quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Carta a um ex-amor



Carla, ou Crisálida, como queiras:
Sinto na tua carta, o fel que me fez fugir, uma mágoa pelo tanto que te quis, nesses três anos em que pensei que o amor tudo podia e que o tempo estava todo ao nosso lado.
Seduziste-me, fingindo-te perdida num requebro de menina, quando o acaso nos cruzou. Vi-te, adolescente, à espera de uma revelação e, vaidoso, julguei-me eleito para tão delicada tarefa. Dei-te o que tinha de melhor - atenções, amor, livros, espaços, eventos, para acalmar o torvelinho que julgava ser a tua graça e lhe dar o sentido do meu sentir, mas só tarde te vi narcísica e egocêntrica, incapaz de ouvir o bater de um coração.
Dizes que te encandeaste no meu cabelo e na barba por fazer, mas não falas do calor das minhas mãos, nos silêncios que te dei, nem nas frases para ti inventadas, que eram pontes, barcos e naves por onde podíamos ter voado eternamente. O mais que conseguiste foi sentires-te segura da desimportância do meu gostar, até me levares às margens da exaustão.
Aquelas luzes fátuas que viste no caminho, quando te apercebeste da minha decisão a aguardar gesto, não eram alucinações, eram fragmentos da tristeza que eu deixava no meu rasto. E tu não as apanhaste para lhes dar remédio. Deixaste-as apagar sem um sopro que as atiçasse.
À perplexidade do teu fim, segue-se agora a notícia de que me pediste perdão do muito que te ajudei a teres a graça do céu por entre nós. A morte pode ser um alívio e talvez aí consigas a paz que a tua passagem por aqui negou. Encheste os olhos de quem te viu, mas deixaste feridas impossíveis de sarar.
Por favor, não me guardes lugar na tua nuvem
Adeus!
Até Nunca!


Fernando

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Natal

Dia da Família e dos amigos do coração.
O símbolo é o presépio. Uma família minimalista. Um átomo de Deutério. Um protão, um neutrão e um electrão a girar em seu redor. Não há irmãos, primos, avós, nem burro, nem vaca. Uma estilização, com um S. José jovem, belo e enamorado, espoado de qualquer drama.

Este presépio encerra os conceitos modernos de uma família ocidental, numa sociedade competitiva, obrigada a investir na educação dos filhos, para os tornar capazes de conquistar um lugar ao sol.
Mas se a história fosse contada de outro modo, talvez não houvesse tanta crise nos valores.
Por isso, eu gosto mais do modo como Erri de Luca, põe a tónica em S. José, para que se dê espaço a motivações significativamente diferentes.

José vem do verbo hebraico “yasaf”, que quer dizer acrescentar. “Yosef”, à letra, é aquele que acrescenta, e eu gosto de o pensar a fazer jus ao nome e a contrapôr-se àquela sociedade que punia o adultério com a lapidação e a impedir que Maria fosse ostracizada por estar grávida de pai desconhecido.

São um par estranho. Maria adolescente e José, um velho viúvo. Sinto-o cansado de injustiças e a ver naquela miúda a gota de água, depois de muitas mortes por razões iníquas, a decidir ser aquela a altura de um sinal público contra essa Lei Judia, aceitando todas as contrariedades sociais, para se olhar serenamente e poder morrer com a dignidade dos justos.

Afirmou-se pai da criança e, ao desposar Maria, anulou a suspeita de adultério, mas criou um sururu em Nazareth. Um “idoso” notável noivo de uma jovem que a turba marginalizara.
Consigo imaginá-lo a dirimir razões, a negar dúvidas, a argumentar contra as desconfianças da cidade, a arrastar o problema até ao risco eminente e aí, sem hesitações, pegar no burro e na rapariga e fazer-se à estrada, sem tempo para armar uma carroça.
Só assim justifico aquela viagem de 80Km de burro, pois ninguém no seu perfeito juízo se mete a caminho com uma primípera de termo naquelas circunstâncias.
Bethlehem era o acolhimento procurado, junto da sua família original, pois a de Maria estava destroçada e impedida de lhe prestar apoio.
Com as mãos de carpinteiro, habituadas a resolver obra com inteligência e saber, fez-lhe o parto e garantiu todos os necessários para um final feliz.

É assim que eu gosto da história, sem "recenseamentos" ou "fugas a Herodes" que não fazem sentido, e nada acrescentam à figura de José.
Por fim a adopção de Jesus por inteiro. Um trabalho responsável com uma criança saudável, feliz e de fácil aprendizagem, a ensinar-lhe o que sabe, com  amor, e a planear-lhe o futuro.
Com um significativo pecúlio, os outros filhos criados e o conhecimento de que outras culturas, não muitos distantes, se impunham, não só pela força das armas, mas também pela força das suas soluções, como bom judeu, apostou na educação e reuniu condições para que Jesus estudasse em Alexandria, a cuna da ciência da época, e ganhasse asas, com os gregos e todas as filosofias que ainda agora nos orientam.

