Mostrar mensagens com a etiqueta Ciência. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ciência. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 11 de julho de 2024

Yuval Noah Harari & Ian Bremmer at The 92nd Street Y – March 2024


RESUMO 
*From the author of the multi-million bestselling Sapiens comes an incredible new story of the human race, for younger readers.
*We humans aren't strong like lions, we don't swim as well as dolphins, and we definitely don't have wings! So how did we end up ruling the world? The answer to that is one of the strangest tales you'll ever hear. And it's a true story . . . Have you ever wondered how we got here? From hunting mammoths, to flying to the moon? It is because we are unstoppable. But what made us so? Well, we have the most amazing superpower: the ability to tell stories. Fairy tales have led us from imagining ghosts and spirits to being able to create money (yes, really!). And this has made us very powerful . . . but very deadly. Nothing stands in our way, and we always want more. So get ready for the most amazing story there ever was - the incredible true tale of the Unstoppables. Find out how fire shrank our stomachs, how our ancestors spoke to animals, what football can tell us about being human, how we used our superpower for good and bad . . . and how YOU have the superpower to change the world. With full-colour illustrations showing the relentless rise and rise of the human race, this is history like you've never experienced it before.

Harari tem o pensamento claro sobre a História da Humanidade. Ouve-se e lê-se com agrado. É como uma lufada de ar fresco, nestas salas de ar bafiento em que, por vezes, nos metemos (ou nos metem).

sábado, 16 de dezembro de 2023

As duas liberdades de Isaiah Berlin.



A palavra “liberdade” pode ser usada de mil maneiras. Isaiah Berlin (1909-1997) contribuiu com dois conceitos: o da Liberdade negativa e positiva.

A liberdade está estreitamente ligada à coação, isto é, àquilo que a nega ou limita. Somos mais livres na medida em que encontramos menos obstáculos para decidirmos a nossa vida como quisermos. Quanto menor for a autoridade exercida sobre a minha conduta, enquanto esta puder ser determinada de forma mais autónoma pelas minhas próprias motivações (necessidades, ambições, fantasias), sem interferência de vontades alheias, mais livre eu sou. É este o conceito “negativo” de Liberdade.

É um conceito mais individual do que social e absolutamente moderno. Nasce em sociedades que alcançaram um elevado nível de civilização e uma certa abastança. Pressupõe que a soberania do indivíduo deve ser respeitada, porque em última instância é ela a origem da criatividade humana, do desenvolvimento intelectual e artístico, do progresso científico. Se o indivíduo for sufocado, condicionado, mecanizado, a fonte de criatividade fica ceifada e o resultado é um mundo cinzento e medíocre, um povo de formigas ou robôs. Os que defendem esta noção de liberdade veem sempre o maior perigo no poder e na autoridade, e por isso propõem que, já que é inevitável eles existirem, que o seu raio de acção seja mínimo, só o indispensável para evitar o caos e a desintegração da sociedade, e que as suas funções sejam escrupulosamente reguladas e controladas.

…

Enquanto a liberdade “negativa” quer sobretudo limitar a autoridade, a “positiva” quer apoderar-se dela, exercê-la. Esta noção é muito mais social que individual, pois fundamenta-se na ideia de que a possibilidade que cada indivíduo tem de decidir o seu destino, está em grande medida subordinada a causas sociais, alheias à sua vontade. Como poderá um analfabeto disfrutar da liberdade de imprensa? Para que servirá a liberdade de viajar a quem vive na miséria? … Enquanto a liberdade “negativa” tem principalmente em conta o facto dos indivíduos serem diferentes, a “positiva” considera acima de tudo o que eles têm de semelhante. Ao contrário daquela, para a qual a liberdade é bem mais preservada quanto mais se respeitarem as variantes e os casos particulares, ela considera que há mais liberdade, em termos sociais,  quanto menos diferenças se manifestarem no corpo social, quanto mais homogénea for uma comunidade.

