quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Desafio
























O livro de Truman Capote - “A sangue frio” (1966) é a “narração verídica de um quádruplo assassínio e suas consequências”. Inicia-se com uma declaração que transcrevo:
“ O material contido neste livro não é produto da minha observação directa. Foi colhido em relatos oficiais ou é fruto de entrevistas com as pessoas envolvidas no caso, entrevistas essas na sua maioria bastante demoradas. Visto este “colaboradores” serem identificados no texto, inútil se tornaria nomeá-los; no entanto, quero exprimir-lhes a minha gratidão sincera porque, sem a sua paciente colaboração, impossível teria sido levar a cabo a tarefa. Também não vou estampar aqui a lista de todos os cidadãos de Finney County que, embora não sejam citados nestas páginas, ofereceram ao autor deste livro uma hospitalidade e uma amizade que ele só poderá retribuir mas nunca pagar. …”

O mundo é feito de grandes e de pequenas histórias, algumas com honras de “best sellers”, outras com honras de mesa de café, como são as que venho escrevendo, sempre cuidando em não identificar o personagem e o lugar, quando a situação merece este cuidado.

Ao fim destes dois anos, muitas das “histórias guardadas na memória” foram já aqui escritas e, embora outras possam ainda vir à mente, é chegada a altura de pedir aos meus leitores algumas das “suas histórias”, que possam ver “neste formato” e aqui, a luz do dia.
O mail é fasgomes2@gmail.com. O anonimato é uma garantia.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

No teu deserto
























Vieste como prenda de Natal. Li-te num dia.
Está bem. Dava-me vontade de te dizer : assim também eu! Tudo pago... , uma bela mulher ... , nada de compromissos ... , ... e uns anos depois contar, omitindo as partes quentes da história, e ainda ganhar umas massas.
A ser verdade o texto, ... foste fino!

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Àgora
























Ágora
era a praça principal da polis (a cidade grega) na antiguidade clássica. Era um espaço de mercado livre e de edifícios públicos, onde o cidadão grego convivia, onde ocorriam as discussões políticas e os tribunais populares. Era o espaço da cidadania.

Agora é o nome deste filme histórico de 2009, que conta a história da filósofa Hypatia de Alexandria (~350 – 415 DC), acusada de bruxaria e assassinada pela turba cristã, por não lhes ser entendível a dissidência cultural.

Uma lufada de ar fresco na “História que se vai contando”, reescrita mil vezes pelos vencedores.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Almoço de última hora












- Os teus pais não estão cá! Devem ter ido almoçar fora! Devíamos ter telefonado antes. Vamos a Santo Tirso, que é já aqui ao lado. Mete as miúdas no carro, que elas devem estar cheias de fome.

- Aqui no centro, deve haver um restaurante que nos sirva uma refeição rápida. Olha ali aquele Snack-bar!

- Está cheio, mas aquela mesa vai vagar!

- Esperem, meninas, enquanto o senhor levanta a mesa. Tenham calma!

O empregado, com um cheiro intenso a suor, levanta a louça suja, sacode a toalha com nódoas de vinho e de gordura, põe-na de novo na mesa e afasta-se para ir buscar um papel para lhe pôr por cima. Entretanto, pego na toalha e embrulho-a em cima da mesa, expondo-lhe o tampo de fórmica parcialmente destruído.
O empregado vem com o papel e espantado, questiona:
- Não quer toalha?

- ???!!! É melhor irmos embora, que estamos em 1980 e a ASAE só vai a aparecer em 2005!

sábado, 26 de dezembro de 2009

Fúria Divina
























José Rodrigues dos Santos é o Dan Brown português.

É um romance que ensina qualquer coisa sobre o fundamentalismo islâmico. Tem 608 páginas em letra gorda de fácil leitura.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Uma heroína
























Dou-te valor. Poucas fariam o que fizeste. Lidar com a toxicodependência e sair vitoriosa, é coisa rara. Sem baixares a guarda, opuseste-te à indignidade que as recaídas e as mentiras te traziam porta adentro, e viveste os desgostos sem mostrar fraquezas que lhe facilitassem esse mundo onde se afundava.
Foste forte na altura certa e disponível sempre que viste um caminho possível. Empenhaste-te para pagar tratamentos, e obrigaste-te a frequentar os Toxicodependentes Anónimos para perceberes os como e os porquês, e te adequares àquela realidade.

Agora tens sessenta anos, e a mesma vida com que te conheci aos vinte. Continuas alegre, bonita e cuidada, pese embora todo esse passado que te pôs no limite da resistência.
O teu primeiro casamento com um imaturo, deixou-te esse filho com um ano nos braços. Criaste-o no meio de dificuldades, e foste surpreendida quando o pensavas a divertir-se de surfista.

És uma heroína.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

No Serviço de Urgência














- Oh Luís. O homem pode queixar-se de tonturas, mas se ele não saía daqui tão depressa, quem caía para o lado era eu!, digo para o interno que está comigo neste dia.
- Mas porquê, Dr?, pergunta ele, estranhando o meu dito.
- Porque ele cheira que tolhe! Ele tem um cheiro que lembra uma estação da CP das antigas, aumentado 30 vezes. Tu perguntaste-lhe se ele caiu nalgum lado ou se andou a esfregar algum produto no corpo?
- Não! Mas vou já perguntar!
, e de imediato saiu, para voltar com ar satisfeito minutos depois.
- Bingo! O homem andou a aplicar um produto que comprou na Casa do Lavrador, para matar "os carrapatos"dos animais!
- E porquê?
- O fulano é trolha. Há um mês foi às meninas, e veio de lá com uma camada de chatos das antigas. Primeiro, foi à Farmácia, e o farmacêutico deu-lhe um líquido que não lhe resolveu o problema, e vai daí ele foi à Casa do Lavrador lá da terra, dizer que tinha "carrapatos" nos bois, e a "engenheira" deu-lhe aquele produto para deitar em 50 litros de água e pôr nos bichos!
- Que produto era?
- Ele diz que se chamava Tic Tac!
- Tic Tac? Não será Taktic (Amitraz)?! E como é que ele fez?
- Deitou 20 litros de água na banheira e metade do frasco e ontem e hoje meteu-se lá dentro 15 minutos e só se secou, daí o cheiro. Mas não contente com isso, andou a passar "Mafu líquido" pelos locais onde tinha mais comichão.
- E a mulher dele não deu por nada?,
pergunto ainda a estranhar aquele cenário.
- Ele é solteiro e vive só!
- Graças a Deus! ... Manda dar-lhe um banho de alto a baixo, muda-lhe a roupa e pede-lhe umas análises que isso, apesar do cheiro, não tem grande toxicidade. Olha! ... de caminho, abre a janela!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Mudar



















Mudar foi um imperativo da 2ª metade do século XX, uma vez que a disponibilização de novas tecnologias nos objectos de uso corrente lhes deu novas funcionalidades, facto acrescido da maior facilidade na produção ter transformado bens de consumo esporádico em consumíveis.
Abandonaram-se assim algumas boas práticas de "consertar", para dar lugar a um estar de "substituir", mesmo quando o “avanço” tecnológico não só não trazia benefício, como até dificultava o uso.