Não se voltará a falar de José. Ele ir-se-á projectar no percurso do filho que lhe dá continuidade lutando por uma nova ordem que pusesse o poder ao serviço da população, onde a esperança fosse a luz desse difícil caminho, a individualidade se contivesse pelo interesse colectivo, e o erro entendido como parte da natureza.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

O meu amante de domingo



Cara Alexandra:

Gostei! Li-o duas vezes. A primeira de um fôlego, a segunda porque agora ando atento a “Escrita Criativa” e pareceu-me um bom livro para lhe analisar o esqueleto.
O tema é claramente do meu agrado. Há que acabar com essa gente que se encosta em amizades, para depois, impunemente, roubar ideias e trabalho de muitas horas, para o expôr, com desfaçatez, como se fosse seu.
Morte a esses “filhos da puta!” ... Pim! ... como diria o Almada.
Quem se veste de sensatez e de sucessos imerecidos, devia sucumbir sob os cinco dedos da pata de um elefante da Índia, a tal que difere dos de África, que só têm quatro. ... Pim!
Estou contigo também, no que respeita a mecânicos a dizer “póssamos” ou “vareia”, a que junto empregadinhas do shopping a escrever “debe daber” ou “eu vou ir ser o que eu era”.
Quanto aos Nosferatu’s que por aí andam à caça de quem se lhes põe a jeito, nada a acrescentar. Nem sempre a vítima é inocente.

Confesso que é o quarto livro teu que leio e me surpreende. Este mais que os outros. Pela ousadia da linguagem e das situações. Assim sem meias palavras. Que eu não sou do Canidelo, mas nasci no Alto da Fontinha!

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Sexta-feira


IIIiiiiii  ... uma boa sexta-feira!
IIIIiiiii .... Nossa Senhora de Fátima nos ajude!
IIIIiiiii ...  a Senhora da Agonia! ....

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Assédio


Assédio, assédio! Assim com letra grande, … nunca. Nunca senti esse tipo de cobiça por detrás de um olhar de uma mulher. Sou homem. Não é suposto ser alvo, principalmente quando se anda com arco, flechas e um chapéu com uma pena. 

Viro-me para o lado e pergunto. E tu? E ouço-lhe a história de uma vez, em que a sorte lhe levou quem não preenchia requisitos.

Primeiro foi uma vez, e uma vez é nunca, como dizem os alemães e eu concordo. Depois, porque ser vítima de uma "madame" vinte anos mais velha, pletórica, de cabelo empastado e hipertensa é filme de terror, que não deve ser automaticamente incluído nesta categoria. 

Conta ele uma novela de seis visitas, de roupas às cores e rendas dos anos trinta, de cheiros a naftalina e adereços rebuscados do fundo de baú. Um cio tardio de solidão. O último uivo de uma alma reprimida, de uma vida iniciada com fogos de artifício. Casa de brasão. Nome de seis apelidos. Sons de Marinha e de Exército. Anos a aprender as coisas de mulher. Orações, confessos e recato. Uma prenda esquecida no canto do salão, até o desespero lhe propor jogar o ás de copas, naquele dia tão lindo sem uma nuvem no ar.

Era Abril. A mãe junto a Deus, o pai em viagem, a irmã nas lides domésticas. Duas horas mortais.
A igreja a três passos. A lembrança da homilia. Uma rosa no cabelo.
-Sr. Padre!

Depois, o hall de entrada e ele ali à mão. O rubor a subir, o corpo a tremer, as palavras mil vezes languidamente pensadas ditas de uma vez.
De repente, uma outra porta que se abre. A irmã!.

- Carlota! Foi o sr. Padre que me chamou!
-  Lucinda! Foste tu que me seguiste! 

O resto da vida marcada pelo ferrete daqueles instantes. Os meses a agravar a desavença. A solidão partilhada naquele casarão a degradar-se. Os anos num triste fio de rotinas, até medir a tensão e lhe dizerem que estava alta.

