terça-feira, 29 de janeiro de 2008

O Comendador





















1989 – Não há telemóveis, a Auto-Estrada Porto - Lisboa não está completa e as Estradas Nacionais estão saturadas.
Sou médico (Medicina Interna) num Hospital do Norte de Portugal e, na Urgência, sou abordado por um colega que me pede para assistir um VIP, que acabara de chegar.
Receia ter um enfarte do miocárdio. Avalio, confirmo a suspeita de síndrome coronário agudo e proponho internamento.
Tem 74 anos e é diabético. Tem título de Comendador, vive em Lisboa e é dono de grande fortuna. Veio a um casamento na região a conduzir o seu Mercedes. Era suposto regressar no dia seguinte. Não tem filhos.
Falamos. É uma pessoa simpática, cordial e entende as dificuldades de hotelaria de um hospital público. Faço o melhor que posso e disponibilizo-lhe uma enfermaria onde não se sinta constrangido.
Repouso, dieta líquida, soro, medicação. Amanhã mais exames.
Tento acalmar a ansiedade da mulher – impossível. A senhora é mesmo rica.

Nos dias seguintes o comendador cumpre tudo com um sorriso. A mulher vê disfunção em tudo. A alimentação não está bem, há demoras no atendimento e ruídos que incomodam…
Primeiro, 2º, 3º e 4º dias. Está tudo bem. Não tem sintomas, análises sem alterações e Prova de Esforço máxima normal. Há segurança para Alta a permitir que o doente regresse a casa. São 14:00h de sexta-feira.

- Como? Pergunta a esposa. -Assim de carro para Lisboa? Só eu e ele? E se… e se...???
Tento acalmá-la explicando que se concluiu que a razão do internamento foi uma precaução por uma doença que afinal nunca existiu. Não vale a pena. Está incapaz de ouvir.
Faz vários telefonemas para Lisboa. Um mais prolongado para o motorista. Quer que os venha buscar, apesar da saturação das estradas. Depois reconsidera, por não o querer a fazer a viagem de noite para cá e querer sair de manhã cedo.
São 17h. Amanhã vou de férias para o Algarve. Vamos 5 num carro sem ar condicionado. Três são crianças. É Agosto e está calor. Peso isto tudo e, para pôr fim à indecisão, voluntario-me: - Se quiserem, vou com vocês até Lisboa!

Falam. Volta a telefonar e, por fim, acordamos em sair às 08:00h. Combinaram um encontro, sábado, com o seu médico assistente, que estará à espera deles.

Em casa, acerto com a família. A minha mulher leva o carro e eu, vou no Mercedes com o comendador e a mulher.

Sábado - 07:30h. Arrumo as malas e a família e vamos ao Hospital.
Encontro a mulher do comendador que me diz que não demora e que, o final da viagem é no Hospital S. Francisco Xavier. É lá que o médico assistente está. Somo mentalmente as horas da viagem e do almoço, e combino com a família: - “Às 16:00h, na porta daquele Hospital. Vão andando, que eu já vos apanho!"

07:45h. Subimos à enfermaria. O comendador ainda está no quarto, mas também lá estão dois socorristas.
-"Então??"
-"Achei melhor ele ir deitado!"
Ela quer que ele vá de ambulância e que nós o sigamos no Mercedes.
Acho um abuso esta mudança, mas já não posso voltar atrás. A família já vai longe e não me posso atrasar. Tenho que aceitar, sem grandes discussões.
Descemos. O homem está pouco conformado. É um bom conversador e vê-se de barriga para o ar nas traseiras de uma ambulância, com mais de 7 horas de viagem pela frente. Ainda faz uma última tentativa, mas ela é peremptória.
–“Vais na ambulância!.”

Sugiro que seja eu a conduzir e ela acede.
Aí estou eu já na EN nº13, de chofer, com uma “comendadora” de 70 anos ao lado, e uma ambulância, a passo, à frente, porque o caminho é mau e há muito transito.
Faço conversa: -"Então as férias??" E ouço os incómodos do ter muito dinheiro. A canseira de ter de mudar frequentes vezes de roupa nos cruzeiros à volta ao mundo, onde parecia mal usar a mesma indumentária para o jantar, almoço, para o Deck ou para a piscina, e outras, mais as tristezas de ver um ou dois caixões a sair do barco de quem foi surpreendido pela morte ou pela doença, durante as longas viagens da 1ª metade do século XX, mais as benfeitorias às crianças e aos Hospitais do Estado, e o ter de pagar IVA sobre o material sofisticado que oferecia, e os cãezinhos: "quer ver?!", e … -"será que ele vai bem?"