Este sentimento influenciou as relações interpessoais, e facilitou o conceito de substituir pessoas sem medir as consequências dessa mudança, pois frequentemente a pessoa que resolve melhor um problema, tropeça em muitos outros que anteriormente estavam cobertos.

Resolver problemas criando outros maiores, … qualquer um faz, é como ter a faca e o queijo na mão, ... e cortar a mão!.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Os nossos Cérebros

Existem diferenças entre o cérebro do homem e da mulher?
- Só nas funções cerebrais relacionadas com as emoções vinculadas ao sistema endócrino. Mas quanto às funções cognitivas, não tem qualquer diferença.
Drª Rita Levi Montalcini

sábado, 19 de dezembro de 2009

Ana Moura

Nasceu em Coruche, 1979.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Também está bem!
























Nem mais. Era assim que ele entendia a coisa. O que era preciso era dar resposta, … qual?, não interessava, desde que fosse … uma resposta. Então no Serviço de Urgência, que ele, nesse dia, chefiava, a sua preocupação era mesmo ... “despachar!”.
Chegava-se aos doentes como que a cheirá-los e, num ápice, decidia o modo de os pôr de ali para fora. A maior parte para a rua, “com alta" e, de vez em quando, quando o pobre mal dava acordo de si, para o internamento, com a sua fórmula mágica para todas as doenças “Ralopar e Noostan”.
Era marginal a sua preocupação em identificar doenças e individualizar soluções, pois todos os “ais” lhe soavam ao mesmo, classificando muitos como “do 5º andar” para, depois de uma lambuzadela, os aviar sumariamente com um qualquer remédio para a Farmácia.
Se tudo estava calmo, escolhia na Triagem fichas de mulheres jovens, para “matar o ócio”. Se a afluência era grande, “despachava” com “terapêutica ao sintoma”. Se sabia da chegada de um doente grave, corria a ver-lhe o aspecto e, se esse não fosse famoso, desinteressava-se e ia, diligentemente, para a secretária passar-lhe a Certidão de Óbito, ... “para ganhar tempo”.
- “Oh, Dr. No! O homem dessa certidão está muito melhor e até fala!”, ter-lhe-ão dito um dia, numa dessas situações. - “Ah, é?”, levantou-se, e rasgou o papel, com o mesmo à vontade com que o iniciara.

Mas adiante, que os muitos anos de má prática “tinham-lhe empedernido o coração e facilitado a ousadia”, e ele só assim fazia, porque aquele limbo de impunidade sempre o permitira.
Nesse dia andara de um lado para o outro, preocupado com a falta de macas. “-Este aqui? É para o Rx?, e este?, é para OBS”, perguntava enquanto empurrava as macas de um lado para o outro. –“E essa aí, Dra.”, virado para uma colega nova que diligentemente procurava esclarecer uma violenta dor cabeça numa mulher que chorava no corredor, - “Essa, … é tudo do 5º andar! É para mandar embora!”, ordenava como um sargento numa parada.
- “Oh, Dr. No! Não é para mandar embora. É para transferir para o Hospital de S. João, para observação por Neurologia, que ela tem sinais de hipertensão intracraneana!”, respondeu-lhe a médica. E ele, sem se desmanchar, a partir para nova asneira:
-“Também está bem!”

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Rickie Lee Jones

Rickie Lee Jones nasceu em Chicago em 1954.



quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Traição























Traição é a quebra ou violação de um suposto contrato social, ou da confiança, que produz conflitos morais e psicológicos dentro de um relacionamento entre indivíduos, entre organizações ou entre indivíduos e organizações. Geralmente a traição é o acto de apoio a um grupo rival, ou uma ruptura completa com uma decisão anteriormente tomada ou uma troca das normas de um grupo pelas de um outro.
in Wikipedia


A traição é uma arma disponível apenas nas mãos de quem gostamos.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Bibliotecas



Encontramos livros em bibliotecas e livrarias. Reunidos num só local, os livros assemelham-se a um exército ameaçador a perfilar-se a toda a volta a clamar por serem lidos. No seu meio, um leitor pouco regular sente-se como um bêbado no meio de uma manada de zebras em pleno galope. Tudo se lhe confunde. A quantidade dos livros intimida-o e recorda-o de tudo quanto não sabe. Estas toneladas de conhecimento são a medida da sua ignorância. Escolher um, abri-lo e começar a lê-lo parece-lhe um empreendimento ridículo. Recorda-lhe a tentativa de esvaziar um oceano com um dedal. A simples visão de uma prateleira desmoraliza-o.

Nenhum utilizador de bibliotecas as sente desta forma. Apenas vê o livro que utiliza naquele momento, e talvez mais alguns da mesma família. Os outros, vê-os, tanto ou tão pouco, como o jovem que se dirige a um encontro com uma rapariga, se apercebe da quantidade de pessoas que passam ao seu lado na avenida. ….
in "Cultura" de Dietrich Schwanitz

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Cristina Branco



Cristina Branco (1972 - …) a dar uma cor de esquerda ao fado

domingo, 13 de dezembro de 2009

Indecisões



Naquele dia, saíra de casa determinado a pôr um fim naquela indecisão. Entrou-lhe pelo gabinete adentro, e questionou-o: -“Em que ficamos? Vem ou não vem?”, e mais uma vez ouviu que estava dependente do seu chefe, e que ele “umas vezes dava uma no cravo e outra na ferradura” …
Então, não se conteve, e disse-lhe:
- Se calhar, é por tu não estares quieto com o pé!”

sábado, 12 de dezembro de 2009

Fernando




Can you hear the drums Fernando?
I remember long ago another starry night like this
In the firelight Fernando
You were humming to yourself and softly strumming your guitar
I could hear the distant drums
And sounds of bugle calls were coming from afar

They were closer now Fernando
Every hour every minute seemed to last eternally
I was so afraid Fernando
We were young and full of life and none of us prepared to die
And I'm not ashamed to say
The roar of guns and cannons almost made me cry

There was something in the air that night
The stars were bright, Fernando
They were shining there for you and me
For liberty, Fernando
Though we never thought that we could lose
There's no regret
If I had to do the same again
I would, my friend, Fernando

Now we're old and grey Fernando
And since many years I haven't seen a rifle in your hand
Can you hear the drums Fernando?
Do you still recall the fateful night we crossed the Rio Grande?
I can see it in your eyes
How proud you were to fight for freedom in this land

There was something in the air that night
The stars were bright, Fernando
They were shining there for you and me
For liberty, Fernando
Though we never thought that we could lose
There's no regret
If I had to do the same again
I would, my friend, Fernando

There was something in the air that night
The stars were bright, Fernando
They were shining there for you and me
For liberty, Fernando
Though we never thought that we could lose
There's no regret
If I had to do the same again
I would, my friend, Fernando
Yes, if I had to do the same again
I would, my friend, Fernando...


