domingo, 7 de fevereiro de 2010

Carta Aberta























Meu caro Sócrates:
Espero que estejas bem de saúde, que eu por cá vou-me aguentando.
Eu sei que andas numa fona, para que "o poder não caia na rua", mas tenho que te dizer que és responsável por muito do que agora corre mal.
Devias-te ter defendido de quem só tem em vista o benefício próprio, sem respeito pela qualidade do que fornece, e também te devias ter preocupado para que as Instituições Públicas incluíssem quem discorda, e não teres yes-men em todos lugares decisórios, pois o “carreirismo político” faz tudo para garantir uma boa reforma. Como dizia um dirigente aqui do bairro: “Isto é para andar agachado! Pois andar de pé faz sempre sombra a alguém!”
Meu caro, acreditei que fosses capaz de responsabilizar as chefias e as Instituições do Estado, e por isso defendi-te, mas sinto agora que perdeste a mão, e que já não tens apoio para defender os ideais que propalaste, em nome de um progresso que não se sente.
Há meses/anos que valem mais as intenções do que os resultados, e que há mais preocupação no “cozinhar das contas”, do que em garantir qualidade no que se faz e, como todo o "sistema" vive do mesmo, “uma mão lava a outra, e as duas lavam a cara”!
É um viver de fogachos, a dizer hoje o que amanhã se desdiz, na tentativa de emendar os problemas que surgem quando as “soluções de futuro” desagregam o funcionamento básico.
Foi isso que ouviram, que é possível tomar decisões que só terão plenos efeitos quando já estão longe, numa outra qualquer empresa do Estado, ou numa reforma assegurada e, se nessa altura “o pau cair”, já não os afectará.
Custa-me a crer que o tivesses premeditado. Creio que foste vítima de um excesso de juventude e de ignorância histórica, quando não valorizaste o enriquecimento dos políticos que te enxameavam. Por isso não te crucifixo. Fizeste o que sabias!
Até um dia!
Fernando