Oh it's fare thee well my darlin' true,
I'm leavin' in the first hour of the morn.
I'm bound off for the bay of Mexico
Or maybe the coast of Californ.
Oh the weather is against me and the wind blows hard
And the rain she's a-turnin' into hail.
I still might strike it lucky on a highway goin' west,
Though I'm travelin' on a path beaten trail.
I will write you a letter from time to time,
As I'm ramblin' you can travel with me too.
With my head, my heart and my hands, my love,
I will send what I learn back home to you.
I will tell you of the laughter and of troubles,
Be them somebody else's or my own.
With my hands in my pockets and my coat collar high,
I will travel unnoticed and unknown.
I've heard tell of a town where I might as well be bound,
It's down around the old Mexican plains.
They say that the people are all friendly there
And all they ask of you is your name.
So it's fare thee well my own true love,
We'll meet another day, another time.
It ain't the leavin'
That's a-grievin' me
But my true love who's bound to stay behind.
1:
Trazida pela GNR com carta de um responsável do Centro de Saúde, onde se refere comportamento agressivo, verbal e físico com a vizinhança, a solicitar intervenção das autoridades.
Tem 78 anos. Vive com marido. Tem dois filhos emigrados.
Diz sentir "um enxame à volta da cabeça” que não a deixa dormir. Que a filha fala com ela, mas que não a vê. Desde o nascimento da filha que ouve a zumbar lá em cima, e ela já tem 40 anos!”. Ultimamente, o enxame chama pela mãe, comenta e pede coisas. É pior à noite. "Uma voz de homem, a rir-se!..."
Os familiares notam agravamento nos últimos três anos, com delírios persecutórios, agressividade verbal e isolamento social.
Diz que lhe querem envenenar a comida e que os vizinhos lhe roubam os animais, o que o marido nega. Tem andado na via pública com milhares de euros, por medo que lhe roubem o dinheiro em casa.
Está com contenção física, verborreica, má higiene e péssimo cuidado físico. Fala em tom alto e ameaçante, sem crítica para a doença, nem da necessidade de tratamento.
2:
51 anos. Casada. Mãe de uma filha.
Tem acompanhamento psiquiátrico e vários internamentos por "depressão neurótica". No último, por alterações comportamentais marcadas, teve alta com diagnostico de Histeria.
Tem identificado problema conjugal associada a consumos alcoólicos do marido e está em luto prolongado pela morte do filho.
Hoje teve novo episódio de agitação psicomotora. De acordo com o marido, que a acompanha, de madrugada e sem qualquer motivo aparente, ficou muito agitada, saiu de casa e vagueou sem destino, com comportamento desorganizado e agressivo, no que destruiu vários bens da sua habitação.
Apresenta-se com agitação psicomotora. Agarra vários objectos e atira-os ao chão. Disfere murros e pontapés. Discurso espontâneo, mas incoerente, com respostas inadequadas. Humor disfórico. Sem evidencia de actividade heteróloga.
O marido recusa levá-la para casa.
3:
57 anos. Casado. Vive com a mulher. Tem um filho de trinta e três anos.
Reformado há um ano por problemas físicos. Foi marteleiro. Frequentou a 4ª classe (2 reprovações).
É seguido em Psiquiatria por quadro depressivo após a morte da mãe. Não tem internamentos. Nega consumo de álcool, tabaco ou de drogas ilícitas
Refere que há três semanas não está bem em lado nenhum, não tem apetite e que até o cheiro da comida o enjoa. Diz ter perdido 8Kg. Tem ideias de morte - "já me lembrei de me meter debaixo de um comboio ou de um carro!”, mas que nunca chegou ao ponto em que agora está – “Nunca estive assim! Os medicamentos já não fazem nada!"
Queixa-se de insónia, anedonia e tristeza. Nega contactos sociais. Diz passar o dia entre a sala e a cama. A esposa conta que se terá atirado de um segundo andar no passado mês, já com intuito auto-lesivo e que não terá sido avaliado, nessa altura, por Psiquiatria.
Entretanto, quadro tem-se vindo a agravar, com verbalização repetida de ideias de morte.
Está consciente, deambula com auxiliar de marcha. Atenção captável e mantida. Olhar dirigido inferiormente. Discurso espontâneo, de ritmo aumentado. Verborreico. Apelativo. Labilidade emocional quando abordada a limitação funcional. Chora com cabeça pousada sobre a mesa.
Sem alteração do conteúdo do pensamento nem da sensopercepção. Com critica para a situação.
4:
36 anos. Solteiro. Vive com companheira. Trabalha como técnico comercial.
Há 1 ano, com queixas ansioso-depressivas que associa a problemas laborais. Encontra-se há dois meses de baixa. Centrado nos problemas económicos. Sente-se muito revoltado por "injustiças da vida". Admite comportamentos agressivos para com terceiros. Tem havido envolvimento policial.
Ontem, em contexto de conflito conjugal, ter-se-á auto-agredido – fez cortes superficiais no antebraço direito. Nega ideação suicida prévia. Diz não ter coragem de se magoar.