Entre conversa e silêncios são 12:30h. Estamos na Batalha e não se comeu nada desde que saímos. Ah! O comendador é diabético!.
Acelero, ultrapasso e faço sinal que vou parar num restaurante, logo acima, que me lembro de viagens antigas. Ponho pisca, certifico-me que sou seguido, e meto confiante para o parque de estacionamento.
Saio e não os vejo. Não me seguiram?! Procuro-os. Estacionaram a ambulância com a traseira em cima das escadas de acesso ao restaurante. Só me faltava esta!!!! Apresso-me para dar um aspecto diferente à situação. Impossível! As portas da traseira da ambulância estão abertas e tocam as portas do restaurante. Os comensais, lá dentro, olham incrédulos. Com a naturalidade possível, ajudo-o a levantar-se da maca onde esteve amarrado, e dirigimo-nos em grupo para uma das mesas.
O comendador está na maior. -"Tudo bem!" Nada incomodado com a viagem, mas com fome. Esteve com dieta líquida 4 dias e, ontem, naquela confusão, depois de se ter decidido da alta, esqueci de a mudar.

Sentamo-nos os cinco. O comendador, a mulher, os dois socorristas e eu. Tudo cheio de fome!
Vem a lista. Falo de peixe, a dar exemplo, acertando-me com a diabetes do homem.
O comendador nem ouve:
-"Quero dobrada!"
-"DOBRADA???",
-"Sim dobrada! Estive 4 dias com dieta líquida!". Relembrou.
Falamos, bebemos e vimos o conteúdo das travessas a desaparecer.
14:00 h. Acabou a sobremesa. Café e vamos que se faz tarde.

Saem os socorristas mais apressados, vão buscar a ambulância e colocam-na na mesma posição – porta da ambulância com porta do restaurante. O comendador entra, amarram-no à maca e partimos de novo em direcção a Lisboa pela EN nº1.
Mais conversa e silêncios com a senhora e depois Auto-Estrada.

Chegamos a Lisboa e vamos para Almirante Reis. É lá que está a casa e o chofer que espera. Passo para o banco de trás e vamos rápidos para S. Francisco Xavier.
Chegamos. Muita gente e muitos carros. É difícil encontrar quem quer que seja, mas sei o nome do médico a quem quero entregar o meu relatório.
Dirijo-me ao Porteiro, identifico-me e pergunto por quem quero.
-“Está na Unidade de Cuidados Intensivos. É por ali!”
Vou lesto, a ver se ainda chego com sol ao Algarve. A minha gente dentro do carro deve estar desesperada.
-"Doutor tal e tal?"
-"Sim!"
-"Passou-se isto, aquilo e aqueloutro, mas no fim concluí não haver problema de maior!. Não sei onde está o comendador, mas ele está bem e acabou de comer uma feijoada à minha revelia!!"
-“Ele está ali em frente!”
-"O quê????"
Olho para a enfermaria e vejo um sorriso e uma mão levantada a cumprimentar-me de uma das camas. Monitores a funcionar, soros a correr.
Incrédulo fui ter com ele.

Nada de novo. Tudo bem. Despedi-me e desejei-lhe boa sorte, mas que por nada se deixasse operar nos próximos dias.
Saí a correr. Dei com o carro da minha família e acelerei para a praia com a sensação de ter sido personagem de um filme absurdo, que felizmente acabou bem.

domingo, 27 de janeiro de 2008

A Morte

Entristecem-me os enterros onde não se enaltece o bem que o morto foi capaz em vida. Sinto que vai para a cova desconsolado e assim fica para a eternidade.
Toca-me saber que alguém ouviu no caixão este poema de W. H. Auden, April 1936, muito bem declamado no Filme “Four Weddings and a Funeral".
https://youtu.be/b_a-eXIoyYA


Mas também invejo os mortos do cemitério do cabo Finisterra que assumem ficar ali eternamente expostos ao tempo agreste.





Os patetas

A expressão "Pateta" parece-me a mais adequada para identificar quem se põe em bicos de pés por ter um saber que considera relevante.


A realidade para eles confina-se ao seu mundo, entendem o muito como bom, desrespeitam as lideranças, vestem-se de sobranceria e quando acossados fogem sempre para a frente.
O meu avô definia-os de um outro modo e dizia-me: "Foge do homem de um só livro!”

