quinta-feira, 13 de junho de 2013

Ideário

A opção não é entrar pelo cano. É ir ao fundo. Para isso comprámos submarinos.
Há que desvalorizar a mão estendida e promover quem gasta o que não lhes pertence e manda as contas ao Estado, para que se alimente o imaginário e as vaidades da população.

Sem medo, porque a Sra de Fátima ainda é nossa e o Cristiano Ronaldo não se naturalizou noutro país.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Conversas

-Achas que o mundo vai acabar, Isaltino? Que o governo vai cair? Que vem aí um terramoto?
 -Mais fácil o mundo acabar que o governo cair, chefe. Quem ia cobrar-nos os impostos?
 -Alguém se iria arranjar. Havia de aparecer alguém.
 -Era o que eu dizia.

 ...

 In `O colecionador de erva` de Francisco José Viegas

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Aviso

Segundo a Linguagem CIPE/SAPE, o dístico está ERRADO.

PROIBIDO poder-se-ia classificar em:

1- Proibido em Grau Ligeiro
2- Proibido em Grau Moderado
3- Proibido em Grau Elevado

Como neste caso existem excepções, deverá ser classificado como Proibido em Grau Ligeiro e não em Grau Elevado como o "Expressamente" sugere.


Aproveita-se a ocasião para classificar, de igual modo, o adjectivo “IMPOSSÍVEL” em três graus:
1 - Impossível em grau Ligeiro
2 - Impossível em grau Moderado
3- Impossível em grau Elevado ou Muito Impossível.

terça-feira, 4 de junho de 2013

A Julinha e o Cansado


A Julinha, chefe da Secretaria no Hospital Velho, era uma "disciplinadora". Tinha um gosto particular em alimentar com papéis os inúmeros dossiers por que era responsável, como se cada um fosse um ser vivo a necessitar de novas folhas para crescer. Criara uma teia burocrática tão eficiente que, até os mais avisados, contribuíam para elevar as suas endorfinas. Estava ali para aplicar as soluções já definidas e sentia que tinha por missão educar os funcionários.

Na altura, a Secretaria era uma sala rectangular, dividida por um balcão em L, com dois guichets contíguos no canto, para o Atendimento. Em cima deles dois letreiros de grandes letras informavam, num “Tesouraria” e no outro “Secretaria”. O horário era ESCRUPOLOSAMENTE cumprido. -"Sr. Dr.! Abrimos às onze e fechamos ao meio-dia!", e, quem chegasse fora desta hora, ou se entretinha a observar o ponteiro dos segundos a sobrepor-se ao dos minutos até às onze ou teria de vir no dia seguinte, se não fosse sexta-feira.

Um dia, o Dr. Coelho Cansado, foi à Secretaria para regularizar um esquecimento de assinar o Livro de Ponto. Não havia ninguém a aguardar. A Julinha debruçava-se sobre uma resma de papéis no guichet "Tesouraria". Cumprimentou-a:  
- "Dona Júlia, eu vinha aqui porque não assinei o Ponto!", disse então, na esperança de uma fácil solução, por ignorar a importância que pode ser atribuída a um sarrabisco colocado a tempo e horas numa folha de papel, e aguardou o seu olhar por cima dos óculos.
- "Sr. Dr.! Trata-se então de um problema de presença!”, confirmou com ar de poucos amigos, decidida a não deixar qualquer i sem o respectivo ponto.
De seguida levantou-se, disse “Um momento!”, contornou a esquina que a separava do outro guichet, onde estava escrito “Secretaria”, abriu o vidro, voltou a sentar-se e continuou:
"-Sr. Dr.! ... Agora ... Faz favor de dizer!"


