Fim de semana no Douro a ver as suas margens por dentro, aproveitando o convite de uma amiga (que tem um barco) para dar férias à minha mão direita.
Depois de um dia calmo pelo rio até às Caldas de Aregos, a
observar o edificado luxuoso nas margens e os montes recobertos por uma
escadaria de vinhas que vai bem até ao cimo, pontuados de longe em longe pela
sumptuosidade da casa da quinta, fomos jantar a Cinfães. Ignorávamos por
completo a existência de uma “Noite Branca”, evento onde o município convidara
o público a vestir-se de branco e a desfrutar de uma noite “vibrante de festa”. Um absoluto “choque e pavor”. A pacatez duriense transformada numa avalanche de músicas “diabólicas” distribuídas por vários palcos onde os DJs “bombavam”
decibéis de fazer a cabeça andar à roda. Pelo meio, uma multidão de tiaras de
luzes brancas na cabeça made in China, tornava urgente a fuga para um
teto seguro. A cura deste desvario veio à mesa, com uma gastronomia sem
pretensões, generosa em batatas fritas douradas e carne de vaca tenra e bem
temperada e o incontornável vinho do Douro a alegrar aquela comida “a sério”.
O domingo foi dia de comboio, a ver o espelho do rio logo
ali ao lado, os vinhedos monte acima e os barcos turísticos a subir, a descer e
a atracar, para descarregar anglo-saxões.septuagenários de bengala, rumo aos
autocarros que os levariam a uma quinta, de onde sairiam mais tarde, já meios
entornados, solidamente apoiados por gentis comissárias de bordo de tarjetas na
mão para que ninguém se perca, para prosseguirem viagem, rumo ao navio-hotel.
Prolongou-se o fim de semana para se entrar pelo rio Bestança
e dar mais uma pequena volta com piquenique a bordo, momento intervalado pela
Polícia Marítima em ação de fiscalização, para me dar ideia da quantidade de
papelada e material que uma pequena embarcação deve ter em ordem para poder
circular pelos nossos rios.
Obrigado, Estela e Abílio!



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