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

2ª História Capilar

Não tinha mais de 19 anos quando a Barbearia perto de minha casa se remodelou e abriu como “Salão" – Biocosmética Capilar.
A portinha de entrada deu lugar a um grande vidro e surgiram móveis e objectos até então só identificáveis nos Cabeleireiros de Senhoras.
Por comodidade mantive-me fiel.
No dia do corte, como de hábito, pedi ao empregado “remasterizado”: “deixe pró comprido, mas não muito!”.
Às primeiras penteadelas (das novas) magoou-me. Ao ver o meu desagrado retrucou, com ar profissional, que a culpa era "do meu cabelo ser fraco". De seguida, sem pedir licença, arrancou-me um cabelo dos gordos e desapareceu no fundo do Salão.
Regressou sorridente com uma solução para o problema, depois de "ter observado o cabelo ao microscópio": Um champô para usar uma vez por semana, um tratamento de aplicação diária e não lavar a cabeça nos intervalos.
Talvez tenha declinado esta opção sem grande convicção pois, antes de reiniciar o corte, propôs-me como alternativa tonificante, uma massagem no couro cabeludo.
Quem não sabe o que é ser homem aos 19 anos que me atire a pedra, mas depois de ter visto dezenas de filmes de cowboys onde o artista leva a tal massagem enquanto fuma a cigarrilha e espreita pelo vidro o pó da rua, não resisti à experiência "in vivo" e meio a medo retorqui: Está bem!
Dois minutos depois estava com o cabelo envolvido numa massa que o homem puxava para cima, dando-me um ar de vassoura. De seguida levou-me para junto do vidro da frente onde uma campânula que eu mal vira na entrada me aguardava, informando-me de que teria de ficar ali 10 minutos.
Dez minutos/horas atrás do vidro do Salão, com o Café que então frequentava à frente e a rua logo ali. Pensei em morrer de vergonha e com voz sumida, pedi o JN por não me lembrar de nada maior que me escondesse. Mantive-me estático, braços elevados e mãos à altura das orelhas, a avaliar cada passo de quem passava, a contar os segundos em decrescendo e a vencer os músculos do pescoço que me tentavam trair.
Por fim tudo acabou e saí dali com o cabelo macio e arrumadinho no alto da cabeça. Mas não era assim que eu era e, meia hora depois estava dentro do banho a desfazer todo aquele bem que não era meu.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Pão




Há meses tropecei no Hipermercado numa banca de pão tradicional – pão do Alentejo, pão de Mafra, … e desde então, sempre que lá passo, carrego para casa 3 ou 4 que congelo, para … os desejos.
Hoje caí na real, porque nem me deu para pensar o porquê dele ser tão bom. Era o sal!
Em Portugal um quilo de pão tem 19 a 21 gramas de sal, no Reino Unido e na Suíça 13 e na França e na Itália 15.
E aquele “tradicional” tem seguramente mais.

A OMS aconselha a não ingerir mais que 6gr de sal por dia e nós comemos em média 12gr/dia.
Só a ASAE nos pode salvar!

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

O Telefone



O telefone é um elo de comunicação essencial no relacionamento.
Uma chamada desmazelada, com falta de cortesia ou indelicada é recordada de uma maneira muito viva. Uma resposta adequada cria credibilidade e confiança.

As boas maneiras ao telefone têm quatro variáveis principais:
Expressão clara ; Cortesia ; Empatia ; Boa comunicação

Se a contribuição de qualquer destes factores for fraca, o telefone deixa de ser um instrumento de comunicação para se transformar num elemento constrangedor e ameaçador.

Três toques é um bom nº para delimitar o momento de atendimento. Quem atende deve sorrir quando pega no auscultador, cumprimentar (p. ex: Bom Dia), dizer o nome, o Serviço e tomar nota de quem ligou.
Quando se coloca alguém em espera (por inevitável), deve-se-lhe propor a escolha entre o telefonar de novo ou esperar e, se for colocada a aguardar, deve-se mantê-la informada da situação corrente e das demoras posteriores.
Não colocar ninguém à espera mais de 10 segundos sem o prevenir da extensão da demora

Não resmungue, não use calão, não use frases extensas e complicadas. Seja claro nas afirmações e evite falar de assuntos laterais ao motivo do telefonema.
Quando a chamada é um pedido de apoio, dê o nome ou o nome de outro contacto.

In: Comunicação - Poder da Empresa, Bernardo Katz, Editora Clássica

domingo, 20 de janeiro de 2008

Bárbara
























Bárbaro é um termo pejorativo para uma pessoa ou grupo não civilizado, brutal, cruel.

Na Grécia antiga (onde teve origem) a palavra era uma onomatopeia (modo de formação de palavras que consiste na imitação fonética do som emitido pela coisa significada). O bar-bar representava a impressão de quem ouvia falar uma língua que não entende e, com superioridade, a afirma como constituída por sons balbuciados, tipo blá-blá-blá, sem grande significação.

No Império Romano (300 AC - 476 DC) a expressão passou a ser usada com a conotação de "não-romano" ou "incivilizado", onde logicamente os lusitanos e os celtas se encontravam.

Nunca conheci nenhum Bárbaro, Bárbaras ... algumas!

sábado, 19 de janeiro de 2008

O sentimento trágico da vida









Quando se vive na timidez e na insegurança … somos atreitos ao drama, que surge no dia a dia, da própria calçada onde pousamos os pés.