O Dr. Cansado, que já era torcido, aprendeu o que lhe faltava. Desde então, não se envolve em nada. Anda pelos mínimos e cumpre religiosamente o registo da assiduidade. Se sai às cinco, às cinco menos vinte, começa os preparativos. Se está com um doente, informa-o: - "A sua consulta acabou, porque eu tenho de ir despir a bata e demoro cinco minutos a descer as escadas até ao lugar onde tenho de pôr o dedo!"

sábado, 1 de junho de 2013

Rita


- Avó!
- Diz, Rita!
- Os católicos são bons?
- Ser bom ou mau não tem nada a ver com ser católico. Ser católico é acreditar em Deus e ir à missa. Os não católicos não vão.
...
...
...
- Eu não sou católica!. … … ... … … Não gosto de missas! … … ... ... Nunca mais acabam, ... ... falam uma língua que eu não percebo nada do que dizem!
- Mas, Rita! Tu alguma vez foste a uma missa?
...
- Fui!
- Foste com a avó Guida?
...
- Sim! … … … … A missa faz-me vómitos!
- Rita! Como é isso? A missa não pode fazer vómitos.
- Faz, avó! Vomitei em dois papéis que a avó Guida me deu. Uma espuma branca! ... ... ... Depois a avó Guida saiu de ao pé de mim e foi lá fora procurar um caixote do lixo para pôr os papéis, e quando veio, a missa estava a acabar! ... ... ... Foi esperta! ... Saiu da missa e eu tive de ficar até ao fim com o avô João!

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Braga POP Hostel

Os prémios não pagam dívidas, mas estar entre os 10% melhores no tripadvisor é qualquer coisa.
Para quem não sabe, o Tripadvisor é uma empresa MUNDIAL de turismo. Funciona de uma maneira única já que são os próprios clientes que avaliam as empresas. Qualquer um de nós pode ir ao tripadvisor e escrever se comeu bem ou mal num determinado restaurante, se a tour que fez era boa, se o hotel era bichigoso...
Vejam o que é que os meus clientes dizem do meu boteco - que é o nº1 em Braga em alojamentos especializados e número 2 em 230 em toda a região Norte de Portugal!
Helena Gomes

quarta-feira, 29 de maio de 2013

domingo, 26 de maio de 2013

Um transmontano

Eu nasci em 1950, em Trás-os-Montes. No fim do mundo. O meu pai era um janota, de olho azul traição, a quem a família arranjou casamento tardio, depois de muitas altercações sobre o seu modo de viver, e a minha mãe, era o que se pode chamar … uma mulher “feroz”!

Com poucos meses de idade fui entregue à minha madrinha, irmã dela e professora numa aldeia do distrito.  Uma viking, alta e loura que levava todos na frente. Nunca casou. Dava-me aulas dentro e fora da escola.
Até à ida para o Liceu, só ia a Moncorvo alguns dias de férias.

Quando voltei para casa dos meus pais, mal conhecia os meus irmãos. Vinha de correr atrás dos burros e das ovelhas e estranhava-lhes os ademanes.
A minha mãe era de uma religiosidade à prova de bala. Ia à missa para se salvar e ao bruxo para dar tino a um irmão que era feito da pele do diabo. Antes de se deitar, atirava sal para os cantos da cave e depois rezava o terço. Só permitia que se festejassem dois eventos. A Páscoa e o Natal. Só soube o que era uma festa de anos quando me casei.

Aos 16 anos mudámos para o Porto, por questões de saias do meu pai. Foi a primeira vez que vi uma cidade com luz à noite. Era só abrir os olhos e deixar que tudo entrasse cérebro adentro.

Quando fiz vinte e três anos a minha madrinha informou-me que tinha uma mulher para mim. Nessa altura eu já era citadino e recusei. Mas atenção, que madrinha em Trás-os-Montes não era o mesmo que no Porto, que é madrinha de festa. Madrinha obrigava. Foi com grande dificuldade que evitei aquele casamento cuidadosamente arranjado.

Depois o meu pai morreu e a minha mãe vestiu-se de preto opaco nos trinta anos que lhe sobreviveu. Morreu aos 92 anos, sem nunca nos entendermos.