Orientado. Aspecto e vestuário cuidados. Colaborante. Postura adequada. Discurso espontâneo e coerente, centrado nas queixas. Humor lábil e superficial. Sem atividade heteróloga. Sem ideação suicida estruturada.
5:
87 anos. Viúva há 9 anos. Sem filhos biológicos. Tem uma filha adoptiva com 28 anos. Foi família de acolhimento.
Vive com a filha adoptiva, companheiro e 2 filhos até há 2 meses, mas não se sente bem com eles porque terão problemas de abuso de álcool. Nega maus tratos, mas acusa-os de terem desviado dinheiro da sua conta.
Ontem queria ir para a sua casa, mas o companheiro da filha não deixou e disse-lhe que a fechava, pelo que ameaçou atirar-se da janela. Em seguida, os familiares abriram-lhe a porta e foi encaminhada para o SU. Hoje diz que não se atiraria por ser muito alto e não ter intenção de morrer.
Refere diminuição do apetite de há uma semana. Apesar de afirmar que não fez o luto do marido, começa a chorar durante a entrevista. Nega tristeza. Refere ansiedade. Sem alterações do padrão
do sono.
Conta vários episódios de quedas. Negados estados confusionais. Afirma que não se perde em casa ou na rua e que não deixa luzes, água ou gaz ligado. Faz as actividades da vida diária sozinha. Por vezes nota dificuldade em recordar o nome das pessoas.
A sobrinha admite que a referência ao hospital teve a intenção de a institucionalizar e confirma que a senhora tem posses suficientes para estar em sua casa com apoio e que, até ser contratado alguém, se disponibiliza a fornecer a medicação e refeições.
Está colaborante e orientada. Postura adequada. Cuidados de higiene mantidos. Humor eutímico, com períodos de labilidade emocional quando fala do marido. Discurso lógico e coerente, sem alterações do conteúdo do pensamento. Sem ideação suicida estruturada.
6:
62 anos. Tem acompanhamento em Psiquiatria de longa data e vários internamentos, com diagnóstico de histeria.
Recentemente, tem vindo múltiplas vezes ao hospital na expectativa de ser internada. Ontem veio mais uma vez, com a mesma intenção e foi necessária a intervenção da equipa de segurança para a conter.
Está consciente, gradualmente mais agitada, repetindo que exige ser internada e que recusa sair do hospital. Sem disponibilidade para qualquer tipo de intervenção psicoterapêutica. Não se evidencia atividade heteróloga.
Durante a entrevista, ausenta-se do gabinete, pelo que se torna novamente necessário a intervenção da equipa de segurança. Quando é novamente trazida, mantém estado de agitação, com tremor generalizado, mais acentuado na mandibula e com hiperventilação.
7:
23 anos. Solteiro. Sem filhos. Vive com os pais, dois irmãos mais novos e a avó materna.
Tem oligofrenia sequelar a sofrimento fetal. Esteve integrado na APPACDM e fez curso de serralharia.
Segundo a mãe tem períodos quase diários de heteroagressividade, dirigida aos irmãos e vizinhos, que alterna com fases depressivas.
Marcada impulsividade. Mãe chamou a GNR. Diz que anda sempre implicativo e "chato"
Apresenta-se de braços cruzados, imóvel, em mutismo. Humor neutro. Evidentes dificuldades cognitivas. Discurso escasso, mas globalmente coerente, com pobreza de conteúdos. Não se detecta actividade delirante ou alucinatória. 8:
18 anos. Solteira. Sem filhos. Vive com o pai. Frequenta o 12º ano .
Foi já seguida em Psicologia. Faltou à última consulta. Os pais divorciaram-se recentemente e foi viver com o pai, porque a mãe tinha dificuldade em sustentar as duas. Desde então a mãe "quase não lhe fala!"
Desistiu de ir a escola porque tinha muitos módulos em atraso e sentia que não ia conseguir fazer o projecto final.
Há alguns dias com comportamentos auto-mutilatórios no punho, antebraço e face . cortes muito superficiais. Sem ideação suicida associada - "queria aliviar o sofrimento de alguma forma".
Ontem, após uma discussão com o pai e o namorado, por causa das auto-agressões, terá tido episódio de ansiedade.
Humor depressivo e ansioso, reactivo a situação de vida. Tem sono regular, apetite diminuído. Anedonia.
Chamo-o pelo intercomunicador. Duas vezes. Face à demora, vou ao corredor, disposta a procura-lo nalguma das macas, quando uma jovem a apoiar a marcha cambaleante de um homem de meia idade, me responde:
- É o meu tio!
- Fazem o favor de se sentarem. Então que se passa?
- O meu tio saiu ontem da prisão de Bragança. Veio de precária, como já acontece de há uns meses para cá. Fomos buscá-lo a Braga, como combinado com o táxi que o trouxe junto com mais três. Mas quando começámos a falar com ele, vimos logo que não estava bem. Dizia que lhe doía a cabeça e que queria ir ao Hospital. Levámo-lo às Urgências a Braga. Esteve lá umas horas e deram-lhe alta, com uma receita para a dor de cabeça.