Aqueles que não têm projecto para a vida vivem assim, à procura de qualquer coisa que a justifique. Quem mora num bairro pobre, pode ver que as vizinhas, de cara entristecida, só conversam sobre as doenças, as delas, as dos maridos, e sabem tudo: o nome das médicas, as análises, os Raios X, a fisioterapia ... E se então, numa noite, uma teve de ir à Urgência ao Hospital porque lhe deu uma coisa, durante uns dias sente-se a pessoa mais importante do Bairro. É o drama que os projecta, enobrece e qualifica.
In “Tecido do Outono” de José Alçada Baptista



...Talvez seja do Fado, que bebemos no leite.

Mas fora do Fado, esta concepção sisuda e dramática da vida dá-me um imenso cansaço.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Latim


O legado romano em Portugal é imenso.
O Direito romano é elemento informador de quase todas as legislações do direito privado da actualidade. As vias romanas ainda estão presentes em muitos pontos do país - sobressaem as pontes.

Mas também se usam ainda muitas expressões em latim, principalmente quando se quer “fazer uma flor” de erudição.
Para que se saiba exactamente o que se está a dizer, aqui vai o meu contributo, tendencialmente virado para a Saúde, mas não só.

a fortiori: por uma forte razão
a posteriori: do efeito para a causa
a priori: evidente só pela lógica
ab aeterno: desde o início do tempo
ab initio: desde o início
AM (Ante Meridiem): Antes do meio dia
ab origine: originário do local onde vive
ac / a.c. (ante cibum): antes das refeições
ad hoc: para aquela proposta finalidade
ad kalendas graecas: Para as calendas gregas. Dito pelo Imperador Augusto, com o sentido de “nunca”. As calendas, no antigo calendário romano, eram o primeiro dia de cada mês quando ocorria a lua nova. Havia três dias fixos: as calendas, as nonas (5º ou 7º dia, de acordo com o mês) e os idos (13º ou 15º dia, conforme o mês). Dos idos é que provém a expressão "nos idos de Setembro" equivalente a "meados de Setembro".
A palavra calendas deu origem ao termo calendário e a expressão calendas gregas, representando um dia que jamais chegará, pois era inexistente no calendário grego.
ad lib: à vontade
bid / b.i.d. (bis in die): duas vezes por dia
carpe diem: aproveita o teu dia, não percas oportunidades.
Dix: Disse
ex libris: desenho, acompanhado ou não de divisa, aposto na capa ou no interior de um livro, que identifica o dono do exemplar.
habeas corpus: direito do cidadão de, uma vez detido, ser imediatamente presente a um juiz ou tribunal, que confirmará ou não a legalidade da detenção
in extremis: em muito más circunstâncias.
in situ: na sua própria posição
in vitro: no vidro de um ensaio de laboratório
in vivo: no organismo vivo
lapsus linguae: um erro de linguagem
mea culpa: minha culpa
mens sana in corpore sano: Mente sã em corpo são
mutatis mutandis: com os ajustamentos convenientes
npo / n.p.o. (non per os): Nada pela boca
nr / n.r. (non repetatur): Não repetir
pc / p.c. (post cibum): depois das refeições
per capita: pelo número de cabeças
persona(e) non grata: Pessoa ou organização não desejada
PM / P.M. (post meridiem): depois do meio-dia
po / p.o. (Per oral): pela boca.
post mortem: depois da morte.
pr / p.r. (Per rectum): por via rectal.
primum non nocere: Primeiro não fazer mal (Hipócrates).
prn / p.r.n. (pro re nata): De acordo com a necessidade
pro forma: conduta que constitui uma simples formalidade
PS / P.S. (post scriptum): uma nota de rodapé acrescentada ao texto principal
q.2h (quaque secunda hora): uma vez a cada 2 horas
qd / q.d. (quaque die): Uma vez por dia
qed / q.e.d. (quod erat demonstrandum): como tínhamos demonstrado
qh / q.h. (quaque hora): a cada hora
qhs / q.h.s. (quaque hora somni): à hora de deitar.
qid / q.i.d. (quater in die): quarto vezes por dia.
qod / q.o.d. (quaque altera die): uma vez em dias alternados
quid pro quo: uma coisa em vez da outra. Equivoco
restitutio ad integrum: Restauração completa.
Rx (recipe): Para tomar.
sine die: sem data
sine qua non: sem a qual não existe
ss. (semis): metade
status quo: A situação existente
sui generis: que é peculiar.
tid / t.i.d. (ter in die): Três vezes por dia
vade mecum: Vai comigo. Livro de fácil transporte e leitura frequente, contendo os elementos mais importantes de uma ciência, arte ou ofício..

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

As virtudes:

As Virtudes cardinais na Grécia antiga (300 AC) eram : a Prudência, a Coragem, a Justiça e a Temperança.

Os Romanos complicaram-nas: Auctoritas, Comitas, Clementia, Dignitas, Firmitas, Frugalitas, Gravitas, Honestas, Humanitas, Industria, Pietas, Prudentia, Salubritas, Severitas e Veritas.

