sábado, 21 de outubro de 2017

Teoria da conspiração 3


Conheço-o há muitos anos. É um homem de sucesso. Criou empresas e ganhou dinheiro. Agora, mais afastado dos negócios, mantém-se atento aos estratagemas que sabe serem comuns a quem transforma dificuldades em grandes oportunidades.

São duas da manhã. Pegou num copo de água e afastou-se da conversa mundana em que o grupo mergulhou, e sentou-se no sofá. Aproveito e sento-mo no do lado.

- Então, o que pensas dos fogos do passado domingo?

Já é habitual termos interpretações diferentes sobre factos comuns e, talvez por isso, ele acentua as distâncias. Eu sou dos amigos que fizeram carreira na função pública, com emprego estável e vencimento garantido, pelo que ele coloca sempre a tónica no risco do negócio e no esforço para angariar e manter os clientes e olha para as empresas em crise, como propensas a falcatruas se uma aflição orçamental as “exige”!

- Vê o que se passa com as oficinas de automóveis! Levas o carro para um pequeno arranjo e sais frequentemente surpreendido. Raramente é um mau contacto, um parafuso desapertado ou uma peça de menor importância. Nos hospitais particulares é igual. Entras com um rolhão de cerúmen no ouvido e fazes um TAC, uma audiograma e duas consultas antes de to tirarem! Esta foste tu que me contaste, …lembraste?

- Mas o que tem isso a ver com os incêndios?

- Tens de perguntar quem lucra com os fogos e tentar perceber se há mandantes encobertos!

- Estás a falar das empresas fornecedoras dos meios aéreos?

- Sim! Mas não só! Essas vivem de contratos de muitos milhões e quantos mais incêndios houver, mais ganham! ... No outro dia contaram-me que o Gulbenkian tinha dois médicos a quem pagava uma avença quando estava com saúde. Mas quando estava doente não lhes pagava, para que eles o pusessem bem o mais depressa possível. Devia ser igual com os meios aéreos. Assim deixava de haver interesse em apagar fogos!

- E quem são os outros que ganham com os incêndios?

- A comunicação social! Os incêndios e as catástrofes são um maná. Enchem horas e horas na Televisão e os jornais vendem muito mais!

- Não vejo como é que os canais de TV ganham com os incêndios!

- As reportagens, os “diretos a encher chouriços” e os painéis a discutir repetidamente aquilo que se já sabe à exaustão, são muito mais baratos que a compra de uma série ou outros programas, para além de poderem vender as reportagens para os canais estrangeiros. Além disso, nestas alturas, a população cola-se à TV e os lucros com publicidade aumentam. Já reparaste que as grandes catástrofes tendem a ocorrer nos anos ímpares, quando não há nem Jogos Olímpicos nem Campeonatos Internacionais de Futebol! Os grandes incêndios em Portugal aconteceram em 2003 e 2005 e a Maddie McCann desapareceu em 2007. Em Inglaterra, onde muitos dos tablóides enfrentavam uma crise, venderam-se milhares de jornais!

- Essa aí é “muito à frente”! Fazer desaparecer a miúda para vender jornais, parece-me de uma malvadeza inqualificável, dificilmente atribuível a alguém responsável por um jornal!

- Talvez não houvesse intenção de que a coisa corresse como correu e estivesse previsto o aparecimento da miúda uns dias depois. É como nos incêndios. Não era espectável esta dimensão. Mas é com executantes fracos de cabeça e condições demasiado favoráveis que se constrói a tempestade perfeita.

- E não admites o desleixo em queimadas a aproveitar a oportunidade de chuva no dia seguinte, nem uma origem na linha elétrica de média tensão como se diz ter sido a causa em Pedrógão?

- Esses são uma minoria! O grosso só pode ser intencional. É necessário procurar o mandante, já que, na maior parte das vezes, o incendiário é um desgraçado a quem se dá 10 Euros para beber uns canecos. Mas isso pode despertar forças que se querem calmas!

