domingo, 30 de novembro de 2014

Nomes

Touro Sentado, Cavalo Maluco, Pequeno Lobo, Água da Floresta, Flor Eterna eram nomes dos índios da banda desenhada que lia na juventude. O dos cowboys não tinha tradução. Tinham o nome de origem - Buffalo Bill, Kit Carson, Tim McCoy e por aí fora.
Foi assim que eu aprendi. Lá fora nomes “engraçados”, por cá, nomes próprios a que eu não atribuía significado e um sobrenome de família que frequentemente apontava uma profissão, uma terra, um animal ou uma planta.
Depois disseram-me que os sobrenomes de árvores (pereira, oliveira, macieira, carvalho, nogueira), eram de famílias judias, bem como aqueles que apontavam para uma grande religiosidade cristã – do Espírito Santo, dos Anjos, da Cruz, das Chagas, … para mostrar que o “converso” havia adoptado a nova fé e que não era um “marrano” a observar clandestinamente os antigos costumes.
Nas mulheres eram muitas as Marias, como no Islão eram as Fatimas, por causa da mãe de Jesus e da filha predilecta de Maomé. Mas as Marias eram doentias. Havia a da Luz e dos Prazeres, para me tirar razão, mas o grosso era da Agonia, das Dores, da Assunção, do Carmo, da Purificação, da Ascenção e por aí afora, até encontrar uma da Circuncisão.
De África vinham nomes estranhos. Nomes de coisas e de acontecimentos postos em pessoas, e eu sem saber que as sociedades sem tradição de história escrita, dão o nome à criança para sinalizar um evento importante do tempo do seu nascimento. Edu, uma abreviatura de “educação” indica que ele veio ao mundo quando abriu uma escola na sua aldeia, Doutor – o contacto regular com um médico, Armazém – uma dessas construções nas imediações.
Mas dou preferência à poesia escondida dos nomes com origem na antiguidade. Alexandre do grego, nome composto pelo verbo aléksein (defender) e pelo substantivo andrós (homem) - "protetor da Humanidade". Filipe - do grego Phílippos, composto pela união dos elementos phílos, que significa "amigo" e híppos que quer dizer "cavalo" – amigo dos cavalos. Guilherme que significa “protetor corajoso”, tem origem no nome germânico Willahelm, composto pela união dos elementos will - “vontade” e ehelm - “proteção”. Augusto com origem no latim Augustus, significa “sagrado”, “sublime”. Ernesto do germânico eornost, que quer dizer “sério, firme, o que batalha até a morte". Eugênio - “bem-nascido”, “nobre”. Do grego - composto por eu “bem, bom” e génos “raça, família”.
Sofia do grego sophia que significa literalmente “sabedoria”. Ana, do hebraico Hannah, que quer dizer "graciosa". Eulália -“aquela que fala bem”. Do grego eu - “bem” e laleo - “para falar”. Helena do grego Heléne, que significa “tocha”.

2 comentários:

Alima das Cartas disse...

Os meus pais, esses seres que para umas coisas são tradicionalistas como tudo, mas para outros são para a frentex, resolveram inspirar-se na sua visita a uma certa catedral em Instambul em lua-de-mel para dar o nome à primogénita (eu): Hagia Sofia (Santa Sofia, a Sabedoria Divina).

Contudo tive a sorte de no registo civil, acharem que esse nome era demasiado "pra frentex" e sugeriram o Cátia a substituir o Hagia, ao qual o meu pai disse que até poderia ser, sem consultar a minha mãe que ainda penava no hospital :)

Como nasci a 4 de Dezembro, houve uma pressão dos meus avós para que me chamasse Bárbara (também turca), santa padroeira dos mineiros, das tempestades e da aldeola do meu pai.

Felizmente o nome Bárbara foi vetado pelos meus pais, visto que Bárbara foi o nome do primeiro amor do meu pai. Ufa...

capitão disse...

Bárbaro é um termo pejorativo para uma pessoa ou grupo não civilizado, brutal, cruel.

Na Grécia antiga (onde teve origem) a palavra era uma onomatopeia (modo de formação de palavras que consiste na imitação fonética do som emitido pela coisa significada). O bar-bar representava a impressão de quem ouvia falar uma língua que não entende e, com superioridade, a afirma como constituída por sons balbuciados, tipo blá-blá-blá, sem grande significação.

No Império Romano (300 AC - 476 DC) a expressão passou a ser usada com a conotação de "não-romano" ou "incivilizado", onde logicamente os lusitanos e os celtas se encontravam.