sábado, 11 de agosto de 2018

The road home



https://www7.fmovies.se/film/the-road-home.7j8vj/r399ry


É dos filmes mais bonitos que vi. Um filme inteligente sobre o amor e sobre o respeito de “valores”.
Um filme (para mim) improvável, por vir da China.
Tem subtítulos em Inglês.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Fogos.pt


Começo a ter raiva a quem me entra diariamente em casa a falar dos incêndios e a dizer que é do vento, da falta do retardante, dos helicópteros Kamov e do SIRESP que custam milhões, das casas que ardem que são primeira e segunda habitação e as que estavam, há décadas, desabitadas, e dos milhares de hectares de área ardida.

Eu quero é saber como se vai acabar com este desbarato de recursos. Quero saber se é possível manter o minifúndio na floresta, onde a maioria dos proprietários são idosos, sem nenhuma vontade de modificar o que quer que seja, e que pensa (e bem) que, se vender, no dia seguinte, o dinheiro que pôs no Banco, começa a desaparecer.

Portugal não tem tradição de associativismo e não é possível gerir uma floresta quando as propriedades têm pouco mais de meio hectare. O que se gasta a apagar fogos não compensa a rentabilidade que de lá se tira e os impostos não podem ser aplicados a alimentar quem faz do fogo negócio, nem políticos temerosos que acções mais enérgicas lhes possam trazer maus resultados  eleitorais.

Exige-se frontalidade no impedir que eucaliptos e pinheiros convivam com os aglomerados urbanos, na modernização do cadastro florestal e na implementação de obrigações mínimas de manutenção.
Só assim a floresta atrairá empregos e fixará população, mesmo que os proprietários vivam nas cidades, como os que a vêm apagar.

Já chega de jornalistas a descrever “ad nauseam” os “cenários de guerra”, os “infernos” dantescos, as lágrimas dos desafortunados, as frustrações dos bombeiros, dos políticos, dos comentaristas, enquanto “o touro” investe sobre tudo e todos, sem que um Governo se decida pegá-lo pelos cornos para que, ao menos, se protejam as pessoas e as habitações.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Carta a Santo Antão


Caro Santo:


Há dois meses me vens ao pensamento, por ter lido coisas que pouco abonam a favor da tua santidade.

Eu só te conhecia de nome. Primeiro, nas aulas de Geografia, eras uma das ilhas de Cabo Verde. Mais tarde, foste uma rua (Rua das Portas de Santo Antão), onde ficava a Casa do Alentejo, um dos meus restaurantes de referência na capital. Depois, no Palácio das Necessidades, identifiquei-te no tríptico de Bosch – As Tentações de Santo Antão, sem nunca me ter dado ao trabalho de estudar a tua biografia.



Só agora, depois de reformado, arranjei tempo para ler sobre o que deve ter sido a tua vida.

Li que foste um cristão egípcio, fervoroso e iletrado, que nasceste em 251 da E.C. (era comum), que no início da vida adulta, abdicaste de significativo património, para te tornares eremita no deserto, à procura de uma confrontação direta com o demónio, por ser essa a sua “morada”. Passados vinte anos de solidão, tornaste-te o mestre de uma horda de monges que, com a justificação de “ajudar cristãos perseguidos”, demoliu templos, profanou estátuas e queimou livros que consideravas “pagãos”, onde vias os tais “demónios”.

Percebeste que homens ofendidos e magoados se podem transformar em combatentes destemidos e obedientes, se lhes for dada uma causa emocionante pela qual possam lutar e, através da religião, visaste o poder e os valores culturais de Roma.
Isso nada tem de religioso. É pura política. Mas foi o teu fanatismo e essa ideia de auto-flagelação que deu início ao imenso retrocesso cultural que havia de pôr fim à civilização greco-romana.

Lembras-me o ISIS (Islamic State of Iraq and Syria) - radicais, a celebrar a ignorância e a destruir os símbolos das outras culturas, para impor uma Sharia ao mundo, recorrendo ao terror, invocando os mesmos demónios. Também eles alegam que o fazem “não por crueldade, mas para orientar os pecadores no caminho da salvação”.
Santo Agostinho (354 – 430) - (também ele oriundo do norte de África), não só deu continuidade ao teu estar, como incendiou ainda mais a fogueira, com “ensinamentos” onde a intolerância era a regra: “Oh! Violência misericordiosa!”, disse quando se chacinavam "pagãos".

Sabes, Antão!: Depois de isto tudo, não te vejo como um santo atormentado por demónios, vejo-te como um perturbado mental, que utilizou o mundo horripilante dos demónios, para se opor a uma aristocracia romana que vivia no meio de uma “indulgência licenciosa” e oportunista, onde muitos morriam à fome. Só que a tua ignorância fez-te ficar por aí. Mediste o todo pela parte,  e não consideraste os verdadeiros valores dessa civilização.

