quarta-feira, 19 de abril de 2023
Futurologia
sexta-feira, 7 de abril de 2023
Montedor
É curioso como estas coisas me lembram outros erros que cometi na vida corrente, quando também esperei um bom resultado apenas porque do lado de lá vinha um grande sorriso ou por não ter respeitado o tempo de parar, mesmo quando já tinha presente a regra de manter simples o que faço ou escrevo (“kiss” - Keep it simple, stupid), sem derivas em relação ao importante.
Esta casa de Montedor, Carreço, seduz-me desde os primeiros dias que a vi, por ter todo um mar pela frente e me lembrar “A um deus desconhecido” de John Steinbeck. A luz é a de um poente de dia quente de Abril.
sexta-feira, 31 de março de 2023
Caos Calmo
Puxei os técnicos para a minha área e afastei os romancistas para que eles não influenciassem o poeta russo que vivia e vive dentro de mim e, entre sucessos e insucessos, fui-me refugiando no pragmatismo.
A aposentação deu-me oportunidades e, à linha estreita do lápis, juntei a mancha da aguarela e ao caroço da coisa juntei a nuvem que lhe dá sentido e voltei aos romances e a deleitar-me com quem é capaz de escrever dez páginas para definir um momento e quatrocentas para rever dois meses de uma vida.
Sandro Veronesi nasceu em Florença em 1959. É considerado um dos mais importantes romancistas italianos dos últimos trinta anos.
quinta-feira, 30 de março de 2023
Convento de Cabanas
Segundo a tradição, antes da fundação do mosteiro existia no local uma ermida, com algumas cabanas, covas ou grutas na serra ao redor, onde viviam os frades que S. Martinho de Dume congregou.
A sua construção remonta ao ano de 564. Em 746 foi destruído pelos árabes e logo reedificado. Durante séculos o mosteiro prosperou economicamente, conseguindo uma importante área circundante, com limites definidos por D. Sancho I.
Em 1382 o mosteiro passou para a Ordem de São Bento, tornando-se numa casa de convalescença e repouso de doentes.
No século XVII sofreu uma grande reformulação chegando à configuração atual.
Em 1834, com a extinção das Ordens Religiosas, o conjunto - convento e propriedades, foi vendido em hasta pública pela Fazenda Nacional, sendo o General Luís Rego o primeiro proprietário, seguindo-lhe vários outros.
Já no século XX foi propriedade do poeta Pedro Homem de Mello e após a sua morte foi comprado pelo Cônsul de Espanha no Porto, que lhe fez grandes obras de conservação e restauro, impedindo que ele acabasse numa ruína, como acontece com Convento de S. Francisco do Monte no lugar da Abelheira - em Viana do Castelo.
Em Março de 2019, Nathalie D'Ornano, cantora lírica, natural da Suíça, comprou-o e iniciou obras de remodelação para o abrir ao público como “guesthouse” e espaço para festas, eventos e iniciativas artísticas e culturais, num projecto com o traço do arquitecto Fernando Cerqueira Barros.
Está classificado pelo IPPAR, em 1997, como Imóvel de Interesse Público.
O caminho de Santiago pela costa, passa-lhe à porta. No ano passado, numa construção fronteira ao seu portão, abriu o “Café de Cabanas” que, para além de revigorar os muitos caminhantes que por ali passam, permite usufruir daquele recanto numa quebrada da encosta, junto à margem direita do Rio Afife, dominado por uma velha magnólia de largas tradições. Prevê-se a abertura do convento para as suas novas funções, em Julho 2023.
terça-feira, 28 de março de 2023
Marguerite Yourcenar
Nunca me agarrei fixamente a uma ideia, por temer a confusão em que, sem ela, poderia vir a cair. Nunca temperei um facto verdadeiro com o molho da mentira, para me facilitar a digestão. Nunca deformei os pontos de vista do adversário para mais facilmente ter razão.
in "Obra ao Negro"
segunda-feira, 27 de março de 2023
Sketchbook
Era assim que começavam as intervenções do meu tio Elviro, quando era o seu tempo de falar e batia duas vezes com as duas mãos no tampo da mesa.