- Então, após a alta, o que se passou para voltar hoje aqui?, pergunto, a pensar nas doenças que se manifestam insidiosamente e que numa primeira observação podem passar despercebidas.
- Sra. Dra.! Quando o metemos no carro para o trazer para casa, ele continuou a dizer que não estava bem e, na passagem por Vila Verde, levámo-lo ao Hospital Particular. Aí esteve a soro mais de três horas e, ao fim do dia, disseram que já estava bem e deram-lhe alta.
Levámo-lo para casa e foi uma noite de S. João. Levantava-se, saía do quarto e não dizia coisa com coisa! Ninguém dormiu! Foi por isso que o trouxemos aqui.
Alterações neurológicas agudas em doente de um estabelecimento prisional, pôs-me logo a pensar em SIDA e em infecção do sistema nervoso central. Fui ao computador ver no “PDS” (Plataforma de Dados da Saúde) se havia registos. No Hospital de Bragança, tinha uma entrada no Serviço de Urgência por dores anais, que foram interpretadas como dependentes de uma fissura e no Hospital de Braga tinha a entrada do dia anterior. Fora observado por Neurologia e Psiquiatria. Referia-se tentativa de contacto com o Estabelecimento Prisional de Bragança, sem sucesso e, ao fim de umas horas, teve alta, sem que fosse anotada qualquer alteração orgânica. O PDS não me dá acesso aos meios auxiliares de diagnóstico.
A sobrinha é uma rapariga de pouco mais de vinte anos. Está bem vestida e tem um discurso que denota alguma formação. Ele, embora ande nos quarenta, tem fortes rugas a marcarem-lhe o rosto magro, e uns os olhos mortiços que vagueiam ora pela sala, ora pelo chão, raramente em mim. Não responde ao que se lhe pergunta. É a sobrinha que dá todas as explicações: Que está preso por furto, que não lhe conhece consumo de drogas, nem de qualquer doença e que sempre o considerou “um homem normal”. Entretanto ele tira, inapropriadamente, as coisas mais variadas dos bolsos das calças. Papel higiénico enrolado, uma esferográfica, um fio que parece um atacador de sapatos, um plástico transparente com uns papéis lá dentro, que deixa escorregar para o chão. A sobrinha tenta ajudá-lo a recuperar os pertences, mas ele, lesto, adianta-se.
Espanto-me com a certeza do gesto, para quem há minutos vacilava, mas nesta coisa de saúde há alertas que se não devem ignorar e apesar de um exame físico sem alterações, decido excluir SIDA e algumas das suas complicações neurológicas, e peço TAC crânio-encefálico, análises e faço-lhe uma punção lombar. Tudo normal. Face à negatividade do estudo, decido pedir drogas de abuso na urina: Positivas para cocaína!!
Naquele táxi vieram três reclusos em “precária” para serem recolhidos pelas famílias a mais de 200Km de distância. As drogas foram, certamente, consumidas durante a viagem.
Como é que me não ocorreu logo isso, antes de ter considerado todas as doenças?
As Leis de Murphy são uma realidade - “as coisas perdidas estão sempre no último lugar onde as procuramos!”
Catherine Nixey licenciou-se em Estudos Clássicos pela Universidade de Cambridge
A Chegada das Trevas é a história largamente desconhecida – e profundamente chocante – de como uma religião militante pôs deliberadamente fim aos ensinamentos do mundo clássico, abrindo caminho a séculos de adesão inquestionável à “única e verdadeira fé”. O Império Romano foi generoso na aceitação e assimilação de novas crenças. Mas com a chegada do Cristianismo tudo mudou. Esta nova fé, apesar de pregar a paz, era violenta e intolerante. Assim que se tornou a religião do império, os zelosos cristãos deram início ao extermínio dos deuses antigos – os altares foram destruídos, os templos demolidos, as estátuas despedaçadas e os sacerdotes assassinados. Os livros, incluindo grandes obras de Filosofia e de Ciência, foram queimados na pira. Foi a aniquilação. Levando os leitores ao longo do Mediterrâneo – de Roma a Alexandria, da Bitínia, no norte da Turquia, a Alexandria, e pelos desertos da Síria até Atenas –, A Chegada das Trevas é um relato vívido e profundamente detalhado de séculos de destruição.
Ia de férias quando ele me chamou do escaparate de uma livraria. Calmamente, digeri-o ao longo dos dias, vendo nele muito do que está a acontecer nos nossos dias.
É um olhar diferente. Talvez incompleto, mas que tem em consideração factos que foram intencionalmente encobertos pela História escrita pelos vencedores - os bispos cristãos!
The clash between the classical order and Christianity is a tale of murder and vandalism wrought by religious zealotry, evoking modern-day parallels.
"The Guardian"
Duas pessoas podem estar a usar a mesma palavra para significar coisas diferentes e mesmo assim alimentarem uma conversação, o que não é mau para uma cavaqueira de café, mas é péssimo quando se têm de tomar decisões que afectam a vida dos outros.
Religião raramente significa o mesmo para povos diferentes. Para os primeiros Judeus, para os primeiros Cristãos e para os Muçulmanos, religião é Lei. Para os Judeus é lei tribal, para os outros - universal.
