembrando o caso de Phineas Gage.

Os Narcisistas têm uma total ausência de humildade. Pensam que são muito melhores que os outros e queixam-se de tudo e de todos, mas não cometem actos cruéis. Como os outros que têm empatia 0, não reconhecem a importância das relações interpessoais e tendem a relacionar-se com os outros de acordo com a sua “utilidade” e, nesse sentido, a usá-los como objectos pessoais.


Os indivíduos com Síndrome de Asperger também têm empatia 0. Têm uma atenção extrema a alguns detalhes e uma forte sistematização que lhes permite identificar “padrões sequenciais” estáveis e predizer, por exemplo, a evolução dos preços nos mercados internacionais. Fixam-se na avaliação de um único padrão de cada vez e tudo o que lhes surge inesperadamente, como alguém entrar-lhes no quarto e abrir-lhes as cortinas, mudar-lhes uma rotina de terça para quarta-feira, é considerado tóxico. Exigem um ambiente totalmente controlado, com elementos e regras bem precisas, sem entender o mundo das emoções, mas enquanto os psicopatas têm consciência de que estão a magoar alguém, o autista clássico não tem capacidade de tal reconhecimento. Evitam os outros porque não entendem o mundo social que lhes parece não ter regras, mas não são levados a efectuar actos tidos como cruéis.

...

O facto da Ressonância Magnética Funcional dos cérebros de indivíduos que sofrem de Empatia 0, permitir identificar alterações dos seus circuitos cerebrais de "Empatia", lembra Cesare Lombroso (1835 – 1909), o médico e criminologista italiano que tentou identificar um criminoso pela definição de múltiplas anomalias físicas, como a inclinação da testa, o tamanho das orelhas, a assimetria da face, o prognatismo, a desproporção excessiva dos braços, a assimetria do crâneo, criando até a imagem do “criminoso nato”.



sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Carta aberta ao ex-Ministro da Saúde




Caro Adalberto:

Ando há semanas às voltas com esta carta de despedida, mas metem-se sempre umas coisas menores pela frente e obrigo-te a esperar.
Fui apoiante das tuas boas intenções, mas penalizo-te por não teres analisado devidamente os lobbies da saúde e por não teres estabelecido regras ab inicio que promovessem eficiência.
Em meu entender devias ter suspenso alguns programas informáticos até que o sistema garantisse fluidez. O actual sistema de registos dos diários de enfermagem é de difícil consulta médica. Está desenhado para responder a necessidades criminais e não às assistências. Um texto com três linhas, mais uma tabela de sinais vitais, é o suficiente para a maioria dos doentes. Obrigar os enfermeiros a preencher quadros em diferentes páginas, que não são lidos pelos médicos, não é proveitoso. Um registo em papel era mais rápido e funcionante. Também devias rever algumas das suas funções indiferenciadas, como o são a maior parte das higienes a que se obrigam, transferindo-as para auxiliares de acção médica. O que poupavas em informática e em mão de obra, podias usá-lo para lhes aumentar o vencimento. Claro que aí tinhas comprado outras guerras.
Quanto aos médicos, os registos dos diários nas enfermarias deviam ter continuado em papel e só os Relatórios finais (como as Notas de Alta) deveriam ser informatizados.
Não é possível trabalhar com computadores, quando eles são lentos, vão abaixo frequentemente e são em número insuficiente para os profissionais. São horas de trabalho médico desperdiçado. Esperavas até se poder garantir um PC ou Tablet a cada médico, revias os programas informáticos, e então a coisa podia ser rentável. Deixaste que os SPMS andassem com o carro à frente dos bois sem qualquer auditoria, e o tempo que se gasta em registos onera significativamente o sistema.
Mas, acima de tudo, havia de responsabilizar as direcções pelos gastos e pela produção. Responsabilizar e dar poder. Pedir resultados e dar condições para corrigir o que estivesse errado. O dinheiro que poupavas em MCDT, na iatrogenia e no Controle Biométrico dava-te uma folga, que até podias começar a pagar a formação do pessoal de saúde nos mais altos standards.
Claro que terias de ter força para te opores ao negócio da saúde. Mas não eram só os "privados que fornecem serviços ao Estado" e a Indústria Farmacêutica que tinhas de "frenar". Tinhas de negociar com os lobbies dos médicos e dos enfermeiros para que a sua progressiva diferenciação fosse acompanhada do abandono de funções menos diferenciadas em favor de outros grupos profissionais. Devias também ter posto em sentido aquela gente que, em Lisboa, decide, compra e implementa sistemas informáticos que, frequentemente não melhoram em nada a assistência e que dificultam a análise de quem se preocupa com a qualidade e quantidade do que se faz e não com quem chega tarde ou sai cedo.
Quem vem a seguir ti, se não se dispuser a “puxar pelos galões”, vai manter as responsabilidades difusas, sem que se corrijam as ineficiências e os custos crescentes da saúde.

