Em dia de canícula, fui levantar o passaporte à Loja do Cidadão. Saí cedo, para fugir ao calor, e andei sempre pela sombra, sem contar que ele se antecipara e entrara pela loja adentro, aproveitando a multidão acumulada pelos tempos de espera excessivos.
Nem meia hora passada, comecei a sentir aquela fraqueza, sintoma indefinido de sede, e fui comprar uma garrafa de meio litro de água para repor o equilíbrio.
E agora? Que fazer à garrafa?
Havia diversos contentores para separar o lixo, mas nenhum tinha o símbolo da “Volta”!
Ok! Já de passaporte na mão, dirigi-me ao Centro Comercial próximo, onde sabia haver um supermercado enorme.
Aí chegada, procurei… e não vi nada. Tive de perguntar. Era lá no fundo, bem escondido. Quando finalmente o encontrei, estava um jovem pai, com um carro de supermercado e dois enormes sacos de lixo cheios de garrafas vazias, divertindo-se com a sua criancinha, de uns três anos, a colocar as garrafas na máquina, ao seu ritmo, rejubilando com os barulhinhos que a máquina emitia a cada entrega.
Muito giro! Mas não dá para ficar à espera…
Decido apanhar o Metro e voltar para casa, na esperança de encontrar, no meio dos muitos contentores para separação do lixo ali existentes, um com o símbolo “Volta”! Dou duas voltas à estação e confiro que “não há Volta”. Quase dei por mim a temer que roubassem o meu tesouro de 10 cêntimos.
De volta à rua, deparo-me com uns contentores a abarrotar e com uma mulher a catar as embalagens que se encontravam ao alcance do braço, atirando para o chão o lixo que se interpunha. Podia ter-lhe dado a minha garrafa, mas escondi-a, instintivamente.
É óbvio que estou chateada com o sistema! Eu já não gastava embalagens de plástico e tinha o cuidado de reciclar as latas de Coca-Cola, que me servem de elixir da longa vida!
Da última vez que fui a uma máquina “Volta” do supermercado, havia fila de espera e a máquina avariou. Assim, andei pelo supermercado, às compras, com o lixo atrás de mim, para o trazer de volta a casa…
Sendo assim, e na impossibilidade de vandalizar cada máquina que existe, proponho:
- levar sempre uma garrafa reutilizável;
- não consumir NADA que tenha “Volta” no rótulo;
- assinar uma petição para acabar com o “Volta”.
A não ser que:
Ponham as máquinas ao lado dos contentores de lixo normais, onde se faz a separação, e devolvam o dinheiro para o cartão de débito ou de crédito.