Levanto-me e vou à cristaleira. Pego num copo e bebo dois goles de água, como a empurrar o desconforto de me sentir a duvidar de tudo e de todos.

- Até podes ter razão, mas eu prefiro não ir por aí! Já não me chegam o Sócrates, o Espírito Santo, o Zeinal Bava e o Granadeiro. Se eu começar a pensar desse jeito, deixo de acreditar em nós como povo e passo a ser um tipo ainda mais azedo do que aquilo que já sou! Mas mudemos de assunto. Que andas a ler?

- O Harari!

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sábado, 14 de outubro de 2017

Carta aberta ao Diabo


Caro Diabo:

Há tempos que te aguardava, mas confesso que te esperava sob a forma de uma crise económica e não pela mão de um processo judicial.

Tu és mesmo maligno! Está a gente a olhar para um lado e tu apareces do outro! A realidade atraiçoa-nos sempre!, e só podes ser tu a dar voltas ao Destino para que tal aconteça. Eu, que sou ateu, tinha rezado aos deuses de todas as religiões para que o José Sócrates fosse culpado e que a nossa Justiça não fosse tão má que incriminasse um primeiro ministro (repetidamente reeleito secretário-geral do PS com maiorias a rondar os 90% dos votos), sem uma base extremamente sólida mas, agora com as notícias recentes que o envolvem com a Portugal Telecom e o BES, fico sem jeito a pensar que gastei todas as Salvé-Rainhas e os Pai-Nossos no lado errado. É que, a ser verdade, há muito mais gente envolvida que os “cabeças de série” indiciados. Não se faz uma trafulhice destas, que lesa o principal Banco privado nacional e faz vender ao desbarato uma das maiores empresas portuguesas, obrigando os contribuintes a paga balúrdios, sem a colaboração e a passividade de muita gente!

Cá para mim, quiseste dar a volta ao Passos Coelho. Induziste uns radicais a dar uns tiros, em nome de Maomé, nas zonas turísticas do norte de África, para que tivéssemos um “boom” no turismo e em algumas indústrias e, em vez de vires em 2016, vieste agora com as achas bem acesas.

O que nos vale é que já se fala em dez anos para digerir as 4.000 páginas da acusação, o que dá tempo para chamar bombeiros, máquinas de arrasto, aviões, helicópteros, pôr o SIRESP a funcionar e até dar passos significativos na Lei n.º 76/2017 que altera o Sistema Nacional de Defesa da Floresta contra Incêndios.

Esta coisa de comprar o poder político mesmo no topo da hierarquia só podia vir de ti! Dar uns trocos ao Presidente da Junta para calcetar uma rua ou facilitar um pequeno negócio, é mau. Mas dar 24 milhões de Euros a um primeiro ministro, é inclassificável. Está para lá das estrelas! Deves ter envolvido muitos mafarricos na empresa e creio que até passaste umas noites sem dormir. Felizmente que te não lembraste da AutoEuropa. Aí é que era o desastre completo!

És um demónio! Agora que não andas entretido em Grandes Guerras, viraste-te para o crime económico. Já te vejo a entrar pelo ciberespaço a tentar dar cabo de dados de hospitais, grandes empresas e até a interferir com a actividade do vulgar cidadão, por puro gozo malévolo, antes que os novos deuses, “made in” Silicon Valley, ocupem os tronos e nos protejam, desde que lhes paguemos as devidas décimas.

Vê se te conténs! Há mais mundos! Deixa isto aqui acalmar e não fomentes abusos nem greves com reivindicações impossíveis. Tu até tens acesso a outros planetas para as tuas diabruras. Dá espaço para que, aqui na Terra, tentemos um novo estar que poupe o que construímos.

Vai de Retro Satanás! Ou se não quiseres ir de retro, vai noutro meio de transporte, mas vai, que já fizeste estrago que chegue neste país que se diz … Europeu!

Até nunca!