A tua história deveria ser reescrita, para que deixasses de ser exemplo a radicalismos que usam essas tretas de “demónios" e outras visões vesgas da sociedade, sem considerarem a repercussão das suas "boas intenções" no contexto de um Mundo plural. 

terça-feira, 31 de julho de 2018

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Motins


Provavelmente é impossível, para as pessoas que viveram e prosperaram num determinado sistema social, imaginarem-se na pele daqueles que, nunca tendo podido esperar nada desse mesmo sistema, encaram a destruição do sistema sem receio especial. 

Ando a ler - Submissão,  de Michel Houellebecq. Uma sátira política, que imagina uma situação em que um partido islâmico vence eleições em França em 2022.
O autor foi já acusado de islamofobia, mas não considera esta obra uma provocação. Na sua opinião é uma evolução muito provável.

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Os Ismaelitas e "Os Lusíadas"


Aga Khan IV descende do profeta Maomé. É o líder espiritual de 15 milhões de fiéis muçulmanos, xiitas ismaelitas, 10 mil dos quais vivem em Portugal, comunidade que doa ao Imamato (que ele  gere), cerca de 10 a 12% do que ganha.
É um dos homens mais ricos e mais influentes do mundo. Dizem que a sua fortuna ronda os 14 mil milhões de dólares. Está prestes a estabelecer residência em Lisboa. Será o novo sr. Gulbenkian. 

Com funções múltiplas e muito além da orientação religiosa, Karim Aga Khan tem a seu cargo a educação cívica da comunidade, que o adula. Significa isso cuidar do seu bem-estar e guiá-los no sentido de criarem os seus próprios meios de subsistência. Terá dito: “Os meus deveres são bem mais latos que os do Papa!".

Luís de Camões, nos Lusíadas (1572) no CANTO I, via-os assim:

1
As armas e os barões assinalados,
Que da ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca de antes navegados,
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;

2
E também as memórias gloriosas
Daqueles Reis, que foram dilatando
A Fé, o Império, e as terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando;
E aqueles, que por obras valerosas
Se vão da lei da morte libertando;
...

3 ...
4 ...
5 ...
6 ...
7 ...

8
Vós, poderoso Rei, cujo alto Império
O Sol, logo em nascendo, vê primeiro;
Vê-o também no meio do Hemisfério,
E quando desce o deixa derradeiro;
Vós, que esperamos jugo e vitupério
Do torpe Ismaelita cavaleiro,
Do Turco oriental, e do Gentio,
Que inda bebe o licor do santo rio;

domingo, 22 de julho de 2018

Vidas difíceis - 2


1:
28 anos. Solteira. Tem uma filha de cinco anos. Vive com os pais. Desempregada. 12 º ano, sem reprovações.
Tem consumos tóxicos desde a adolescência. Em 2015 esteve presa por não ter cumprido o trabalho comunitário que lhe tinha sido imposto. Depois, viveu na rua durante muito tempo. Desde Novembro que está a viver com os pais.
De acordo com a mãe, tem estado isolada no sótão, pouco fala com os familiares e o seu discurso é centrado em temas místicos - bruxas, anda a ler livros de São Cipriano. Não faz refeições com a família, tem comportamentos bizarros (ex: quando defeca, limpa-se a toalhas em vez de a papel higiénico), fala sozinha e não faz a sua higiene.
Não colaborante. Aspecto muito mal cuidado. Perplexa. Responde telegraficamente. Refere sono e apetite mantidos. Impossível apurar actividade delirante. Pesquisa de drogas de abuso na urina, negativa.

2:
28 anos. Solteiro. Vive com os pais. Trabalha numa carpintaria. Tem o 12º ano. Foi já seguido por psicólogo por ansiedade relacionada com problemas familiares.
Desde há um ano que nota agravamento - maior frequência de crises de pânico: sem motivo aparente, o coração acelera, descontrola a respiração, pensa que lhe vai dar qualquer coisa! Um ataque cardíaco!... As crises duram cinco a dez minutos e ultimamente têm sido diárias. Refere que: "escuta muito o seu corpo!"
Tem de fazer uma formação¸ e não consegue, por receio de ter nova crise. 