Uma consulta, duas consultas, … seis consultas. A história a repetir-se.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

4ª Carta a Sócrates

Caro Sócrates:
Esta é a quarta carta que te escrevo. A primeira vai para 5 anos, a segunda há 4 e a terceira, em Maio de 2011, quando já estavas a escorregar para a mó de baixo.
Como deves saber eu agora estou noutra. Já paguei para o peditório dos jogos de poder. Depois fartei-me dos duques de paus, e decidi-me por outra gente. É o bem de quem não liga à potência dos automóveis, às luzes de acender e apagar, e de quem desconfia do bacalhau a pataco. Até me arrepio só de me lembrar de que houve tempos em que via a malta que se senta à mesa do dinheiro com um mínimo de preocupação social.
Adeus inocência. Agora olho de esguelha para as Instituições, para o partido em que sempre votei, para a qualidade dos profissionais da nação e para a sua população que cheguei a acreditar honesta, competente e temente das consequências dos seus erros, mas depois de ver aquele magote de badamecos a alcandorar-se a lugares de responsabilidade, a mando, a interferir com o bem-estar do grosso da população, "escrementei-me!".
Não me peças para me pôr do teu lado, mesmo que não tenhas gamado a massa de que te acusam, que eu agora faço como o da musiquinha e “só vou gostar de quem gosta de mim”.
Agravaste o pragmatismo provinciano em que vivemos, enquanto brincavas de arauto dos princípios do teu caderno de encargos. Quiseste pôr uns “na ordem” enquanto fazias vista grossa à malta da construção civil e agora, nem os que andaram com as “malas de dinheiro” e os amigos que enriqueceram, te perdoam. Tens essa sarna para te coçar e ainda ninguém questionou as contas dos partidos.
Eu sei que é com dinheiro que se compram os melões e as outras coisas. Mas há uns que gostam demais dele e, quem joga em várias mesas, como tu fizeste, havia de ter muito cuidado, pois na mesa do poder as regras são diferentes das do jogo do dinheiro, mesmo que o dinheiro sujo possa ajudar a resolver muito problema social. Depois ... há os batoteiros sempre atentos a quem se ausenta.
Tu, que andaste metido nas novas tecnologias, a dar meios ao fisco para o transformar na maior empresa portuguesa financiadora de tudo o que é maluco, devias saber que é fácil fazer o "tracking" da massa, e que era arriscado usá-lo para deixar obra para a posteridade.
Essa malta que se punha em segundo plano nos écrans da TV quando aparecias a legitimar-lhes os gastos, devia fazer uma excursão a Évora. Iam de manhã, davam uma volta pela cidade, passavam pela Capela dos Ossos, liam a inscrição da entrada, almoçavam no Fialho, e depois de te ver, iam pôr uma velinha para não te fazer companhia prolongada.
Eu digo isto daqui deste meu púlpito, porque me afirmo a favor da criminalização dos políticos. Uma gestão tão má que até uma dona de casa se arrepia, não pode ficar impune. Por isso te acho muito desacompanhado. Não que vos queira presos, que isso só dá despesa. Queria ver-vos a pagar até só vos restar o salário mínimo, para que quem se mete nessas guerras saiba que há consequências e não acabasse tudo nuns "privados" que ninguém controla, a gerir os Hospitais, a água, a electricidade, os transportes e qualquer dia as Câmaras, as Juntas de Freguesia e quem sabe … os Tribunais.
É por isso que não me dói esse teu calvário. Deixaste fazer merda que chegasse nos três últimos anos da tua governação e para isso, ou tinhas uma justificação que encalacrava alguém dessa Europa que nos faltou, ou então, andaste a dar passos maiores que as pernas e isso tem um nome - "irresponsabilidade".

Passa bem!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Contratualizações


A palavra e um aperto de mão. Capacidade técnica e cidadania para assumir um contrato com as suas contrariedades. Confiança.
Noutro tempo era assim e quando a coisa corria mal havia justiça por mão própria, já que tribunais eram uma "comedoria” a que só os ricos se atreviam.
Aceitavam-se encomendas possíveis e não se falava em “derrapagens”, nem se jogava um preço, para ganhar a obra, para depois inventar necessidades para duplicar custos e alocá-los ao cliente.

Aos poucos diminuiu a confiança e multiplicaram-se os advogados e os contractos cheios de páginas que se assinam sem ler, com termos técnicos que a população ignora.

No Futebol os treinadores falam do "objectivo"! Um ganhar dito com convicção, mesmo do último contra o primeiro, que há que ter dimensão espiritual e um “práfrentex” de rato vestido de leão não fica mal no meio dos fracos e … quanto mais longe de ti, mais franco te falo. .

Agora contrato, chama-se “contratualização” e definem-se números que urge cumprir, e é esta fixação em objectivos "numéricos" nas instituições que distorcem as práticas e lhes desvirtuam as funções.
No Sistema Nacional de Saúde (eu já não ouso falar em SNS) as “contratualizações” com Hospitais e Unidades de Saúde Familiares levaram médicos a deixar de ter como objectivo primeiro a melhoria dos seus doentes, para passarem a praticar uma Medicina Baseada nos Indicadores, porque o seu incumprimento pode levar a desclassificação, não progressão ou despromoção, com penalizações remuneratórias.