Consegues ouvir os tambores, Fernando?
Lembro-me de há muito tempo numa noite estrelada como esta
Na luz do fogo, Fernando
Tu estavas cantarolando e suavemente dedilhando o teu violão
E eu ouvia os tambores distantes
E o som de chamada dos cornetins estava a vir de longe

Eles estavam mais perto agora, Fernando
Cada hora, cada minuto pareciam durar eternamente
Fernando, eu estava com tanto medo
Nós éramos jovens e cheios de vida e nenhum de nós estava preparado para morrer
E eu não tenho vergonha de dizer
Que o rugido das armas e dos canhões quase me fez chorar.

Havia algo no ar naquela noite
As estrelas estavam brilhantes, Fernando
E estavam a brilhar lá para ti e para mim
Pela liberdade, Fernando
Apesar de nunca pensarmos que poderíamos perder
Não há ressentimento
Se eu tivesse que fazer o mesmo novamente
Eu faria, meu amigo, Fernando

Fernando, Agora estamos velhos e grisalhos
E desde há muitos anos eu não te vejo um rifle na mão.
Consegues ouvir os tambores Fernando?
Ainda te lembras daquela noite fatídica, em que cruzámos o Rio Grande?
Eu posso ver isso nos teus olhos.
Como estavas orgulhoso em lutar pela liberdade nesta terra.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Os Puritanos
























O Papa Leão X precisava de dinheiro para a Basílica de S. Pedro e, por isso, mandou os seus vendedores de indulgências calcorrear os quatro cantos do mundo. Eram monges mendicantes que vendiam certificados papais atestando o perdão de todos os pecados, a quem tivesse dinheiro para lhes dar. Os príncipes não gostaram de ver tanto dinheiro a deixar os bolsos dos seus súbditos e a desaparecer nos cofres do Santo Padre. Leão X só conseguiu convencê-los a licenciarem-lhe o negócio das indulgências, prometendo-lhes uma participação nos lucros. Ao fazê-lo, esqueceu-se de Frederico de Sabóia, que sabiamente proibiu esse negócio na sua terra. Mas, um monge dominicano chamado Tetzel, plantou-se na fronteira de Sabóia, onde acorreram as pessoas da cidade próxima de Wittenberg, que compraram ao ouvir o seu slogan publicitário: “Mal o dinheiro na caixa ressoe, a alma para o céu saltou!”. Mas, como tinham dúvidas quanto à validade teológica dos ditos certificados, acorreram à Universidade de Wittenberg a fim de pedir ao professor de serviço que lhes confirmasse a respectiva legitimidade. O professor recusou prestar-se a tanto. O seu nome era Martinho Lutero.
No dia seguinte afixou na porta da igreja um cartaz em que justificava a sua recusa e, a fim de chegar a um público mais alargado, deu-se logo ao trabalho de as traduzir do latim para o alemão. Tudo isso aconteceu no dia 31 de Outubro de 1517. Ainda hoje os protestantes celebram esse dia como o dia da Reforma.

A reacção do establishment não se fez esperar (Lutero era um vigário geral, ou seja, era um chefe da administração episcopal) e foi chamado a retratar-se, só que teve o apoio dos seus colegas da Universidade e da população, e desencadeou um movimento que iria definir a diferença entre o norte (protestante) e o sul (católico) da Europa. É que as propostas de Lutero não se referiam apenas a questões religiosas mas também a uma reforma geral na moralidade pública.
Fez do sermão o centro do serviço religioso, retirou aos padres o privilégio de se apresentarem como mediadores entre Deus e os homens, responsabilizando assim cada um perante Deus.

O movimento social despertado por algumas das suas facções, iria ser determinante da evolução política do mundo ocidental. “Sem o puritanismo, a Inglaterra não se teria convertido na vanguarda da modernização” e "sem o seu espírito, os USA não se teriam transformado numa potência mundial".
in "Cultura" de Dietrich Schwanitz
O sul da Europa e as zonas sob sua influência que se mantiveram fiéis ao Papa e à “má moral”, estagnaram num mínimo de rigor, o que ainda é patente na facilidade com que se aceita o oportunismo e o desenrasca.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Novos projectos
























Os programas são listas de boas intenções.
Não é possível reformar, sem reformar a informação de modo a que ela revele a eficiência dos serviços, a qualidade dos cuidados prestados, o acesso.
Uma informação transparente, conhecida não só dos gestores, mas também do cidadão.
Uma reforma «não se pode confinar à mera consagração de novas siglas”…
Constatino Sakellarides
......
- “Vais para Viana do Castelo? Cuida-te. É que lá transforma-se o Idiopático em Iatrogénico!”

Era e é como em todo o lado. Não se mede.
Este é um dos pontos onde tem de haver mudança, disponibilizando informação para os profissionais e para o público, mesmo que se tenha de aprender a viver com ela.
Medir o tamanho das listas de espera pode ter a sua importância, mas há muita outra informação que é tão ou mais importante e que fica por dar, como a título de exemplo: Mortalidade perioperatória e até aos 30 dias das grandes cirurgias electivas (programadas) efectuadas. Erros de diagnóstico que motivaram grandes gestos terapêuticos. Complicações evitáveis nos procedimentos de diagnóstico e tratamento. Admissões e dias de internamento injustificados.

E porque é que são importantes estes dados?
Para que a Gestão possa ser responsabilizada por não implementar medidas que proporcionem condições seguras para os doentes e para os profissionais que aí desenvolvem suas actividades de trabalho.
Para os Leigos:
Iatrogénico - Diz-se de uma perturbação ou de uma doença que é provocada pelo médico ou no decurso de intervenções diagnósticas ou terapêuticas.
Idiopático é um adjectivo usado em medicina com osignificado de "causa obscura ou desconhecida".

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Cidadania
























A História, com a participação ou omissão de todos, vai-se escrevendo para registo das nossas capacidades e vergonhas.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Malambo



No Malambo o dançarino faz uma série de movimentos com os pés, chamadas mudanças, que dão individualidade e valor ao executante.
Dançavam-na os gaúchos das pampas argentinas, numa exibição das suas capacidades físicas, numa espécie de torneio dançante que, por vezes, se prolongava por mais de 6 horas.

É um bom modo de dar azo à masculinidade e de gastar testosterona.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Currupção na Administração Pública


















Em Portugal a corrupção está intimamente ligada a factores culturais, que acentuam a grave crise de moralidade política.

A cultura de corromper e ser corrompido atinge níveis alarmantes e é uma das maiores causas da pobreza. A opinião pública é, nessa matéria, uma fonte de constatação extremamente válida.
Há registos de práticas de corrupção em toda a História, mas numa sociedade marcada pela "competição", ela causa uma tão grande distorção que a torna ingovernável.

Existe Corrupção na Administração Pública quando há desvio por parte de um funcionário dos deveres formais do cargo, na busca de recompensa para si ou para outros, violando o bem comum.
O funcionário não é corrupto a todo o tempo, mas quando a oportunidade lhe proporciona mais benefício que custo.