3:
É solteira e vive com os pais. Tem um irmão a estudar em Lisboa. Tirou um curso no Politécnico. Trabalha para uma empresa, por catálogo.
É seguida em Psiquiatria por síndrome depressivo. Tem história de intoxicações medicamentosas voluntárias e teve internamento recente em Psiquiatria para resolução de conflito familiar.
Voltou a casa e, durante o fim-de-semana, envolveu-se em querelas com os pais e com o irmão. Ontem à noite, num episódio em que terá provocado a mãe, o pai perdeu o controlo e “tentou estrangulá-la”. Ao fugir, caiu de um muro. Diz ainda que o pai lhe deu um pontapé.
Depois, ligou para o 112. A GNR tomou conta da ocorrência e o INEM trouxe-a ao SU. Diz não ter condições para voltar para casa.
Está orientada e colaborante. Humor eutímico, sem evidentes sinais de ansiedade. Discurso espontâneo, fluente, pautado por interpenetração de temas e redundâncias, centrado no seu ambiente familiar, mas coerente e lógico. Sem alteração do timbre ou ritmo. Nega pensamentos de morte ou ideação suicida. Crítica preservada.
A mãe encontra-se neste SU. A doente diz não querer vê-la, mas dá-me autorização para conversar com ela. Pede-se colaboração do Serviço Social

4:
58 anos. Solteiro. Sem filhos. Vive só. Trazido pela GNR.
Refere-se que deixou de ir almoçar ao Centro de Dia e que causa desacatos na via pública: “manda bocas” na Praça, destrói as coisas que lhe dão e que trata mal as pessoas. De noite, anda de um lado para outro e os comerciantes queixam-se de insegurança.
Tem diagnóstico de esquizofrenia e dependência de álcool de longa data. Teve o último internamento em 2002. Sem acompanhamento actual em consulta externa da especialidade. O Médico de Família tem-lhe passado receitas.
Tem aspecto e vestuário pouco cuidados. Comportamento desorganizado. Verborreico, com discurso pouco perceptível. Humor irritado. Provável actividade alucinatória auditiva. Ideias delirantes de teor persecutório e místico, pouco sistematizadas. Não verbaliza ideias autolíticas. Sem qualquer insight.
Em risco para a sua integridade e a de terceiros.

5:
45 anos. Tem o 8º ano (sem retenções). Vive com companheira e um filho de 15 anos. Reformado após um AVC que lhe causou hemiparesia direita e afasia. Necessita de apoio na higiene. Alimenta-se por mão própria.
Dada a limitação na linguagem, a história é contada pela esposa, que é a principal cuidadora. Refere frequentes episódios de heteroagressividade: “anda sempre aos murros pela casa, atira copos, exalta-se, grita!" Desconfia dela. "Acha que tem amantes!". Refere consumos etílicos regulares de 1 garrafa de vinho por dia + 1 copo de aguardente, que o doente minimiza, mostrando-se defensivo na pesquisa de história tóxica.
Está colaborante e orientado. Aspecto cuidado. Postura adequada. Calmo. Claudica do membro inferior direito. Afasia. Humor eutímico, nega ideação autolesiva.
Ideias de teor celotípico em relação à esposa (sobrevalorizadas? delirantes?).

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Alguns humanos



A EMANAÇÃO

Contam os sábios tibetanos que o Inferno é dividido em 18 departamentos, dos quais oito insuportavelmente frios e dez insuportavelmente quentes. Esta história começa num dos departamentos menos quentes, onde dois condenados puxam uma carroça cheia de blocos de pedra. Um tinha sido um salteador que assaltava caravanas nas estepes de Changtang, e era forte como um touro. O outro, magro e esquálido, tinha sido monge no mosteiro de Takpu, em Naksho Driru, e foi parar ao Inferno porque se esmerava em exigir dos outros o comportamento que ele mesmo nunca conseguira ter.

Os dois infelizes esforçam-se para fazer avançar a carroça, mas a coisa vai mal. A todo instante o monge tropeça e cai, exausto, e o seu companheiro é obrigado a parar para ajudá-lo, interrompendo o trabalho. As pedras são usadas para construir novos alojamentos para os recém-chegados ao Inferno, que nos últimos tempos tem recebido cada vez mais gente. Não há moradias para todos e o Rei Sinje, o Senhor dos Mortos, ordenou que os condenados trabalhassem a dobrar para reduzir o défice habitacional. Os capatazes estalam os seus chicotes de fogo nas costas do monge, urram e gritam, mas ele mal se consegue mexer, coberto de sangue e poeira.
Atormentado com tanto ver o seu companheiro sofrer, o ladrão deixa de puxar a carroça e fica em silêncio, inerte. O capataz com cabeça de cachorro, aproxima-se e ameaça-o com um porrete cheio de pregos. O ladrão diz que só voltará a trabalhar se soltarem as correntes que prendem o seu companheiro à carroça, pois assim ele poderá puxá-la sozinho e tudo andará mais rápido. O capataz, enfurecido, grita que não recebe ordens de condenados, e esmaga o crânio do ladrão com o porrete.