A malta “apugilista” do “sistema”, evita a responsabilização das direcções, para assim poder nomear “boys” cujo único "know how" é o de vigia de números, ignorando que quem verdadeiramente controla as boas práticas de profissões técnicas são os oficiais do mesmo ofício, se lhes derem essa possibilidade. 

domingo, 30 de novembro de 2014

Nomes

Touro Sentado, Cavalo Maluco, Pequeno Lobo, Água da Floresta, Flor Eterna eram nomes dos índios da banda desenhada que lia na juventude. O dos cowboys não tinha tradução. Tinham o nome de origem - Buffalo Bill, Kit Carson, Tim McCoy e por aí fora.
Foi assim que eu aprendi. Lá fora nomes “engraçados”, por cá, nomes próprios a que eu não atribuía significado e um sobrenome de família que frequentemente apontava uma profissão, uma terra, um animal ou uma planta.
Depois disseram-me que os sobrenomes de árvores (pereira, oliveira, macieira, carvalho, nogueira), eram de famílias judias, bem como aqueles que apontavam para uma grande religiosidade cristã – do Espírito Santo, dos Anjos, da Cruz, das Chagas, … para mostrar que o “converso” havia adoptado a nova fé e que não era um “marrano” a observar clandestinamente os antigos costumes.
Nas mulheres eram muitas as Marias, como no Islão eram as Fatimas, por causa da mãe de Jesus e da filha predilecta de Maomé. Mas as Marias eram doentias. Havia a da Luz e dos Prazeres, para me tirar razão, mas o grosso era da Agonia, das Dores, da Assunção, do Carmo, da Purificação, da Ascenção e por aí afora, até encontrar uma da Circuncisão.
De África vinham nomes estranhos. Nomes de coisas e de acontecimentos postos em pessoas, e eu sem saber que as sociedades sem tradição de história escrita, dão o nome à criança para sinalizar um evento importante do tempo do seu nascimento. Edu, uma abreviatura de “educação” indica que ele veio ao mundo quando abriu uma escola na sua aldeia, Doutor – o contacto regular com um médico, Armazém – uma dessas construções nas imediações.
Mas dou preferência à poesia escondida dos nomes com origem na antiguidade. Alexandre do grego, nome composto pelo verbo aléksein (defender) e pelo substantivo andrós (homem) - "protetor da Humanidade". Filipe - do grego Phílippos, composto pela união dos elementos phílos, que significa "amigo" e híppos que quer dizer "cavalo" – amigo dos cavalos. Guilherme que significa “protetor corajoso”, tem origem no nome germânico Willahelm, composto pela união dos elementos will - “vontade” e ehelm - “proteção”. Augusto com origem no latim Augustus, significa “sagrado”, “sublime”. Ernesto do germânico eornost, que quer dizer “sério, firme, o que batalha até a morte". Eugênio - “bem-nascido”, “nobre”. Do grego - composto por eu “bem, bom” e génos “raça, família”.
Sofia do grego sophia que significa literalmente “sabedoria”. Ana, do hebraico Hannah, que quer dizer "graciosa". Eulália -“aquela que fala bem”. Do grego eu - “bem” e laleo - “para falar”. Helena do grego Heléne, que significa “tocha”.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Terceira idade


Nunca gostei de palavras enganosas.
Um Lar de Idosos é uma solução extrema quando as outras alternativas falham, pois retirar um indivíduo permanentemente do seu ambiente familiar, é uma violência comparável à prisão.

Nos lares, há de tudo. Gente culta, amiga e capaz, mas também há quem espere uma qualquer fragilidade para revelar o seu oportunismo.
É desses que eu me lembro quando ouço - "Oh avozinho!" ... "Oh meu amor!" ... "Oh tiozinho!" ... , expressões que a coberto de um pseudo-carinho indiciam algum desrespeito.

De igual modo vejo desfaçatez nos nomes "românticos" de algumas empresas que fornecem estes serviços, para tentar "adocicar" as dificuldades dos que lá irão cair.
Lar Idade de Ouro, Residência Bella Vida, Jardim do Éden, Casa da Sabedoria, Casa dos Sonhos, Casa da Poesia, Clube Fénix One, Lar Chuva de Prata, são nomes mais adequados a residências universitárias, onde toda a esperança se joga, do que a Lares de Terceira Idade onde se espera e paga ajuda nos cuidados básicos da vida e alguma atenção e respeito.

