segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Quarta Idade


O meu tio Manuel está para lavar e durar. Anda todos os dias para cima de 5 Km, tem a cabeça escorreita e não se conhece uma artrose no seu metro e sessenta e cinco.
Quando fez 100 anos, a família fez-lhe uma grande festa e ele andou de mesa em mesa a oferecer fotografias suas autografadas.
No fim da refeição, quando já estava tudo mais calmo, para lhe fazer um carinho, disse-lhe: - “Oh tio! Daqui a dez anos, vamos estar cá outra vez para festejar!”
Aí, ele pôs um ar grave, como convém quando se fala com um médico, e respondeu-me: - “Não sei como vai ser a minha vida, Judite! A minha filha está velha. O meu genro, … velhíssimo! Um destes dias morrem! … E o que é que vai ser de um homem?”

Ele disse aquilo preocupado, sem um laivo de ironia. E olha que não está longe da verdade!

História de J.Q.

1 comentário:

sandrine sousa disse...

Assim se faz uma perspetiva positivista da vida! E parece que funciona!!!