Como se sabe, no Inferno tibetano a danação não é eterna. Lá, é possível morrer e renascer noutro lugar. E é exactamente o que acontece com o ladrão, cuja compaixão faz com que ele reencarne com o nome de Li Xun, numa pequena aldeia no sul da província chinesa de Quinghai.
Como ele ainda tem muitos crimes para purgar, o destino se encarrega de que ele se torne um burocrata e leve uma vida enfadonha e repetitiva.
… … …

É assim que começa o sexto conto, deste livro de contos, todos eles sublimes.

domingo, 15 de julho de 2018

A dominância dos teimosos


Há uns meses, um amigo aconselhou-me o livro “Skin in the Game”. O segundo capítulo – O mais intolerante vence: A dominância da minoria dos teimosos”, deu-me luz sobre como se propagaram (e propagam) muitas das teorias que regem o Mundo.

A principal ideia por detrás de um sistema complexo é que o conjunto se comporta de modo não previsível pelos seus componentes e que as interacções são mais importantes que a natureza das suas unidades.
Estudar individualmente o comportamento de uma formiga, nunca nos irá dar uma clara indicação do como o formigueiro funciona. É necessário olhar para uma colónia de formigas como uma colónia de formigas e não como um conjunto delas. A isto chama-se uma propriedade “emergente” do todo, na qual as partes e o todo diferem, porque o que interessa são as interacções entre as partes.

Uma das suas regras é a "Regra da Minoria": Se um certo tipo de minoria intransigente – com significativo “skin in the game” (ou, melhor, “soul in the game”) - atingir um pequena percentagem da população - 3 a 4%, pode fazer com que toda a restante se submeta às suas preferências.

Um exemplo desta complexidade atingiu o autor, quando ajudava um barbecue em Nova York.
Estavam os anfitriões a desempacotar as bebidas, quando um amigo que só consome alimentos “kosher”, se aproximou para o cumprimentar. O autor ofereceu-lhe uma limonada, na certeza de que ele a iria rejeitar. Mas, para seu espanto, ele bebeu o líquido, enquanto outra pessoa comentou: “Aqui, todas as bebidas são kosher!”. Olhou para o rótulo da garrafa e, no fundo, tinha um pequeno símbolo – um U envolto num círculo, indicando que era kosher. O símbolo só é detectado por aqueles que necessitam de o saber, e fê-lo ganhar consciência de que bebia regularmente líquidos kosher sem o saber.

A população kosher representa menos de 0.3% dos residentes nos Estados Unidos (cerca de 9% dos noviorquinos são judeus) e estava-lhe a parecer que todas as bebidas eram kosher. Porquê? Simplesmente porque se forem kosher, os produtores, os revendedores e os restaurantes, não têm de fazer distinções entre kosher e não kosher para os líquidos, com marcações especiais, áreas e inventários separados.

A regra simples que altera o total é a seguinte: Um kosher (ou halal) nunca irá comer alimentos não kosher (ou não halal), mas um não kosher não está proibido de comer alimentos kosher.

Alguém com alergia ao amendoim, não irá comer produtos que o possam conter, mas uma pessoa sem alergia poderá comê-los. O que explica o porquê de ser tão difícil de encontrar amendoins nos aviões dos Estados Unidos e porque as escolas são “peanuts-free”.

Chamemos a estas minorias um grupo intransigente e à vasta maioria um grupo flexível.

Dois pormenores. Primeiro, o modo como estão implantados no terreno, é importante. Se a minoria dos intransigentes vive em guetos, com uma economia pequena e separada, então esta regra não se aplica. Mas quando a população tem uma distribuição espacial uniforme, isto é, quando a percentagem da minoria na vizinhança é a mesma que na cidade inteira, que a da cidade a do país, então a maioria flexível ir-se-á submeter à regra da minoria. Segundo, o custo também interessa. No exemplo da nossa limonada kosher o aumento de preço não é significativo.

Os muçulmanos também têm leis do tipo “kosher”, que se aplicam à carne, regras de abate herdadas de práticas sacrificiais antigas dos cultos Grego Oriental e do Levante. Tudo o que é kosher é “halal”, para a maior parte dos Sunitas (ou era assim nos séculos passados), mas o reverso não é verdade.

No Reino Unido, onde a população muçulmana praticante é de 3 a 4%, uma grande proporção de carne que se encontra nos talhos é halal. Cerca de 70% do anho importado da Nova Zelândia é halal. Perto de 10% da restauração do metropolitano vende “Halal-only meat”.

Mas nos países de matriz cristã, halal não é suficientemente neutro. Há ainda muitos cristãos que entendem os valores sagrados dos outros como uma violação dos seus. Lembremos que, no século VII e anteriores, muitos mártires cristãos foram torturados por se recusarem a comer carne sacrificial e assumiram a postura heroica de morrer à fome por considerarem um sacrilégio aquela comida impura.

Se o objectivo é vencer e não vencer um argumento, pôr o foco unicamente nas palavras coloca-nos num declive perigoso. É necessário fazer preceder as palavras de actos significativos. Só a realidade consegue convencer alguém de que está errado.