Todas as ideologias e crenças totalizadoras, finalistas, convencidas de que existe uma meta última e única para uma dada colectividade – uma nação, uma raça, uma classe ou a humanidade inteira -, partilham do conceito “positivo” da liberdade. Deste derivam inúmeros benefícios para o homem, e é graças a ele que existe a consciência social: saber que as desigualdades económicas, sociais e culturais são um mal corrigível e que podem e devem ser combatidas. As noções de solidariedade humana, de responsabilidade social e a ideia de justiça, enriqueceram-se e expandiram-se graças ao conceito “positivo” de liberdade, que também serviu para travar ou abolir iniquidades como a escravatura, o racismo, a servidão e a descriminação.

Mas este conceito de liberdade também gerou as suas iniquidades correspondentes. Todas as utopias sociais de direita e de esquerda, religiosas ou laicas, baseiam-se na noção “positiva”  de liberdade. Elas partem da convicção de que existe em cada pessoa, além do indivíduo particular e distinto, algo mais importante, um “eu” social idêntico, que aspira realizar um ideal colectivo, solidário, que será realidade num dado futuro e ao qual deve ser sacrificado tudo o que o impedir e obstruir. Por exemplo, aqueles casos particulares que são uma ameaça para a harmonia e homogeneidade social. Por isso, em nome dessa liberdade “positiva” – essa sociedade utópica futura, a da raça eleita triunfante, a da sociedade sem classes e sem Estado, ou a cidade dos bem-aventurados eternos – travaram-se guerras crudelíssimas, criaram-se campos de concentração, exterminaram-se milhões de seres humanos, impuseram-se sistemas asfixiantes e eliminou-se todo o tipo de dissidência ou crítica.

Estas duas noções de liberdade repelem-se reciprocamente, mas não faz sentido tentar demonstrar que uma é verdadeira e outra falsa, pois apesar de se servirem da mesma palavra, tratam de coisas diferentes. As liberdades “negativa” e “positiva” não são duas interpretações de um conceito, mas duas atitudes divergentes e irreconciliáveis sobre os fins da vida humana.

As sociedades que forem capazes de conseguir um compromisso entre estas duas formas de liberdade, conseguirão níveis de vida mais justos.

in "O apelo da Tribo" de Mario Vargas Llosa


segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

Ciência

 

Eu acredito na Ciência. É uma fé com reservas, que nada tem de religioso. A Ciência é um clube internacional amigável, onde a maioria dos seus membros alimenta a esperança de um futuro melhor. Mas os cientistas são gente como nós, capazes dos maiores vícios e das maiores virtudes e, na sua curiosidade, podem não resistir a questões “éticas” e abrirem portas para o inferno.

Quando olhamos para o futuro numa escala de tempo de cem anos, que é o limite da nossa esperança de vida, devemos definir as causas a que se devem dirigir as nossas lealdades. As lealdades com a família, tribo e instituição estão profundamente enraizadas na nossa natureza e transcendem as nossas vidas individuais. Sem essas causas maiores que nós próprios, não seríamos humanos.

Cem anos é também o limite técnico para a previsibilidade. Qualquer tecnologia, como o carvão, o vapor, a electricidade, o microChip, o ADN recombinante ..., fica dominante, no máximo, durante cem anos, até ser eclipsada pelas suas sucessoras, que não se podem prever, pois basear-se-ão em descobertas ainda não efectuadas.

Há duas espécies de revoluções científicas. As provocadas por novos instrumentos e as que derivam de novos conceitos. O efeito de uma revolução de base conceptual consiste em explicar velhas coisas de novas maneiras (Copérnico, Newton, Darwin, Maxwell, Freud, Max Plank e Einstein). O de uma revolução baseada nos instrumentos é descobrir novas coisas que têm de ser explicadas (Termómetro, Microscópio, Luneta astronómica, Barómetro, …, a Máquina de fiar, Máquina a vapor,… Microscópio electrónico, Computador e Bancos de memória, …)

Mas o "saber" é perigoso, como aprenderam Adão e Eva ao provarem o fruto proibido da árvore do conhecimento. Os deuses não querem que o Homem algum dia se lhes equipare e fazem com que as suas descobertas lhe acarretem cada vez maiores riscos, coisa nem sempre entendida por alguns governantes, pois, na política, arriscar uma má decisão é melhor que ser indeciso, enquanto que na Ciência se ganha respeitabilidade quando se diz “mais vale seguro que arrependido!”

