quarta-feira, 14 de abril de 2010

Carta aberta a Pedro Passos Coelho



Meu caro Passos Coelho
Tinha de te escrever agora, antes de seres 1º Ministro, porque depois nem tempo terás para te coçar, quanto mais para perderes dois minutos nestas linhas.
Tive o prazer de conhecer o teu pai, quando passei por Vila Real, e de o olhar como um oásis, naquela rudeza que era a Saúde em Trás-os-Montes, mas só soube da tua existência na década de 90, quando te vestiste de jovem deputado de questionável mérito.
Agora aos 45 anos atiras-te para a cabeça do touro, confiante que mudas Portugal, com palavras e um grupo heterogéneo de bondade duvidosa. Pensas que “um forte rei, faz forte a fraca gente” e vês-te fermento para os melhores sentimentos nacionais, mas conta que o povo estudou pouco, que abundam inépcias e corrupções, e que, se as racionalizares para conforto da clientela (como fizeram o Papa e o Sócrates), vais ficar pelo caminho.
Conheces os meandros que a malta dos Partidos e da Igreja (e não só), percorre para chegar ao dinheiro, pelo que te não deves esquecer que é neste espaço que se jogam os valores, já que essa conversa do combate ao desperdício e da eficiente fiscalização das Instituições do Estado são bandeiras já muito gastas.

A tua política 3Ds (despartidarizar a Administração, desgovernamentalizar o Estado e desestatizar a Sociedade) parece não contar com a natural perversidade dos privados, e esquecer que se o Estado é mau executor, é ainda pior fiscal, pelo que, é fácil transferir o mal de um lado para o outro, e ficar tudo pior.
Tens ainda 3 anos para chegar a S. Bento, tens boa figura e falas bem o que te dá espaço para escolher quem vai contigo, e estudar como lidar com a violência, pois não te antevejo facilidades, no risco de outros 3Ds (desresponsabilizar a Administração, desmembrar o Estado, desmotivar a Sociedade).

Vai dando notícias, que eu mantenho-me atento. Cumprimentos ao teu pai!
Fernando

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