Fernando

domingo, 1 de outubro de 2017

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Manipulação genética em humanos


Eu já esperava uma notícia deste teor.
Era uma questão de tempo, para que se iniciasse a manipulação genética no ser humano. O princípio do que virá a ser uma das principais áreas de negócio do futuro.
Começa-se por tratar um defeito genético ainda no ovo ou até no óvulo ou no espermatozoide, e vai-se por aí afora.

Amanhã, quem tiver recursos económicos, não vai querer que seja o acaso a definir qual espermatozóide irá fecundar qual óvulo. Vai querer ter a certeza que os gametas têm qualidade e que não transportam qualquer gene que possa comprometer o futuro do novo ser e, se possível, que tenha todos os que entendemos como benéficos para o sucesso social – ser alto, louro, ter olhos verdes e, uma especial apetência para as ciências abstratas, pois é nelas que se irão centrar os novos investidores.

Foi na China que se deu este primeiro passo e não nos USA., por ali não haver a mesma pressão ética e por o seu Concelho de Estado ter elegido a investigação genómica como um pilar das suas ambições industriais para o século XXI. As suas empresas habitam uma zona cinzenta entre o sector público e o privado e são abençoadas pelo Banco de Desenvolvimento da China com “milhões” que, a par com o baixo custo de mão de obra, os irá pôr na linha da frente. 

A Notícia é de 28/09/2017

Pesquisadores chineses afirmam ter realizado pela primeira vez no mundo uma "cirurgia química" em embriões humanos para extrair uma doença.

A equipe da Universidade de Sun Yat-sen usou uma técnica chamada "edição de base" para corrigir um único erro entre as três biliões de "letras" do nosso código genético.

Eles alteraram embriões feitos em laboratório para extrair a doença talassemia beta. A equipe disse que a experiência pode levar, algum dia, ao tratamento de uma série de doenças herdadas geneticamente.

A técnica altera a construção base do DNA.

A talassemia beta é uma doença do sangue que causa anemia e pode levar à morte. É provocada por uma mudança numa única base no código genético - conhecida como mutação pontual.

Os pesquisadores chineses "editaram” o DNA e trocaram o G (guanina) por um A (alanina) corrigindo o problema.

"Somos os primeiros a demonstrar a viabilidade de curar doenças genéticas em embriões humanos a partir de um sistema de edição de base", disse à BBC Junjiu Huang, um dos cientistas do grupo, e continuou: "o estudo abre novas portas para tratar pacientes e prevenir bebés de nascerem com a talassemia beta, e até mesmo outras doenças hereditárias".

As experiências foram efectuadas com tecidos de um paciente com a doença e através de embriões humanos criados a partir da clonagem.

Revolução genética

A edição de base é um avanço em relação a outra forma de editar genes, a técnica conhecida como Crispr, que já está a revolucionar a ciência.

A Crispr quebra o DNA. Quando a célula tenta consertar a quebra, desactiva uma série de instruções genéticas, e cria a oportunidade de inserir novas informações genéticas.

A edição de base faz com que as próprias bases de DNA se transformem umas nas outras.

O professor David Liu, pioneiro da edição de base na Universidade de Harvard, descreveu o método como "cirurgia química".

Afirma que a técnica é mais eficiente e tem menos efeitos colaterais indesejados do que a Crispr.

"Cerca de dois terços das variantes genéticas humanas associadas a doenças são mutações pontuais. Portanto, a edição de base tem o potencial de corrigir directamente, ou reproduzir para fins de pesquisa, muitas mutações patogénicas".

O grupo de cientistas da Universidade de Sun Yat-sen em Guangzhou (China) foi manchete quando  foram os primeiros a usar a técnica Crispr em embriões humanos.

O professor Robin Lovell-Badge, do Instituto Francis Crick em Londres, disse que determinados trechos desse último estudo são "engenhosos", mas também questionou por que não fizeram mais pesquisas com animais antes de irem directamente aos embriões humanos e afirmou que as regras sobre pesquisas com embriões noutros países teriam sido "mais rigorosas".