Há várias formas de corrupção:
a) "a excepcionalidade da aplicabilidade", como forma de adoptar como regra as excepções à regra legal, visando beneficiar alguém ou algum grupo dominante;
b) a "ficção da isonomia", adoptando pesos e medidas diferentes na apliação da lei, para beneficiar pessoas ou grupos dominantes;
c) "tráfico de influência", que consiste na troca de favores com ou entre os burocratas, à custa do erário público;
d) "o poder militar politizado", ou seja, a subversão do poder militar que, ao invés de servir de garantia da segurança contra ameaças externas, trabalha contra as "ameaças" internas, mediante um acerto entre as elites militares e civis;
e) "o jeito" (ou jeitinho) onde quem o concede não é incentivado por nenhum ganho monetário ou pecuniário, sendo levado a fazê-lo por razões de ordem cultural e psicológica, historicamente enraizadas;
f) "a corrupção" em sentido estrito, que é definida na legislação penal, englobando também a figura da concussão;
g) o "clientelismo", que é uma forma de favorecer elites na distribuição de recursos públicos;
h) as formas de procrastinação do feito, que são táticas de protelar a decisão;
i) a própria ineficácia da lei (as pessoas tendem a afirmar que "umas pegam, outras não");
j) a ficção da hierarquia no sistema oficial, muito comumente invocada para o pisoteio de direitos adquiridos.

No Moderno Estado Democrático de Direito, o Ministério Público passou a ser concebido como instituição de defesa da Sociedade, devendo actuar inclusive – e especialmente - contra o Estado, considerando-se que hoje este, com frequência, violenta direitos fundamentais em nome da política económica neoliberal.

A sua acção deve ter um carácter ético-pedagócico, induzindo na sociedade um maior envolvimento com a coisa pública.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Segurança em ambiente hospitalar


Os avanços tecnológicos nos cuidados dispensados aos doentes têm-se vindo a aperfeiçoar, mas o amplo uso desses recursos fez também com que fosse introduzido nos hospitais uma complexidade geradora de riscos, pelo aumento da possibilidade de erros.
Acidente no ambiente hospitalar é um facto que envolve os profissionais, os doentes, os visitantes, as instalações e os equipamentos. Muitos deles acarretam prejuízos que dão origem a acções legais.

O principal objectivo de um hospital é a prestação de serviços na área da saúde, com qualidade e eficiência.
Isto não pode ser alcançado sem a administração efectiva de um programa de prevenção de acidentes, que proporcione condições seguras para os doentes e para os profissionais que aí desenvolvem suas actividades de trabalho.

O Hospital deve desenvolver continuamente essa política, assegurando que os gestores e os funcionários estejam cientes de suas responsabilidades na redução de riscos e acidentes.
Devem se promovidas e reforçadas práticas seguras de trabalho e proporcionados ambientes livres de riscos, de acordo com as obrigatoriedades da legislação.
A complexidade da segurança hospitalar, exige um tratamento multiprofissional, tanto na tomada de decisões técnicas, como nas administrativas, económicas e operacionais.

Os diversos profissionais, em especial os gestores e directores, devem analisar os seguintes aspectos:
a.
Se as obrigações legais referentes a segurança do trabalho estão a ser cumpridas e se resultam em níveis de segurança aceitáveis.
b. Se os profissionais da área clínica estão a utilizar os equipamentos tecnologicamente compatíveis com a solicitação e se sabem lidar com eles adequadamente.
c. Se existem no hospital, programas de treino e reciclagem adequados para uso da tecnologia médica.
d. Se o hospital possui equipe de manutenção e se essa equipe possui os recursos necessários para a manutenção de equipamentos médicos e de infra-estrutura. Se é realizada a manutenção preventiva dos equipamentos vitais.
e. Se possui Brigada Contra Incêndio, se possui sistemas automáticos para extinção de incêndio e se são eficientes e suficientes.
f. Se possui gerador de energia eléctrica de emergência.
g. Se os custos gerados com acidentes envolvendo funcionários e doentes no ambiente hospitalar estão compatíveis com os investimentos feitos nas áreas de aquisição, treino e uso de tecnologias.
h. Se os funcionários usam os equipamentos de segurança, se são suficientes e se os riscos ambientais estão identificados e corrigidos.
i. Se os funcionários utilizam adequadamente as suas ferramentas de trabalho e se são suficientes para garantir o funcionamento seguro dos equipamentos e sistemas.
j. Se os doentes e visitantes recebem algum tipo de orientação sobre como agir em caso de incêndio.
k. Se existem no hospital, profissionais com dedicação exclusiva na área de segurança.
l. Se existem no hospital todos os projectos de arquitectura e engenharia actualizados que possibilitem a tomada de decisões com maior precisão e segurança.
m. Se o hospital possui planos de emergência para enfrentar situações críticas como falta de energia eléctrica, água, incêndio e inundações.
n. Se existe no hospital uma lista de empresas prestadoras de serviços, que estejam aptas a prestar serviços aos equipamentos e instalações de acordo com as normas de segurança aplicáveis
o. Se existe no hospital a ficha cadastral dos equipamentos existentes que indique a periodicidade dos testes de segurança e de desempenho dos mesmos.
p. Se são feitas, frequentemente, pelo menos mensalmente, reuniões com a comunidade de saúde, para discutir problemas de segurança existentes na sua unidade de saúde?

Todos os níveis de gestão devem, constantemente, reforçar as regras e regulamentos de segurança, estar alerta e identificar as práticas e condições inseguras, tomando, imediatamente, atitudes apropriadas para corrigir irregularidades.
Os gestores e os directores têm a responsabilidade de zelar para que ambos, ambiente e funcionário, se apresentem em condições adequadas de segurança e devem considerar a prevenção de acidentes como uma parte normal das suas actividades rotineiras.

Responsabilidades legais: Quando se trata de segurança e saúde a negligência pode ser a principal causadora de acidentes, provocando grandes danos e até a morte. É necessário estar atento para que o descuido. Negligência é a falta de precaução, de diligência, de cuidados no prevenir dos danos.
Para que ocorra resultado penal, é necessário que haja uma relação de causalidade. Assim o resultado, que depende da existência de crime, somente é imputável a quem lhe deu causa. Considera-se causa a acção ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido.
A negligência manifesta-se, via de regra, através da omissão e torna-se penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para evitar o resultado. Os crimes omissos são aqueles em que o agente deixa de fazer algo produzindo dessa forma, incidentes não esperados.

Tudo isto é tirado daqui, mas tem plena aplicação em Portugal.
É um risco aceitar responsabilidades num sistema em que se não garantam um mínimo destes pressupostos.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Sentimento de perda ?
























O modelo de Kübler-Ross descreve os cinco estádios que se percorrem num processo de perda.
1: Negação: “Isto não me pode estar a acontecer!”
2: Revolta: “Porquê eu? Não é justo!”
3: Lamentação: “Podiam, ao menos, deixar …”
4: Depressão: “Estou triste, porquê preocupar-me com o que quer que seja?”
5: Aceitação: “O mundo há-de continuar a girar!”