Deus, se existe, deve divertir-se à brava a baralhar destinos.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Quatro Santos, Um Carneiro e Dois Andrades


Na linha da frente, sentados: a minha bisavó Maria, o 2º marido - Faustino e a minha avó Helena.
De pé, na fila de trás, e da esquerda para a direita, os 3 filhos do 1º casamento - Alberto, Amílcar, o meu avô António,  e Faustino do 2º .
Torres Vedras - Fevereiro/1926, um mês depois do nascimento da minha mãe.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Esposas

-Oh Sr. Dr.! Eu gosto muito dele, mas cada ano que ele viva, são cinco que me tira!
...
-Oh filha! A gente gosta muito deles, mas quando se vão, ficamos muito melhor!
...
-Oh Sra. Dra.! Eu vejo para aí tanta viúva satisfeita da vida, que pergunto a Deus porque é que não me dá sorte igual!

terça-feira, 21 de maio de 2013

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Supositórios



São práticas antigas: Xaropes para a tosse e Supositórios para a febre, por se manter a crença de que o veículo é primordial no sucesso da terapêutica.
Mas se nas crianças são importantes, nos adultos só se justifica usar supositórios para tratamento de doença ano-rectal ou quando não há garantia de via oral por vómitos ou intolerância. Prescrever supositórios fora destes parâmetros, pode ser um problema.

A história que se segue, ocorreu em Bragança, na última metade do século passado, quando um clínico receitou supositórios a um aldeão, para tratamento de uma dor de ouvidos.
Passados dias, a mulher do doente procura-o no consultório, para lhe dizer que o marido não os conseguia engolir e que lhe sabiam muito mal. O médico informa-a então de que os supositórios não são de comer e que os devia introduzir no recto.
- No quê, senhor doutor?, inquiriu a pobre mulher, a braços com uma anatomia desconhecida.
- Oh mulher! Diga ao seu marido que os supositórios são para meter no cú! Percebe assim!? - clarificou-a então.  E a senhora, conformada, confessou: -Bem me dizia o meu marido, que se eu viesse aqui, sem consulta marcada, o senhor ainda me ia dar uma má resposta!

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Milagres

Em 11 de Outubro de 1946, Nossa Senhora apareceu em Vilar Chão, no concelho de Alfândega da Fé, a mais de 40.000 pessoas, depois de muitos milagres e curas terem acontecido, catalisados pela vidente Amélia Natividade Fontes. Uns “viram” Nossa Senhora com o Menino ao colo, outros, S. José, a Virgem e o Menino na fuga para o Egipto, e até houve quem "descobrisse” um soldado romano a pôr uma escada junto à cruz para ajudar Cristo a ir directo para o céu.

A “miraculosa” tinha 22 anos e estava entrevada desde os 15, depois de uma muito provável estafilococia (o povo pensava em lepra). Como os médicos “não atinavam com a doença”, o padre da freguesia sugeriu-lhe que implorasse um milagre e logo ela “recebeu a visita da Virgem, que a curou!

Anunciada a “boa nova” acabou o sossego da aldeia, com peregrinos e gente à procura do grande espólio largado pela fé dos crentes, enquanto a Amélinha, uma vez por outra, ia de visita ao Céu, ao Inferno e ao Purgatório. Numa dessas digressões, “viu” Nosso Senhor na cruz, cuja sombra se lhe projectou na testa e lhe causou o sinal que a estigmatizava.

Porque todo o povo dizia que a virtude da “santa” era tanta que há muitos meses não comia, o bispo da diocese exigiu um exame médico credível à rapariga e, neste contexto, o Delegado de Saúde de Bragança, deu ordem ao motorista para a ir buscar para ser observada.
Segundo relato verbal do dito médico, o chauffeur não era dos melhores. Conduzia aos repelões, com travagens e acelerações sucessivas que facilmente despertavam o enjoo dos passageiros, pelo que lhe atribuiu parte da responsabilidade no Milagre que na viagem aconteceu.
Logo nas primeiras curvas e contracurvas da serra de Bornes, a Amelinha teve três arrancos, e de seguida, mesmo com vários meses de jejum, vomitou uma grande quantidade de couves com feijão.
Haja Deus!

sexta-feira, 3 de maio de 2013

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Normas

Quando se sabe interpretar o que se lê, é possível implementar regras com maior facilidade, fixando-as, por exemplo, no cimo das escadas que todos os dias se percorrem várias vezes.