segunda-feira, 16 de novembro de 2009

O Terleira



O Terleira é o 2º da Esquerda. É um fruto cá da terra, numa macedónia nacional. É o orgulho da sua mãe, que acarinhou este projecto de vida difícil e incerto.
Estou com eles! Felicidades!

domingo, 15 de novembro de 2009

Testosterona


- "Então como está OBS? "
- "Está quase todo a cargo da Cirurgia. Começou a chover e os tipos das motos começaram a ter acidentes. Estão lá quatro destes".
- "É a testosterona!"
- "Viste aquela notícia em que um fulano matou a namorada e uma amiga e depois se suicidou? Ele na construção civil e ela a querer dar o salto para uma profissão com mais estudos, a fazer perigar o seu estatuto de macho. Elas que se cuidem. Se conseguirem melhores empregos que os seus pares, ou se divorciam ou morrem-lhes às mãos".
- "A taxa de divórcios este ano subiu muito. Mas no estudo não se falava das diferenças de estatuto entre eles. Provavelmente elas subiram e eles ficaram em trabalhos indiferenciados, e isso rói a alma a qualquer macho".
- "Já deste alta ao puto da Casa dos Rapazes que engoliu o guardanapo cheio de haxixe para não ser apanhado?"
- "Esse foi embora ontem ao fim do dia."

O desenvolvimento das características sexuais secundárias inicia-se entre os 6 e os 8 anos de idade e pelos 16 tende a estar completo.
É fundamental que as Escolas tenham em consideração que a testosterona é tóxica para o cérebro, e que todas as modificações que ela provoca têm de ser entendidas e orientadas, sob o risco de se produzir um marginal, que a todo o tempo se evidencia pelas piores razões.
Há que lhes conhecer os imaginários em tempo real (mesmo sabendo da sua volatilidade), para que, desde início, se dê solução às múltiplas questões com que se debatem.

sábado, 14 de novembro de 2009

Temperar o aço



Sempre vi magia nas forjas e nos ferreiros a moldar e a temperar o aço.
Meter um ferro dentro de um forno até ao rubro e depois arrefecê-lo bruscamente na água, para lhe dar a dureza necessária a uma arma “indestrutível”, tem de ter uma base científica. As espadas Excalibur (a espada do rei Artur) e as dos samurais teriam de ser obras de tecnologia, para se terem imposto ao imaginário colectivo.


Revendo os conceitos:
O ferro existe na natureza em abundância sob a forma de vários minerais: a hematite (Fe2O3), a magnetite (Fe3O4), a limonite (FeO(OH)), a siderite (FeCO3), a pirite (FeS2) e a ilmenite (FeTiO3). A maior parte são óxidos, com maior ou menor grau de impurezas.
O ferro é o metal mais usado pelo homem (95% da produção mundial de metal), devido ao seu baixo preço e dureza, e é principalmente empregue na construção de automóveis, barcos e componentes estruturais de edifícios. Em 2004, os cinco maiores produtores de ferro eram a China, o Brasil, a Austrália, a Índia e a Rússia, com 74% da produção mundial.
O ferro (do latim ferrum) é um elemento químico, símbolo Fe, de número atómico 26 (26 protões e 26 electrões) e massa atómica 56.
Para se extrair o ferro dos minérios de ferro, usam-se altos-fornos onde o minério é fundido a temperaturas perto dos 1500 ºC. Aí é-lhe adicionado carbonato de cálcio (CaCO3) que, além de lhe fazer diminuir o ponto de fusão, reage com as impurezas formando a escória. Também é adicionado coque (carbono amorfo, com mais de 90% de pureza) para promover a redução do Fe3+ em Fe.
O que se obtém neste processo é a “gusa” (uma mistura de ferro com carbono), que se armazena em lingotes. O ferro puro (ferro macio) não tem utilidade prática por ser muito maleável e facilmente oxidável.
É possível adicionar outros elementos ao ferro e formar ligas com grande variedade de propriedades mecânicas. Os aços são ligas de ferro e carbono, que podem conter outros elementos.