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Carta de despedida a um amor antigo



Minha querida:

A nossa relação acabou!

Ao fim destes muitos anos em que me acompanhaste dentro do hospital, sempre atenta a qualquer ignição mais apaixonada, é forçoso que te deixe e prescinda da garantia de que nada mais acalorado se passará sem o teu conhecimento.

Pena que só nos dessemos a conhecer em fevereiro de 2012, quando os meus olhos tropeçaram no jeito meigo dos teus. Foi então que tudo começou e, animado pela tua timidez de menina, eternamente protegida atrás de uma vidraça, mantive-te informada do que se passava no meu peito.

Tens agora o cabelo encanecido pelas muitas confidências que escutaste. Ouviste familiares falarem mal dos médicos, médicos a queixarem-se dos seus pares, enfermeiros dos horários de trabalho, auxiliares da precariedade da sua vida. Ouviste falar do desperdício de quem tem pressa e fica incapaz de pensar antes de se meter a “fazer”, da gestão que não controla os custos e que diariamente põe em causa a sustentabilidade do SNS, do nivelamento por baixo dos profissionais desta casa, dos fracos vencimentos pagos pelo Estado, da procura desnecessária dos serviços hospitalares, … . Tantos a queixarem-se do que os outros não fazem bem, sem cuidar de melhorar o que podiam na sua área … .

De mim muito deves ter ouvido, porque pertenci ao grupo que lutou pela melhoria da qualidade assistencial a custos aceitáveis, sem aquela “flores” que são os “luxos” de quem se esquece que mais tarde os irá pagar, sob a forma de impostos ou da desvalorização do seu dinheiro. Percebeste as minhas mágoas quando falava dos meios auxiliares de diagnóstico e de terapêuticas desnecessárias, dos gastos com controles biométricos com médicos em vez de responsabilizar os directores dos serviços pelo qualidade e quantidade de trabalho produzidos, da promiscuidade entre o público e o privado, da necessidade de uma fiscalização eficiente ao favorecimento (nepotismo e compadrio - político / religioso / institucional) na escolha dos profissionais das organizações dos Estado, nesta "terra de primos que passam a vida a fazer jeitos uns aos outros”.
Obrigado pela tua paciência!

Em breve, só quando as saudades me trouxerem para os locais onde fui feliz, te encontrarei de novo. Talvez te escondas num novo penteado e me deixes inquieto por te ter deixado assim, de um dia para o outro, e me recrimines por, apesar da idade, ainda te manteres no teu posto assumindo as funções nessa missão de estar sempre disponível para entrar em acção a todo o tempo.

Eu sei que esta separação me irá custar mais a mim que a ti, pois não acredito que deixes que uma lágrima assome ao teu rosto, nem te vejo a alterar a rotina de tantos anos, já que tens quem te garanta a subsistência.
Eu tenho de programar o meu novo estar. Para já vou-me manter por perto e a todo o tempo te poderei visitar, queiram os deuses que sempre de sorriso estampado, mas, se o acaso me levar a ti na horizontal, que o nosso encontro seja breve e que a memória ajude a dar dignidade a quem por aí andou sem se preocupar com serviços mínimos.

Fica bem, meu romance tardio

Fernando

sábado, 30 de junho de 2018

Farewell




Oh it's fare thee well my darlin' true,
I'm leavin' in the first hour of the morn.
I'm bound off for the bay of Mexico
Or maybe the coast of Californ.

Oh the weather is against me and the wind blows hard
And the rain she's a-turnin' into hail.
I still might strike it lucky on a highway goin' west,
Though I'm travelin' on a path beaten trail.

I will write you a letter from time to time,
As I'm ramblin' you can travel with me too.
With my head, my heart and my hands, my love,
I will send what I learn back home to you.

I will tell you of the laughter and of troubles,
Be them somebody else's or my own.
With my hands in my pockets and my coat collar high,
I will travel unnoticed and unknown.

I've heard tell of a town where I might as well be bound,
It's down around the old Mexican plains.
They say that the people are all friendly there
And all they ask of you is your name.

So it's fare thee well my own true love,
We'll meet another day, another time.
It ain't the leavin'
That's a-grievin' me
But my true love who's bound to stay behind.


terça-feira, 26 de junho de 2018

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Vidas difíceis


1:
Trazida pela GNR com carta de um responsável do Centro de Saúde, onde se refere comportamento agressivo, verbal e físico com a vizinhança, a solicitar intervenção das autoridades.
Tem 78 anos. Vive com marido. Tem dois filhos emigrados.
Diz sentir "um enxame à volta da cabeça” que não a deixa dormir. Que a filha fala com ela, mas que não a vê. Desde o nascimento da filha que ouve a zumbar lá em cima, e ela já tem 40 anos!”. Ultimamente, o enxame chama pela mãe, comenta e pede coisas. É pior à noite. "Uma voz de homem, a rir-se!..."