E, no Mundo, quem decide o que se faz e o que não se faz, não são os cientistas!

O problema fundamental para a sociedade humana no século XXI, é o desajustamento entre a tecnologia e as necessidades básicas dos pobres – habitação, saúde, educação. A separação entre tecnologia e necessidades é grande e está a aumentar. Se a tecnologia continua no seu curso actual, ignorando as necessidades dos pobres e inundando os ricos de benefícios, mais tarde ou mais cedo, os pobres revoltar-se-ão contra a tirania da tecnologia e optarão remédios irracionais e violentos. No futuro, como no passado, é provável que a revolta dos pobres empobreça igualmente ricos e pobres.

In “Mundos imaginados” de Freeman Dyson



segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

How To Speak by Patrick Winston


Patrick Henry Winston (1943 – 2019) was an american computer scientist and professor at the Massachusetts Institute of Technology. Winston was director of the MIT Artificial Intelligence Laboratory from 1972 to 1997.

A palestra é de 2018. Tem legendas em inglês (não são boas, mas ajudam).

We are lucky that we live in an age where we can watch/listen to something like this for free

domingo, 21 de abril de 2019

Líquens


Os líquenes são os organismos visíveis mais resistentes do planeta mas são dos menos ambiciosos. Dão-se por felizes a crescer num cemitério soalheiro, mas dão-se melhor ainda em ambientes onde nenhum outro organismo se instalaria – nos cumes ventosos das montanhas e nas regiões árticas desertas, onde há apenas rocha, chuva e frio, e quase nenhuma concorrência. Em áreas da Antártida, onde praticamente não cresce mais nada, encontram-se vastas extensões de líquenes – 400 tipos diferentes - dedicadamente agarrados a tudo o que seja rocha acoitada pelo vento. Durante muito tempo não se compreendeu como crescem sobre as rochas nuas, sem qualquer sinal de nutrição ou produção de sementes.
São uma sociedade entre fungos e algas. Os fungos excretam ácidos que dissolvem a superfície da pedra, libertando minerais que as algas convertem em nutrientes em quantidade suficiente para alimentar ambos. Existem mais de 20 mil variedades de líquenes.
Como a maior parte das coisas que vivem em ambientes hostis, os líquenes crescem devagar. Pode demorar meio século para que um líquen atinja as dimensões de um botão de camisa. Os que são do tamanho de um prato, escreve David Attenborough, são, portanto, capazes de ter centenas, senão milhares de anos de idade.
Seria difícil imaginar uma vida menos interessante.
Limitam-se a existir.

In "Breve História de quase Tudo" de Bill Bryson

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Manipulação genética em humanos


Eu já esperava uma notícia deste teor.
Era uma questão de tempo, para que se iniciasse a manipulação genética no ser humano. O princípio do que virá a ser uma das principais áreas de negócio do futuro.
Começa-se por tratar um defeito genético ainda no ovo ou até no óvulo ou no espermatozoide, e vai-se por aí afora.

Amanhã, quem tiver recursos económicos, não vai querer que seja o acaso a definir qual espermatozóide irá fecundar qual óvulo. Vai querer ter a certeza que os gametas têm qualidade e que não transportam qualquer gene que possa comprometer o futuro do novo ser e, se possível, que tenha todos os que entendemos como benéficos para o sucesso social – ser alto, louro, ter olhos verdes e, uma especial apetência para as ciências abstratas, pois é nelas que se irão centrar os novos investidores.

Foi na China que se deu este primeiro passo e não nos USA., por ali não haver a mesma pressão ética e por o seu Concelho de Estado ter elegido a investigação genómica como um pilar das suas ambições industriais para o século XXI. As suas empresas habitam uma zona cinzenta entre o sector público e o privado e são abençoadas pelo Banco de Desenvolvimento da China com “milhões” que, a par com o baixo custo de mão de obra, os irá pôr na linha da frente. 