Para os Romanos, religião era eventos, rituais e festivais.
Dois mil anos depois, a Cristandade "vitoriosa", adoptou os hábitos romanos. Apoderou-se dos eventos, dos rituais e dos festivais, aceita uma Lei separada das suas crenças e o seu Deus único vive como Zeus, acompanhado de Santos, que mais não são que deuses de segunda ordem
To have "skin in the game" is to have incurred risk (monetary or otherwise) by being involved in achieving a goal. The aphorism is particularly common in business, finance, and gambling, and is also used in politics.
Basicamente: se queres que honestamente te sigam, põe a “tua pele em jogo” no projecto que defendes.: “Put your mouth where your money is!” ou ”Don’t tell me what you “think”, just tell me what’s in your potfolio!” ou"Those who talk should do, and only those who do, should talk!".
Vão estas frases em inglês, por serem da cultura anglo-saxónica. Quem não as entende, também não se há-de demorar a ler um texto com mais de três linhas, principalmente se pertence ao grupo dos que opinam sobre o que desconhecem ou sobre o que não os afecta.
Se um decisor tem os benefícios de um projecto, tem de partilhar os riscos, para não serem só os outros a pagar o preço dos seus erros. Se dá uma opinião e alguém a segue, fica moralmente obrigado às suas consequências.
A política está cheia de quem nunca teve de pagar pelas consequências das suas opções. Gente que mergulha em elaborados discursos de chavões, com pensamentos pouco abrangentes e estáticos, que só considera as acções e não têm em conta as “interacções”.
Num sistema centralizado, a Burocracia separa-os “convenientemente” das consequências. Só a descentralização, distribuindo a responsabilidade, fará com que se encontre, "naturalmente", mais gente a pôr a “pele em jogo”.
A gastronomia hospitalar é reconhecida como um importante recurso terapêutico.
Antigamente, as refeições eram chamadas de dietas: com pouco sal, sem gordura e tempero. Esta imagem negativa da área de nutrição hospitalar está a tornar-se cada vez menos frequente. Não existe mais aquela restrição do paciente comer canja de galinha todos os dias. Os cardápios são variados, para que o cliente saia satisfeito com o tratamento e atendimento.
Está-se a incorporar o conceito de hotelaria na área hospitalar, o que faz com que aquela ideia de ambiente com cheiro de remédio e comida sem gosto, seja completamente distorcida.
O corredor de paredes azul-acinzentado (ou cinzento-azulado) tem uma iluminação alta e fria, como é usual nos hospitais. No chão, sobressai uma linha negra a todo o comprimento e a dois terços da largura, que curva à direita e indica o caminho do “raio x”.
Para que chamem sala de espera a este corredor, colocaram 2 filas de cinco cadeiras de um lado e, do outro, um ecrã de televisão sintonizado na SIC, sem som, onde de madrugada, se sucedem repetições de televendas destinadas a publico insone.
Debaixo do ecrã, outras três cadeiras não podem disfrutar da TV. Ao seu lado, duas máquinas de venda automática ronronam pela noite fora e gemem cuspindo comida e bebida sempre alguém lhes dá moedas.
De pulseira roxa no pulso, ali permanecem os acompanhantes daqueles a quem a saúde faltou, de modo suficientemente severo para serem rotulados de “laranja” … São maioritariamente mulheres! … será que lá dentro são maioritariamente homens?
Entre o olhar perdido no ecrã da televisão ou do telemóvel, fazendo escorregar o polegar em suaves carícias desperdiçadas, o tempo não passa.
De cada vez que a porta da área laranja se abre, os olhares convergem na esperança de vislumbrar o que se passa lá dentro com o seu familiar, ou com qualquer outro, que a curiosidade não se perde, mesmo em circunstâncias adversas.
Do que vislumbro, os profissionais enfrentam os computadores que dominam o centro da sala e impõem a sua luz azul. Falam, circulam, sentam-se, levantam-se de olhos sombrios, assoberbados com a intensidade e volume das tarefas – hoje foi mesmo o pior dia para vir à Urgência – desabafou comigo um médico em jeito de desculpa.
O movimento do corredor é intenso. Sendo um dos acessos ao serviço de Urgência, médicos, enfermeiros, auxiliares e administrativos, todos o percorrem garbosos nas suas fardas novas, assexuadas, de cores distintas por classe profissional, mas sem que haja uma legenda em que possa descortinar a ligação da cor à função. A atenta observação da execução das tarefas lá me deixou interiorizar o código cromático.
Parece estipulada uma cadência de movimentação e todos se deslocam à mesma velocidade – nem demasiado rápido, nem demasiado lento.
Os fragmentos de conversas atiçam a imaginação de quem fica pendurado na frase e a tenta completar…
Passam-se as horas neste limbo e é então que me apercebo que, a espaços regulares, sai da área laranja um auxiliar que empurra ora uma maca, ora uma cadeira de rodas. Invariavelmente transporta um idoso na tal cadência certa, mas gerindo com destreza o rodado que se aproxima dos pés dos que ostentam a pulseira roxa e se mantêm sentados nas incrivelmente desconfortáveis cadeiras.