Com Portugal a caminho de um imenso lar de idosos, estes nomes criam a ilusão de que a solução é "mais aceitável" do que ela na realidade é.
Tenho dito.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Smartphone


Está junto ao filhito de três anos que dorme sossegado. O mundo entra-lhe pelo telemóvel. Do outro lado, um desconhecido, atordoa-a com perguntas a que se furta. Uma amizade do Facebook, sem porquê, a aguçar-lhe a curiosidade, com factos de uma realidade próxima.
Há sete anos que está naquela casa com os sogros, velhos e doentes. O marido só chegará ao fim do dia, cansado, para assistir à sua corrida do jantar, da louça e do filho, até que a telenovela os faça encostar.  
Dias que se repetem. De manhã, a casa, à tarde o Café do sogro a empatar-lhe o tempo, a ver os carros na estrada pelo grande vidro. Às sextas as compras, ao domingo os pais e as poucas amigas que consegue manter a 30 Km, na terra onde nasceu.
Os quase trinta anos, levaram-lhe muitas das ilusões. O seu maior amigo de agora é o telemóvel, onde estão todos os que não lhe podem entrar porta adentro. Gente desfocada por textos e imagens copiadas para uma qualquer  rede social,.
Não fora o filho e o telemóvel e tudo seria um pesadelo. Umas vezes, ri-se sozinha, outras pára para pensar no pouco tempo para estar com quem se dava.
Sente o marido chegar. Apressa-se. Mete o telemóvel na carteira. Não quer ter que dar respostas. Há mundos que não se partilham. São jogos individuais.

domingo, 23 de novembro de 2014

sábado, 22 de novembro de 2014

Rosenkranz Quotes, 1946


1 – Difficulties are unsurmountable mountains to those who fearfully run from them, but they will prove to be mere molehills if you courageously go after them....

2 – Make it your mission ...to render services to others, & you shall find that you are rendering the greatest service to yourself.

3 – Your education has been a failure, no matter how much it has done for your mind, if it has failed to open your heart.

4 – A successful life must have Aim and Purpose. When we are without aim, we are without hope of accomplishing anything worthwhile. On the other hand, if we do have a set purpose and the courage and backbone to achieve it, we are bound to succeed.
On our pathway we meet discouragement, obstacles, even temporary failure, but we must not lose hope. We must have strength of character and the determination to follow our aim consistently and courageously.
Let us remember that Aimlessness spells Hopelessness, and Purpose spells Accomplishment.

5 – He is wise who does not put off until tomorrow what he can do today .. he is wiser still who does not put off until today what he could have done yesterday.

6 – Opportunity Knocks at Man’s Door But Once. Many a time you have heard that expression and perhaps it is true, but there is no law of God or man that prohibits a man from knocking at Opportunity’s door just as often as he may wish. If he knocks often enough, sooner or later, he is sure to find opportunity at home. If he is ready it will mean Success.  Opportunity means nothing to man who is not ready. If he is not prepared he won’t even be recognized. Whatever we amount to in this world depends entirely upon ourselves, and our own efforts. If we make no effort we get nothing. If we make a big effort to get ahead we can and will succeed. In other words, we are going to be rewarded for exactly what we do.  Success will not come by merely wishing for it. It is something we must fight for. We have got to conquer every obstacle – we cannot give in to pleasures or idle dreams. And the harder we fight the greater will be our success.
Opportunity waits for no one – it’s up to us, make ourselves ready and catch her.

7 - Practical training means the acquisition of Technical information and facts, and the learning how to apply them in a useful manner. In order to acquire knowledge we must use our brain. Our brain, like our body, only grows and develops when properly used.  When we stop using any part of our body it starves and dies. When we fail to use our brain cells they decay and die of starvation.  Let’s learn how to use intelligently our natural abilities, talents, and gifts, and apply them efficiently to our task at hand.

8 – Of all the virtues, patience is the most essential to success.

9 – Success hinges on loyalty. Be true to your art, your business, your employer, your home, your “house”. Loyalty is for the one who is loyal. It is a quality woven through the very fabric of one’s being, and never a thing apart.

10 – A great factory with machinery all working and revolving with absolute and rhythmic regularity, and with the men all driven by one impulse and moving in unison as though a constituent part of the mighty machine, is one of the most inspiring examples of directed force that the world knows. One rarely sees the face of a mechanic in the act of creation, which is not fine, never one, which is not earnest and impressive.

11 – There is no moment like the present. The man who will not execute his resolutions when they are fresh upon him can have no hope from them afterward; they will be dissipated, lost, and perish in the hurry and scurry of the world, or sunk in the slough of indolence. There is but one straight road to success, and that is merit. The man who is successful is the man who is useful. Capacity never lacks opportunity. It cannot remain undiscovered, because it is sought by too many anxious to use it.