Na Idade Média deixaram de viver por si para se oporem aos Pecados Mortais: Castidade (Luxúria), Generosidade (Avareza), Temperança (Gula), Diligência (Preguiça), Paciência (Ira), Caridade (Inveja), Humildade (Soberba).



... na companhia das virtudes teologais: Fé, Esperança e Caridade.

E agora, com o enfraquecimento das religiões, caem estes valores que nunca lhes pertenceram e a Perfeição passa a ser:


"Ser Rico",
"Ser Jovem" e
"Aparecer"!





e fica tudo a olhar!


segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

“A ignorância é muito atrevida”


Tropeçamos todos os dias nos meios de comunicação com os pareceres do “grande público e seus representantes”. Dá que pensar tanta solução vinda de um povo que raramente lê um livro!

Numa crónica, o Umberto Eco fala sobre o “incipiente”, definindo-o como aquele indivíduo pouco favorecido física e intelectualmente, que na tasca da aldeia, era embriagado pelos seus cruéis conterrâneos para o levar a fazer coisas inconvenientes e ordinárias.
O incipiente moderno, da aldeia global, não é necessariamente um atrasado. É um indivíduo normal, que por viver uma qualquer desgraça, é encorajado a expor-se, como antigamente se encorajavam os anões e as mulheres com pelos a exibirem-se nos parques de diversões.

sábado, 12 de janeiro de 2008

História Capilar

Onde o autor expõe as suas debilidades, na época em que os longos cabelos adiavam as idas aos Barbeiros.


Então havia medos e cuidados que deviam ser considerados pela gente sensata: não comer laranjas à noite, não beber água com melão, não cortar o mijo que faz pedra, não lavar a cabeça durante a menstruação, dar cerveja preta às parturientes para dar mais leite e ... não cortar o cabelo depois de comer.
Este último preceito punha dificuldade especial quanto ao nº de horas. Como na praia antes do banho? - as juvenis 3 horas medidas ao segundo? … um pouco menos sem tanto rigor? … um pouco mais em caso de feijoada com pernil?. Não raras vezes, ia a queimar o prazo que mentalmente tinha estabelecido como correcto para cada situação, mas como o corte capilar só acontecia 3 vezes por ano, não havia um saber de experiência feito que desse garantias. Assim prevalecia o sentimento de que “às primeiras tesouradas logo se vê!!!! e … caso surja a congestão …pedes para parar!.
É necessário lembrar que não havia as mariquices da lavagem de cabelo. Um gajo ia mesmo para cortar o cabelo e quando muito fazer a barba. O que havia era: Cabelo, Barba e Barba e Cabelo e mais nada!
Num desses dias em que ia “à queima” e com maus pressentimentos sentei-me e, depois de ter inspirado fundo umas 4 vezes e me auto-avaliar como em condições, permiti que o homem que me olhava expectante, desse início aos trabalhos.
Às primeiras tesouradas avulsas a medir o volume em só um dos lados, senti a tal sensação tão temida - “a congestão!” e num gesto único, entesei-me, tirei o avental e disse: “Desculpe, mas não me estou a sentir bem! Acho que não vou conseguir cortar o cabelo hoje!” Perguntei quanto era e saí com a promessa de vir amanhã e com a sensação de me ter visto livre de morte certa.
Fiquei a odiar o sítio. Tanto, que durante semanas evitei os cinquenta metros em redor. Qual voltar!?... Nem pensar!!. “Éh Pá, tens de cortar o cabelo!” Eu sei! Mas tenho medo de me sentir mal! Já viste a barraca!” e entre os risos o cabelo atingiu dimensões indesejadas.
Um dia em conversa com um amigo aparece a solução ao pé da porta: “O meu pai corta o cabelo em casa com um barbeiro velhote, já reformado, e se tu quiseres, quando ele lá for cortas a seguir!”.
Melhor não podia ser e no dia destinado, com jejum de 6 horas, lá estava eu confiante, pois se me desse o treco, já não era em público e morrer por morrer que fosse em terreno amigo.
O homem era velho e magro de muitos cigarros e de qualquer doença, com óculos de massa grandes e grossos, mas capaz de me entender, de me borrifar o cabelo com água e de mo mover a força de pente de um lado para outro, cortando as longas pontas que lhe fugiam das dimensões projectadas para a minha cabeça. Zás... aqui … , Puxa para a e frente e zás! ... num golpe de tesoura desaparece-me a metade externa duma sobrancelha…
Como era suposto eu estar a agradecer para além da paga, fiquei com cara de ter chupado limão, a dizer: “Deixe lá!” .
Saí ao estilo do homem e com um look assimétrico que não lançou moda nem invejas.
Desde então, jejuo como antes de comunhão e só vou a Estabelecimentos com Diploma e informações “fidedignas” do feminino. Entro como um cordeiro no Templo de Jerusalém, espero a minha vez, sento-me, tiro os óculos e entrego-me nas mãos do/a artista, já que não vejo peva sem óculos.