Eu percorro diariamente a escala do 1 ao 5.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Exame de Pediatria













A prova, até ali, não tinha corrido mal, e mesmo às perguntas mais difíceis tinha dado uma resposta satisfatória. Sentia que já tinha a cadeira feita e toda aquela tensão muscular começava a dissipar-se, ajustando-me aos poucos o corpo à cadeira.
Era à assistente a quem competia fazer a última pergunta. Olhou primeiro para o professor como que a perguntar “- Posso?”, e depois com ar de quem quer uma resposta breve e concisa, pergunta-me:
- "Oh. Dr. Eduardo, diga-me qual é a carência vitamínica que, na fibrose cística da criança, se pode manifestar por arreflexia e anemia hemolítica".
Aquilo pareceu-me uma pergunta para o “vinte”. Pensei, e sem solução arrisquei:
- “Vitamina A!”
- “Não!”, exclamou, enquanto baixava os olhos e abanava a cabeça.
- “Então é uma do complexo B!”, afirmo confiante, pois só aí eram doze de uma vez.
- “Não, Não é!", responde-me, enquanto olha para o professor, como a perguntar “acabamos aqui?”. E, naquele espaço, decido, num pim-pam-pum, tentar acertar entre a C, a D, a E, e a K que faltavam.
- “Só se for D?” digo num repente. E, de súbito, o professor levanta-se e vai para janela, e ela diz-me com ar ríspido.
- “Vá-se lá embora, o seu exame acabou!”
E só então percebi o que tinha dito.
História de E.D.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

"Afirma Pereira"




O Livro, foi escrito em 1993 e mereceu dois prémios literários italianos.






















O Filme, realizado em Lisboa por Roberto Faenza em 1996, tem como actor principal Marcello Mastroianni, numa das suas últimas aparições cinematográficas. Conta com os actores portugueses Joaquim de Almeida, Mário Viegas e Nicolau Breyner e tem banda sonora de Ennio Morricone, que escreveu para Dulce Pontes A Brisa do Coração.
Antonio Tabucchi nasceu em 1943, em Pisa, Itália. Traduziu e dirigiu a edição italiana da obra de Fernando Pessoa.

"Afirma Pereira" é uma história que pergunta qual é o nosso limite para o medo e para a tolerância.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A Vida dos Outros























Filme alemão vencedor do Oscar 2007 para melhor filme estrangeiro.
A história acontece em 1984 (como alusão ao livro de George Orwell ?) numa Alemanha ainda dividida pelo Muro de Berlim. O governo oriental usa a Stasi - a polícia política da República Democrática Alemã - e também informantes civis, que correspondiam a mais de 2% da população da cidade, para impor o controle político, mas também para benefício próprio.
A Vida dos Outros trata da progressiva desilusão de dois homens, Dreyman e Wiesler, com aquilo em que mais acreditavam.

A desilusão é um dos modos para as pessoas mudarem.
E logo havia de me aparecer este filme, hoje, no DVD.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

“Après moi, le déluge”
























O Serviço Nacional de Saúde criado 15 de Setembro de 1979, com a Lei 56/79, tem como filosofia que “o direito à protecção da saúde é um bem colectivo que deve ser partilhado por todos em condições de perfeita igualdade, e que cabe ao governo defendê-lo e dotá-lo dos recursos adequados, na proporção ponderada das demais necessidades do Estado”.

Os Hospitais, EPE, têm como accionistas o Ministério da Saúde (50%) e o Ministério das Finanças (50%), e é deles que dependem directamente.

Como empresa, é fundamental que as contas ao fim do ano “batam certo”, mas os seus objectivos são outros. O seu desenvolvimento não se faz com gestores de confiança política, que circulam entre as diferentes áreas onde o Estado tem actividades, como se o mais importante, fossem as contas.
É que este estar não promove a competência e facilita o autoritarismo a quem sabe dar os números “certos” e jogar nas margens nebulosas do tráfico de influência. Depois só tem de afinar o discurso, repetindo as palavras (dignidade, confiança, trabalho de equipe, objectivos, …) com ar determinado.

É que a qualidade da gestão não se repercute no imediato, e só ao fim de muitos meses se nota a queda na segurança dos serviços.

sábado, 28 de novembro de 2009

Cogumelos

Nascem como cogumelos (que são) nos paus que ponho a decorar o jardim e aproveitam-se da minha ignorância para ir por aí fora, confiantes de que os não irei comer.















Mas vão-me obrigar a um estudo para os meter no tacho. É que isto de chegar e não pagar renda tem de ter um fim!

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

O Acólito













Aquele senhor público tem um acólito que o segue meio curvado (como lhe compete) para lhe dar os números que o fazem feliz. Vestiu-lhe um fato e gravata e tornou-o indispensável para lhe abrir as portas.
Filiou-o, empurrou-o para um cursilho de Gestão, e transformou-o num soturno homem de "sucesso"!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

No "Privado" ORL~1995
















- Eh pá, tu nem queiras saber o que me aconteceu! Imagina tu, que logo que a anestesiei localmente, ela começa a revirar os olhos e a ficar fria!
- E tu, que fizeste?
- Liguei o 112, e pus-me a dar-lhe uma chapadinhas na cara! Que é que querias que fizesse?
- Mas viste se tinha pulso e se respirava? Mediste-lhe a TA?
- O pulso mal se sentia, e não tinha ali um esfigmomanómetro .
- Então não tinhas?! Está na primeira gaveta da secretária!
- E depois para que me servia?
- Se ela estivesse hipotensa podias pôr-lhe um soro a correr rápido enquanto esperavas!
- Mas eu não tinha lá isso!
- Na prateleira do armário está lá uma caixa que diz Emergência, onde tens soros e medicação para essas situações. Está lá há anos e está sempre actualizada.
- É pá! Não sabia! Eu vi lá uma caixa, mas como não era minha, nunca lhe liguei. A minha sorte foi que aquilo não passou de um desmaio. Foi para a Urgência e ainda lá esteve umas horas. Mas olha lá, se aquilo fosse uma reacção grave à injecção o que é que eu podia fazer?
- Primeiro devias fazer o que fizeste, que era chamar o 112. Depois devias ter avaliado se ela precisava de manobras de Suporte Básico de Vida e fazê-las com a ajuda da empregada, e depois devias ter usado a disponibilidade que ali havia: soros, medicação …, esta primeiro se …, depois aquela se …, aqueloutra se … de acordo com o que fosses observando.
- Isso é muito difícil! Não me vou lembrar dessas coisas todas. Olha, se me voltar a acontecer, vou à caixa, espalho tudo, enfio-lhe uma agulha na pele, abro o soro e parto as ampolas, e ninguém me vai chatear a dizer que eu não fiz nada!
Sorri, sem saber que valor dar à resposta!
Passados estes anos e conhecendo-lhe o percurso, estou convencido que não era uma chalaça!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

O conhecimento


























"Os iluminados e as suas fraternidades testemunharam aquela crescente maldade, e viram que a humanidade não usava o conhecimento para o bem da sua espécie. Por isso o esconderam, para o manterem a salvo dos olhos dos indignos". Dan Brown in "O simbolo perdido"

"Nem todas as palavras são para todos os ouvidos". Umberto Eco in "O Nome da Rosa"

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Abraço mortal


Há anos, um médico galego contou-me o seguinte dito, comum na sua terra: "Se a tua mulher pedir para te atirares da janela abaixo, reza para morares num rés-do-chão!"
Tenho-o repetido, porque acho que contém muita verdade.