O estudo, publicado na revista científica Protein and Cell, é o mais recente exemplo da rapidez na evolução da habilidade dos cientistas de manipular o DNA humano, o que está a provocar um debate profundo de ética na sociedade, sobre o que é e o que não é aceitável nos esforços para prevenir doenças.

O professor Lovell-Badge disse que esses métodos dificilmente serão usados clinicamente em breve:
"Serão necessários muito mais debates sobre ética e sobre como esses métodos serão regulados. E, em muitos países, incluindo a China, é necessário ter mecanismos mais robustos para regulação, fiscalização e acompanhamento a longo prazo."


E eu que já ando neste mundo há uns bons pares de décadas, contraponho: 
- Se uma coisa pode ser feita, ela irá ser feita. Aqui, ali, às claras ou às escuras!

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Pensamentos do Dia



“The whole problem with the world is that fools and fanatics are always so certain of themselves, and wise people so full of doubts.”
Bertrand Russell

Não é preciso acreditar em deuses ou mitos, desde que se saiba que as certezas são temporárias e não absolutas. O único conceito absoluto é que nada é absoluto!
O problema surge quando, carregados de dúvidas, ficamos paralisados e não vamos a lado nenhum.  
Não é necessário, nem suficiente, nem indispensável, ser fanático para se ter uma certeza suficiente para resolver os problemas que se nos deparam.  
António Gomes

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Querer


Razão tinha o Eusébio. Não basta querer. É preciso querer Querer! ... Acreditar! Ter Fé! ... Na vitória de um jogo, no sucesso de uma empreitada, no futuro da Humanidade ou  na Vida Eterna, ... Amén!, Mesmo quando nos bombardeiam com histórias mal contadas ou com soluções inviáveis, é preciso ter Fé, pois são os Deuses, os Mitos e as Crenças, que dão oportunidade ao Acaso e tornam o Incerto possível .
...
Mal de quem tem dúvidas, onde a maioria tem certezas infundadas!

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Mas ...


Ambos e dois eram orfes.
E o pai, era accionista da companhia dos forfes.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Dores


Há a dor física, a dor moral e a dor de antever uma grande dor.
Há quem se previna e quem a aguarde.
Há quem viva dela e para ela.
E há quem a tente ignorar.

Há os médicos, os deuses, os santos e os psicólogos.
E há ... o Marcelo para as dores de Telejornal.
Uns curam ou ajudam. Outros ... agravam!

São tantas as dores e tantos os graus com que se sentem,
que não há remédio, que a todos alivie!



Triste de quem der um “ai” sem achar eco em ninguém!

domingo, 13 de agosto de 2017

Cruela DeVil



Abriu a porta, levantou a cabeça e mediu o palco. Hoje, qual Glenn Closeencarnava Cruela DeVil.
- Dr.! Não pode ser! A sua decisão fez adiar uma reunião im-por-tan-tí-ssi-ma! Veio gente de fora, que teve de ir embora! Não pode ser!
O visado, sentiu o gelo daquela voz de aranha arrepiar-lhe a pele e, qual dálmata encurralado numa viscosa teia, titubeou, a medo, uma desculpa, que rápido despertou um sorriso nos grossos lábios da malévola.

Era uma artista que se perdera naquela profissão. Tinha a “dramatização” nas veias e, se identificava ineficiências, não desperdiçava a oportunidade para se agigantar, na procura da importância que não tinha. O seu papel preferido era o de Iago, por salas e corredores, chilreando historietas confabuladas, na ilusão de, um dia, o mundo girar em seu redor.

Roger Dearly repetiu desculpas e o escasso público suspendeu a respiração ao sentir que a catarse daquela "Cruela de mão na anca", salpicava de fel as paredes da pequena sala.
Temeu-se que o drama terminasse em tragédia. Mas seguiu-se um silêncio e, do nada, cresceu uma música, e a maior vilã do mundo animado, não encontrando nem Jasper nem Horácio disponíveis, levantou o mento, meteu na boca a cigarrilha, virou costas e desapareceu no corredor, numa nuvem dardejante de coriscos!.

Uffff!!!!!!