Dependendo do seu conteúdo em carbono são classificados em:
Aço baixo em carbono. Contém menos de 0.25% de carbono em peso. São pouco duros mas dúcteis. São utilizados em veículos, canos, elementos estruturais e outros.
Aço médio em carbono. Entre 0,25% e 0,6% de carbono em peso. São mais resistentes que os anteriores, mas menos dúcteis. São empregues em peças de engenharia que requerem uma alta resistência mecânica e ao desgaste.
Aço alto em carbono. Entre 0,60% e 1,4% de carbono em peso. São os mais resistentes, mas também os menos dúcteis. Adicionam-se outros elementos para que se formem carbonetos (p.ex: carboneto de tungsténio, quando é adicionado à liga o volfrâmio). Estes aços mais duros são utilizados na fabricação de ferramentas e de armas.
Um dos inconvenientes do ferro é que se oxida com facilidade. Mas se lhe adicionarmos crómio, torna-se resistente à corrosão. São os chamados aços inoxidáveis.
Quando o conteúdo de carbono da liga é superior a 2,1% em peso, a liga metálica é denominada ferro fundido. Estas ligas apresentam, em geral, entre 3% e 4,5% de carbono em peso. Existem diversos tipos de ferros fundidos. Dependendo do tipo têm aplicações diferentes: em motores, válvulas, engrenagens e outras.
Os óxidos de ferro são também utilizados em pinturas.

Temperar é transformar um metal num composto homogéneo com uma estrutura molecular tal que não haja planos de clivagem.
Esse arranjo molecular é muito específico de uma determinada temperatura, e desfaz-se quando o arrefecimento é natural, pelo que se tenta fixá-lo arrefecendo-o rapidamente.

É aqui que está a magia do ferreiro.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Legalidade versus Moralidade


“Como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados sociais, os corporativos e o estado a que chegámos” – Salgueiro Maia, 23 de Abril de 1974.
E em 2009 chegámos a um estado de grande pobreza moral, onde só é inaceitável o que é provado como crime. De resto: vale tudo.
Esta identificação do legal com a moral é o maior logro da nossa sociedade, pois já há mil anos, o Direito Romano, defendia que "nem tudo o que é legal é moralmente aceitável".
Hoje, Portugal tornou-se numa imensa sala de audiências, onde os comportamentos imorais dos governantes são discutidos para se analisar se são legais, para que, se não se provar ilegalidade, se possa passar uma esponja sobre o caso.

Será que devem ser os juízes a distinguir, por nós, o bem do mal, o certo do errado?
Ou será que devemos escolher os nossos líderes pela sua postura moral para assim sairmos deste pesadelo?

É que "as coisas deixadas a si próprias, vão sempre de mal para pior"

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Desabafos























"Se podes fazer difícil, porque estás a fazer fácil?"

Esta é uma norma que grassa quer no sector público quer no privado, com a agravante de que neste há menos controle. Do facto resulta um significativo aumento do custo de qualquer serviço.

Está dependente do oportunismo e da incompetência dos seus profissionais e define o grau de corrupção de qualquer sociedade.
Pode ser dito de outro modo:
"Criar dificuldades, para vender facilidades!"

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Pombos























O etologista Wallace Craig (1876–1954) dedicou-se ao estudo do comportamento dos pombos. Numa das suas experiências com casais de pombos, separou o macho da fêmea durante períodos cada vez maiores e verificou experimentalmente quais eram, depois de cada período de privação, os objectos suficientes para desencadearem a dança de amor do macho. Alguns dias depois do desaparecimento da fêmea da sua própria espécie, o macho estava pronto a cortejar uma pomba branca que até aí havia ignorado. Alguns dias mais, inclinou-se e arrulhou diante de um pombo embalsamado e, mais tarde diante de um bocado de pano enrolado; finalmente, depois de várias semanas de solidão, tomou por objecto do seu jogo de amor o canto vazio da gaiola, onde a convergência das linhas rectas oferecia pelo menos um ponto de fixação óptica.
À falta de melhor, come-se do que há!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Osmose Jones



"Osmose Jones é um filme que intercala cenas de filmagem com atores e animação, Frank é um pai viúvo com sérios problemas de higiene e auto-estima. Por acidente ingere Thrax, um vírus letal que pretende matá-lo em poucas horas. Enquanto Frank desenvolve a doença, dentro do seu organismo (mostrado como uma cidade em animações, com seus habitantes) um policial (um leucócito) chamado Osmose Jones e seu parcero Drix (uma cápsula antigripal) procuram combatê-lo.
De modo lúdico, esse filme ensina alguns conceitos de higiene e de fisiologia humana."
in Wikipedia

domingo, 8 de novembro de 2009

Carminho



Carmo Rebelo de Andrade – Carminho, é filha de uma fadista - Teresa Siqueira, que gere a casa de fados “A taberna do Embuçado” em Alfama. Tem 24 anos.

