sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Cryptomeria japónica, o cedro do Japão























Confesso a culpa mas, quando tudo começou, os meus problemas eram outros e tinha a pressa de ver um início a qualquer preço.
Se soubesse que vinhas, tinha-te feito a cama mais larga e não um dossel de rainha de margens limitadas, no meio daquele saibro que mandei pôr no fim do terreno para resolver de uma assentada o entulho e o declive para um caminho por ali.
Só depois te decidi namorar. Não tinhas mais de dois palmos quando te encontrei no Horto. Diziam que te descarnavas por baixo, mas eu estava seduzido pelo teu bronzeado de Inverno e pelas três copas com que te vestias.
Na cova que te fiz pus tudo o que (pensava) irias necessitar para viver sem restrições. Depois vi-te viçosa a animar-me por te ver dona daquela esquina.

Agora desististe, vestiste ramos secos e obrigas-me a cuidados para te tirar essa expressão de gueixa macambúzia.
Sempre te pensei a furar por ali abaixo à procura de soluções, mas entristeceste o chão à tua volta com o castanho das tuas folhas, para gáudio dos vis eucaliptos que te circundam, por fora da nossa casa.

Talvez, um dia, te diga Saionara -“já que tem de ser assim”, porque sei que entendes melhor a tua língua-, e ficar com a dor da tua ausência, ou então ganhar de novo alento, decidir que é ali o teu lugar, e voltar ao princípio de um amor novo com todas as dores e desassossegos.
Ser velho é "não ter paciência para a trabalheira da sedução" e eu, sou ainda rapaz novo.

1 comentário:

Anónimo disse...

Que namoro...haverá arvore ou qualquer outro ser que resista?