E ao passar apregoam: “familiar da Sr.ª Antónia”, familiar do Sr. José”, “familiar do Sr. Manuel” … em voz alta e monocórdica, sem olhar para o lado, sem atrasar o passo…
Despojados do seu nome de família e exibidos pelo exíguo corredor em jeito de leilão, estes idosos, de olhar perdido, são transportados para as salas de exames ou para o internamento. Para muitos, não houve ninguém que se levantasse da cadeira para o acompanhar.
- Eu vou receitar-lhe uma gotas novas para colocar nos olhos. Não sei se lhe vão fazer mal ao coração! ... Mas veja! … Se se sentir mal, não tome!…
Terá sido assim que acabou a última consulta no Hospital que, em nome de especialista de renome, foi efectuada por jovem interna, inexperiente com as expectativas sobre a visão, terapêutica ou efeitos laterais desta, de um jovem de 97 anos.
O facto é que colocou uma gota nos olhos e logo o coração se contorceu em espasmos e arritmias e gritos aflitivos, mais do que esperados…
As queixas têm sido recorrentes: - Vejo cada vez pior!, O teu pai não vê nada!, O avô não percebe nada da consulta!, Não presta atenção às indicações médicas!…
Lá vou ouvindo também com a convicção de que realmente não há muito mais a fazer, e que será tempo de nos conformarmos com as maleitas que a idade nos vai oferecendo, para nos tornar gratos por cada dia que desfrutamos da vida.
Mas o bichinho fica a roer por dentro: …e se, afinal, há algo mais que se possa fazer?
Aí vou eu marcar mais uma consulta na privada (como um bom português), para tirar a limpo.
Lá vamos os três para a sala de espera, que estava a abarrotar, onde o paciente encontrou publico para tentar cantar uma cantiguinha - Os teus olhos verdes” - alto, muito alto, que a consulta de ORL, para tirar a cera, ainda tarda….
Enquanto esperamos, faço as recomendações do costume – Vê lá o que dizes!, ... Responde objectivamente às perguntas!, ... Não entres em conversas que não têm nada a ver com os olhos!…
Com algum atraso, lá somos chamados para a porta da Doutora, depois de passar pelo crivo das tensões oculares.
Continua a falar alto e a voz ecoa agora pelo corredor silencioso dos gabinetes de consulta. Embaraçoso q.b.
Quando atendidos, preocupo-me em que a doutora entenda o motivo da consulta e confesso que quase o não deixei falar, para que a conversa não se enviesasse e se perdesse o foco.
-Muito bem! Ora vamos lá ver primeiro o olho direito. Senhor Engenheiro diga lá o que vê (a 5 metros)
P N T U V X H
-E agora estas
X K L P O C R
-Muito bem e estas, atreve-se?
A D Z não sei bem talvez N …não. É H, P L S
-E a última linha? Também com uma pequena hesitação e está perfeito!
Mesma cena com o olho esquerdo.
-Em visão binocular tem 80%! Aos 97 anos! Pode ter campos restritos, mas a visão está lá. Tensão normal. Cristalino operado e transparente humor aquoso com algumas floculações próprias da idade. Uma sinéquia pós-operatória sem grande significado… Mácula sem escavação, alguma palidez provavelmente de eventos vasculares, mas globalmente muito bem.
Portanto, Sr. Engenheiro, pode continuar com a medicação de base e manter uma boa lubrificação do olho!
- Pois, Sr.ªDra.! Eu passo muito tempo ao computador.
- Claro! Não se esqueça de piscar e lubrificar os olhos.
- É a escrever o meu blog - Vivências Mineiras ponto blogspot ponto com, mas a minha filha não quer que eu fale disso! Aliás, eu vinha cá na esperança que me fizesse um transplante de células estaminais, na retina, para recuperar a visão.
- Como sabe isso?
- É da revista "Nature", conhece?
- Sim! Mas sabe, esse tratamento não é para si! Isso é para tratar a doença dos velhos, coisa que o Sr. Eng. não tem.
A história ouvia-a, no refeitório, da boca de um Urologista, no meio de historietas desinteressantes e fotos do Whatsapp.
Um seu par, tentava dar resposta à consulta sobre-lotada, convocando dois doentes de cada vez - um para a consulta e outro para uma cadeira junto à porta, para entrar logo que o anterior saísse.
O primeiro de uma das séries, era um homem de meia idade, com um volumoso hidrocelo que lhe sobressaía nas calças.
Perguntou-lhe se trazia exames já efectuados.
- Deixe-os lá fora, com a minha mulher!
- Oh homem, vá lá buscá-los!
O doente saiu e entrou acompanhado.
- A senhora sente-se aí nessa cadeira!, ofereceu o médico. - E o senhor, por favor, baixe as calças e deite-se ali na marquesa!
Espantado com o aspecto e dimensões do escroto, exclamou: - Ui! Como isto está! E dirigindo-se para a acompanhante: - Venha cá minha senhora!