Cruella Devil, Cruella Devil,
A coisa mais rara é vê-la gentil,
Ao vê-la sinto logo um arrepio
Cruella, Cruella Devil

Ao vê-la você pensa que é o diabo
O diabo disfarçado de mulher
Você vai confirmar, pois ela vai mostrar
Que ataca como um animal qualquer

É uma vampira querendo sugar
Deviam prendê-la e nunca soltar
O mundo era bonito até que viu
Cruella... Cruella Devil

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Insólito

Num Banco da Póvoa de Varzim

domingo, 23 de julho de 2017

Fake News


"Você tem razão, mas não a tem toda, e a pouca que tem não lhe serve para nada", é uma frase que li, há décadas, no "Filomeno" de Gonzalo Torrente Ballester,  e que me persegue desde então.

A verdade absoluta não existe.
Mesmo que consigamos uma aproximação significativa a um facto, se formos obrigados a descrever as suas causas próximas e remotas, seremos traídos pela nossa experiência que nos orienta a atenção e nos faz ignorar fenómenos que outros considerariam prioritários.

Quem luta a todo o transe por defender o seu "status quo", vai considerar todos os diferentes olhares, como "fake news", quer elas o sejam ou não, chame-se ele Trump, Erdogan ou Maduro, personagens caracterizados por uma brutal falta de plasticidade.

Nos Tribunais, a "Verdade" é ditada por um Júri ou por um Juiz, mas o que fica na História é ditado pelos vencedores, numa mistura de "fake news" com "true news", associadas a um agressivo apagão dos registos dos vencidos, para que a "sua verdade" ganhe os contornos de absoluta.

Sempre assim foi e, só nos últimos anos, com o aumento da literacia das populações e o advento da tecnologia digital, é possível reescrever muita da História, analisar as consequências das opções dos vencedores e teorizar sobre a importância das soluções dos "galileus" derrotados.

Talvez assim, possamos evitar os erros dos que consideram o Homem o centro de toda a Vida e a nossa "Cultura" a única passível de dar felicidade aos vindouros.


A ver vamos! "Como diz o cego"!

quarta-feira, 19 de julho de 2017

A pagela


- Sr. Manuel! A doença parece estar a ser debelada. A febre alta passou e você já se sente melhor!
- Então, vou ter alta hoje?
- Talvez amanhã, que ainda faltam as análises que confirmam o diagnóstico, pois são elas que irão definir o tempo de tratamento, para que não haja recidivas! … Você agora até está de férias!
- Antes fossem férias! Eu ainda sonho em voltar à Venezuela!
- Tem saudades do Nicolás Maduro?

- Nem me fale nesse tipo! Não passa de um condutor de autocarro a mando do Diosdado Cabello. Esse é que tem os cordelinhos na mão! Vivi lá 37 anos. Decidi vir embora porque o negócio ia de mal a pior e a insegurança crescia todos os dias. No último ano, roubaram-me um camião de transporte e tive de pagar, pelo de resgate, metade do seu valor. Assaltaram-me em casa, amarraram-me, juntamente com a mulher e as minhas filhas e roubaram-me o que puderam. Só em dinheiro foram mais de 10.000 Euros. Foi então que vendi a padaria. Mas ainda lá tenho um restaurante e a casa, à espera de melhores dias.
- Vai ser difícil aguentar aquela política! O homem está cada vez mais isolado! É uma questão de tempo!
- Ouça-o Deus!

- Sr. Manuel! Você invoca o divino para as coisas da política, mas para a saúde, parece confiar mais na intervenção do Dr. José Gregorio Hernández!

















- É verdade! Tenho muita fé nele e sempre que chego à Venezuela, vou a Guacara agradecer, junto a sua estátua, tudo o que ele me tem ajudado na saúde.  Ele lá é conhecido como o médico dos pobres.Até lhes pagava-lhes os medicamentos do seu próprio bolso! O Dr. conhece-o!?
- Fiquei a conhecê-lo, ontem, depois de ter visto a pagela que tem em cima da mesinha de cabeceira e ter ido ao Mr. Google! Eu tenho um fraco por santos. Você conhece o Dr. Sousa Martins?