12 – In conversation there are two important things to remember: first, to speak sparingly so that others will know that we are wise; second, to listen interestedly, so that they will think that they are wise.

13 – The Wrecking Gang may sometimes render useful Services. But my advice, to ALL men is: Always join hands with the construction crew.

14 – Many things considered impossible and even hopeless are often mastered by determination and intelligent industry.

15 – In order to achieve success in Life we must have ideals, aims and ambitions. We must be willing to work hard, sacrifice freely, be unselfish, cooperative, enthusiastic and determined.

16 – When you are climbing up be sure to help some one else up to , ...that may prove to be your best assurance that you will continue to stay up.

17 – Self Reliance – Work is a mighty hard thing to keep track of. A man will go to an employer saying he has been looking for work everywhere, but cannot find it. The employer gets busy, fins work and gives it to him. Then the employer expects work from the employee, and when he does not get it, pays him off and starts him out looking for work again and the chances are he never finds it.
The less you require looking after, the more able you are to stand alone and complete your tasks. The greater your reward.. Then if you cannot only do your work, but also intelligently and effectively direct the efforts of others, your reward is exact ratio; and the more people you direct, and the higher the intelligence you can rightly lend, the more valuable is your life.

18 – REAL happiness begins where selfishness ends.

19 - Circumstances are masters of weak and the indifferent; they are a challenge to the courageous and the ambitious.

20 – We are not poor when we can be happy without riches.

21 – He who sits and dreams of living on top of the mountain will die in the valley.

22 – Why waste time hunting for excuses when you should invest time in correcting your shortcomings.

23 – I consider him a friend who points out my shortcomings.

24 – If you want your troubles to grow just tell them to everyone you know.

25 – Too many of us believe in the Golden Rule and live by the rule of gold.

26 – You will never find a great movement built up by small men.

27 – When mankind will substitute Tolerance and Truth for Bigotry and Deception – that shall be the beginning of civilization.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Um Dia Isto Tinha Que Acontecer...

Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida. 
Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações. 
A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo. Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.
Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.
Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1.º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.
Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.
Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.
Foi então que os pais ficaram à rasca.
Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.
Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.
São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.
São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!
A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.
Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.
Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.
Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.
Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.
Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.
Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.
Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.
Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.
Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?
Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!
Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).
Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja! que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.
E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!
Novos e velhos, todos estamos à rasca.
Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.
Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.
A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la. Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam.
Haverá mais triste prova do nosso falhanço?


MIA COUTO

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Caminho francês de Santiago

Segundo os Estudos Galegos da Universidade Nova de Lisboa, "já muito antes da data apontada pela igreja para a descoberta da tumba do apóstolo, existia uma rota de peregrinação (romana e anteriormente celta), que ia do extremo Este ao Oeste de Espanha, até Finisterra. Este velho caminho de peregrinação, simbolizava a viagem do sol de Oriente para Ocidente, “afogando-se” no oceano para voltar a surgir no dia seguinte. O renascer do Sol estaria intimamente ligado com o renascer da vida; fala-se também de uma rota para o templo de Ara Solis em Finisterra, erigido para honrar o Sol. Hoje em dia, são muitos os peregrinos que chegando a Santiago resolvem continuar o Caminho até Finisterra o que põe em causa a definição da rota apenas como uma peregrinação religiosa católica".

Este “caminho francês de Santiago” tem numerosas construções arquitectónicas de interesse histórico (românico, gótico, barroco e neoclássico). Foi revitalizado nos anos 60 do século passado e de modo mais acentuado depois do ano Jacobeo de 1993 - quando o dia do apóstolo Santiago Maior (25 de Julho), coincide com um domingo. Nestas datas a peregrinação equivale a uma a Jerusalém e a Igreja concede indulgência plenária - o perdão para todos os pecados.

Agora “está na moda”, e junta-se às  inúmeras outras rotas que desportistas de todo o mundo percorrem dos mais variados modos - a pé, de BTT, a cavalo, de uma só vez, ou por grupos de etapas cumpridas em diferentes anos.

É surpreendente a longevidade deste trajecto e o seu efeito multiplicador noutros trajectos, que em grande parte se deve às "miraculosas" melhorias que efectuava nos primeiros séculos do 1º milénio, sobre os peregrinos com ergotismo
Durante sete séculos a ordem dos Hermanos Hospitalarios de San Antonio, construíram ao longo de todo o seu percurso, hospícios e mosteiros para receber e "tratar" os peregrinos apoquentados pelo "fogo de  Santo António", e a sua eficácia projectou-os muito para além da península ibérica, quando o benefício se devia essencialmente à alteração da dieta, passando a comer pão de trigo em vez do de centeio cheio de maleita.

