terça-feira, 15 de novembro de 2016

Sermão da Montanha


Felizes os pobres de espírito, porque confiam no que lhes dizem;
Felizes os mansos, porque se conformam com qualquer coisa;
Felizes os crentes, porque a ilusão os cega da realidade;
Felizes os que trabalham das nove às cinco, porque não têm tempo para pensar;
Felizes os que têm SportTV, porque se podem alienar com o futebol.

Bem-aventurados os que vivem no mercado negro, porque os impostos não lhes pesam;
Bem-aventurados os que têm dinheiro em offshores, porque podem ser reis nos países pobres;
Bem-aventurados os que vivem das heranças, porque têm tempo fora do trabalho;
Bem-aventurados os robustos, porque secundarizam os custos da Saúde.

Regozijai-vos e exultai, porque grande é o vosso galardão!


Mas ai de vós, que sois pobres! Porque pouca será a vossa consolação;
Ai de vós, os famintos! porque vos estarão reservadas as sobras deste mundo;
Ai de vós os que choram! porque haveis sempre a lamentar não terdes tido infância;
Ai de vós, os aflitos! porque nunca sereis consolados;
Ai de vós, os perseguidos! porque nunca alcançareis misericórdia;
Aí de vós, os que têm problemas ecológicos! porque ireis assistir à derrocada do pouco que conquistastes;
Aí de vós, os que amam a paz! porque ireis ouvir mais trombetas a soar.

Digo, porém, a vós que me ouvis:

Vigiai os vossos inimigos e atentai aos que vos maldizem e, se algum vos bater numa face, dai-lhe um pontapé; e ao que te rouba a capa, atira-lhe um paralelo;
Não empresteis a quem não esperais receber; e ao que vos pede, mandai-o trabalhar;
Não temais ser julgados, porque há sempre um hiato na lei a explorar;
Anotai com pormenor o argueiro no olho de vizinho, pois pode ser esse o argumento para o vencer.

E ... como não se colhem figos dos espinheiros, nem dos abrolhos se vindimam uvas, estai atentos a todos os pomares, e convencei-vos que toda a grande transgressão será perdoada e o pecado coberto, porque só os ímpios prosperam neste mundo.

Ámen

1 comentário:

Célia Barros disse...

Tomara ser eu feliz por não pensar...