A Notícia é de 28/09/2017

Pesquisadores chineses afirmam ter realizado pela primeira vez no mundo uma "cirurgia química" em embriões humanos para extrair uma doença.

A equipe da Universidade de Sun Yat-sen usou uma técnica chamada "edição de base" para corrigir um único erro entre as três biliões de "letras" do nosso código genético.

Eles alteraram embriões feitos em laboratório para extrair a doença talassemia beta. A equipe disse que a experiência pode levar, algum dia, ao tratamento de uma série de doenças herdadas geneticamente.

A técnica altera a construção base do DNA.

A talassemia beta é uma doença do sangue que causa anemia e pode levar à morte. É provocada por uma mudança numa única base no código genético - conhecida como mutação pontual.

Os pesquisadores chineses "editaram” o DNA e trocaram o G (guanina) por um A (alanina) corrigindo o problema.

"Somos os primeiros a demonstrar a viabilidade de curar doenças genéticas em embriões humanos a partir de um sistema de edição de base", disse à BBC Junjiu Huang, um dos cientistas do grupo, e continuou: "o estudo abre novas portas para tratar pacientes e prevenir bebés de nascerem com a talassemia beta, e até mesmo outras doenças hereditárias".

As experiências foram efectuadas com tecidos de um paciente com a doença e através de embriões humanos criados a partir da clonagem.

Revolução genética

A edição de base é um avanço em relação a outra forma de editar genes, a técnica conhecida como Crispr, que já está a revolucionar a ciência.

A Crispr quebra o DNA. Quando a célula tenta consertar a quebra, desactiva uma série de instruções genéticas, e cria a oportunidade de inserir novas informações genéticas.

A edição de base faz com que as próprias bases de DNA se transformem umas nas outras.

O professor David Liu, pioneiro da edição de base na Universidade de Harvard, descreveu o método como "cirurgia química".

Afirma que a técnica é mais eficiente e tem menos efeitos colaterais indesejados do que a Crispr.

"Cerca de dois terços das variantes genéticas humanas associadas a doenças são mutações pontuais. Portanto, a edição de base tem o potencial de corrigir directamente, ou reproduzir para fins de pesquisa, muitas mutações patogénicas".

O grupo de cientistas da Universidade de Sun Yat-sen em Guangzhou (China) foi manchete quando  foram os primeiros a usar a técnica Crispr em embriões humanos.

O professor Robin Lovell-Badge, do Instituto Francis Crick em Londres, disse que determinados trechos desse último estudo são "engenhosos", mas também questionou por que não fizeram mais pesquisas com animais antes de irem directamente aos embriões humanos e afirmou que as regras sobre pesquisas com embriões noutros países teriam sido "mais rigorosas".

O estudo, publicado na revista científica Protein and Cell, é o mais recente exemplo da rapidez na evolução da habilidade dos cientistas de manipular o DNA humano, o que está a provocar um debate profundo de ética na sociedade, sobre o que é e o que não é aceitável nos esforços para prevenir doenças.

O professor Lovell-Badge disse que esses métodos dificilmente serão usados clinicamente em breve:
"Serão necessários muito mais debates sobre ética e sobre como esses métodos serão regulados. E, em muitos países, incluindo a China, é necessário ter mecanismos mais robustos para regulação, fiscalização e acompanhamento a longo prazo."


E eu que já ando neste mundo há uns bons pares de décadas, contraponho: 
- Se uma coisa pode ser feita, ela irá ser feita. Aqui, ali, às claras ou às escuras!

terça-feira, 5 de julho de 2011

Aulas ao fim do dia





A Yale University (USA) disponibiliza aulas directamente nesta página do Youtube.


Ao carregar no botão vermelho "CC" na barra abaixo da imagem, passa a visualizar as legendas e a poder traduzi-las para Português.

Meus amigos:
Que tal uma aula ao fim do dia, sobre um tema ao vosso gosto em vez daquela hora perdida em frente à televisão.
Não dá direito a diploma, mas dá para compreender muita coisa.