Diógenes



DIOGENES (412-323 AC). Nasceu em Sinope na Turquia e foi para Atenas onde adoptou a filosofia dos Cínicos que ensinava que para atingir a sabedoria e a virtude era necessário abdicar dos prazeres. Viveu uma vida de austeridade. Desfez-se de todos os seus bens com excepção de um relógio, uma bolsa e uma tijela de madeira. Vivia num barril.

Há muitas histórias àcerca deste excentrico filósofo grego.
De acordo com a lenda, passeara de dia, pelas ruas de Atenas, com uma lanterna acesa e quando questionavam porque o fazia, respondia: "Procuro um homem honesto"!."
Uma vez numa viagem, foi capturado por piratas que o venderam como escravo em Creta. Quando lhe perguntaram qual era o seu ofício, respondeu: "comandar" e como tal que deveria ser vendido a quem precisasse de um chefe. Foi vendido a um homem rico de Corinto que reconheceu o seu valor, o libertou e fez tutor dos seus filhos
Numa outra ocasião, Alexandre o Grande sabendo a sua história, ter-lhe-á dito: "diz o que queres, que eu to darei!" e Diógenes, que estava sentado ao sol na beira da estrada, respondeu: "não me tires o que não me podes dar, e sai da frente do sol!"

No entanto, houve quem lhe dissesse: “Eu vejo a tua vaidade através dos buracos da tua capa!”.

e ... o círculo fecha-se...

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

As Três Graças

As Graças eram três: Thalia (juventude e beleza), Euphrosyne (alegria) e Aglaia (elegância). Eram filhas de Zeus e de Eurínome, uma das filhas do titã Oceano. Andavam sempre juntas numa encarnação trifacetada da graça e da beleza. Os deuses deleitavam-se com o seu convívio.




Estas são Romanas de Pompeia













Estas vivem no Hermitage em S. Petersbourg, são de mármore e foram esculpidas em 1817 por Antonio Canova









Estas são tipo modernaço e práfrentex









Estas estão num Museu do Japão






Das seguintes não tenho imagem, só as conheço de um Blog brasileiro!


Governação Clínica

Hoje a principal área de negócio nos USA é a Saúde (afirmação recente do Prof. António Borges). É mais que a construção civil e que o armamento.
A disponibilização da saúde a toda a população e a alta tecnologia possível fizeram com que o seu preço tenha vindo a aumentar exponencialmente.

O doente ao não pagar directamente os cuidados de saúde de que beneficia, tende a desvalorizar os custos. A verba disponibilizada para este sector pelo Governo, é necessariamente limitada face à possibilidade de consumo, e o médico colocado entre o consumidor (doente) e o pagador (SNS, Seguro, …) beneficia do consumo de um e da despesa do outro.

A prática da Medicina é tradicionalmente uma profissão solitária – um médico e um doente, e auditar a qualidade desta relação é difícil.
Há estudos que sugerem que ~ 80% das decisões terapêuticas dos médicos são baseadas numa boa evidência clínica. Mas há falta de evidência na correcção de outros tipos de decisão, como: quando investigar, que tipo de testes usar, quando referenciar, para não falar dos múltiplos e complexos aspectos humanos e sociais desta relação.

Nesta teia de interesses os médicos são PARCEIROS, e têm de se entender com todos os profissionais onde necessariamente estão incluídos os economistas e os políticos, que querem saber como é que se está a gastar o dinheiro que eles lhes disponibilizam.

Assim sendo, é bom ter credibilidade e participar na colheita dos dados que suportam as decisões, pois quem não o fizer irá ser vítima de decisões onde não foi ouvido.


CONCEITOS – GESTÃO
Governação Clínica: O enquadramento através do qual as organizações de Saúde são responsabilizadas pela melhoria contínua da qualidade dos seus serviços e pela criação de um ambiente que promova altos níveis de qualidade dos cuidados.
A forma de atingir este objectivo consiste na responsabilização local das organizações e dos seus profissionais pela qualidade e desempenho clínicos, assegurando a sua implementação, manutenção e monitorização.

Cultura de uma Organização: Sistema de valores e crenças compartilhados que determinam o comportamento da organização. É útil diferenciar «Cultura Patente» (a manifesta, formal, aparente) que corresponde ao polo organizado, como a organização se quer mostrar, da «Cultura Latente» (onde estão as crenças, os impulsos institivos, os desejos não expressos, mas também a criatividade, a capacidade de inovar) que representa o polo organizante

Aprendizagem organizacional: O modo como as organizações constroem e organizam o conhecimento e as suas rotinas e utilizam os recursos dos seus profissionais para melhorar o desempenho da organização

Accountability: É muita vezes traduzida por responsabilização, mas implica também a transparência dos objectivos, processos e resultados para que qualquer pessoa possa avaliar, por si e se assim o desejar, a qualidade dessa organização.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Rio Lima








Na Sala de Estar da Pousada de Santa Luzia em Viana do Castelo, há uma Tapeçaria Portalegre, de Almada Negreiros que conta a seguinte história:

Comandadas por Decius Junius Brutus, as hostes romanas, atingiram a margem esquerda do rio Lima no ano 135 AC. A beleza do lugar as fez julgarem-se perante o lendário rio Letes que apagava todas as lembranças da memória de quem o atravessasse. Os soldados negararam-se a atravessá-lo. Então, empunhando o estandarte das águias de Roma, o comandante chamou da outra margem, a cada soldado pelo seu nome. Assim lhes provou não ser esse o rio do esquecimento.