Mas... não é só no casamento que estas obrigações se sentem.
Nas Instituições, estas supostas "lealdades" podem afectar o viver de muita gente.

A esses, eu (por ser boa pessoa) desejo que morem num vigésimo quinto andar.

domingo, 22 de novembro de 2009

Mortalidade Hospitalar

É assim que se morre num serviço de Medicina de um Hospital (102 camas).
No 1º semestre de 2009 - 187 óbitos em 1888 internamentos – 10%.
A maior parte são idosos com grande deterioração da saúde e que morre após várias vindas ao Hospital.























Os mais novos, leva-os o álcool, os excessos (aterosclerose) e de vez em quando o cancro.























Não vi mortes por doenças infecciosas em gente saudável (mas também não as tinha que ver neste serviço), como também não vi mortes inesperadas, embora tenha tido dificuldade na leitura dos registos em quatro situações.

A maioria ocorreu na primeira semana após a admissão. Eram sete dias que poderiam ser passados perto de quem lhes teria afecto. Assim morreram no meio de desconhecidos com a promessa vã de mais uns dias de vida.
Parte importante da resolução deste problema, passa pela organização de um serviço domiciliário efectuado pelo Hospital, que também solucionaria muitos outros problemas.

sábado, 21 de novembro de 2009

Armando Vara por Miguel Sousa Tavares



"O Factor Vara"
Toda a “carreira”, se assim lhe podemos chamar, de Armando Vara, é uma história que, quando não possa ser explicada pelo mérito (o que, aparentemente, é regra), tem de ser levada à conta da sorte.
Uma sorte extraordinária. Teve a sorte de, ainda bem novo, ter sentido uma irresistível vocação de militante socialista, que para sempre lhe mudaria o destino traçado de humilde empregado bancário da CGD lá na terra. Teve o mérito de ter dedicado vinte anos da sua vida ao exaltante trabalho político no PS, cimentando um currículo de que, todavia, a nação não conhece, em tantos anos de deputado ou dirigente político, acto, ideia ou obra que fique na memória. Culminou tão profícua carreira com o prestigiado cargo de ministro da Administração Interna - em cuja pasta congeminou a genial ideia de transformar as directorias e as próprias funções do Ministério em Fundações, de direito privado e dinheiros públicos. Um ovo de Colombo que, como seria fácil de prever, conduziria à multiplicação de despesa e de "tachos" a distribuir pela "gente de bem" do costume. Injustamente, a ideia causou escândalo público, motivou a irritação de Jorge Sampaio e forçou Guterres a dispensar os seus dedicados serviços. E assim acabou - "voluntariamente", como diz o próprio - a sua fase de dedicação à causa pública. Emergiu, vinte anos depois, no seu guardado lugar de funcionário da CGD, mas agora promovido por antiguidade ao lugar de director, com a misteriosa pasta da "segurança". E assim se manteve um par de anos, até aparecer também subitamente licenciado em Relações Qualquer Coisa por uma também súbita Universidade, entretanto fechada por ostensiva fraude académica. Poucos dias após a obtenção do "canudo", o agora Dr. Armado Vara viu-se promovido - por mérito, certamente, e por nomeação política, inevitavelmente - ao lugar de administrador da CGD: assim nasceu um banqueiro.
Mas a sua sorte não acabou aí: ainda não tinha aquecido o lugar no banco público, e rebentava a barraca do BCP, proporcionando ao Governo socialista a extraordinária oportunidade de domesticar o maior banco privado do país, sem sequer ter de o nacionalizar, limitando-se a nomear os seus escolhidos para a administração, em lugar dos desacreditados administradores de "sucesso". A escolha caiu em Santos Ferreira, presidente da CGD, que para lá levou dois homens de confiança sua, entre os quais o sortudo dr. Vara. E, para que o PSD acalmasse a sua fúria, Sócrates deu-lhes a presidência da CGD e assim a meteórica ascensão do Dr. Vara na banca nacional acabou por ser assumida com um sorriso e um tom "leve".
Podia ter acabado aí a sorte do homem, mas não. E, desta vez, sem que ele tenha sido tido ou achado, por pura sorte, descobriu-se que, mesmo depois de ter saído da CGD, conseguiu ser promovido ao escalão máximo de vencimento, no qual vencerá a sua tão merecida reforma, a seu tempo. Porque, como explicou fonte da "instituição" ao jornal "Público", é prática comum do "grupo" promover todos os seus administradores-quadros ao escalão máximo quando deixam de lá trabalhar. Fico feliz por saber que o banco público, onde os contribuintes injectaram nos últimos seis meses mil milhões de euros para, entre outros coisas, cobrir os riscos do dinheiro emprestado ao sr. Comendador Berardo para ele lançar um raide sobre o BCP, onde se pratica actualmente o maior spread no crédito à habitação, tem uma política tão generosa de recompensa aos seus administradores - mesmo que por lá não tenham passado mais do que um par de anos. Ah, se todas as empresas, públicas e privadas, fossem assim, isto seria verdadeiramente o paraíso dos trabalhadores!
Eu bem tento sorrir apenas e encarar estas coisas de forma leve. Mas o “factor Vara” deixa-me vagamente deprimido. Penso em tantos e tantos jovens com carreiras académicas de mérito e esforço, cujos pais se mataram a trabalhar para lhes pagar estudos e que hoje concorrem a lugares de carteiros nos CTT ou de vendedores porta a porta e, não sei porquê, sinto-me deprimido. Este país não é para todos.

P.S. - Para que as coisas fiquem claras, informo que o Sr. (ou Dr.) Armando Vara tem a correr contra mim uma acção cível em que me pede 250 000 euros de indemnização por "ofensas ao seu bom nome". Porque, algures, eu disse o seguinte: "Quando entra em cena Armando Vara, fico logo desconfiado por princípio, porque há muitas coisas no passado político dele de que sou altamente crítico". Aparentemente, o queixoso pensa que por "passado político" eu quis insinuar outras coisas, que a sua consciência ou o seu invocado "bom-nome" lhe sugerem. Eu sei que o Código Civil diz que todos têm direito ao bom-nome e que o bom-nome se presume. Mas eu cá continuo a acreditar noutros valores: o bom nome, para mim, não se presume, não se apregoa, não se compra, nem se fabrica em série - ou se tem ou não se tem. O tribunal dirá, mas, até lá e mesmo depois disso, não estou cativo do "bom-nome" do Sr. Armando Vara. Era o que faltava! Acabei de confirmar no site e está lá, no site institucional do BCP. Vejam bem os anos de licenciatura e de pós-graduação!!!!!