Canta um fado clássico, ainda “crianza”, de características muito boas, que se correctamente maturado, poderá evoluir e dar lugar a um fado com características próprias, com “bouquet”.

sábado, 7 de novembro de 2009

Nuno Cabral de Montalegre























Quando temos algum poder, e nos pressionamos (ou nos pressionam) por um qualquer objectivo, surge invariavelmente dentro de nós um Nuno Cabral de Montalegre para nos tentar a decidir ignorando os acordos e a lei.
Se temos algum respeito pelos outros e um mínimo de cidadania, reprimimo-lo. Se achamos que os fins justificam os meios, vamos “em frente” “racionalizando” a prática com palavras que desmentimos no dia seguinte, na esperança de que a natureza dos nossos interlocutores faça esquecer todo o mal sofrido, logo que lhes suceda qualquer coisa de bom.

Mas gerir organismos públicos com esse espírito, lembra-me … o tempo da outra senhora!

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

S. José


Nenhum dos evangelhos diz que era velho. Podemos imaginá-lo jovem, belo e enamorado.
O seu nome vem do verbo hebraico “yasaf”, que quer dizer acrescentar. “Yosef”, à letra, é aquele que acrescenta. E o que acrescenta ele? Para já, a sua fé. Ele acredita na versão da sua noiva, grávida mas não dele. Acrescenta-se ainda como esposo daquela rapariga, impedindo assim a condenação à morte, porque ela, perante a lei, era adúltera. E acrescenta-se enquanto segundo pai daquela estranha criatura aparecida no meio deles, Jesus. Ele contribui e muito para esta história e, no evangelho, tal não é tido em conta.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

"Bons" empregos


















-Oh Samuel! Eu já passei por isso!
Quando iniciei a minha vida profissional e andava à procura dos locais onde o dinheiro era possível, tropecei no "Serviço Permanente" da "Caixa de Previdência".
Tinha de fazer domicílios à noite, entre as 20:00h e as 08:00h, até um máximo de dez, em todo o Porto, Matosinhos e a avenida principal de Vila Nova de Gaia, um dia da semana e um fim-de-semana de 24h, de 5 em 5 semanas, em que o máximo era de 20 domicílios, com a cidade dividida por dois médicos. Éramos ao todo dez nestas funções e, segundo consta, aquilo era tão mau que, inicialmente, se era obrigado a passar por lá, para ter um lugar sentado num consultório.
Mas tinha vantagens para mim. As noites então não me faziam mossa e, andar de carro a altas horas a dar com as gentes que chamavam a desoras, era um desafio que compensava as “incomodidades”. E, para além de tudo o mais, … pagavam-me.
Pagavam-me meio período de Caixa, só por estar de serviço, e mais 33$00 por doente que visse. O automóvel estava por minha conta. Não havia telemóveis, o que me obrigava a ir telefonando de cabines ou da casa dos doentes a perguntar ao telefonista, que atendia os pedidos, se havia mais e onde, para não ter de voltar aos locais onde já tinha estado.
Mas a maior vantagem era que raramente havia dez chamadas numa noite, e até havia noites de duas ou três, o que me dava para estar em casa muito desse tempo.
Como alternativa teria de ir trabalhar para um posto da Caixa, algures nos arredores do Porto, fazer 4 períodos de 3 horas a ver 6 doentes à hora. O “Permanente” pareceu-me mais vantajoso.

Tão bom o achei, que um mês depois disponibilizei-me para outro lugar, e pouco tempo depois já estava com duas noites por semana no “Permanente”, a somar a uma outra, a “doer”, na Urgência do Hospital de S. João, quando calhava.

Já aqui contei algumas das histórias mais pitorescas que me foram acontecendo nestas andanças.
Num desses dias em que eu percorria a cidade, e nem de propósito, ouvi no rádio do meu R5, uma entrevista com alguém responsável pelos Serviços Médico-Sociais falar do “Permanente”, gabando-lhe a funcionalidade.
-“Ah! Maldito! Estes gajos não sabem estar calados!”, terei praguejado, enquanto rezava para que não houvesse ouvintes àquelas horas.
Mas havia. E a prova veio poucos dias depois.
- “Dr.! Tem oito, e ainda só são dez horas. Tem de se despachar! Se vierem mais de dez aceita?”
- “Nem pensar!”, respondi. “É que eu amanhã tenho mais vida!”.