A mulher aproximou-se, espreitou, e o médico continuou, admoestando-a, enquanto apontava para as partes vergonhosas e pudenguentas do doente: - Isto não interferia com a vossa vida conjugal? A senhora não o aconselhou a procurar o médico mais cedo!?
Aí a pobre mulher virou-se para o médico e respondeu: - Sr. Dr. ! Eu não conheço este senhor! Eu entrei quando ele saiu, como o senhor Dr. mandou, quando me indicou a cadeira ao pé da porta!
Exmo Senhor Presidente da Câmara de Viana do Castelo,
Exmo Senhor Vereador do Ambiente e Biodiversidade, Exmo Senhor Vereador do Planeamento e Gestão Urbanística
Sou moradora na Praça General Barbosa há 9 anos. Comprámos uma casa antiga e restauramo-la porque sempre quisemos morar em frente a este jardim.
Quando soube que iam fazer uma remodelação no Jardim D. Fernando, confesso que fiquei preocupada. Achei que devia ir ver o projecto à Câmara mas o dia-a-dia meteu-se no meio, o tempo foi passando, e as obras começaram.
Sábado passado, dia 14 de Abril, quando saí de casa para o trabalho, pude assistir ao corte de um carvalho. Quando voltei, tinham sido cortadas e transformadas em toros mais quatro tílias e um carvalho. Um triste espectáculo com vários transeuntes a assistir.
Na minha opinião, uma vergonha. E uma tristeza gigante.
Eram árvores muito bonitas, saudáveis, com dezenas de anos, de espécies autóctones.
Quem já passeou pelo nosso monte de Sta Luzia consegue ver a infestação que por lá vai. Eucaliptos, mimosas e austrálias. Raramente se consegue ver mais alguma coisa. Uma bouça com alguns carvalhos é uma festa para os olhos.
E vocês abatem 4 tílias e 2 carvalhos?
No jardim do Marquês, no Porto, aquando das obras para fazer a estação de Metro, a autarquia viu-se obrigada, devido à pressão da sociedade civil, a transplantar para a praça Velasquez os plátanos que planeavam cortar. Ainda hoje lá estão.
Não teria sido possível fazer o mesmo? E alegrar um canto do monte de Santa Luzia, por exemplo?
Imagino que seja uma solução um bocado mais cara, mas acho que há acções que não têm preço. E além de salvar as árvores, este transplante teria uma vantagem ainda maior. Daria o exemplo aos nossos filhos de que as árvores são seres vivos que temos de proteger e respeitar. A consciência ambiental não se adquire apenas nas visitas escolares ao CMIA…
Numa altura em que falamos tanto da reflorestação e da importância da floresta autóctone, este abate foi um acto de uma incongruência que entristece. Porque significa que as coisas ainda estão muito no plano das ideias e das palavras. Andamos em acções de sensibilização a plantar carvalhos, mas se algum deles com 20, ou 30 ou 40 anos se mete no nosso caminho, puxamos da moto-serra e num instante temos o caminho desimpedido. Problema resolvido.
Esta carta tem como objectivo expiar um pouco a culpa que sinto por não ter ido ver o projecto a tempo. E por não ter falado na hora certa.
Espero que sirva também como alerta, para que, numa próxima ocasião, não se opte pela solução mais fácil. Para uma autarquia que se preza em ter uma postura diferente, esta foi uma oportunidade perdida.
Em matéria de maus cheiros, sou "Pró"! Tenho currículo de invejar, pois fui introduzido cedo no “cheiro a humanidade”.
Da escola primária, não tenho dessas memórias. No Liceu, o “Texugo”, pouco dado a banhos e a mudanças de indumentária, tinha fama de trazer um cão morto dentro das calças. Ele e um amigo, que nunca se responsabilizou por uma pestilência, no meio de forte tempestade, em Pardilhó, na carlinga de um Vauxhall de 1939, foram os únicos a deixar marca no meu sistema límbico, por todos os outros terem dado oportunidade de fuga ou terem tido curta duração.
Aos 15 anos, tive a minha primeira prova de fogo. Levado pelo que o cio me obrigava, inalei sovaco retardado e halitose de todo o tipo, entremeado com perfume barato misturado com vinagre, do cabelo das garotas mais espigadas dos bairros sociais do Porto, quando me iniciei nos bailes de S. João.
Para efeitos oficiais, estas experiências iniciáticas, pouco mais fizeram que dar estabilidade à minha pituitária, preparando-a para o que a vida me havia reservado e evitar que o choque olfativo do meu primeiro estágio, na década de 70, nas enfermarias do Hospital de S. João, me encurtasse os dias.
Por uma questão de comodidade, entrava por uma das portas laterais do jardim e estacionava o meu R5 no lado poente do edifício. Infiltrava-me pela porta da ala vizinha, subia ao 4º piso, e atravessava as enfermarias de Neurologia, Ginecologia e de Medicina, até chegar ao cacifo onde guardava a bata.
Só a Ginecologia não tinha doentes no corredor e, às vezes, cheirava a café. Nos outros, as enfermarias (de 9 e mais camas) transbordavam.