Agora o caminho está a voltar às origens. O que mais se vê são orientais, malta do desporto e curiosos que se medem com a dificuldade enquanto se esforçam por entender a lenda que diz que Tiago, um dos primeiros discípulos de Jesus, decapitado no ano 44 D.C.,  embarcado e trazido para a Galiza para ser sepultado, foi descoberto no ano de 813 D.C., depois de uma chuva de estrelas ter avisado um ermitão. 

Eu, que gosto de histórias, só entendo esta como um engenhoso marketing religioso, que se apodera de uma marca pagã em decadência, para vender um produto, fundamentando-o na necessidade humana de sair do seu ambiente tradicional, para ir mais além na compreensão do mundo.
Felizmente que assim também se desenvolvem regiões.

domingo, 16 de novembro de 2014

Santiago

E lá fui eu a Santiago ver o “Servizo de Cardioloxía, do Complexo Hospitalario Universitario de Santiago de Compostela, pela mão do seu director Dr. José Ramon Gonzalez-Juanatey.
Para quem está, há anos, a observar a degradação do Serviço Nacional de Saúde, ouvi-lo, é uma lufada de ar fresco -  liderança por quem sabe, trabalho de equipa e muito pouca vaidade vã. Um paradigma que nos foge, a 178Km (1 hora e 50 minutos) deste Lethes fictício.

Depois, o abraço ao santo, a purificação pelo incenso, a “Cidade da Cultura” e as ruas da cidade.
Um tempo de encontros.


quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Oh Meeeeeeeeendes!


- Cá o tendes!
(Presidente do Conselho Consultivo da ULSAM)

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Crucifixo


Nunca entendi este icon da cristandade. Dá-me logo para pensar que se Cristo tivesse sido executado de outro modo, iria encontrar agora, na rua, alguém com uma jóia ao peito com Ele pendurado pelo pescoço numa corda, num cepo com um machado, num garrote, à frente de um pelotão de fuzilamento ou numa cadeira eléctrica, se tal acontecesse noutra época ou noutro local, já que são inúmeras as opções para pôr fim às dissidências.
Trouxe-te por seres em pau-preto e representante da arte africana, e pus-me às voltas contigo. Aqui não! Aqui também não! Ali ... definitivamente Não! Não ficas bem em nenhum canto desta casa. Pareces atrair maus humores. Lembras a traição e o oportunismo de quem te esteve próximo.
Se fosses positivo e nos inspirasses confiança,  eu arranjava-te um lugar. Assim ..., desculpa a viagem. Vais voltar à origem e ficar à espera de quem esteja disponível para o martírio, que é o fim provável dos espíritos sedentos de verdades absolutas.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Anjos





Victoria’s Secret Angels


Anjo, do latim angelus, significa mensageiro.
São criaturas espirituais belas, que ajudam a humanidade a aproximar-se de Deus. Existem em muitas religiões. Na iconografia comum, têm asas e uma auréola. 

São Tomás de Aquino (1225-1274) estabelece-lhes uma hierarquia.  De 1ª Ordem: 1. Serafins, 2. Querubins, 3. Tronos; de 2ª Ordem (Príncipes da Corte celestial):  4. Dominações, 5. Virtudes, 6. Potestades: de 3ª Ordem (anjos ministrantes): 7. Principados, 8. Arcanjos, 9. Anjos.

1: Serafins-  São os anjos mais próximos de Deus. Têm seis asas.
2: Querubins- São seres misteriosos, guardiões do trono de Deus. Movem-se em todas as direcções sem se voltar, pois possuem quatro faces: a de leão, a de touro, a de águia e a humana.
3: Tronos- o seu nome deriva do grego thronos, que significa "anciãos". São 24.

4: Dominações- regulam as actividades dos anjos inferiores. Têm  forma humana alada de beleza inefável. Auxiliam nas emergências.
5: Virtudes- são responsáveis pela manutenção do curso dos astros.  Possuem uma virilidade e poder inabaláveis. Estão encarregados de eliminar os obstáculos que se opõem ao cumprimento das ordens de Deus.  Estão associados aos heróis e aqueles que lutam em nome de Deus e da verdade.
6: Potestades- são os portadores da consciência da humanidade e os encarregados da sua memória colectiva.

7: Principados- Estão encarregados de receber as ordens das Dominações e Potestades e transmiti-las aos reinos inferiores. Guardam as cidades e os países, a fauna e a flora. 
8: Arcanjos- "anjo principal" ou "chefe" -  Miguel, Rafael e Gabriel.  Interpretam e iluminam as ordens superiores para seus subordinados.
9: Anjos- são os seres angélicos mais próximos do reino humano, o último degrau da hierarquia.

Resumido da wikipedia
...