Do Reviralho ao Rebimbó-Malho

Em 1926 os Republicanos foram desapossados do poder. Iniciou-se então o regime político-militar salazarista – o Estado Novo.
O Reviralho (1926 – 1940) foi a oposição republicana, democrática e liberal.

Era um movimento elitista onde predominavam antigos ministros, deputados, militares de prestígio, governadores civis e outros altos funcionários da administração republicana. O seu Programa Político era minimalista, movendo-se num campo político-dialéctico, tanto mais rico e contraditório quanto mais pobre era o seu apoio social.

Ainda nos debatemos com as sobras do Reviralho: o discurso do “Bota Abaixo”, o “Rebimbó-Malho” gratuito das palavras.

Qualquer organização credível passa pelas seguintes Fases:
1: Forming (constituição do grupo)
2: Storming (discussão no seu interior dos objectivos e dos meios para os alcançar),
3: Norming (estabelecimento das normas que vão condicionar a sua actividade), e
4: Performing.(actuação eficaz de acordo com o estabelecido)

Os pontos 3 e 4 são impossíveis com a malta do “Rebimbó-Malho”.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Ditador romano

Ditador era um cargo político da República Romana, criado em 501 A.C., preenchido apenas em condições excepcionais, sendo portanto uma magistratura extraordinária, isto é, fora do cursus honorum. O conceito estava plenamente integrado no âmbito da estrutura democrática romana e não tem qualquer relação com os requesitos de um ditador moderno, que se encontra normalmente à cabeça de um regime autoritário.

O ditador era nomeado pelos consules do ano, autorizados para tal por um senatus consultum emitido pelo senado romano em circunstâncias de crise militar e/ou económica. O cargo era o único posto da hierarquia política da República que não obedecia aos princípios de colegialidade e responsabilidade, isto é, o ditador não tinha nenhum colega e não era punível perante a lei romana por nenhum dos seus actos.

O ditador detinha o poder absoluto pelo prazo máximo de 6 meses, era adjuvado por 12 lictores e estava proibido de comandar divisões de cavalaria em campanha. Para suprir esta falta, e para servir como segundo em comando, o ditador nomeava um magister equitum (estribeiro-mor).







Na historia de Roma Lucius Quintus Cincinatus (519 AC — 439 AC) , é modelo de virtude e simplicidade. Foi eleito ditador para salvar o exército numa guerra contra os Volscos. Quando o informaram da nomeação estava a lavrar a terra. Largou as alfaias e foi para o campo de batalha. Em 16 dias derrotou os inimigos. Entrou em triunfo em Roma e, "por amor à República", renunciou imediatamente à sua autoridade absoluta para voltar aos seus campos e ao arado.

Esta é a sua estátua na cidade de Cincinnati nos USA a quem deu o nome. Tem numa mão o arado e na outra o simbolo do poder dos ditadores o "Feixe" - do Latin "fascis", que era constituído por varas de salgueiro atados com um cordão vermelho, e um machado.

O que é a perfeição?

O que é a perfeição?
– Beleza, talento e MUITO trabalho.

Astúrias peça escrita por Isaac Albeniz, que Francisco Tarrega adapta à guitarra



Nestas coisas da música, passeio de vez em quando pelo Youtube. Há uns meses tropecei em Ana Vidovic a tocar a Cavatina (Stanley Meyers 1969) que foi tema do filme "The Deer Hunter" (1978) com o Robert De Niro e Christopher Walken e, desde então ouço-a como quem reza, enquanto olho para os seus dedos e me pergunto: Como é possível?

Mas páro também para ouvir Sarah Brightman a cantar Pie Jesu, que pertence ao Requiem (1985) do Andrew Lloyd Webber . Como é possível ter esta voz?

Escrever

Produzir textos é uma actividade extremamente necessária na vida profissional.

Escrever é uma habilidade que pode ser desenvolvida e não um dom que poucas pessoas têm. Escrever bem exige empenho e trabalho, não é um fenómeno espontâneo.

Escrever é uma das actividades mais complexas que o ser humano pode realizar. Faz rigorosas exigências à memória e ao raciocínio. A agilidade mental é imprescindível para que todos os aspectos envolvidos na escrita sejam articulados, coordenados e harmonizados de modo a que o texto seja bem sucedido.