Nos primeiros tempos, parava, trinta segundos, no primeiro patamar, fazia três inspirações fundas, e atravessava os primeiros cinquenta metros de corredor sustendo a respiração até ao átrio antes do Serviço seguinte. Entre hiperventilações e apneias chegava ao meu destino. Depois, vestia a bata, pegava nos processos e corria para a biblioteca do serviço. Aí, revia os registos e aguardava o fim das higienes nas enfermarias.
Este sol, foi de pouca dura. Ao fim das primeiras semanas a ver doentes em todos os serviços do hospital, estava apto a identificar o piso e o serviço, se lá me colocassem de olhos fechados (desde que tal acontecesse às primeiras horas do dia) e, ao fim de um ano, tinha até adquirido a capacidade de diferenciar algumas das patologias lá internadas, como abcessos pulmonares por anaeróbios ou pseudomonas, insuficientes renais crónicos, doentes em coma hepático ou com melenas ... a uma distância mínima de dez metros (curvas incluídas).
Foi o auge da minha carreira olfativa pois, de lá para cá, foi um progressivo "ó p'ra baixo", de tal modo que, em meia dúzia de anos, passei a ignorar a maioria dos maus cheiros, salvo o do sovaco requentado, em fim de dia de verão, que ainda me faz arder os olhos.
Mas eu que julgava ter já experimentado os "créme de la créme" da agressão olfativa, fui recentemente surpreendido com uma nuvem de pestilência, saída de uma sala, onde dormiram vinte doentes de ambos os sexos.
Um bafo viscoso espessava o ar e, qual onda de maré, espraiou-se ao longo de toda a minha árvore traqueo-brônquica.
Olhei as duas enfermeiras na secretária em frente. Pareciam náufragos protegendo-se atrás dos écrans dos computadores. Estavam verdes como as fardas que vestiam.
A medo exclamei: - Pelas barbas do profeta! Estais vivas?
Uma delas levantou os olhos congestinados e rouquejou com voz sumida. : - Senhor Jesus! Deus do Céu! Estamos aqui há oito longas horas, sem dar vazão aos traques, arrotos, vómitos, suores, fezes e fraldas ensopadas, sem vento que nos proteja, nem ar condicionado que nos alivie, que ele bufa para cima das macas e os que estão melhorzinho queixam-se. Que Teutatis nos ajude, já que os deuses da nossa terra tardam em ouvir as nossas preces!
O ar que entrara na sala comigo, acordou o doente mais próximo. Da sua boca saiu um bocejo de múmia e uma longa farpa quente de febre, troou como a derrocada de um talude.
Estanquei. O instinto de sobrevivência exigia uma fuga e o de solidariedade, que mais não fosse, umas palavras de conforto àquelas duas vítimas. Mas impunha-se uma continuidade ao serviço e, cobardemente, virei costas, deixando as pobres ao seu destino.
…
No dia seguinte perguntei por elas. Estavam vivas. Haviam regressado a casa pelo próprio pé e recuperado a cor.
- Graças a Deus!, respondi, aliviado. - Felizmente que o teor de ácido sulfídrico não estava em níveis letais e que a tolerância tem Dia Internacional a 16 de Novembro.
Filme baseado na Ópera rock de Andrew Lloyd Webber, com libreto de Tim Rice. Apresentado em 1970.
Uma versão baseada no provável pensamento de Judas (apresentado como o braço direito de Jesus), que sente que o projecto a que aderiu se desvirtuou e pôs em risco todo o grupo, quando Jesus aceitou que lhe chamem "rei dos judeus" e ter uma relação preferencial com Deus.
História (possível) com algum rigor histórico:
Jesus nasceu aproximadamente no ano 4 a.e.c. (antes da era comum), por volta da morte de Herodes Magno.
Passou a infância e os primeiros anos de adulto, em Nazaré, uma aldeia da Galileia.
Foi um judeu praticante, que leu as Escrituras.
Aos 30 anos foi baptizado por João Baptista, o que lhe mudou a vida. (João Baptita foi mandado executar por ter criticado o casamento de Antipas com a mulher do seu irmão, o que fez que se tornasse referência com muitos seguidores, que poderiam dar início a uma revolta).
Reuniu discípulos à sua volta. Ensinou em pequenas povoações e na região rural da Galileia (nunca nas grandes cidades) e anunciou a eminente vinda do “Reino de Deus” à Terra.
Por volta do ano 30, foi a Jerusalém, para a festa da Pessach. Entrou de burro na cidade, como a cumprir a previsão do profeta Zacarias: “Estai atentos! O vosso rei virá até vós, triunfante, montado num burro!”
Quando foi ao Templo agrediu os cambistas e os vendedores de pombas e insultou-os de ladrões, interferindo nos negócios de compra e venda que eram necessários para a manutenção do serviço do Templo, o que deve ter causado escândalo.
Depois, deve-se ter considerado um “homem marcado”. Foi para o Monte das Oliveiras, tomou uma última refeição com os discípulos e aguardou a intervenção de Deus.