Eu, por agora, estou noutra, mas custa-me saber que uma parte significativa dos meus impostos está a servir para cobrir ineficiências, substituindo uma palavra acertada (que pode ser tudo o necessário para tratar adequadamente um doente) por uma lista interminável de remédios e de intervenções para esconder a incompetência, a falta de esperança ou a sustentabilidade dos "privados".

Espero que tenhas agora algum descanso, pois considero que depois de teres sido o "saco de boxe" onde todos foram dar o seu murro para mostrar que também "são", te dá o direito a um bom ano sabático antes de reapareceres de novo. 
Fica bem! Bom fim-de-semana e não te esqueças do guarda-chuva!
Abraço.

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Frase do Dia


Quem não está na mesa de negociações, está na ementa!

domingo, 21 de outubro de 2018

Remo



Sexta-feira. Jantar de amigos na margem esquerda do Douro, marcado para as 20:00 horas. Um transito de fim-de semana a dificultar o acesso. Um dia de Outubro de sol forte a dar início a uma noite de verão.

Caminho pela margem do rio, agora interdita ao transito, em direcção à Presuntaria Transmontana. O sol já se escondeu e a noite está quase, quase aí. O espelho do rio duplica as luzes da cidade em frente.

Num pequeno cais duas jovens preparam-se para sair num Double scull. Os turistas fotografam o rio e a cidade e elas demoram-se para se eternizarem nas fotos e partem piscando umas pequeninas luzes a meio de cada remo. Mais uma chega ao cais num outro skiff e parte mais lestra. Agora é mesmo noite. Só as luzes das margens iluminam o rio quando as vejo desaparecer debaixo da ponte. Vou ao hangar do outro lado da rua. Horário: Segundas, Terças, Quintas e Sextas: das 8:30h às 12:30h e das 16:00h às 21:00h. Quartas – das 17:00h às 21:00h. Sábados: das 8:30h às 13:00h (e, por vezes, das 15:00 às 18:00). Domingos e Feriados: das 8:30h às 13:00h.

Três jovens no meio do rio ... à noite, vestidas de preto, a fazer nascer em mim um quê de inveja.
Como o mundo muda! 

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Chuva


Razão tinha a senhora da padaria: Ninguém rega como Deus Nosso Senhor!

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

O peru




Imagine um peru de criação. Cada vez que lhe é dada comida há um contributo para a crença, por parte do animal, de que é uma regra geral da vida ser-se alimentado todos os dias por membros amigáveis da raça humana que, como diria um político, "cuidam dos seus melhores interesses”. Mas na véspera do Natal, pela tarde, algo de inesperado lhe irá acontecer!
Como poderemos imaginar o futuro, recebendo o conhecimento do passado, ou, mais genericamente, como podemos calcular as propriedades do desconhecido baseados no que é conhecido? Que pode um peru aprender acerca do que lhe está reservado, a partir dos acontecimentos de ontem? Muito, talvez, mas certamente um pouco menos do que pensa e é justamente esse “um pouco menos” que irá fazer toda a diferença.
O peru aprendeu através da observação. A sua confiança aumentou com o crescente número de vezes em que foi alimentado por gente amigável e sentiu-se cada vez mais seguro, apesar da sua morte estar cada vez mais eminente. O sentimento de segurança atingiu o valor máximo quando o risco era mais elevado!