- Não!
- Tem uma história de vida muito parecida com a do Dr. José Gregório e também tem uma estátua em Lisboa, rodeada por ex-votos dos que lhe atribuem curas milagrosas. Só que este não pode ser santificado por se ter suicidado. O Dr. José Gregório, dentro do azar (foi atropelado pelo primeiro automóvel que apareceu em Caracas), teve mais sorte, e está a caminho da beatificação.


Ambos viveram nos finais do século XIX. O Dr. Sousa Martins de 1843 a 1897 e o Dr. José Gregório de 1864 a 1919, numa época em que a ciência médica sofreu um grande desenvolvimento, com nomes como o de Louis Pasteur (1822-1895), Koch (1843-1910) e Claude Bernard (1813-1878).
Concordo consigo! Homens como estes que puseram a ciência ao serviço das comunidades mais desfavorecidas, merecem veneração! Mas duvido da sua capacidade de intervenção nas doenças actuais. Até porque, no tempo deles, não se conheciam a maior parte das soluções que agora dispomos. Olhe que a Penicilina só ficou disponível, como fármaco, em 1941!

...

domingo, 16 de julho de 2017

Elvirinha

- Os tempos eram outros! Havia os bailes para a gente casadoira se encontrar, mas nem todos tinham essa possibilidade ou dotes que o fizessem valer.
O meu pai era caixeiro viajante, quando se apaixonou pela minha mãe.
Impedido de lhe chegar ao coração pela presença física, decidiu enviar-lhe diariamente, das terras por onde ia passando, um postal ilustrado. Hoje Penafiel, amanhã Marco de Canaveses, Felgueiras, Fafe e por aí fora. Todos os dias, semanas seguidas. No fim, assinava: - Manuel!

Um dia, em que se assegurou que ela estava em casa, sem os pais, tocou à campainha e apresentou-se: "Sou o Manuel!"

Depois, casaram, tomaram conta da empresa, tiveram oito filhos e foram muito felizes!

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Nossa Senhora de Fátima



- Sr. Dr.! Os meus pais iam à igreja ao domingo e cumpriam os rituais nos dias santos. Trabalhavam de sol a sol para tratarem dos campos e dos animais e para juntar algum para o caso de surgir uma desgraça. Não eram pobres, mas estavam longe de poder dizer que viviam desafogados.
O que poupavam, à boa maneira do Minho, era para comprar ouro ou algum terreno a um vizinho, mais que para qualquer luxo na casa.

Um dia, a minha mãe adoeceu e, temendo morrer sem ver os filhos criados, apegou-se a Nossa Senhora de Fátima e prometeu-lhe um dos cordões de ouro que já vinha de família. 
Dias depois ficou boa e com aquela promessa para pagar. Mas a vida não lhe permitia folgas e uma ida a Fátima, naquela altura, era uma dificuldade que não conseguia ultrapassar, por causa da muita coisa que dependia deles. Então, um dia foi ao pároco da terra perguntar se ele lhe fazia o favor de entregar o cordão em Fátima, de uma vez que lá fosse.

O padre respondeu-lhe que tanto fazia coloca-lo aos pés da imagem de Nossa Senhora que estava em Fátima, como aos pés da imagem de Nossa Senhora que estava na igreja da freguesia, pois ela era a mesma, quer aparecesse aqui ou ali.
Com o espírito prático que sempre lhe conheci, o meu pai foi a uma loja de artigos religiosos, comprou uma Nossa Senhora e, quando chegou a casa, disse à minha mãe: - Dá o cordão a esta Nossa Senhora e assim, se um dia precisares, pede-lho, que, de certeza, ela to empresta! 