Armando António Martins Vara - Dados pessoais: Data de nascimento: 27 de Março de 1954; Naturalidade: Vinhais – Bragança; Nacionalidade: Portuguesa; Cargo: Vice-Presidente do Conselho de Administração Executivo; Início de Funções: 16 de Janeiro de 2008; Mandato em Curso: 2008/2010; Formação e experiência Académica: Formação: 2005 - Licenciatura em Relações Internacionais (UNI); 2004 - Pós-Graduação em Gestão Empresarial (ISCTE) http://www.millenniumbcp.pt/pubs/pt/grupobcp/quemsomos/orgaossociais/article.jhtml?articleID=217516>

Extraordinário.... CV de fazer inveja a qualquer gestor de topo, que nunca tenha perdido tempo em tachos e no PS ! Conseguiu tirar uma Pós-graduação ANTES da licenciatura...; Ou a pós-graduação não era pós-graduação ou foi tirada com o mesmo professor da licenciatura, dele e do Eng. Sócrates ... e viva o BCP e o seu "bom nome" !!!

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

China Central Chinese Orchestra



Para descomprimir.
É bem melhor que o folclore transmontano que tenho andado a ouvir!

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Berços


-"You can dress him up, but you can't take him out!" - é assim que os anglo-saxões se lhes referem, enquanto nós por cá dizemos: "Podes tirar o homem da aldeia, mas não a aldeia de dentro do homem!"

É nos primeiros anos de vida que mais somos influenciados pelo ambiente e que estabelecemos muito do nosso estar. Depois, só a muito custo (se é que alguma vez) conseguimos modificar esse olhar sobre a realidade. O comportamento dos pais, ao ser imitado, fornece o quadro de valores que irão ser a “bússola orientadora” para as opções futuras. Dito de outro modo: "a educação é aquilo que apendemos com os nossos pais, quando eles não nos estavam a ensinar nada!"

Nascer num meio rural submisso, ser-se "impregnado" por pais "feudais" , e deter poder num ambiente moderno é um sufoco para os que lhe estão próximo.

É que "o que o berço dá, só a cova tira". É a vida...

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Automóveis


Foi em 1908 que Henry Ford iniciou a construção dos automóveis em série com os Ford T, gracejando que o cliente podia escolher um de qualquer cor “desde que fosse preto”.
De lá para cá eles foram lentamente conquistando espaço. As cidades, esventraram-se para os acolher em parques e as populações foram atiradas para a periferia, convencidas de uma proximidade que ele a tudo garantia. Rasgaram-se os campos de cultivo e deu-se primazia à velocidade para se chegar com rapidez aos locais onde nada se faz e que só servem de pontos de partida para outros lugares semelhantes. E o que foi um luxo de rico tornou-se numa necessidade de pobre, que só a marca e o ano de produção diferencia.

Mas é nos países como Portugal que as classes desfavorecidas são mais prejudicadas. Aqui o jogo é obrigar cada cidadão a possuir um automóvel, mesmo que ele pouco mais ganhe que um salário mínimo.

Fala-se dele como um brinquedo, um luxo, um ícon, e cria-se-lhe a necessidade desinvestindo no transporte público e atirando as gentes para longe das escolas, dos empregos, dos Hipermercados e Centros Comerciais com que diariamente nos bombardeiam.

Depois onera-se a manutenção (o Seguro, o Imposto de Circulação, as revisões periódicas no IPO), as portagens, o estacionamento e, num instante, grande parte do salário é-lhe mais dirigido que ao bem-estar da família e à educação dos filhos.

Tardam novas redes de caminho de ferro a unir as cidades por linhas próprias independentes das de carga.
Tarda a implementação do transporte da carga a longas distâncias por caminho-de-ferro.
Tardam Metros de superfície a substituir as linhas antigas nas proximidades das grandes cidades.
Tardam medidas que facilitem a circulação de velocípedes nas cidades – vias próprias, incentivos ao parqueamento.
Tardam transportes públicos de qualidade que nos façam esquecer a comodidade do automóvel.

Poucos dias depois de uma notícia em que a Holanda tenta implementar medida que penaliza o uso do automóvel, em Portugal noticia-se mais um lanço de auto-estrada.

É que do automóvel come muita gente importante!

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

O Terleira



O Terleira é o 2º da Esquerda. É um fruto cá da terra, numa macedónia nacional. É o orgulho da sua mãe, que acarinhou este projecto de vida difícil e incerto.
Estou com eles! Felicidades!

domingo, 15 de novembro de 2009

Testosterona


- "Então como está OBS? "
- "Está quase todo a cargo da Cirurgia. Começou a chover e os tipos das motos começaram a ter acidentes. Estão lá quatro destes".
- "É a testosterona!"
- "Viste aquela notícia em que um fulano matou a namorada e uma amiga e depois se suicidou? Ele na construção civil e ela a querer dar o salto para uma profissão com mais estudos, a fazer perigar o seu estatuto de macho. Elas que se cuidem. Se conseguirem melhores empregos que os seus pares, ou se divorciam ou morrem-lhes às mãos".
- "A taxa de divórcios este ano subiu muito. Mas no estudo não se falava das diferenças de estatuto entre eles. Provavelmente elas subiram e eles ficaram em trabalhos indiferenciados, e isso rói a alma a qualquer macho".
- "Já deste alta ao puto da Casa dos Rapazes que engoliu o guardanapo cheio de haxixe para não ser apanhado?"
- "Esse foi embora ontem ao fim do dia."

O desenvolvimento das características sexuais secundárias inicia-se entre os 6 e os 8 anos de idade e pelos 16 tende a estar completo.
É fundamental que as Escolas tenham em consideração que a testosterona é tóxica para o cérebro, e que todas as modificações que ela provoca têm de ser entendidas e orientadas, sob o risco de se produzir um marginal, que a todo o tempo se evidencia pelas piores razões.
Há que lhes conhecer os imaginários em tempo real (mesmo sabendo da sua volatilidade), para que, desde início, se dê solução às múltiplas questões com que se debatem.

sábado, 14 de novembro de 2009

Temperar o aço



Sempre vi magia nas forjas e nos ferreiros a moldar e a temperar o aço.
Meter um ferro dentro de um forno até ao rubro e depois arrefecê-lo bruscamente na água, para lhe dar a dureza necessária a uma arma “indestrutível”, tem de ter uma base científica. As espadas Excalibur (a espada do rei Artur) e as dos samurais teriam de ser obras de tecnologia, para se terem imposto ao imaginário colectivo.


Revendo os conceitos:
O ferro existe na natureza em abundância sob a forma de vários minerais: a hematite (Fe2O3), a magnetite (Fe3O4), a limonite (FeO(OH)), a siderite (FeCO3), a pirite (FeS2) e a ilmenite (FeTiO3). A maior parte são óxidos, com maior ou menor grau de impurezas.
O ferro é o metal mais usado pelo homem (95% da produção mundial de metal), devido ao seu baixo preço e dureza, e é principalmente empregue na construção de automóveis, barcos e componentes estruturais de edifícios. Em 2004, os cinco maiores produtores de ferro eram a China, o Brasil, a Austrália, a Índia e a Rússia, com 74% da produção mundial.
O ferro (do latim ferrum) é um elemento químico, símbolo Fe, de número atómico 26 (26 protões e 26 electrões) e massa atómica 56.
Para se extrair o ferro dos minérios de ferro, usam-se altos-fornos onde o minério é fundido a temperaturas perto dos 1500 ºC. Aí é-lhe adicionado carbonato de cálcio (CaCO3) que, além de lhe fazer diminuir o ponto de fusão, reage com as impurezas formando a escória. Também é adicionado coque (carbono amorfo, com mais de 90% de pureza) para promover a redução do Fe3+ em Fe.
O que se obtém neste processo é a “gusa” (uma mistura de ferro com carbono), que se armazena em lingotes. O ferro puro (ferro macio) não tem utilidade prática por ser muito maleável e facilmente oxidável.
É possível adicionar outros elementos ao ferro e formar ligas com grande variedade de propriedades mecânicas. Os aços são ligas de ferro e carbono, que podem conter outros elementos.