Como sofro do "síndrome do papel vazio" isto é: custa-me gastar tempo e material mais caro e sair uma porcaria, utilizei um papel vulgar de desenho de 110g, em vez de um para aguarela de 300g, rico em fibras de algodão.
O resultado não me parece longe do que queria, embora a cor não lhe tenha dado o volume pretendido. Para a próxima vou arriscar e iniciar um caderno adequado.
... a ver vamos... como diz o cego!
sexta-feira, 24 de março de 2023
Sunset em Viana do Castelo
Baseado numa Fotografia da Né que foi para o monte de Santa Luzia fotografar o pôr do sol de Vila Franca a Geraz do Lima.
segunda-feira, 20 de março de 2023
sábado, 11 de março de 2023
Padres
Tudo começou quando me levaram a confessar pecados que não tinha e que a minha mente de menino já catalogava como mortais e veniais, mas foram as reguadas nas aulas de “Religião e Moral”, de Português e de Francês, para me acertaram com os programas, que foram definitivas para o meu afastamento. Já adulto, quando me pus a analisar a sua linguagem corporal e o seu discurso, concluí que as competências na teatralização e na retórica, eram utilizadas para iludir quem os aceita assim só porque lhes disseram para assim os aceitarem.
Houve tempo em que a Igreja foi fonte de saber, mas o Vaticano há muito que abandonou a ciência e facilita a vida aos que se especializaram no comércio da “Esperança”.
Mas, como tão bem dizia Camões, “Mudam-se os
tempos, mudam-se as vontades, muda-se o ser e muda-se a confiança, neste mundo
composto de mudança … e, afora este mudar-se cada dia, outra
mudança faz de mor espanto: Que não se muda já como soía”, e a Igreja Católica
não esteve atenta a este último verso e perdeu o comboio da modernidade.
Hoje fala-se do abuso sexual sobre menores e desprotegidos confiados à sua guarda, que emerge de uma nuvem de oportunismos, negociatas de sacristia e outros tipos de abuso, que o “sigilo eclesiástico” facilita aos padres “fura-vidas”, quando há décadas que o Vaticano se devia ter livrado desse cartel, obsoleto e cheio de vícios, que desmerece quem não se dispõe a beijar-lhes o anel.
Estamos num tempo em que se exigem práticas que melhorem a vida na Terra. Já poucos vão em olhares languidos para o céu ou em palavras ambíguas e são raros os que partilham a “filosofia sexual” da Igreja Católica. A Biblia não ajuda na luta contra a discriminação de género nem contra o despotismo. São histórias pouco saudáveis quando se leem com sentido crítico e, embora o bicho Homem seja o mesmo, o mundo de hoje é outro. A grandiosidade das igrejas já não nos eleva para o divino como o fez na Idade Média e o que lá se diz raramente é relevante. Muitos dos que ainda lá vão, fazem-no para que o cartel os veja e não lhe ponha barreiras no caminho.
O Ocidente "individualista" necessita de um “upgrade” de valores. Um upgrade sem lamechices, que estimule o trabalho de grupo e minimize a solidão.
A actual Igreja Católica, embora dona de uma logística invejável, tem o clero mais virado para si próprio que para o que diz ser alvo da sua acção. Necessita de um novo tipo de “Santos inspiradores” que tirem os padres da sua comodidade de interpretes do divino e os estimule a ir para a rua tentar soluções para os problemas dos mais frágeis, sem palcos de 4 milhões, nem parangonas na comunicação social.
sábado, 4 de março de 2023
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023
Manipuladores
Mas como são os agressores? Que características apresentam?
1. São intolerantes: Não respeitam as opiniões, atitudes ou comportamentos dos outros. Vivem cheios de preconceitos, reagem agressivamente, de forma ressentida ou pouco educada, porque acreditam que não há nenhuma razão para impedir que a sua vontade prevaleça. Muitas vezes são sexistas.
2. São encantadores nas fases iniciais da relação, mas ofendem-se com facilidade se algo não se encaixa na sua verdade e mudam de humor em segundos, passando de um estado agradável ao de fúria em questão de segundos.