As Victoria’s Secret Angels, não têm hierarquia. Têm nome: Izabel Goulart, Laetitia Casta, Daniela Pestova, Alessandra Ambrosio, Stephanie Seymour, Adriana Lima, Tyra Banks, Gisele Bundchen, Marisa Miller, Heidi Klum, 

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Requiem


Réquiem (do latim requiem, "descanso") é uma Missa fúnebre cantada, oferecida para o repouso da alma de uma ou mais pessoas falecidas.

.

domingo, 2 de novembro de 2014

Dia dos Fiéis Defuntos

Lembrar os mortos e visitar-lhes o túmulo. Uma forma de manifestar saudade, respeito e carinho, mas também um compromisso social e protocolar.


sábado, 1 de novembro de 2014

Vidas breves


Porque hoje é dia de lembrar os mortos, o pensamento foge-me para jovens profissionais de saúde do Hospital de Viana do Castelo, que nos deixaram precocemente.

João José Lima Pereira, 41 anos. Um bom amigo. Interno de Cirurgia Geral do último ano de especialidade, com muito para dar, como pessoa e como técnico. Em 1995 de "doença prolongada".







Ricardo Marques, 35 anos.
Assassinado em 20/06/1997 em Baidoa - Somália, onde integrava uma equipe dos «Médicos Sem Fronteiras». .
Tinha acabado a especialidade de Ginecologia e Obstetrícia e foi para uma terra onde é interdito a um homem ver o corpo de uma mulher que não seja a sua.


António Abel Leitão Neto Parra,  45 anos. Um bom amigo. Foi director da Farmácia do Hospital de Viana do Castelo. Vendia saúde e competência. Em 08/06/2000, de morte súbita quando todas as portas se lhe abriam.


José Manuel Loureiro Albuquerque Pinho (1955 – 2003) – Anestesista e vizinho da juventude.
Uma catástrofe abateu-se sobre aquela família com fortes raízes em Albergaria-a-Velha. Em poucos anos faleceram o pai (professor do ISCAP), a mãe (Assistente na Universidade de Farmácia do Porto), ele e dois irmãos (um médico que foi director do serviço de Gastrenterologia do Hospital de Santo António, e outro advogado). Cada um com a sua doença e todos no auge das suas carreiras. Só resistiu uma irmã.


José Torcato Jácome Passos, 45 anos. Cirurgião. "Foi também um activista político e, nessa qualidade, foi nomeado para o cargo de Director do Centro Hospitalar do Alto Minho" (entre 1999 e 2002).
Procurou mulher noutras culturas e teve uma vida complicada demais para esta cidade tão pequena. Sem pedra para essa grade, abandonou-nos em 2005.

Dra. Isabel Granado,  28 anos. Um passarinho que por aqui passou a caminho de Braga para aprender a tratar de outros passarinhos ainda mais pequenos.











Mas nem só de médicos se fizeram óbitos. Outros nos deixaram na força da idade.
Regina Pureza Leite (1958-1995)  - a primeira da minha era. Uma vaga lembrança de quem estava na secretaria da Farmácia, bonita, organizada, responsável.




Maria João Sousa Lima Carneiro (1971 - 1999). Um anjo à porta da Farmácia, apanhada pela gadanha quando lutava por dar mais vida à vida.

Eduardo Lopes Rodrigues (1964-2007). Um drama em muitos actos de um homem eficiente e discreto.
Enf Lúcia Cavalheiro (1965-1998) - sapato alto e passo curto para mostrar que se é profissional.

E outros, que a memória trai, e que também partiram. O Luciano, a Dra. Eugénia, ...
...
Tão depressa que o tempo anda!

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Quadros Vivos

A catequese é muito importante para converter e fortalecer a fé dos fiéis. As histórias e as parábolas (uma forma de ensino tipicamente judaico), foram muito utilizadas por Jesus para que o ouvinte pudesse entender e identificar-se com os conceitos transmitidos.
Para além da narrativa oral, outras formas são utilizadas desde o período paleo-cristão, para tornar a Mensagem de Cristo compreensível por todos. É o caso das imagens nos frescos e painéis de azulejos das igrejas que ilustram o nascimento ou a paixão de Jesus Cristo e os hinos cantados no culto.

Há também a tradição de construir "quadros vivos" – sem texto e com escassa movimentação dos intervenientes, que encenam, em poses plásticas,  a vida de Jesus, principalmente dos seus últimos dias (a paixão e morte), ou o seu nascimento – Presépios vivos.

Em 2002, o Hospital de Viana do Castelo foi palco de um desses eventos, a lembrar a Ressurreição dos “Contos da Montanha”, de Miguel Torga.
(Clique nas fotos para as aumentar)