Um dos seus discípulos denunciou-o. Foi preso e, num processo adequado a um caso sem grande importância, o sumo sacerdote Caifás, ouvidos os conselheiros, fez uma recomendação de execução ao prefeito romano (Pôncio Pilatos), que agiu em conformidade.
Os seus discípulos fugiram e criaram uma comunidade para aguardar o seu regresso, juntamente com o "Reino de Deus", e procuraram persuadir outros a acreditar nele como Messias enviado por Deus. Este movimentou difundiu-se muito mais rapidamente entre os gentios que entre os judeus.
Geopolítica da época:
Quando Herodes Magno morreu, o Imperador romano Augusto, analisou os seus testamentos (eram dois) e decidiu dividir o reino entre os três filhos. Arquelau foi nomeado governador da Judeia, Samaria e Idumeia, Antipas herdou a Galileia e a Pereia e Filipe recebeu as regiões mais remotas do reino de Herodes.
Antipas revelou-se um vassalo fiel e governou a Galileia durante 43 anos. Arquelau teve menos sorte. Os seus súbditos protestaram contra algumas das suas medidas e Roma deu-lhes razão. Destitui-o, exilou-o, e nomeou um funcionário romano para o substituir.
Os judeus reagiam com muita sensibilidade ao que acontecia em Jerusalém. Além disso, as grandes concentrações que ali ocorriam, por ocasião das festas religiosas, criavam condições favoráveis à eclusão de distúrbios.
O prefeito, no tempo de Jesus, vivia em Cesareia, na costa do Mediterrâneo, num dos luxuosos palácios de Herodes Magno. Dispunha de tropas de 3.000 homens, o que não era suficiente para resolver problemas graves. Havia uma pequena guarnição na fortaleza Antónia em Jerusalém, bem como outros fortes na Judeia, mas Roma não governava a Judeia no dia-a-dia. As cidades e as aldeias eram governadas, como sempre o tinham sido, por um pequeno grupo de anciãos, entre os quais, um ou vários, serviam de magistrados. Quando havia dificuldades que pudessem levar ao derramamento de sangue, os cidadãos mais importantes mandavam uma mensagem ao prefeito. Os distúrbios mais significativos exigiam a intervenção do legado da Síria, que era superior ao prefeito da Judeia e dispunha de grandes contingentes militares (quatro legiões, no total de aproximadamente 20.000 homens de infantaria e de uma cavalaria de 5.000 homens).
Durante as festas mais importantes, o prefeito romano vinha para Jerusalém e o contingente de tropas era reforçado, para garantir que as multidões não se descontrolassem.
Só o prefeito tinha o direito de condenar à morte, com uma excepção: Roma permitia aos sacerdotes afixar avisos em grego e latim, no Templo, proibindo os prosélitos a entrada num determinado sector do Templo. Quem infringisse essa proibição, mesmo que fosse cidadão romano, era executado imediatamente, sem que fosse enviado ao prefeito. Exceptuando este caso, o direito a condenar à morte não só era exclusivo, como absoluto – ele podia mandar executar até um cidadão romano, sem precisar de formular uma acusação que fosse apresentada perante um tribunal romano.
Jerusalém fica na Judeia que, ao contrário da Galileia, era uma província romana.
Jerusalém, era governada pelo sumo sacerdote dos judeus (José Caifás), que estava subordinado ao prefeito romano (Pôncio Pilatos).
A Galileia era governada por Herodes Antipas, filho de Herodes Magno.
Os Judeus acreditavam que Deus controlava a História e decidia o resultado de todos os acontecimentos importantes. Alguns acreditavam que Deus estabeleceria o Seu Reino na terra num futuro próximo. Muitos Judeus desejavam a libertação do domínio romano e pensavam que isso só podia ser alcançado com a ajuda de Deus.
Também acreditavam (e acreditam) que Deus fez uma aliança com o seu povo, que os obriga a obedecer-Lhe, assim como obriga Deus a guiá-los e protegê-los. Também acreditam que Deus lhe deu a terra da Palestina e que lhes falou através dos profetas.
Páscoa Judaica:
É uma das três festas de peregrinação ao Templo, do ano litúrgico judaico. Começa a 15 do mês de Nissan e dura sete dias em Israel e oito dias na Diáspora. Celebra a libertação de Israel da servidão no Egipto em 14 de Nissan do ano de 1446 a.e.c.
Deus enviou as Dez pragas sobre o povo egípcio. Antes da décima, o profeta Moisés foi instruído a pedir a cada família hebreia que sacrificasse um cordeiro e molhasse os umbrais das portas com o sangue do cordeiro, para que não fossem acometidos pela morte de seus primogénitos.
Chegada a noite, os hebreus comeram a carne do cordeiro, acompanhada de pão ázimo e ervas amargas. À meia-noite, um anjo enviado por Deus feriu de morte todos os primogénitos egípcios, desde os primogénitos dos animais até mesmo os primogénitos da casa do Faraó. Então o Faraó, temendo a ira divina, aceitou liberar o povo de Israel, o que levou ao Êxodo.
Como recordação dessa libertação e do castigo de Deus sobre o Faraó, foi instituído para todas as gerações o sacrifício da Páscoa (Pessach).