Os familiares notam agravamento nos últimos três anos, com delírios persecutórios, agressividade verbal e isolamento social. 
Diz que lhe querem envenenar a comida e que os vizinhos lhe roubam os animais, o que o marido nega. Tem andado na via pública com milhares de euros, por medo que lhe roubem o dinheiro em casa.
Está com contenção física, verborreica, má higiene e péssimo cuidado físico. Fala em tom alto e ameaçante, sem crítica para a doença, nem da necessidade de tratamento.

2:
51 anos. Casada. Mãe de uma filha.
Tem acompanhamento psiquiátrico e vários internamentos por "depressão neurótica". No último, por alterações comportamentais marcadas, teve alta com diagnostico de Histeria.
Tem identificado problema conjugal associada a consumos alcoólicos do marido e está em luto prolongado pela morte do filho.
Hoje teve novo episódio de agitação psicomotora. De acordo com o marido, que a acompanha, de madrugada e sem qualquer motivo aparente, ficou muito agitada, saiu de casa e vagueou sem destino, com comportamento desorganizado e agressivo, no que destruiu vários bens da sua habitação.

Apresenta-se com agitação psicomotora. Agarra vários objectos e atira-os ao chão. Disfere murros e pontapés. Discurso espontâneo, mas incoerente, com respostas inadequadas. Humor disfórico. Sem evidencia de actividade heteróloga.
O marido recusa levá-la para casa.

3:
57 anos. Casado. Vive com a mulher. Tem um filho de trinta e três anos.
Reformado há um ano por problemas físicos. Foi marteleiro. Frequentou a 4ª classe (2 reprovações).
É seguido em Psiquiatria por quadro depressivo após a morte da mãe. Não tem internamentos. Nega consumo de álcool, tabaco ou de drogas ilícitas

Refere que há três semanas não está bem em lado nenhum, não tem apetite e que até o cheiro da comida o enjoa. Diz ter perdido 8Kg. Tem ideias de morte - "já me lembrei de me meter debaixo de um comboio ou de um carro!”, mas que nunca chegou ao ponto em que agora está – “Nunca estive assim! Os medicamentos já não fazem nada!"

Queixa-se de insónia, anedonia e tristeza. Nega contactos sociais. Diz passar o dia entre a sala e a cama. A esposa conta que se terá atirado de um segundo andar no passado mês, já com intuito auto-lesivo e que não terá sido avaliado, nessa altura, por Psiquiatria.
Entretanto, quadro tem-se vindo a agravar, com verbalização repetida de ideias de morte.

Está consciente, deambula com auxiliar de marcha. Atenção captável e mantida. Olhar dirigido inferiormente. Discurso espontâneo, de ritmo aumentado. Verborreico. Apelativo. Labilidade emocional quando abordada a limitação funcional. Chora com cabeça pousada sobre a mesa.
Sem alteração do conteúdo do pensamento nem da sensopercepção. Com critica para a situação.

4:
36 anos. Solteiro. Vive com companheira. Trabalha como técnico comercial.
Há 1 ano, com queixas ansioso-depressivas que associa a problemas laborais. Encontra-se há dois meses de baixa.  Centrado nos problemas económicos. Sente-se muito revoltado por "injustiças da vida". Admite comportamentos agressivos para com terceiros. Tem havido envolvimento policial. 
Ontem, em contexto de conflito conjugal, ter-se-á auto-agredido – fez cortes superficiais no antebraço direito. Nega ideação suicida prévia. Diz não ter coragem de se magoar.

Orientado. Aspecto e vestuário cuidados. Colaborante. Postura adequada. Discurso espontâneo e coerente, centrado nas queixas. Humor lábil e superficial. Sem atividade heteróloga. Sem ideação suicida estruturada.

5:
87 anos. Viúva há 9 anos. Sem filhos biológicos. Tem uma filha adoptiva com 28 anos. Foi família de acolhimento.
Vive com a filha adoptiva, companheiro e 2 filhos até há 2 meses, mas não se sente bem com eles porque terão problemas de abuso de álcool. Nega maus tratos, mas acusa-os de terem desviado dinheiro da sua conta.

Ontem queria ir para a sua casa, mas o companheiro da filha não deixou e disse-lhe que a fechava, pelo que ameaçou atirar-se da janela. Em seguida, os familiares abriram-lhe a porta e foi encaminhada para o SU. Hoje diz que não se atiraria por ser muito alto e não ter intenção de morrer.

Refere diminuição do apetite de há uma semana. Apesar de afirmar que não fez o luto do marido, começa a chorar durante a entrevista. Nega tristeza. Refere ansiedade. Sem alterações do padrão
do sono.