4. São rígidos e têm pensamento dicotómico - tudo está certo ou tudo está errado, sem meios termos. Não conversam na busca de um consenso. Geralmente, os agressores cresceram em famílias que os trataram assim.
5. São chantagistas – Provocam medo nas vítimas, culpando-as por coisas que não fizeram ou de coisas que fizeram, mas que não são graves.
6. Não aceitam a crítica como algo construtivo e reagem a elas como a um ataque pessoal, procurando defeitos nos outros para os esmagar e submeter. São especialistas em procurar interpretações arrevesadas da realidade.
7. Desconectam as vítimas dos seus familiares e amigos, causando-lhes medo de falar com outras pessoas.
8. Têm baixa empatia (não reconhecem as emoções dos outros), o que lhes permite fazer a vítima sofrer sem qualquer ressentimento. São cruéis e não se arrependem, mesmo quando pedem desculpa. Na próxima, agirão do mesmo modo.
9. São controladoras - Têm necessidade de se sentir superiores, mas no fundo são inseguros.
10. Reagem impulsivamente, sem ponderar as consequências, sem controle emocional. Os fins justificam-lhes os meios. São capazes de agir discretamente em lugares públicos, o que torna a vida da vítima uma verdadeira provação.
11. Vitimizam-se, tentando culpar outros para justificar as suas ações.
terça-feira, 21 de fevereiro de 2023
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023
Heróis
Quando adolescente, fui impregnado pelos filmes que corriam na TV e no
cinema, a maioria oriunda dos Estados Unidos. Era o Zorro e o seu amigo Tonto a
perseguirem assaltantes de diligências, o Mandrake com sua hipnose instantânea a derrotar
o crime urbano, os cowboys que vinham do nada e caminhavam em direcção ao sol
poente depois de terem resolvido injustiças que tardavam nas cidades do farwest,
era o Clark Kent transformado em Super-homem a voar por entre os arranha céus
de Nova York, eram os detetives vestidos de informalidades a dar conta dos
casos mais intrincados. Todos eles no centro de tudo, sem se sentir o peso de
qualquer organização ou instituição que lhes estivesse a facilitar as acções.
Eram indivíduos a fazer a História, a solo.
O que a vida me ensinou é que são as organizações e instituições que criam
os heróis e quem manda no mundo é quem as lidera e que raramente (ou nunca)
surge na linha da frente (o que não é desprimor).
Os heróis são "hot spots" de estruturas organizacionais, constituídas por pessoas competentes, unidas por projectos liderados por dirigentes de qualidade. Não há espaço para os "lonely cowboys without familly or friends " neste mundo cada vez mais complexo, onde o trabalho em grupo é fundamental.
Os "heróis" são figuras destinadas a morrer heroicamente ou, se
continuarem vivos depois do “feito”, tendem a ser "minorados" quando
o tempo de divulgar as suas fragilidades chegar e se "descobrir"
que "afinal" não são deuses. Sejam eles políticos, cientistas,
"influencers" ou "salvadores da humanidade" vão necessitar
de alguém que os reabilite, se necessário, acrescentando pontos ao conto, para
que o “público em geral” os tire do inevitável esquecimento.
Cristo teria sido apagado da história, não fora Paulo de Tarso ter cidadania
romana e competências sociais para juntar pessoas debaixo da bandeira da igualdade entre os homens. Maomé não foi de intrigas e conquistou
pelas armas a máquina para divulgação do seu pensar. Os Judeus construíram uma
rede de malha bem fechada, onde só se entra muito bem escrutinado. Os Maçónicos
copiaram-nos com 1500 anos de atraso, razão pela qual os judeus, que representam
cerca de
0,2% da população mundial, ganharam 22% dos Prémios Nobel, 20% da Medalhas Fields de Matemática, 67% das Medalhas John Clarke Bates para economistas com menos de quarenta anos de idade e 38%
dos Óscares para Melhor Realização Cinematográfica e dos Maçónicos não se fala.
Hoje, quem hoje tiver veleidades de “herói” tem de cuidar das suas competências sociais para poder criar ou poder integrar um grupo capaz
de construir um bom projecto, que financiadores não lhe irão faltar.

