E num repente tudo mudou. Onde eram três ou quatro, passaram a ser dez, e ao 2º mês lá estava eu outra vez à porta dos SMS, mas agora para lhes dizer, que “já estava rico”, e que uma vez por semana era suficiente para manter o património.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Chefiar
























Nunca entendi um lugar de chefia como um lugar de privilégio, salvo quando, na Banca ou nas Empresas, se faz pagar a preço de ouro, porque aí, pode valer a pena passar por tudo isso para conseguir um pé de meia confortável que em poucos anos nos leve para outros voos, mais calmos.
Ocupar um posto de chefia obriga a gerir com habilidade as forças flutuantes que nos estão acima e abaixo. Para tal, há que ter a confiança de ambas e rever-se nas opções e capacidades de quem nos dirige.

Caso contrário, … há mais mundo!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Gethsemane


Eu só quero perguntar-Te, se não tinhas um modo diferente de fazer isto. Afasta de mim esse cálice, porque eu não quero saborear o seu veneno. Eu mudei. Já não estou tão certo como quando começámos. Então eu estava inspirado. Agora estou triste e cansado. Certamente que excedi todas as expectativas, nestes três anos, que me parecem agora trinta. Tu não conseguirias pedir tanto a qualquer outro homem. Mas se eu morrer, vê o que me vai acontecer. Deixas que me odeiem, batam, me magoem e me preguem num madeiro. Eu quero saber, meu Deus, a razão por que devo morrer. Será que irei ser mais notado do que fui antes? Será que as coisas que tenho dito e feito passarão a importar mais?
Eu preciso saber, meu Senhor. Se eu morrer, qual será a minha recompensa? Mostra-me que eu não vou ser morto em vão? Mostra-me um pouco do teu cérebro omnipresente. Mostra-me que há uma razão para quereres que eu morra. Tu estás muito interessado em onde e como, mas não te vejo tão preocupado com o porquê. Tudo bem eu vou morrer! Então eu estava inspirado, agora estou triste e cansado, depois de tudo que eu tentei durante estes três anos que me parecem agora noventa. Porque estou então com medo para terminar o que comecei. Digo o que Tu começaste, não fui eu a iniciá-lo. És um Deus difícil, que detém todas as cartas. Vou beber o Teu copo de veneno. Prega-me na cruz e quebra-me, sangra-me, bate-me, mata-me, e leva-me agora, antes que eu mude de opinião.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O Melro



O melro, eu conheci-o:
Era negro, vibrante, luzidio,
Madrugador, jovial;
Logo de manhã cedo
Começava a soltar d´entre o arvoredo
Verdadeiras risadas de cristal.
E assim que o padre-cura abria a porta
Que dá para o passal,
Repicando umas finas ironias,
O melro d´entre a horta
Dizia-lhe: Bons dias!
E o velho padre-cura
Não gostava daquelas cortesias.

Era assim o Melro do Guerra Junqueiro. Mas não é assim o melro que me coube em sorte. Este, embora luzidio, não dá bons dias. É uma figura sinistra que se encobre para rezar ao seu Deus Padre Omnipotente o latim com que incendeia a horta do vizinho.

É um híbrido de ave de rapina, que não nasceu para trabalhar, mas para se apropriar do trabalho alheio e para inventar utopias e lamentos num canto de sereia de perdição.

Mas ouvem-no, e ele cresce. E manda, ... porque … pode!

domingo, 1 de novembro de 2009

Salamandra
















As Salamandras são urodelos e como tal – anfíbios mas, surpreendentemente, moram à porta de minha casa. De verão desaparecem, para voltarem com as primeiras chuvas, indiferentes aos cães, que por certo sabem que as suas manchas amarelas contêm um tóxico neuro-muscular.

Gosto de as ver de cabeça levantada, a decidir se vão para as fendas do muro ou se esperam que me vá, para continuar a vida. Quando decidem atrasar-me, vão para a garagem para me verem de gatas a afastá-las do trajecto dos rodados, mas fora isso e os sustos que pregam a quem tem medo delas, damo-nos tão bem, que eu restrinjo os químicos que o jardim pede.