O problema está relacionado com a natureza do conhecimento empírico. Algo que funcionou bem no passado, inesperadamente, deixa de funcionar, e o que aprendemos revela-se, na melhor das hipóteses, irrelevante ou falso e, na pior das hipóteses, perversamente enganador.

Confundir uma observação ingénua do passado como algo definitivo ou representativo do futuro impede-nos de contar com o improvável.
Na perspectiva do peru, o facto de não ter sido alimentado por volta do dia 200 é um “choque”! Para o talhante, não!
Surpresas destas, podem ser eliminadas pela ciência (se se for capaz disso) ou mantendo a mente aberta!

In “O Cisne Negro” de Nassim Nicholas Taleb

terça-feira, 18 de setembro de 2018

sábado, 15 de setembro de 2018

Universitários (?)



Hoje fui a Braga.
Entrei na Livraria Centésima Página, para comprar “O Segundo Sexo - volume 2, de Simone de Beauvoir, para oferecer a uma das minhas filhas. Estava esgotado e acabei nas suas traseiras a almoçar uma salada de presunto.

À saída, do outro lado do jardim da Avenida Central, topei uma escultura “futurista” encimada por uns pequenos painéis solares, que me sugeriu um carregador de telemóveis, por já ter visto noutras cidades europeias coisa semelhante.
Estava a dar-lhe a volta e a aperceber-me da sua disfunção, quando um “arrumador” que por ali passou me esclareceu:

- Foram os meninos ricos que o estragaram! E depois dizem que nós é que somos a escumalha da cidade!

Disse-o convictamente, enquanto se dirigia para um lugar vago do estacionamento fazendo sinais a um automóvel que circulava, deixando-me a pensar nas praxes académicas e nas palermices que o "vandalismo universitário" é capaz.

Já em casa, procurei a notícia da sua inauguração. Terá custado 39 mil euros e foi ali implantado há pouco mais de um ano.



quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Boa vizinhança



Passamos pela vida e o que deixamos rapidamente se desfaz no pó dos dias. O espavento não garante  persistência, pois é no recato que nos encontramos e partimos para a construção de uma pequena marca que fique para além de nós.
A Regina vivia no extremo da aldeia, lá em baixo, onde a rua começa. Enquanto o marido se entretinha com o jardim, qual dama de oitocentos, deu azo à imaginação tecendo as horas com as linhas e as rendas das caixas de recordações.
Fez deles quadros e uma exposição no Museu Soares dos Reis.





sábado, 8 de setembro de 2018

terça-feira, 28 de agosto de 2018

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Frases da semana - Yurval Harari


Quando mil pessoas acreditam numa história inventada durante um mês, chamamos-lhe "Fake news".
Quando mil milhões acreditam nisso há mil anos, dizemos que é uma Religião.

Se por "livre arbítrio" entendermos a liberdade de fazer o que se deseja - os seres humanos têm livre arbítrio. Mas se "livre arbítrio" significar a liberdade de escolher aquilo que se deseja, então não, os seres humanos não têm "livre arbítrio".

sábado, 11 de agosto de 2018

The road home



https://www7.fmovies.se/film/the-road-home.7j8vj/r399ry


É dos filmes mais bonitos que vi. Um filme inteligente sobre o amor e sobre o respeito de “valores”.
Um filme (para mim) improvável, por vir da China.
Tem subtítulos em Inglês.