Dependendo do seu conteúdo em carbono são classificados em:
Aço baixo em carbono. Contém menos de 0.25% de carbono em peso. São pouco duros mas dúcteis. São utilizados em veículos, canos, elementos estruturais e outros.
Aço médio em carbono. Entre 0,25% e 0,6% de carbono em peso. São mais resistentes que os anteriores, mas menos dúcteis. São empregues em peças de engenharia que requerem uma alta resistência mecânica e ao desgaste.
Aço alto em carbono. Entre 0,60% e 1,4% de carbono em peso. São os mais resistentes, mas também os menos dúcteis. Adicionam-se outros elementos para que se formem carbonetos (p.ex: carboneto de tungsténio, quando é adicionado à liga o volfrâmio). Estes aços mais duros são utilizados na fabricação de ferramentas e de armas.
Um dos inconvenientes do ferro é que se oxida com facilidade. Mas se lhe adicionarmos crómio, torna-se resistente à corrosão. São os chamados aços inoxidáveis.
Quando o conteúdo de carbono da liga é superior a 2,1% em peso, a liga metálica é denominada ferro fundido. Estas ligas apresentam, em geral, entre 3% e 4,5% de carbono em peso. Existem diversos tipos de ferros fundidos. Dependendo do tipo têm aplicações diferentes: em motores, válvulas, engrenagens e outras.
Os óxidos de ferro são também utilizados em pinturas.

Temperar é transformar um metal num composto homogéneo com uma estrutura molecular tal que não haja planos de clivagem.
Esse arranjo molecular é muito específico de uma determinada temperatura, e desfaz-se quando o arrefecimento é natural, pelo que se tenta fixá-lo arrefecendo-o rapidamente.

É aqui que está a magia do ferreiro.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Legalidade versus Moralidade


“Como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados sociais, os corporativos e o estado a que chegámos” – Salgueiro Maia, 23 de Abril de 1974.
E em 2009 chegámos a um estado de grande pobreza moral, onde só é inaceitável o que é provado como crime. De resto: vale tudo.
Esta identificação do legal com a moral é o maior logro da nossa sociedade, pois já há mil anos, o Direito Romano, defendia que "nem tudo o que é legal é moralmente aceitável".
Hoje, Portugal tornou-se numa imensa sala de audiências, onde os comportamentos imorais dos governantes são discutidos para se analisar se são legais, para que, se não se provar ilegalidade, se possa passar uma esponja sobre o caso.

Será que devem ser os juízes a distinguir, por nós, o bem do mal, o certo do errado?
Ou será que devemos escolher os nossos líderes pela sua postura moral para assim sairmos deste pesadelo?

É que "as coisas deixadas a si próprias, vão sempre de mal para pior"

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Desabafos























"Se podes fazer difícil, porque estás a fazer fácil?"

Esta é uma norma que grassa quer no sector público quer no privado, com a agravante de que neste há menos controle. Do facto resulta um significativo aumento do custo de qualquer serviço.

Está dependente do oportunismo e da incompetência dos seus profissionais e define o grau de corrupção de qualquer sociedade.
Pode ser dito de outro modo:
"Criar dificuldades, para vender facilidades!"

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Pombos























O etologista Wallace Craig (1876–1954) dedicou-se ao estudo do comportamento dos pombos. Numa das suas experiências com casais de pombos, separou o macho da fêmea durante períodos cada vez maiores e verificou experimentalmente quais eram, depois de cada período de privação, os objectos suficientes para desencadearem a dança de amor do macho. Alguns dias depois do desaparecimento da fêmea da sua própria espécie, o macho estava pronto a cortejar uma pomba branca que até aí havia ignorado. Alguns dias mais, inclinou-se e arrulhou diante de um pombo embalsamado e, mais tarde diante de um bocado de pano enrolado; finalmente, depois de várias semanas de solidão, tomou por objecto do seu jogo de amor o canto vazio da gaiola, onde a convergência das linhas rectas oferecia pelo menos um ponto de fixação óptica.
À falta de melhor, come-se do que há!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Osmose Jones



"Osmose Jones é um filme que intercala cenas de filmagem com atores e animação, Frank é um pai viúvo com sérios problemas de higiene e auto-estima. Por acidente ingere Thrax, um vírus letal que pretende matá-lo em poucas horas. Enquanto Frank desenvolve a doença, dentro do seu organismo (mostrado como uma cidade em animações, com seus habitantes) um policial (um leucócito) chamado Osmose Jones e seu parcero Drix (uma cápsula antigripal) procuram combatê-lo.
De modo lúdico, esse filme ensina alguns conceitos de higiene e de fisiologia humana."
in Wikipedia

domingo, 8 de novembro de 2009

Carminho



Carmo Rebelo de Andrade – Carminho, é filha de uma fadista - Teresa Siqueira, que gere a casa de fados “A taberna do Embuçado” em Alfama. Tem 24 anos.

Canta um fado clássico, ainda “crianza”, de características muito boas, que se correctamente maturado, poderá evoluir e dar lugar a um fado com características próprias, com “bouquet”.

sábado, 7 de novembro de 2009

Nuno Cabral de Montalegre























Quando temos algum poder, e nos pressionamos (ou nos pressionam) por um qualquer objectivo, surge invariavelmente dentro de nós um Nuno Cabral de Montalegre para nos tentar a decidir ignorando os acordos e a lei.
Se temos algum respeito pelos outros e um mínimo de cidadania, reprimimo-lo. Se achamos que os fins justificam os meios, vamos “em frente” “racionalizando” a prática com palavras que desmentimos no dia seguinte, na esperança de que a natureza dos nossos interlocutores faça esquecer todo o mal sofrido, logo que lhes suceda qualquer coisa de bom.

Mas gerir organismos públicos com esse espírito, lembra-me … o tempo da outra senhora!

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

S. José


Nenhum dos evangelhos diz que era velho. Podemos imaginá-lo jovem, belo e enamorado.
O seu nome vem do verbo hebraico “yasaf”, que quer dizer acrescentar. “Yosef”, à letra, é aquele que acrescenta. E o que acrescenta ele? Para já, a sua fé. Ele acredita na versão da sua noiva, grávida mas não dele. Acrescenta-se ainda como esposo daquela rapariga, impedindo assim a condenação à morte, porque ela, perante a lei, era adúltera. E acrescenta-se enquanto segundo pai daquela estranha criatura aparecida no meio deles, Jesus. Ele contribui e muito para esta história e, no evangelho, tal não é tido em conta.