É necessário utilizar simultaneamente os conhecimentos relativos ao assunto a tratar, ao tipo de texto que se quer produzir, aos leitores possíveis, à língua e às suas possibilidades estilísticas.

Portanto, escrever não é fácil e é incompatível com a preguiça.
Escrever é uma prática que se articula com a leitura - é pouco provável que um mau leitor chegue a escrever com desenvoltura.


Tirei estas frases de um livro que comprei e li no Natal/07: "Técnica de Redação" - O que é preciso saber para bem escrever - de Lucília H. do Carmo Garcez, Coleção Ferramentas, Editora Livraria Martins Fontes, São Paulo, Brazil.

Eu, que tenho pouco tempo, disponho-me agora a andar à luta com as palavras.
Leio o António Lobo Antunes, nos contos da Visão e embeveço-me. Tão simples!

Lethes:

O Lethes é um rio mitológico que atravessa o Hades

Primeiramente, Gaia une-se a Urano – Éter e Terra e dão à luz os titãs e titanesas. Um dos filhos é Mnemosine (Memória), a guardiã de toda a lembrança, produtora da eternidade e guardiã dos feitos dos homens.

Depois da guerra com os Titãns pelo Olimpo, Zeus dividiu o mundo entre ele e os seus irmãos: Poseidon e Hades.
Zeus reinou sobre o céu e sobre os seres vivos, Poseidon sobre os mares e sobre todos os seres que por ele passavam, e Hades reinou sobre os mortos.

Mais tarde, Zeus une-se à Mnemosine (Memória) e dá à luz as Musas, feitoras das artes, formas de memória de construção poética.
Em Mnemosine está guardada a verdade dos factos; contra ela é impossível manterem-se as omissões e o falso – o passado permanece.

Havia cinco Rios que separavam o Hades do mundo dos vivos:
1: Aqueronte – o rio dos Infortúnios
2: Cocito – o rio dos Lamentos
3: Flegeronte – o rio do Fogo
4: Lethes – o rio do Esquecimento.
5: Estigia – o rio do Ódio.


As almas dos homens que morriam, eram transportados na barca de Caronte para a outra margem do Rio Aqueronte, onde se situava a entrada do reino de Hades. O acesso dava-se por uma porta de diamantes junto à qual Cérbero (#) montava guarda. As almas conservavam a forma humana, mas não tinham corpo, nem se podia tocá-los. Vagueavam pelo Hades, mas também podiam aparecer no local da sua sepultura. O tempo aí era abolido.
Era costume grego colocar uma moeda, chamada óbolo, sob a língua do cadáver, para pagar a Caronte pela viagem. Se a alma não pudesse pagar, ficaria forçosamente na margem do Aqueronte para toda a eternidade, e os gregos temiam que pudesse regressar para perturbar os vivos.

Normalmente só os mortos entravam no Hades, que ficava bem por baixo da terra. Não havia processo de comunicar eles. Não havia dor nem alegria e reinava o silêncio.
os mortos aguardavam uma outra vida terrena, pois ao fim de algum tempo, iriam beber a água do rio Lethes, esqueceriam a sua existência prévia e renasceriam para a terra dos vivos, para se tornarem cada vez mais sábias. Assim o Hades era um local de repouso entre encarnações.

O Rei Hades, que usava um gorro feito pelos Cyclopes que o tornava invisível, e a sua esposa Persephone viviam num palácio na companhia de Thanatos (rei dos Mortos), Hypnos (deus do sono), Nix (a Noite), Moirae (Fatalidade – não era um deus mas um poder misterioso e tremendo, mais forte que os deuses; menospresá-la era chamar Nemésis – Ira Justa), Eríneas (as Fúrias), Tartarus (Punição), Elysium (Recompensa) e outros.
Lethes é o deus da ocultação e do esquecimento. Nasceu para apagar a lembrança.

A verdade grega está na contestação radical ao status desses deuses todos, conhecedores da não permanência. Verdade é, pois, aletheia, uma palavra composta por a- prefixo de negação “não” e lethes, a ocultação.
A verdade é a não ocultação, o não-esquecimento, a memória.

Os Mitos funcionam através da analogia, símbolo, metáfora e alegoria. Através deles, podemos fazer conecções e associações entre coisas que não parecem estar conectadas, e que até não pareçam racionais. O Mito chama o subconsciente para a imaginação. O pensamento mitológico é de facto um pensamento poético e como a poesia, contém as verdades básicas, não só acerca do que significa ser humano, mas também da condição humana.

(#) Cerbero: era um monstruoso cão de múltiplas cabeças e cobras ao redor do pescoço, que guardava a entrada do Hades. Deixava entrar as almas, mas nunca as deixava saír e despedaçava os mortais que por lá se aventurassem. Para acalmar a sua fúria, os mortos jogavam-lhe um bolo de farinha e mel que os seus entes queridos haviam deixado no túmulo.