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Eucaliptos


Os eucaliptos são árvores de folha perene e de grande porte (podem atingir os 80 metros). São pouco exigentes no que respeita ao clima e à fertilidade do solo - toleram bem todos os tipos de solo, com excepção dos calcários. São resistentes a pragas e produzem madeira de alta qualidade.
Existem em todo o mundo cerca de 600 espécies diferentes. O Eucalyptus globulus, introduzido em Portugal em meados do século XIX, é a mais comum e economicamente importante. É originária da Tasmânia e Austrália, onde os bombeiros a apelidaram de árvore-gasolina

A sua principal utilização é na produção de madeira para pasta celulósica. As suas flores são procuradas pelas abelhas para produção de mel e as folhas possuem um óleo -  cineol ou eucaliptol - a que se atribuem propriedades balsâmicas e antissépticas, pelo que muitos as usam em infusões, rebuçados, ou para inalação, contra bronquites e catarros.
Como a madeira tem múltiplos usos, durante o ciclo produtivo, podem ser feitos sucessivos cortes para diferentes propósitos. Com quatro ou cinco anos o insumo serve para produção de carvão, lenha e estacas. Entre oito e nove, para celulose e postes. Já ao final do desenvolvimento, dos 12 aos 15 anos, é indicado para serração e laminação.

O problema surge quando os proprietários de áreas vizinhas a florestas de eucaliptos se queixam dos prejuízos com os danos causados pelo sombreamento, queda de galhos e risco de incêndio  e o direito de propriedade colide com os direitos de vizinhança, pois a propriedade deve ser usada de modo a permitir uma pacífica convivência social.
A lei prevê que os proprietários ou arrendatários cumpram distâncias mínimas e coimas até a solução da desconformidade.

O nº 2, do artigo 1366º do Código Civil, regula, de modo especial, a plantação ou sementeira de eucaliptos, acácias e outras árvores igualmente nocivas.

No artigo 1º do Decreto-lei nº 28039, de 14 de Setembro de 1937, afirma-se que é proibida a plantação ou sementeira das espécies arbóreas, acima referidas, a menos de 20 metros de terrenos cultivados e de 30 metros de nascentes, terras de cultura de regadio, muros e prédios urbanos.

O Decreto-Lei n.º 17/2009, de 14 de Janeiro, no nº 2 do Artigo 15º , refere:
“Os proprietários, arrendatários, usufrutuários ou entidades que, a qualquer título, detenham terrenos confinantes a edificações, designadamente habitações, estaleiros, armazéns, oficinas, fábricas ou outros equipamentos, são obrigados a proceder à gestão de combustível numa faixa de 50 metros à volta daquelas edificações ou instalações, medidos a partir da alvenaria exterior da edificação,....”

Se as medidas de gestão de combustível não forem cumpridas, tal facto deve ser comunicado à Câmara Municipal pelos interessados e “Em caso de incumprimento do disposto nos números anteriores, a Câmara Municipal notifica as entidades responsáveis pelos trabalhos.”

Os números seguintes do Artigo 15º explicitam os procedimentos a adoptar para que a gestão de combustível seja feita, mesmo que de forma coerciva.

Artigo 19.º Depósito de madeiras e de outros produtos inflamáveis. 1: - ... 2: - Durante o período crítico só é permitido empilhamento em carregadouro de produtos resultantes de corte ou extracção (estilha, rolaria, madeira, cortiça e resina) desde que seja salvaguardada uma área sem vegetação com 10 metros em redor e garantindo que nos restantes 40 metros a carga combustível é inferior ao estipulado no anexo do presente decreto-lei e que dele faz parte integrante.

Há estudos que permitem classificar a propensão para o incêndio nas florestas, de acordo com a seguinte ordem decrescente: florestas de pinheiros-bravos, florestas de eucaliptos, florestas de folha larga não especificada, florestas de coníferas não especificadas, montado de sobro, florestas de castanheiros, florestas de azinheiras e florestas de pinheiros-mansos;
O Vidoeiro ou Bétula (Betula pendula) é considerada a árvore-bombeiro! Quando o fogo entra no vidoal, normalmente arde por manchas e com chama muito curta, extinguindo-se.

A reforma florestal vai ser votada no próximo dia 19 de Julho.