Conta vários episódios de quedas. Negados estados confusionais. Afirma que não se perde em casa ou na rua e que não deixa luzes, água ou gaz ligado. Faz as actividades da vida diária sozinha. Por vezes nota dificuldade em recordar o nome das pessoas.

A sobrinha admite que a referência ao hospital teve a intenção de a institucionalizar e confirma que a senhora tem posses suficientes para estar em sua casa com apoio e que, até ser contratado alguém, se disponibiliza a fornecer a medicação e refeições.

Está colaborante e orientada. Postura adequada. Cuidados de higiene mantidos. Humor eutímico, com períodos de labilidade emocional quando fala do marido. Discurso lógico e coerente, sem alterações do conteúdo do pensamento. Sem ideação suicida estruturada.


6:
62 anos. Tem acompanhamento em Psiquiatria de longa data e vários internamentos, com diagnóstico de histeria.

Recentemente, tem vindo múltiplas vezes ao hospital na expectativa de ser internada. Ontem veio mais uma vez, com a mesma intenção e foi necessária a intervenção da equipa de segurança para a conter.
Está consciente, gradualmente mais agitada, repetindo que exige ser internada e que recusa sair do hospital. Sem disponibilidade para qualquer tipo de intervenção psicoterapêutica. Não se evidencia atividade heteróloga. 
Durante a entrevista, ausenta-se do gabinete, pelo que se torna novamente necessário a intervenção da equipa de segurança. Quando é novamente trazida, mantém estado de agitação, com tremor generalizado, mais acentuado na mandibula e com hiperventilação.

7:
23 anos. Solteiro. Sem filhos. Vive com os pais, dois irmãos mais novos e a avó materna.
Tem oligofrenia sequelar a sofrimento fetal. Esteve integrado na APPACDM e fez curso de serralharia.

Segundo a mãe tem períodos quase diários de heteroagressividade, dirigida aos irmãos e vizinhos, que alterna com fases depressivas.
Marcada impulsividade. Mãe chamou a GNR. Diz que anda sempre implicativo e "chato"

Apresenta-se de braços cruzados, imóvel, em mutismo. Humor neutro. Evidentes dificuldades cognitivas. Discurso escasso, mas globalmente coerente, com pobreza de conteúdos. Não se detecta actividade delirante ou alucinatória.

8:
18 anos. Solteira. Sem filhos. Vive com o pai. Frequenta o 12º ano .
Foi já seguida em Psicologia. Faltou à última consulta. Os pais divorciaram-se recentemente e foi viver com o pai, porque a mãe tinha dificuldade em sustentar as duas. Desde então a mãe "quase não lhe fala!"
Desistiu de ir a escola porque tinha muitos módulos em atraso e sentia que não ia conseguir fazer o projecto final.
Há alguns dias com comportamentos auto-mutilatórios no punho, antebraço e face . cortes muito superficiais. Sem ideação suicida associada - "queria aliviar o sofrimento de alguma forma".
Ontem, após uma discussão com o pai e o namorado, por causa das auto-agressões, terá tido episódio de ansiedade.

Humor depressivo e ansioso, reactivo a situação de vida. Tem sono regular, apetite diminuído. Anedonia. 

domingo, 17 de junho de 2018

Serviço de Urgência - Precária



Laranja por alterações neurológicas agudas.

Chamo-o pelo intercomunicador. Duas vezes. Face à demora, vou ao corredor, disposta a procura-lo nalguma das macas, quando uma jovem a apoiar a marcha cambaleante de um homem de meia idade, me responde:
- É o meu tio!
- Fazem o favor de se sentarem. Então que se passa?

- O meu tio saiu ontem da prisão de Bragança. Veio de precária, como já acontece de há uns meses para cá. Fomos buscá-lo a Braga, como combinado com o táxi que o trouxe junto com mais três. Mas quando começámos a falar com ele, vimos logo que não estava bem. Dizia que lhe doía a cabeça e que queria ir ao Hospital. Levámo-lo às Urgências a Braga. Esteve lá umas horas e deram-lhe alta, com uma receita para a dor de cabeça.
- Então, após a alta, o que se passou para voltar hoje aqui?, pergunto, a pensar nas doenças que se manifestam insidiosamente e que numa primeira observação podem passar despercebidas.
- Sra. Dra.! Quando o metemos no carro para o trazer para casa, ele continuou a dizer que não estava bem e, na passagem por Vila Verde, levámo-lo ao Hospital Particular. Aí esteve a soro mais de três horas e, ao fim do dia, disseram que já estava bem e deram-lhe alta.
Levámo-lo para casa e foi uma noite de S. João. Levantava-se, saía do quarto e não dizia coisa com coisa! Ninguém dormiu! Foi por isso que o trouxemos aqui.

Alterações neurológicas agudas em doente de um estabelecimento prisional, pôs-me logo a pensar em SIDA e em infecção do sistema nervoso central. Fui ao computador ver no “PDS” (Plataforma de Dados da Saúde) se havia registos. No Hospital de Bragança, tinha uma entrada no Serviço de Urgência por dores anais, que foram interpretadas como dependentes de uma fissura e no Hospital de Braga tinha a entrada do dia anterior. Fora observado por Neurologia e Psiquiatria. Referia-se tentativa de contacto com o Estabelecimento Prisional de Bragança, sem sucesso e, ao fim de umas horas, teve alta, sem que fosse anotada qualquer alteração orgânica. O PDS não me dá acesso aos meios auxiliares de diagnóstico.

A sobrinha é uma rapariga de pouco mais de vinte anos. Está bem vestida e tem um discurso que denota alguma formação. Ele, embora ande nos quarenta, tem fortes rugas a marcarem-lhe o rosto magro, e uns os olhos mortiços que vagueiam ora pela sala, ora pelo chão, raramente em mim. Não responde ao que se lhe pergunta. É a sobrinha que dá todas as explicações:  Que está preso por furto, que não lhe conhece consumo de drogas, nem de qualquer doença e que sempre o considerou “um homem normal”. Entretanto ele tira, inapropriadamente, as coisas mais variadas dos bolsos das calças. Papel higiénico enrolado, uma esferográfica, um fio que parece um atacador de sapatos, um plástico transparente com uns papéis lá dentro, que deixa escorregar para o chão. A sobrinha tenta ajudá-lo a recuperar os pertences, mas ele, lesto, adianta-se.
Espanto-me com a certeza do gesto, para quem há minutos vacilava, mas nesta coisa de saúde há alertas que se não devem ignorar e apesar de um exame físico sem alterações, decido excluir SIDA e algumas das suas complicações neurológicas, e peço TAC crânio-encefálico, análises e faço-lhe uma punção lombar. Tudo normal. Face à negatividade do estudo, decido pedir drogas de abuso na urina: Positivas para cocaína!!

Naquele táxi vieram três reclusos em “precária” para serem recolhidos pelas famílias a mais de 200Km de distância. As drogas foram, certamente, consumidas durante a viagem.
Como é que me não ocorreu logo isso, antes de ter considerado todas as doenças?
As Leis de Murphy são uma realidade - “as coisas perdidas estão sempre no último lugar onde as procuramos!”

História de A. S.

domingo, 10 de junho de 2018

A Chegada das Trevas

Catherine Nixey licenciou-se em Estudos Clássicos pela Universidade de Cambridge

A Chegada das Trevas é a história largamente desconhecida – e profundamente chocante – de como uma religião militante pôs deliberadamente fim aos ensinamentos do mundo clássico, abrindo caminho a séculos de adesão inquestionável à “única e verdadeira fé”.
O Império Romano foi generoso na aceitação e assimilação de novas crenças. Mas com a chegada do Cristianismo tudo mudou. Esta nova fé, apesar de pregar a paz, era violenta e intolerante. Assim que se tornou a religião do império, os zelosos cristãos deram início ao extermínio dos deuses antigos – os altares foram destruídos, os templos demolidos, as estátuas despedaçadas e os sacerdotes assassinados. Os livros, incluindo grandes obras de Filosofia e de Ciência, foram queimados na pira. Foi a aniquilação.
Levando os leitores ao longo do Mediterrâneo – de Roma a Alexandria, da Bitínia, no norte da Turquia, a Alexandria, e pelos desertos da Síria até Atenas –, A Chegada das Trevas é um relato vívido e profundamente detalhado de séculos de destruição.

Ia de férias quando ele me chamou do escaparate de uma livraria. Calmamente, digeri-o ao longo dos dias, vendo nele muito do que está a acontecer nos nossos dias.
É um olhar diferente. Talvez incompleto, mas que tem em consideração factos que foram intencionalmente encobertos pela História escrita pelos vencedores - os bispos cristãos!

The clash between the classical order and Christianity is a tale of murder and vandalism wrought by religious zealotry, evoking modern-day parallels.
"The Guardian"

Duas pessoas podem estar a usar a mesma palavra para significar coisas diferentes e mesmo assim alimentarem uma conversação, o que não é mau para uma cavaqueira de café, mas é péssimo quando se têm de tomar decisões que afectam a vida dos outros.

Religião raramente significa o mesmo para povos diferentes. Para os primeiros Judeus, para os primeiros Cristãos e para os Muçulmanos, religião é Lei. Para os Judeus é lei tribal, para os outros - universal.
Para os Romanos, religião era eventos, rituais e festivais.

Dois mil anos depois, a Cristandade "vitoriosa", adoptou os hábitos romanos. Apoderou-se dos eventos, dos rituais e dos festivais, aceita uma Lei separada das suas crenças e o seu Deus único vive como Zeus, acompanhado de Santos, que mais não são que deuses de segunda ordem